30 de novembro de 2015

Chega de notícias ruins

"(...) Na semana passada a Globo anunciou a demissão do jornalista Sidney Rezende, que trabalhava desde 1997 na GloboNews. A emissora jura que o facão foi por motivos operacionais, no bojo de uma "reestruturação da empresa" - que perde audiência e tende a perder anunciantes. Mas, curiosamente, o jornalista demitido havia postado na mesma semana em seu perfil no Facebook uma dura crítica ao papel da imprensa no Brasil. "Reengenharia" ou censura? Só o futuro dirá, mas vale conferir o artigo lúcido de Sidney Rezende." (por Altamiro Borges, no Blog do Miro)
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Chega de notícias ruins
"Em todos os lugares que compareço para realizar minhas palestras, eu sou questionado: "Por que vocês da imprensa só dão 'notícia ruim'?"

O questionamento por si só, tantas vezes repetido, e em lugares tão diferentes no território nacional, já deveria ser motivo de profunda reflexão por nossa categoria. Não serve a resposta padrão de que "é o que temos para hoje". Não é verdade. Há cinismo no jornalismo, também. Embora achemos que isto só exista na profissão dos outros.

Os médicos se acham deuses. Nós temos certeza!

Há uma má vontade dos colegas que se especializaram em política e economia. A obsessão em ver no Governo o demônio, a materialização do mal, ou o porto da incompetência, está sufocando a sociedade e engessando o setor produtivo.

O "ministro" Delfim Netto, um dos mais bem humorados frasistas do Brasil, disse há poucas semanas que todos estamos tão focados em sermos "líquidos" que acabaremos "morrendo afogados". Ele está certo.

Outro dia, Delfim estava com o braço na tipoia e eu perguntei: "o que houve?". Ele respondeu: "está cada vez mais difícil defender o governo".

Uma trupe de jornalistas parece tão certa de que o impedimento da presidente Dilma Rousseff é o único caminho possível para a redenção nacional que se esquece do nosso dever principal, que é noticiar o fato, perseguir a verdade, ser fiel ao ocorrido e refletir sobre o real e não sobre o que pode vir a ser o nosso desejo interior. Essa turma tem suas neuroses loucas e querem nos enlouquecer também.

O Governo acumula trapalhadas e elas precisam ser noticiadas na dimensão precisa. Da mesma forma que os acertos também devem ser publicados. E não são. Eles são escondidos. Para nós, jornalistas, não nos cabe juízo de valor do que seria o certo no cumprimento do dever.

Se pesquisarmos a quantidade de boçalidades escritas por jornalistas e "soluções" que quando adotadas deram errado daria para construir um monumento maior do que as pirâmides do Egito. Nós erramos. E não é pouco. Erramos muito.

Reconheço a importância dos comentaristas. Tudo bem que escrevam e digam o que pensam. Mas nem por isso devem cultivar a "má vontade" e o "ódio" como princípio do seu trabalho. Tem um grupo grande que, para ser aceito, simplesmente se inscreve na "igrejinha", ganha carteirinha da banda de música e passa a rezar na mesma cartilha. Todos iguaizinhos.

Certa vez, um homem público disse sobre a imprensa: "será que não tem uma noticiazinha de nada que seja boa? Será que ninguém neste país fez nada de bom hoje?". Se depender da imprensa brasileira, está muito difícil achar algo positivo. A má vontade reina na pátria.

É hora de mudar. O povo já percebeu que esta "nossa vibe" é só nossa e das forças que ganham dinheiro e querem mais poder no Brasil. Não temos compromisso com o governo anterior, com este e nem com o próximo. Temos responsabilidade diante da nação.

Nós devemos defender princípios permanentes e não transitórios.

Para não perder viagem: por que a gente não dá também notícias boas?"
Por Sidney Rezende

10 de novembro de 2015

Bob Fernandes: "Crônicas da ascensão fascista" (ou: O Moralismo Caolho e Hipócrita)


O pior: já sabemos como isso costuma acabar. A história está cheia de exemplos.



Publicado em 9 de nov de 2015
" Protesto paralisa rodovias em 12 estados. Ação de caminhoneiros que se anunciam "independentes" de sindicatos, contrários a aumentos nos impostos e preços de combustíveis e...pela saída de Dilma. Via WhatsApp, mensagens outras buscam espalhar pânico. Dizem que petroleiros querem provocar desabastecimento de gasolina e gás. No domingo, 8, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, foi hostilizado em um restaurante em Belo Horizonte. Ministro responsável pela implantação do Bolsa Família nos governos Lula, de 2004 a 2010, Patrus não tem acusações de corrupção contra si. "Petista, ladrão, safado, bolivariano", gritaram cidadão, que diz ser empresário, e um amigo. O ministro e um amigo não deixaram pra lá, reagiram. Patrus cobrou: -Escreva, põe isso no papel para que eu possa processá-lo... Confrontado, o empresário recuou e confessou: "Sou ladrão, sou corrupto igual ao PT... e sonego para não dar dinheiro para partido ladrão". Filmada e exposta nas redes sociais, a cena entra para a História como clássico do moralismo caolho e hipócrita. De gente que sonega impostos, rouba, enquanto aponta para corrupção alheia. Na segunda vez em que foi chamado de "ladrão" o ex-ministro da Fazenda, Mantega não deixou pra lá. Processou, e dois tipos pediram desculpas publicamente. Na Califórnia, outro tratou a presidente Dilma como "assassina" e "ladra". Repetiu-se o habitual "Deixa pra lá, é só um oportunista..." Na mesma Belo Horizonte, no velório do ex-senador José Eduardo Dutra, há um mês, vaias, e panfletos pregando: -Petista bom é petista morto... Outra vez, "deixa prá lá, são só oportunistas..." Há semanas, em São Paulo, Eduardo Suplicy e o prefeito ouviram berros: -...comunista, bolivariano, Haddad vagabundo... Também o vídeo dessa cena viralizou nas redes sociais. Nos dias seguintes, os registros impressos do fato. Assépticos, acríticos, já que tratavam de "bolivarianos" que devem "ir pra Cuba"... etc. Isso numa livraria chamada "Cultura". Aquela metáfora se completou com o berreiro se dando próximo a pilhas do livro "Como conversar com um fascista", de Marcia Tiburi. Então, mais uma vez, o habitual: "Deixa pra lá, são só oportunistas". Sim, são oportunistas, mas é preciso lembrar: a escalada começa sempre da mesma forma. E já sabemos como termina."

