8 de janeiro de 2013

Verão 2013: as músicas e outras modas

Verão!
Praia, roupas, churrasco, baladas, cerveja, caipiríssima, Red Bull...
Calorão, trabalho, trânsito caótico, temporais...
Biquinis, filtro solar, bares, filmes, livros...
Modismos, danças, músicas...
Estava lendo um lista sobre as músicas que mais vão bombar (essa gíria ainda está em vigor ou entrou alguma nova e eu nao sei?) na estação.
E lá fui eu outra vez fazer comparações com os verões dos anos 60, 70 e 80.
Sei que não tem nada a ver uma coisa com outra(s), mas definitivamente não consigo gostar dessas músicas do tipo "15 minutos de fama". Talvez precise mesmo de muitas doses de cerveja e caipirinha para me animar.
De qualquer forma, listo abaixo as 13 músicas brasileiras que vão esquentar o verão 2013, segundo o portal G1.
Só me animei com a canção "Sei" do Nando Reis, que é trilha-sonora de uma novela das seis (as únicas que costumam se salvar no esquema de produção global).
É uma música que, obviamente, destoa das outras citadas.
Segue um video dela.
 
"Largadinho" - Claudia Leitte
"Dançando" - Ivete Sangalo e Shakira
"Dançation" - Psirico
"Dança do arrocha" - Parangolé
"Amor de chocolate" - Naldo
"Dança sensual" - MC Koringa
"Vagalumes" - Pollo
"Me beija agora" - Calypso
"Sei" - Nando Reis
"É nóis fazê parapapá" - Sorriso Maroto e Michel Teló
"Sogrão caprichou" - Luan Santana
"Balada louca" - Munhoz & Mariano e João Neto & Frederico
"Gatinha assanhada" - Gusttavo Lima

Laura e Edgar - Sei (Nando Reis) - Com Letra por CarolinaKasting_MarianaXimenes_videos  no Videolog.tv.

Dilma e o Seu Tempo (versus a "Operação 2014")