6 de novembro de 2015

A Crise Política e Econômica (e os possíveis canditados para 2018)

Mesmo tentando incessantemente fugir do debate político, depois de tantos anos no front (confesso: estou cansado), resolvi redigir rápida (tentativa de) análise da questão política/econômica atual.
Ao contrário do que muitos pensam, o Brasil sairá fortalecido de toda esta crise. Grande parte dela "vendida" como sendo devido aos "desmandos" do atual governo federal.
Lembrando que existem governos estaduais e municipais. E que temos, além do Poder Executivo, os Poderes Legislativo e Judiciário. E o "quarto poder": a grande imprensa que segue - aqui pra nós - "levemente" tendenciosa, sem assumir claramente o seu posicionamento, óbvio. Todos com sua parcela de culpa ou (Ok...) tentativas de resolver os problemas.
A crise atual teve o seu primeiro capítulo - e causador de tudo - no estouro da bolha imobiliária dos EUA em 2008. A explosão foi tão grande que continuou reverberando como um eco ao longo dos anos e em longas distâncias.
Com a globalização não dá para ninguém escapar quando existe um rombo nas economias mais importantes do mundo.
Depois dos efeitos nocivos nos EUA - onde o governo teve até mesmo que estatizar a Chrysler – por exemplo - para ela não quebrar (quem diria... ações ‘comunistas’ nos EUA) - a onda chegou entre 2010 e 2012 na Europa, atingindo mais fortemente Grécia, Portugal, Espanha e Itália (além de países menores, pouco citados).
No Brasil - e BRICs de forma geral - a onda demorou mais a chegar por conta de intervenções dos governos que tentaram a qualquer custo evitar danos à economia e, sobretudo, ao cidadão comum. Mas a crise internacional se prolongou além do previsto e da capacidade dos governos de segurarem a onda. Isso aconteceu em 2014. Desta vez não ficaram de fora o Brasil, a Rússia, África do Sul e até mesmo a toda poderosa China sentiu impacto no seu monumental PIB.
Além disso, existia a imensa dívida social que o país precisava resgatar, sob o risco de termos enormes convulsões sociais. Embora continuemos com uma distribuição de renda sofrível, o fato é que os programas sociais conseguiram pela primeira vez na história tirar o Brasil do Mapa da Fome da ONU (países onde se morre, literalmente, de fome). Um feito digno de Prêmio Nobel da Paz. Mas isso custa caro e é uma despesa que todos temos que pagar. Não é um problema do atual governo. Era um vergonhoso problema da história do Brasil.
Assim, dizer que o Brasil foi incompetente e que esta é uma crise exclusivamente brasileira é má fé mesmo.
Quanto ao fato de venderem a ideia de que o atual partido no poder "inventou a corrupção" soa como piada para desavisados. A corrupção é endêmica desde o Brasil Colônia, sabemos. E em quase todos os outros países também (desconfio que não dá nem para salvar os nórdicos, embora em menor escala, obviamente). Atualmente grande parte dela é devido ao financiamento privado de campanhas que o STF derrubou este ano, embora parte do Congresso ainda insista em manter o status histórico.
Pela primeira vez não há intervenção do Poder Executivo nas investigações e pela primeira vez existem investigações e punições embora pareçam ser parciais, escolhendo que caminho seguir e a quem punir, quando na verdade deveriam ser amplas, gerais e irrestritas, avançando inclusive em épocas anteriores que nunca foram investigadas embora existissem denúncias, todas devidamente engavetadas.
A 'seletivade' das investigações e indignações mostra um país artificialmente dividido, onde nem partidos de situação nem partidos de oposição se entendem. Muito menos o povão.
Embora não seja mostrado, o principal partido de oposição está em frangalhos e não herdará o espólio do partido atualmente no poder. Caciques brigam entre si e é possível que brevemente existam migrações para outros partidos, tentando sobreviver à crise que eles mesmo agigantaram. A teoria do ódio não deu certo e o golpe não prosperou. Fica cada vez mais claro para a população que tem gente querendo não resolver o problema e sim piorá-lo. Agora é a história da "farinha pouca meu pirão primeiro". E salve-se quem puder, afinal de contas novas eleições brevemente baterão à porta.
Mas... "apesar de vocês, amanhã há de ser outro dia".
Não é um otimismo só meu nessa época sombria para (quase) todos, vejam dados atualizados apresentados pelo jornalista Miguel do Rosário: "Para 2016, o boletim Focus, que apura a opinião dos agentes privados, estima que a balança comercial será de US$ 26 bilhões, quase duas vezes maior que a prevista para este ano, de US$ 14 bilhões.
Os investimentos estrangeiros diretos, aqueles voltados para a produção, continuam altos: estima-se que atingirão US$ 65 bilhões este ano. O mundo continua apostando no Brasil.
Para 2016, a previsão é que os investimentos estrangeiros diretos continuem acima de US$ 60 bilhões.
É a prova mais contundente de que prognósticos sombrios não colam no Brasil por muito tempo.
À diferença de colegas latinos, temos uma economia diversificada, em vários sentidos. Exportamos de tudo e faturamos tanto com exportação quanto com consumo interno. Se o dólar sobe, exportamos mais. Se o dólar cai, compramos mais.
Também não temos os problemas recorrentes de alguns países desenvolvidos, como dívida pública excessiva e população velha.
Nossa dívida pública é relativamente baixa e nossa população ainda será bastante jovem por algumas décadas."
E assim, sigamos em frente, não percamos a fé, pois nosso país e os que o defendem somos maiores que tudo isso. Em que pese o momento de baixa no emprego e alta de inflação, em que pese muitos jogando para que isso piore, superaremos esses desafios. É aguardar para confirmar. Chega de pessimismo e de gente torcendo para o mar pegar fogo pra comer peixe frito. Sigamos em frente, unidos pelo bem de todos, sobretudo dos que mais precisam.
P.S.:
E 2018? Quais seriam os candidatos? Imaginei um cenário para as eleições presidenciais. Apenas uma das inúmeras possibilidades que vejo, observando o momento atual. Mês que vem pode ser outra. Algumas indicações são meras hipóteses a princípio não realizáveis e talvez até absurdas mas...
Vamos lá:
- PT: Lula
- PSDB: Aécio
- PMDB: José Serra (abandonaria o PSDB por causa de Aécio e do Alckmin)
- PSB: Geraldo Alckmin (abandonaria o PSDB por causa do Aécio e do Serra)
- PDT - Ciro Gomes (Cristovam Buarque corre por fora)
- REDE: Marina Silva
- PSOL: Jean Wyllys (Luciana Genro tentaria outra vez?)
- PV: Eduardo Jorge (leve suspeita de que Alvaro Dias poderia deixar o PSDB - por causa do Aécio, Alckmin e Serra - e vir candidato pelo PV)
- PRTP ou PSC - Jair Bolsonaro (neste caso Levy Fidelix ou Pastor Everaldo, um dos dois, ficaria de fora da disputa)
:)