Excelente o editorial escrito pelo Mino Carta na edição desta semana da revista Carta Capital.
"Há situações que me causam alguma perplexidade. Durante o governo Lula o empresariado queixava-se dos juros escorchantes, com exceção dos banqueiros, está claro. De sua alegria cuidava o presidente do BC, Henrique Meirelles. Em compensação, o vice-presidente da República, o inesquecível e digníssimo José Alencar, defendia com ardor a demanda dos seus pares.
Agora o governo Dilma abaixa os juros, e todos se queixam, em perfeito uníssono. Busco uma explicação, embora me tente recorrer a um dos grandes escritores do absurdo, movido pela convicção de que somente eles seriam capazes de explicar o Brasil. Este é um país que consegue viver contradições abissais, a começar pelo seguinte fato: atravessamos no mesmo instante épocas diferentes. A modernidade tecnológica e a Idade Média política e social.
No caso dos juros, os lances mais recentes do governo Dilma revelaram outro fato bastante significativo: muitos brasileiros que se dizem empresários são, de verdade, apenas e tão somente especuladores. Contaminados pelo vírus do neoliberalismo, acertaram sua irredutível preferência pela renda no confronto com a produção, e a baixa dos juros os atinge na parte mais sensível do corpo humano, ou seja, o bolso, como disse há muito tempo o professor Delfim Netto.
Seria preciso assumir o autêntico papel do empresário e, em vez de acompanhar os movimentos das bolsas e das oligarquias financeiras, trabalhar para produzir e enfrentar a concorrência e riscos variados como, creio eu, vaticinava Adam Smith. Os próprios banqueiros perdem benesses e têm de arregaçar as mangas para voltar às tarefas da Banca di San Giorgio.
O governo Dilma dá um passo adiante em relação àquele que o precedeu. Mexe com os interesses do poder real, conforme a opinião de analistas atilados. Ousa o que Lula não ousou. E o balanço da primeira metade do seu mandato há de registrar esse avanço em primeiro lugar.
É justo perguntar aos nossos botões por que um país tão favorecido pela natureza não atingiu o grau de desenvolvimento que lhe compete. E a resposta é inescapável: a casa-grande ficou de pé e conseguiu, sem maiores esforços, a bem da verdade, manter a Nação atada ao seu próprio tempo de prepotência. “Eles querem um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”, dizia Raymundo Faoro.
Poder absoluto de um lado, submissão do outro. Getúlio Vargas, eleito democraticamente em 1950, tentou enfrentar a casa-grande e morreu suicidado. O novo desafio demorou 48 anos e começou com a eleição de Lula, início de um capítulo inédito da história, este por ora a mostrar-se duradouro. Como se deu com Getúlio, mas em circunstâncias diferentes, o povo identificou-se com seu líder. No entanto, ao contrário de Getúlio, Lula é seu povo, e chegou depois de uma ditadura de 21 anos imposta pela casa-grande e de uma fase da chamada “redemocratização”, na prática voltada à manutenção do poder real e dos seus privilégios medievais.
Dilma, nesses seus últimos dois anos de mandato, deu continuidade à obra do antecessor sem deixar de conferir marca pessoal ao desempenho. De saída, livrou-se de ministros incômodos, como o exorbitante “operador” Antonio Palocci, ou Nelson Jobim, atucanado militarista. Prosseguiu pelos caminhos traçados por Lula na política social e exterior e foi recebida mundo afora como digna sucessora do “cara”. Lança, enfim, as bases de uma política econômica afinada com os objetivos de um governo social-democrático habilitado à contemporaneidade do mundo.
Janus bifronte mostra o cenho franzido na face que encara o passado, enxerga um 2012 difícil, de desenvolvimento econômico medíocre, abalado por uma crise mundial muito antes que brasileira. Não está desanuviado o rosto que olha para o futuro. O ministro Mantega promete em 2013 um crescimento de 4%, ou pouco mais, índice excelente nas circunstâncias. Não me arrisco a analisar a promessa. As dificuldades para Dilma se espraiam bem além da situação econômica, a despeito das influências que esta exercerá em outros quadrantes.
A “Operação 2014”, desencadeada pela mídia contra Lula e contra o governo não arrefecerá certamente na perspectiva do pleito do ano próximo. De certa maneira, a campanha eleitoral já partiu e definiu seus temas recorrentes. Sim, os tempos mudaram e os porta-vozes do poder real não alcançam a maioria da Nação. Sobram, porém, os problemas criados dentro do PT, da base governista e até do governo. Semeados inclusive pelo Supremo Tribunal Federal, lunaticamente inclinado a subverter as regras basilares da democracia e a agredir a Constituição. Será que o ministro da Justiça tem mesmo de resignar-se diante de tanto descalabro?
Assustam, sejamos claros, um STF e um procurador-geral da República claramente engajados na Operação 2014. Para seu próprio bem, cabe ao governo uma reação à altura, também em outra frente, para reestruturar o Partido dos Trabalhadores, hoje dividido, depauperado e em estado de confusão. Neste campo, a intervenção do fundador é indispensável. Lula é o líder em condições de conduzir o partido no retorno ao passado, para reencontrar aquela agremiação que o sustentou por três eleições e enfim o levou à Presidência em 2002.
Quanto à base governista, os problemas parecem insolúveis. Governar exige alianças de ocasião e as melhores intenções acabam por lastrear o caminho do inferno. Há parceiros confiáveis e outros que veem na carreira política a escada da vantagem pessoal. Há quem sugira uma ação para buscar o favor do empresariado. Talvez aqui a tarefa seja menos complicada do que a tentativa de formular planos comuns com, digamos, o PMDB do vice-presidente Michel Temer e do senador José Sarney, ou com o PDT de Miro Teixeira e outros do mesmo jaez.
Permito-me, de todo modo, como se daria a aproximação ao empresariado descontente com a política econômica. Por meio de um seminário sobre o capitalismo de Adam Smith e John Maynard Keynes? Mesmo assim, tentativas menos ingênuas poderiam ser experimentadas, com algum êxito, quem sabe.
Pego-me a olhar para os colegas da redação, dobrados sobre seus computadores, intérpretes da modernidade, enquanto eu batuco na minha -Olivetti Linea 88. Sou francamente arcaico, mas temo que o computador me engula como fez e faz com tantos outros. Não escapo à sina, também eu mereço Ionesco, ou Beckett. Certo é, sem qualquer parentesco com o absurdo, que às vezes o bonde da história passa pela porta de casa. Não da minha, é óbvio. Falo de Dilma Rousseff. Sinto nela a crença, a energia, a determinação, a capacidade e o porte dos escolhidos do destino."