30 de outubro de 2015

Dinheiro vem, dinheiro vai, dinheiro entra, dinheiro sai

Em tempos de vacas magérrimas (figurativa e literalmente), estava pensando em nossos hábitos de consumo.
Não se trata de fazer um libelo contra o consumismo desenfreado. Acho que já tentei isso aqui e não sei se convenci alguém. Nem a mim mesmo.
É sobre o dia a dia.
Não tem jeito, só o ar que respiramos é de graça. Por enquanto. E olha que ele vem poluído. Tente ver o preço de uma garrafa de oxigênio.
Então, se não pode com ele, analise-o pelo menos.
Sim. Se quiser gastar menos e ter o melhor, é bom fazer isso: analisar o seu perfil consumidor. Tal importância que dou ao tema é por que tenho certeza que sou péssimo nele.
Gasto mais do que deveria ou poderia. Mas já fui pior.
Andei emparedado por horríveis monstros econômicos que me devoravam noite e dia. Consegui algumas armas para me libertar mas eles continuam à espreita.
Enfim, nossos gastos maiores ou menores se concentram nas opções oferecidas.
Minha TV por assinatura, por exemplo, custa uma fortuna mensalmente. As operadoras costumam oferecer as armadilhas dos pacotes fechados. Você não pode montar sua própria grade de canais.
Querem um exemplo? Esses dias descobri listado na minha fatura um certo "Canal Especial" que me somava R$ 50,00 ao já assustador valor final. Liguei para saber o que era aquilo e a atendente me disse que era o "canal adulto" do meu pacote. Já entenderam né? Canal adulto é canal pornô. Em HD. Não é que eu não goste da coisa, mas nunca pedi um canal pornô na minha assinatura.
Nem sabia, porque ele vem (e continua) bloqueado por senha que nem sei qual é (acreditem!). Solicitei para ela retirar (sem maldade, please). "Impossível senhor, seu pacote é premium e esse canal faz parte, não pode ser retirado". Como assim? Tentei de tudo e não consegui retirar o canal. "A não ser que mude o pacote, senhor". Então muda, senhora! "Mais aí o senhor não terá direito aos pontos adicionais". Desisti. E olhem que eu - confesso - apelei, dizendo que era uma pessoa muito religiosa e que aquilo era um pecado. Acho que ela não acreditou não. Desconfio que não passei sinceridade nos meus apelos...
Estou pensando seriamente em ficar só com a Netflix: filmes e séries à rodo a preço de um combo do Burger King. E com quatro pontos que podem ser acessados simultaneamente em qualquer lugar que esteja. O futuro é o streaming! Basta um bom sinal Wi-Fi. Que não seja caro.
E as roupas? Comprando em grandes magazines você gasta bem menos do que naquela boutique legal, com atendimento diferenciado e roupas de grife com caimento perfeito (huuumm...). Decidi fazer isso! Fui em uma delas e gostei logo de cara da estampa de uma camisa. O problema é que tinham mais 325 (eu contei, juro!)  exatamente iguais nos cabides! Sem falar em algumas denúncias envolvendo pagamento de quantias irrisórias a serviços terceirizados. E a não preocupação com a questão ambiental. Tudo isso me faz pagar menos, mas a que preço?
Voltei então para a boutique. A estratégia é comprar peças boas mas em menor quantidade, de forma bem espaçada. Pelo menos até os grande magazines se enquadrarem.
Ou optar por aquele antigo brechó que agora é chique.
E no bar nosso de cada dia? Gosto de experimentar novos sabores de cerveja, agora que é modismo a tal da cerveja artesanal. Não sou de beber muito mas até hoje não descobri quem é essa pessoa que eles recomendam beber junto, um tal de Moderação. "Beba com Moderação", eles dizem.