7 de janeiro de 2013

A Sensualidade de Paula Fernandes

Paula Fernandes é um capítulo à parte na MPB atual.
Ao cantar música sertaneja não se habilita no mundo brega das duplas repetitivas.
Seu primeiro CD foi de covers que incluiam muito rock e até progressivo, como em "Dust in The Wind" do Kansas.
Como é de Minas quase tem sabor de um Clube da Esquina feminino.
Mas é claro que sua habilidade de manipular a sensualidade "brejeira" - que é inerente à sua figura - é um trunfo magnífico a seu favor.
Li hoje que se libertou de um contrato e que agora vai administrar sua própria carreira com total independência.
Pois que aposte cada vez mais no seu lado sensual, para nossa alegria...

Paulinha, minha amiguinha, falou: "Eu sempre digo que a vulgaridade não está no tamanho da saia, nem do shorts. A gente pode ser vulgar usando um longo. Eu acho que é questão de conduta, de postura. A mulher é feminina por natureza e eu acho bacana a gente explorar, dentro dos limites, o que a gente tem de bonito. Eu uso transparência. Nunca apareceu nada que não devesse, mesmo porque, não era a minha intenção. Mas porque não ser delicada e ao mesmo tempo sensual? Esse universo da menina-mulher é muito interessante e muito vasto."

É muito vasto, Paulinha. E eu acho que você poderia até mostrar mais alguma coisinha pra nós, simples mortais...


Implacável Metamorfose

Conforme prometemos em dezembro, continuamos nesta primeira quinzena de janeiro fazendo uma mini-retrospectiva do blog, postando outra vez alguns textos publicados ao longo dos últimos quatro anos.
É 'mini' porque temos atualmente mais de 3.500 posts em arquivo!
O texto de hoje foi escrito pelo Luiz Felipe em junho de 2009.
Percebam como está atual.
Mudam alguns atores ou nuances dos tipos de problemas mas as questões sem resolução continuam as mesmas.


Uma breve idéia do tempo
Por Luiz Felipe Muniz (Advogado / Ambientalista)
Quando os assuntos do dia-a-dia se sucedem num furor incapaz de ser acompanhado pelas mentes medianas mais antenadas – hummm!! –, sem dúvida, são os sinais indeléveis de um tempo em mutação radical, rasgando as histórias pessoais e coletivas, fazendo de cada um de nós os seus protagonistas mais talentosos ou as vítimas mais ingênuas do agora!

Não creio que teríamos pensado num sertão nordestino farto em águas torrenciais em tão pouco espaço de tempo! As inundações e a destruição por lá só não são maiores do que em Santa Catarina, porque a nossa mídia não privilegia o que ocorre com os pobres brasileiros mais ao norte. Tomaram alguma medida somente após o rompimento catastrófico de uma barragem – construída para reserva de água doce em terras ressequidas pela aridez histórica –, que matou gente e animais e que exterminou vilas e comunidades inteiras ao longo de mais de 100 km de uma língua d’água em pleno leito trincado!

A seqüência de eventos fora do que poderíamos classificar como normais é fabulosa. Somente para ficar num exemplo do clima recente do continente Americano, registramos que desde os magníficos e destruidores furacões Katrina e Wilma em agosto e setembro de 2005, e a seca impensada, logo após, na Bacia do Amazonas, que muitos estudiosos dizem que “o futuro já chegou e há algo fora de ordem”.