O fato é que em um boteco com ar condicionado (não, não era um "pé sujo") pedi uma que me havia sido recomendada. Não me lembro do nome agora. A surpresa veio ao final, na conta: cada garrafinha custava a bagatela de R$ 26,00! Peraí garçom! Essa artesanal é da Bélgica? "Não senhor, é da cidade mesmo". Nem paga transporte aéreo e custa essa fortuna? Ah sim. O lúpulo é importado. Deve ser de Marte. Voltei então para o chopp básico, enquanto vejo na Internet como se produz cerveja em casa. A esse preço vou investir na minha própria cerveja artesanal feita na panela de pressão. Para meu consumo e para venda. A R$ 26,00.
Ah! Sim! Consegui controlar minha compulsão de comprar discos e livros (sim, em tempos de Internet ainda compro discos e livros). Pelo menos nesta semana. Sabe como é companheiro, uma semana de cada vez.
Bem, viram como é bom fazer uma análise? Como assim não cheguei a conclusão razoável nenhuma? Viram então o meu problema né?! E ainda gastei o tempo de vocês. Sorry!

Em tempo: o criador e titular deste blog, Luiz Felipe Muniz, faz aniversário hoje. Parabéns caro amigo! Vida longa com saúde e paz de espírito. Um grande abraço!

Apesar da contenção de gastos, reservei uma garrafa da Carlsberg Jacobsen Vintage ($400/375ml) para o aniversariante do dia: apenas 600 garrafas são produzidas anualmente desta barley wine(*). O problema é que só são consumidas em restaurantes de Copenhagen. Sem problema Felipe, já que a validade é até 2059! Quando chegar lá diga o meu nome que eles trazem a garrafa! :)

(*) "O barleywine (vinho de cevada) normalmente atinge um teor alcoólico de 8 a 12% em volume e é fabricado a partir de mosto de alta densidade até 1.120. O uso da palavra wine (vinho) é devido ao seu teor alcoólico semelhante a um vinho; mas, uma vez que é feito a partir de grãos (malte) em vez de frutas, ele é, de fato, uma cerveja".

23 de outubro de 2015

Em Friburgo, Macaé e Rio das Ostras, a resposta do enigma da capa do disco "Clube da Esquina"

Gosto muito de música. De quase todos os gêneros. Música boa é música que não é ruim. Em qualquer estilo.
E gosto de fotografia. Boas fotografias também.
Se a boa fotografia vier como capa de um ótimo disco, uno duas paixões.
É o que ocorre com o álbum duplo "Clube da Esquina", criação coletiva da turma de Minas com o destaque de Milton Nascimento e Lô Borges.
Lançado em 1972 é um dos melhores discos da história da MPB.
E a capa não fica atrás.
Mostra apenas uma foto, de dois garotos à beira de uma estrada. Não aparece o nome do disco nem dos artistas. Apenas aquela foto interiorana, de uma infância na roça, de dois amigos inseparáveis.
Por muito tempo achei que era uma fotografia de Milton e Lô, uma vez que eram amigos de infância.
Depois vim a saber que foi uma uma imagem registrada quase que por acidente. O fotógrafo viu as crianças na beira da estrada. Parou o carro e bateu a foto sem maiores estudos de luz, ângulo, abertura, etc.
Mas qual seria a história desta icônica capa deste lendário disco? E quem seriam aquelas crianças e onde estariam agora?
Só recentemente tive acesso a uma matéria publicada no "Diário de Pernambuco" em 2012 (na verdade a publicação original foi no jornal "Estado de Minas"). Foi através de uma postagem do amigo Paulo André em anúncio de seu programa "Caiana Radio", que vai ter um especial no domingo sobre o Clube da Esquina.
Trata-se de um trabalho investigativo para descobrir quem eram aqueles dois garotos e onde estariam agora.
Reproduzo a deliciosa matéria para quem, como eu, gosta de boa música, capas de discos, fotografias e boas histórias.