Mas os fatos não dão trégua. Na área sócio-econômica os índices de desemprego na Europa são recordes, nos EUA os ícones do capitalismo americano desabam a cada dia, registrando por último a GM e o Citigroup como despejados do índice Dow Jones e estatizados pelo governo de Obama. Enquanto isso, no Brasil uma revolução oculta está em curso, tanto na área social como na área econômica, deixando boa parte das elites políticas – tradicionais e dominantes – enlouquecida com este Brasil menos colônia, mais democrático, menos manipulado, mais transparente, menos omisso, mais justo, menos mídia de massa, mais Internet e mais dono do seu nariz!

Em recente publicação, Kofi Annan (ex-Secretário-geral da ONU), lança um alerta sobre os milhares de mortos anuais, diretamente relacionados com as mudanças climáticas, traçando um cenário de evidentes potencialidades de ocorrência para os próximos anos. Quando interligamos informações como esta com as sucessões de fatos trágicos da atualidade, não fica difícil “lincar” a complexa questão ambiental, que está por trás de boa parte dos acontecimentos atuais.

As empresas, os governos e a sociedade em geral já sabem que não há como crescer exponencialmente rumo ao infinito, como afirmavam os modelos insustentáveis do neocapitalismo. Sabem também que será preciso um esforço descomunal para surgir um novo “modus” de ser e de estar neste planeta, daí a enorme mutação em jogo...

Os nossos modelos de desenvolvimento e os nossos modelos de pensamento estão atrelados a valores absolutos com itens pouco mutáveis, exatamente num planeta agora, em franca transformação metamorfósica. Será inevitável! Ou nos adaptamos ou seremos eliminados do processo! O que não podemos mais é desprezar o tempo que corre contra todos nós. As urgências na adaptação são evidentes e muitos já sentem na pele os seus efeitos.

Até na última triste tragédia aérea com o avião da Air France, há fortes sinais de que a indústria da aviação mundial está agora diante do primeiro grande evento trágico resultante de fenômenos atmosféricos incomuns, na mesma seqüência e proporção das tormentas pluviométricas que atingem o nordeste brasileiro – e que atingiram o sudeste recentemente –, ou seja, as mudanças climáticas fazem as suas primeiras vítimas fatais na aviação comercial internacional!

Eu penso que ainda teremos grandes surpresas com esta veloz metamorfose inevitável. Por todo o canto do mundo ações já estão, e deverão continuar, emergindo na busca de novos caminhos, mas é bom que se diga: o tempo urge e não será fácil para ninguém!

6 de janeiro de 2013

A Bandeira do Divino: Dia de Reis

Hoje, 6 de janeiro, é o "Dia dos Reis".
São os tres Reis Magos que eram muito homenageados no interior do Brasil através da Folia de Reis.
Não sei ainda existe essa tradição. Aos poucos a memória vai se perdendo com a transformação do Brasil em metrópole.
Ivan Lins fez esta linda música para lembrar a bela cantoria dos tempos da minha infância.



Da cidade ao campo

Da série "Retrospectivas", post feito originalmente em maio de 2011, em uma tarde de domingo.