Tonho e Cacau, a dupla que estampou a capa do Clube da Esquina, 40 anos depois
"Ainda mais rápidos do que o habitual, os passos do editor de Cultura, João Paulo Cunha, na manhã de terça-feira, só poderiam significar duas coisas: ou algum artista importante tinha morrido ou… “Achamos os meninos!”. João Paulo acabara de saber que a repórter Ana Clara Brant e o fotógrafo Túlio Santos tinham cumprido a missão que lhes foi confiada na semana passada: percorrer os arredores de Nova Friburgo e localizar, 40 anos depois, os dois garotos que aparecem na capa do Clube da Esquina. A única referência eram indicações um tanto imprecisas do autor da imagem, o fotógrafo pernambucano Cafi, que clicara os garotos a caminho da fazenda da família de um dos letristas do disco, Ronaldo Bastos, e jamais havia os reencontrado.

Munida de cartazes com a reprodução da fotografia, a dupla chegou à Região Serrana do Rio de Janeiro e saiu em busca do objetivo. Conversou com mais de 50 moradores da região. Suposições, negativas, dúvidas… até que uma das entrevistadas, Beth, bateu o olho na foto e, sem hesitar, identificou os garotos. Vieram outras confirmações e o trabalho passou a ser não só localizá-los, mas promover o inédito reencontro. Às 16h de quarta-feira, a repórter ligou para a redação e, eufórica, anunciou que a missão estava cumprida. Depois de escutar o relato, temperado por surpreendentes coincidências e lances inusitados, perguntei a Ana Clara se havia ficado emocionada com o desfecho da busca. E a resposta não poderia ser mais mineira: “Nó! Tirei até uma foto com eles, uai!”.

Com vocês, a história de dois meninos brasileiros que partilharam pães e sonhos numa estrada de terra no início dos anos 1970. Lô e Bituca? Não, Tonho e Cacau. Essa é uma história de poeira, espelho, vidro e corte. Mas é, acima de tudo, uma história com gosto de sol.

Nova Friburgo, Macaé e Rio das Ostras

Você já ouviu falar em Tonho e Cacau? Ou quem sabe em José Antônio Rimes e Antônio Carlos Rosa de Oliveira? Provavelmente não, mas certamente já deve ter se deparado com a fotografia deles por aí. Isso porque os dois Antônios ilustram a capa de um dos discos mais importantes da história da música brasileira: o Clube da Esquina. Passados 40 anos que a câmera de Carlos da Silva Assunção Filho, o Cafi, registrou os dois meninos sentados na beira de uma estrada de terra perto de Nova Friburgo, Região Serrana do Rio, o Estado de Minas conseguiu localizá-los depois de uma busca que envolveu dezenas de pessoas e teve histórias saborosas.

Durante bom tempo, muita gente chegou a achar que as duas crianças da capa do LP seriam Milton Nascimento e Lô Borges, mas os próprios artistas sempre desmentiram. “A gente chegou a ir atrás deles, mas era muito difícil localizá-los. Eles devem ter caído no mundo”, declarou Cafi antes de a reportagem botar o pé na estrada rumo a Nova Friburgo. Na verdade, “Lô” e “Milton” praticamente nunca deixaram a região conhecida como Rio Grande de Cima, na zona rural da cidade fluminense, onde nasceram e cresceram.

José Antônio Rimes tem 47 anos e curiosamente exerce o ofício de recompositor, responsável por encaixotar, organizar e distribuir as mercadorias na seção de congelados de um supermercado da cidade. Apesar de a reportagem ter percorrido quilômetros até chegar a Tonho, como é conhecido, ele trabalha a um quarteirão do hotel onde estávamos hospedados. O encontro com o “menino branquinho do disco”, como ficou conhecido, foi cercado de expectativas. Os colegas do supermercado já sabiam da história e quando o recompositor chegou até se assustou: “Que tanto de gente é essa? Por que está todo mundo parado?”, espantou-se. Quando viu a capa do disco, não titubeou: “Oh, sou eu e o Cacau. Como é que vocês conseguiram isso? Quem tirou essa foto? Eu me lembro desse dia”, revelou.

Antônio Rimes recorda que estava brincando em um morro de terra removida pelos tratores que ficava próximo a um campinho de futebol, quando Cafi e Ronaldo Bastos passaram dentro de um Fusquinha. “Alguém do carro me gritou e eu sorri. Estava comendo um pedaço de pão que alguém tinha me dado, porque eu estava morrendo de fome, e para variar descalço. Até hoje não gosto muito de usar sapato. Mas nunca soube que estava na capa de um disco. A minha mãe vai ficar até emocionada. A gente nunca teve foto de quando era menino”, disse Tonho, que nunca ouviu falar em Milton Nascimento, tampouco em Clube da Esquina. “É aquele moço que foi ministro?”, indagou.

Já Antônio Carlos Rosa de Oliveira, de 48 anos, o Cacau, conta que não se lembra do exato momento da foto, mas que anos depois, quando morava em Macaé, no litoral norte do estado do Rio, se deparou com a capa do Clube da Esquina em uma loja de discos e desconfiou que se tratava dele mesmo. “Coloquei a mão sobre a minha foto e fiquei reparando aquele olhar. Achei que era eu mesmo e acabei comprando o CD, porque o LP não tinha mais. Até queria um para poder guardar”, frisa Cacau, que durante toda a reportagem não se desgrudou do álbum que pertence a um dos jornalistas do Estado de Minas . “Vou roubar este pra mim”, brincou.