Crônicas Urbanas e Rurais (ou: Nova York, Buenos Aires, Miami e a roça)
Nesta semana, que se encerra daqui a pouco (melhor dizendo, a semana já começou hoje né?!) vi na TV e jornal reportagens sobre três cidades: Buenos Aires, Miami e Nova York.
Nas duas primeiras o ênfase era nas compras. Com o Real forte os turistas tem turbinado os passeios fazendo muitas compras.
Dependendo do que se deseja comprar a diferença de preço paga a passagem, hospedagem e ainda sobra troco.
Sem falar naqueles que estão fazendo lucrativos negócios revendendo mercadorias trazidas na bagagem... Uma versão (muuuuito) melhorada daquele esquema do Paraguai.
A matéria sobre Nova York era referente à filmagem do terceiro filme M.I.B. (Homens de Preto) com Will Smith. Eu gostei dos dois primeiros.
Mostrava o set das filmagens e na verdade fazia parte de uma série que passa no Jornal Hoje da Globo aos sábados chamada "Crônicas de Nova York". Como achei interessante resolvi pesquisar outras reportagens sobre a cidade que é o paraíso do que poderíamos chamar de "vida urbana".
Pensando sobre isso, nessa manhã de domingo de sol (que está se pondo no exato momento em que escrevo essas linhas) temperatura agradável de maio, senti vontade não de ir a Nova York, Miami, Buenos Aires, Rio, São Paulo, Toquio... Me deu vontade de ir em direção à calma de alguma roça. De um verde não contaminado pelo ar e pelo barulho da metrópole. De aproveitar aquele sol embaixo do silêncio e da sombra de uma árvore.
O que me fez lembrar de um poema de alguém (Drummond?). Falava de dúvidas e saudades. Não me lembro de detalhes mas era sobre sentir falta do que não temos no momento.
Talvez seja isso: Quando chove sinto falta do sol. Épocas longas de sol, saudade da chuva. Na metrópole, o desejo de um pouco de paz. No interior, tranquilidade demais. Na serra, falta de praia. No litoral, lembrança do verde das altitudes.
Aqui ou lá? Isso ou aquilo?
No interior ou na cidade, boa semana a todos!

5 de janeiro de 2013

New Sounds Of The World


Como diria Drummond (ou genérico dele) cortaram o tempo pra gente aguentar o tranco e se renovar.
Não vale dizer neste início de ano que continua tudo como dantes. Ok, os novos prefeitos que tomaram posse na terça em sua maioria não são estreantes nem tão novos assim.
Se a política continua a mesma e a situação econômica está mais (por aqui) ou menos (pela Europa e EUA), podemos apostar um pouco nas artes em época de verão.
Bons filmes em cartaz, muitos livros para ler e músicas para ouvir.
É claro que isso vem dali, de 2012, mas faz de conta que é tudo de 2013.
Pensando bem, se eu venho de 1959, é melhor esquecer essas fatias de tempo e tocar o barco como em um mar aberto, sem fronteiras, sem ondas e bem azul.
Selecionei quatro destaques musicais (Pop) internacionais (quase) novos para um verão ótimo para uns, mais ou menos para outros. Sempre foi assim, né?!
Fico devendo algumas nacionais.

Comandado pela francesa Victoria Legrand, o Beach House (Casa de Praia é ótimo nome) faz um som Pop bem 'atmosférico' quase transcendental


Uma Sade sueca? Trata-se de Sarah Assbring e seu projeto El Perro Del Mar.


Django Django, nova banda escocesa com sabor Sunshine Pop californiano dos anos 60


Procedente do Sudão e radicado em Nova York, Ahmed Gallabj formou o Sinkane que mostra um pouco da realidade não vista por muitos. Além de um balanço muito legal.

O Nome da Crise é Capitalismo


 
Excelente artigo escrito pelo jornalista Saul Leblon no portal Carta Maior.

O governo precisa dar à crise o seu nome
"A mídia tanto insiste em confundir que às vezes até setores progressistas parecem acreditar.
Mas é preciso ficar claro: o nome da crise é capitalismo e não esquerda; não PT – ou governo Dilma, como quer o jogral embarcado nas virtudes dos livres mercados, os mesmos que jogaram o planeta no pântano atual.
A esquerda tem sua penitência a pagar nesse banco de areia movediça. Mas uma coisa é diferente da outra.
O conservadorismo não tem agenda propositiva a oferecer, exceto regressão à matriz do desmazelo atual.
A esquerda ainda lambe feridas, espana a rendição neoliberal que acometeu – ainda acomete – segmentos e lideranças importantes de suas fileiras, aqui e alhures.
Mal ou bem, no entanto, ensaia um debate sobre a alternativa à desordem capitalista.
Deve acelerar o passo porque a história apertou o seu: a restauração conservadora avança no vácuo progressista.
A preparação do V Congresso do PT, que acontecerá em 2014, é a oportunidade para que isso ocorra no Brasil de forma organizada. Com convidados de dentro e de fora do partido. De dentro e de fora do país. E cobertura maciça da mídia alternativa, a contrastar o bombardeio de veículos sempre alinhados às boas causas democráticas.
O conservadorismo aposta no imobilismo progressista.
Seu futuro nutre-se da expectativa de erros, omissões e hesitações que a esquerda e o governo possam cometer na travessia do passo seguinte da história.
É esse o combustível da histeria udenista encampada pelas togas.
Não é outro o motor do terrorismo econômico midiático.
A pauta deste ano ano pré-eleitoral é a tese de que vai dar tudo errado na macroeconomia do governo Dilma.
O tambor ecoa sem parar.
O Brasil é um fracasso. Bom é o México, com presidentes saídos diretamente de uma engarrafadora de Coca-Cola, a prometer mais e mais reformas amigáveis.
A mídia isenta ergue palanques feitos de semi-informação.
Na desastrada década do PT, o Brasil elevou sua participação no PIB da América Latina de 26,8% , em 2001, para 46,6% em 2010. Recorde em 20 anos.
A participação mexicana no PIB regional regrediu o equivalente a 13 pontos no período.Ficou em 21,5% no ano passado.
Governos coca-cola aniquilaram direitos trabalhistas dos mexicanos, enquanto no Brasil de Lula o valor real do salário mínimo saltou 70% na década.
Bom é o México.O malabarismo às vezes desconcerta.
Nesta 5ª feira, na Folha, Clóvis Rossi lamenta: justamente quando Chávez está à beira da morte, seu legado econômico e social faz da Venezuela o país menos desigual de sua história. Assim:
 ” Para azar da Venezuela, o agravamento do estado de saúde do presidente coincide com o melhor momento da economia em todo o reinado de Chávez: a redução da pobreza, marca indiscutível do período, se acentuou no ano passado. São pobres, agora, 21,2%, queda de cinco pontos sobre os 26,5% de 2011; a inflação, um dos fracassos do chavismo, caiu de 27,6% em 2011 para 19,9%; o rendimento real dos assalariados, já descontada a obscena inflação, subiu 3,1% no ano passado; 4 milhões de empregos foram criados nos anos Chávez, reduzindo o desemprego a 6% em 2012″.
É constrangedor.
No Brasil, o governo do PT — sua ‘ingerência estatal, a gastança populista’– recebe o mesmo carimbo de estorvo.
Ele, não a desordem neoliberal; o PT, não o legado de um capitalismo indigente. Não o miserê estrutural que precisou do Bolsa Família para levar comida a 50 milhões de pessoas.
Quando o governo acerta, o veredito midiático é peremptório: é só um hiato entre dois fracassos.
Segue-se a lógica adversativa do meteorologista charlatão: o tempo está firme, mas só porque ainda não choveu. E vice-versa.
O Brasil precisa decidir se quer ser o México ou a Venezuela, diz o bordão do jornalismo de economia, que está para as redações assim como a coleira para o cachorro.
Tradicionalmente ele pauta os latidos da turma que tange o debate nacional no dispasão da eficiência plutocrática.
A mesma endogamia levou o país três vezes ao FMI nos anos 90; quebrou a espinha da indústria com uma abertura selvagem; rifou o contrapeso estatal vendendo empresas públicas estratégicas; criou um Estado mínimo a machadada, poupando a raspa do tacho disfuncional. Colosso devidamente elogiado e festejado pelos que hoje festejam o México e abjuram a macroeconomia de Dilma.
O governo tem muito a ganhar se as forças progressistas afrontarem os uivos dessa matilha.