Cacau e Tonho nasceram na fazenda da família Mendes de Moraes, na zona rural de Nova Friburgo, onde os pais trabalhavam como lavradores. Não desgrudavam um do outro e aprontavam bastante, segundo o relato de parentes e vizinhos que ajudaram a reconhecê-los. Jogavam futebol, bola de gude, pegavam frutas nas vendas da região, nadavam na prainha do Rio Grande e nas cachoeiras. Ficaram muito próximos até os 20 anos, quando as famílias acabaram se mudando para bairros diferentes de Nova Friburgo. Tonho ainda vive na cidade com a mãe, a esposa e as duas filhas, mas Cacau se mudou recentemente para Rio das Ostras, na Região dos Lagos, onde presta serviços como jardineiro e pintor.

Mesmo morando a 100 quilômetros de Nova Friburgo, topou reviver com o amigo a clássica fotografia da capa do Clube da Esquina. Não foi fácil localizar o exato lugar, já que a região do Rio Grande sofreu muito com os efeitos da tragédia de janeiro do ano passado e com o tempo. “Isto aqui mudou demais, então não dá para precisar. Quarenta anos não são 40 dias”, filosofou Cacau. Apesar do sol escaldante e da posição desconfortável, eles não se importaram de posar para a máquina fotográfica. “Quer que eu tire o sapato pra ficar parecido? Adoro ficar descalço mesmo! Se tiver um pão, também pode me dar”, pediu Tonho, dando gargalhadas.

Surpresa
A princípio, Tonho e Cacau ficaram ressabiados com a história de estamparem a capa de um LP e ao saber que a imprensa estava atrás deles. As famílias também desconfiaram. A mãe de Tonho, dona Aparecida Rimes, de 69 anos, a toda hora ligava para saber do filho, com receio de ele ter sido sequestrado. “A gente nunca viu isso por aqui. Mas agora que vocês chegaram à cidade estão dizendo que meu filho está até no computador. Fico preocupada”, admitiu a aposentada.

Cacau revela que só se deslocou de Rio das Ostras para Nova Friburgo porque achava que tinha alguma pendenga familiar para resolver. “Pensei que era coisa de pensão de ex-mulher. Essas coisas. Não acreditei muito nessa conversa de repórter não”, justificou o jardineiro, que é fã de MPB e conhece a obra de Bituca. “Gosto muito de Canção da América. É muito bonita. Mas o que vai acontecer agora que o povo vai descobrir que esse menino do disco não é o Milton Nascimento? Será que vão achar ruim comigo?”, questionou receoso.

Apesar de não compartilharem a intimidade de outrora, vez por outra eles se esbarram por Nova Friburgo e colocam o papo em dia. “A gente não tem tempo, fica nessa correria de trabalho, família. Eu fico no serviço das 6h às 18h, então complica demais encontrar com o pessoal. Cada um tomou o seu rumo, mas sempre que a gente se vê é uma farra. Amigo é amigo, né? Para toda a vida”, destacou Tonho.

Cara do Brasil
Autor da imagem original, o fotógrafo pernambucano Cafi conta como nasceu o clique: “A gente ficava andando com o Fusquinha do Ronaldo (bastos) pelas estradas, tirando foto de nuvens, porque a gente ia criar a nossa empresa, Nuvem Cigana. Uma das nuvens, inclusive, está no encarte do Clube da Esquina”. Ao ver os meninos, decidiu fazer o registro: “Foi como um raio”, lembra Cafi. “ É uma imagem forte. A cara do Brasil. E foi na época em que vários artistas estavam exilados fora daqui. E tinha essa coisa da amizade presente também. O Milton adorou a foto e ela acabou indo para a capa”, relembra Cafi, 61 anos, radicado no Rio de Janeiro.

O clube da busca
Foram necessárias, pelo menos, 53 pessoas para chegar até os dois “garotos”. Porém, algumas tiveram um papel fundamental. O desenrolar do fio da meada se deu quando, a pedido do Estado de Minas, um jornalista de Nova Friburgo, Wanderson Nogueira, anunciou na rádio local sobre a procura. Uma ouvinte da região, a costureira Rogéria dos Santos, de 56 anos, entrou em contato com a reportagem, comunicando que nunca tinha ouvido falar da história do disco, mas conhecia muitos moradores da zona rural que poderiam auxiliar na busca.

Rogéria dos Santos nos levou até a auxiliar de produção Gilcelene Tomaz Ferreira, de 33 anos, pois muitos da cidade desconfiavam que o menino negro do Clube seria alguém da família dela, filho de Severino, um antigo lavrador. Por indicação da mãe de Gilcelene, Helena, chegamos até Erasmo Habata, floricultor da região. Com o LP na mão, assegurou: “Este pretinho não é filho do Severino. Mas este mais branquinho é filho do Laerte Rimes, um lavrador da região. E deve ser o Tonho”, frisou. Outras indicações – pistas falsas – nos levaram a checar várias pessoas, entre elas um paciente internado em clínica psiquiátrica e até um foragido da Justiça.

Na manhã seguinte, partimos atrás de um casal que morou mais de 30 anos na região e conhece todo mundo: a dona de casa Elizabeth Fernandes Silva, de 58 anos, e o pedreiro Fernando da Silva, de 62. “Na época, a dona Querida, que é a mãe do Ronaldo e do Vicente Bastos, lá da Fazenda Soledade, nos mostrou essa foto num pôster. Sempre soube que eram o Tonho e o Cacau. Não temos dúvidas que são eles, porque eles viviam juntos pra cima e pra baixo”, apontou Beth. “Os dois conservam aquele jeitinho. São eles sim e acho que eles vão ficar muito felizes”, opinou Fernando.

E em menos de 24 horas, com a ajuda da população local, finalmente estava desvendado a identidade dos dois meninos da capa do Clube da Esquina. “A gente fica até emocionado. Eles mereciam ser descobertos. É um reconhecimento mesmo com tanto tempo”, resumiu Rogéria dos Santos."
Fontes: Diário de Pernambuco e Estado de Minas



As músicas do álbum duplo:
Lado Um
  1. "Tudo Que Você Podia Ser" (Lô Borges, Márcio Borges) – 2:56
    Interpretação: Milton Nascimento
  2. "Cais" (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) – 2:45
    Interpretação: Milton Nascimento
  3. "O Trem Azul" (Lô Borges, Ronaldo Bastos) – 4:05
    Interpretação: Lô Borges
  4. "Saídas e Bandeiras nº 1" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 0:45
    Interpretação: Beto Guedes e Milton Nascimento
  5. "Nuvem Cigana" (Lô Borges, Ronaldo Bastos) – 3:00
    Interpretação: Milton Nascimento
  6. "Cravo e Canela" (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) – 2:32
    Interpretação: Lô Borges e Milton Nascimento
Lado Dois
  1. "Dos Cruces" (Carmelo Larrea) – 5:22
    Interpretação: Milton Nascimento
  2. "Um Girassol da Cor do Seu Cabelo" (Lô Borges, Márcio Borges) – 4:13
    Interpretação: Lô Borges
  3. "San Vicente" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 2:47
    Interpretação: Milton Nascimento
  4. "Estrelas" (Lô Borges, Márcio Borges) – 0:29
    Interpretação: Lô Borges
  5. "Clube da Esquina nº 2" (Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges) – 3:39
    Interpretação: Milton Nascimento
Lado Três
  1. "Paisagem da Janela" (Lô Borges, Fernando Brant) – 2:58
    Interpretação: Lô Borges
  2. "Me Deixa em Paz" (Monsueto, Ayrton Amorim) – 3:06
    Interpretação: Alaíde Costa e Milton Nascimento
  3. "Os Povos" (Milton Nascimento, Márcio Borges) – 4:31
    Interpretação: Milton Nascimento
  4. "Saídas e Bandeiras nº 2" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 1:31
    Interpretação: Beto Guedes e Milton Nascimento
  5. "Um Gosto de Sol" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 4:21
    Interpretação: Milton Nascimento
Lado Quatro
  1. "Pelo Amor de Deus" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 2:06
    Interpretação: Milton Nascimento
  2. "Lilia" (Milton Nascimento) – 2:34
    Interpretação: Milton Nascimento
  3. "Trem de Doido" (Lô Borges, Márcio Borges) – 3:58
    Interpretação: Lô Borges
  4. "Nada Será Como Antes" (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) – 3:24
    Interpretação: Beto Guedes e Milton Nascimento
  5. "Ao Que Vai Nascer" (Milton Nascimento, Fernando Brant) – 3:21
    Interpretação: Milton Nascimento

9 de outubro de 2015

A Cúpula de Paris e o Verão Infernal

No final do próximo mês de novembro começa em Paris a COP21. Também chamada Cúpula de Paris (favor não confundir com 'Cópula em Paris', rs), é o mais importante encontro de mudanças climáticas da década, patrocinado pela ONU.
Em declaração registrada pelo The Guardian, o diretor de clima da União Europeia disse que não há plano B se a cúpula terminar em fracasso.
Esta semana, ministros do meio-ambiente de 53 países fizeram reuniões visando uma preparação prévia para o encontro, para evitar que o resultado seja inócuo.
O objetivo principal é evitar que o planeta continue em seu ritmo acelerado de aquecimento, pelo menos no que depender das ações humanas.
Problemas econômicos e políticos tem tirado o foco da questão ambiental, no entanto todas essas crises regionais e globais serão coisas pequenas diante do que se avizinha em termos de catástrofes se o planeta continuar aquecendo tão rapidamente.
Diante disso, parece que os líderes mundiais começam a se voltar para o tema. É isso que veremos na Cúpula de Paris.
2014 foi o ano mais quente já registrado. Este ano provavelmente baterá o recorde do ano passado (vejam como foi nosso inverno e como está sendo a primavera).
Diante disso, o que esperar de 2016? Com o reforço do El Niño em sua mais forte ação já registrada (aquecimento das águas do Pacífico), a possibilidade de temperaturas infernais no verão com localidades sujeitas a fortes chuvas é o que podemos esperar.
Tomara que não, mas preparem-se para possibilidades de temperaturas acima de 40º, fortes temporais, blackouts temporários e falta d'água em algumas regiões. 
Façam manutenção nos aparelhos de ar condicionado, comprem ventiladores, estoquem água quando possível (e, se estiverem de férias, façam plantão nas praias ou piscinas, se puderem). Paradoxalmente quando mais usarmos esses recursos, maior o risco de ficarmos sem eles - ainda que temporariamente. É aquela história, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
Melhor nem pensar nisso e rezar para que o El Niño não faça tanto efeito e que a temperatura média não suba nem mais um grau. E que a Cúpula de Paris seja um sucesso. 