Acerta a presidência do PT, por exemplo, quando Rui Falcão identifica no monopólio midiático um torniquete a obstruir o debate emancipador do desenvolvimento.
Erram os progressistas e o governo ao não nominarem as variáveis políticas em jogo na disputa pela agenda macroeconômica.
A cizania ideológica tem sido respondida por Brasília de forma frequentemente tecnocrática, gaguejante, quase envergonhada.
Atrasos enervantes nos cronogramas dos grandes projetos de infraestrutura constituem o principal lubrificante da sirene ortodoxa.
Por que o governo não encampa e aprofunda a radiografia sobre as causas da ‘ineficiência estatal’?
Nos anos 90, o Estado brasileiro foi redesenhado e calcificado institucionalmente. Um anti-Leviatã feito não funcionar.
Dissolveu-se a iniciativa pública do desenvolvimento num cipoal de interditos, terceirizações, decepações e renúncias.
Tudo feito para contemplar o preconceito conservador desconsiderando-se as urgências sociais e as responsabilidades com a infraestrutura.
A mídia conservadora quer manter as coisas assim, como um argumento pronto contra o comando estatal da economia.
A presidenta Dilma incorporou a chave da eficiência às prioridades do seu governo. Com razão: é obrigação progressista zelar pela cuidadosa aplicação dos fundos públicos.
Errou e erra, todavia, ao não afrontar o subtexto do Estado mínimo que de fato perpassa a gororoba ideológica construída em torno da lingérie mais reluzente do conservadorismo: o fetiche da ‘gestão’.
Ao não distinguir uma coisa de outra, corre o risco de endossar a tese que pretende equacionar a desordem atual com poções adicionais do veneno que a originou.
O colapso neoliberal trouxe para o colo do governo uma crise da qual a Nação é vítima e não sócia; as forças progressistas são adversárias, não parceiras.
Confunde a opinião pública endossar falsas convergências redentoras, a exemplo da gestão, quando o que emperra, de fato, é a luta de sabre para ordenar a fatura da crise e instaurar a nova dinâmica de crescimento.
Obama patina não porque inexistam alternativas. Mas porque o dinheiro grosso acantonado no Congresso barra a taxação substantiva das grandes fortunas. E compensa a míngua fiscal com arrocho no gasto público -exceto o complexo industrial-militar.
A Europa esfarela porque os bancos se entupiram de lucros no ciclo de alta do crédito irresponsável.
Quebraram. Agora são alimentados pela sonda pública, exaurindo a ação contracíclica do Estado e a engrenagem lubrificada pelo crédito e o financiamento.
Dar nome aos bois não é principismo ideológico dos ‘esquerdistas’ do PT.
Está em jogo dilatar ou não a margem de manobra do Estado brasileiro para contrastar a estagnação mundial do capitalismo.
O peso material das idéias não deve ser confundido com proselitismo.
Quando minimiza a importância da mídia progressista, asfixia blogs e sites negando-lhes o direito legítimo à publicidade estatal de utilidade pública –descarregada maciçamente no dispositivo conservador– o governo dá mostras de não entender essa diferença.
Para um governo progressista é quase um suicídio.
Não por acaso, os que apostam no fracasso macroeconômico como palanque contra Dilma, em 2014, querem fazer da ‘gestão’ o escudo redentor do Brasil contra a crise.
Desenvolvimento é transformação; é coordenar recursos,expectativas e energias em direção a objetivos prioritários.
A crise da ordem neoliberal desmentiu a conversa mole da proficiência dos mercados desregulados na alocação dos recursos, ao menor custo e com a máxima eficiência.
Saldo: o mundo caminha para o sexto ano da crise mais grave do capitalismo desde 1929. O investimento privado patina no Brasil.
A superação do impasse só virá se e quando o Estado detiver maior poder de comando para enquadrar e destravar o papel indutor do crédito e do investimento capitalista.
Os bancos detêm essa prerrogativa na economia de mercado. Mas sonegam fogo na hora do aperto e desviam seus canhões contra quem tenta induzi-los.
Não se vence um embate dessa natureza com o acesso à opinião pública obstruído pelo monopólio midiático.
Essa reflexão, suas consequências práticas, continua ausente da agenda da Presidência da República a cada manhã.
É um contra-senso.
Se o próprio governo hesita em ocupar o horizonte de longo prazo, que a mídia alardeia como temerário, por que o investimento privado se arriscaria?"