No mais, que "Papai do Céu" tenha pena de nós.

Leiam também:  Brasil se prepara para um verão de extremos


2 de outubro de 2015

Não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol ou se tem sol e não se tem chuva!

Hoje - não sei bem porque - me lembrei de uma poesia da Cecília Meireles.
A princípio destinada à crianças por sua simplicidade, pode trazer algumas releituras adultas acerca de opções que fazemos ao longo da vida.
Mas eu iria além, na maioria das vezes nem são opções, são fatos, acontecimentos inesperados ou simplesmente mudanças que vão acontecendo e transformando as nossas rotinas, as nossas opiniões e a nossa visão do que é a vida. Se é que algum dia teremos essa visão.

Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares.

De repente estou doente. No outro dia viajando. E passo a me preocupar com a saúde e valorizar viagens. E um respeitado autor me diz que querer estar viajando sempre é porque se está buscando em algum lugar algo que não se consegue achar dentro de si: o bem estar. Seria uma versão mais chique do comprar aquela última versão da TV de LED, do carro mais bonito ou daquela decoração da casa com objetos assinados por artistas mais valorizado$ do mercado. Esse autor se preocupa com sua saúde? Gosta de viajar? O que será que ele gosta de comprar para se satisfazer? CDs, roupas, objetos decorativos? Ou é um monge budista?

Cecília Meireles
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro.

De repente tenho que cuidar de um doente da família e os planos explodem. Ou, abandono o parente para que outro cuide e sigo na minha merecida zona de conforto. 
Trabalho até mais tarde para não deixar nada pendente para amanhã ou me desligo e busco a minha "liberdade, ainda que à tardinha"?
 As contas não fecham. Eu me estresso e busco soluções que parecem não existir. Por outro lado posso achar que isso é problema de quem está esperando receber as minhas dívidas e vou para a praia tomar uma cerveja, me endividando um pouco mais. Ou para a serra, tomar um bom vinho. Vinho caro ou barato?

É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo em dois lugares!

E vou fazer atividade física para cuidar da saúde e distendo o músculo da panturrilha. E ganho tempo assistindo aquela série maravilhosa de uma vez só. E perco tempo assistindo aquela série maravilhosa de uma vez só. E o ano passa rápido. Que bom, já estamos chegando em dezembro! E o ano passa rápido. Meu Deus, não vi este ano passar, o que eu fiz até agora?

Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou fico tranquilo.

E sigo pensando, me desgastando, tentando entender a vida, às opções e as ocorrências inesperadas. E tento fazer planos. Ou não. "Deixa a vida me levar, vida leva eu".

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . . e vivo escolhendo o dia inteiro!
Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo.




25 de setembro de 2015

Para entender (de verdade) a alta do dólar


"Richard Rytenband, economista e especialista em investimentos pela FGV, explica o que a maioria não quer que você entenda."

18 de setembro de 2015

Eu e o tempo: o primeiro Rock in Rio, 30 anos depois

O histórico cartaz oficial em inglês
No início deste ano escrevi o texto abaixo, lá no blog Impressões.
Resolvi reproduzi-lo hoje, quando se inicia mais uma edição do famoso festival.
Não estarei nessa edição, que me interessava mais por razões de memória afetiva (aquela nostalgia dos "bons tempos").
Quando decidi ir os ingressos já estavam esgotados e até que dei sorte: ainda me recupero de um dano muscular e não poderia ir mesmo. Problema de DNA :).
Acompanharei o que me interessa pelo Canal Multishow (Palco Mundo) e pela Internet (Palco Sunset).
O Palco Sunset está melhor que o Palco Mundo, por trazer atrações inusitadas.
Os Medinas perderam a oportunidade de fazer um dia exclusivamente homenageando a primeira edição do evento (30 anos), embora estejam trazendo 50% do Queen e o Rod Stewart.
Também perderam a chance de homenagear um dos principais nomes da história do Rock: hoje, 18 de setembro, completa-se 45 anos da morte de Jimi Hendrix. O festival poderia ser aberto com uma penca de guitarristas fazendo um show histórico. Pena.
Mas é isso, o tempo passa e nem tudo é lembrado como deveria...

O Rock In Rio se esqueceu, mas nós aqui não. Viva Hendrix!



Rock In Rio (e o tempo)
"Nesta semana comemora-se 30 anos da primeira edição de um dos maiores festivais de música do mundo, o Rock in Rio, que acabou se tornando lendário. Foi entre 11 e 20 de janeiro de 1985. Eu estava lá.

Pausa.

Mais de uma vez ouvi a análise de que a nossa geração (complementando a que veio antes) "acabou com a velhice". Ou pelo menos a atrasou em mais de vinte anos.
É bem verdade. Nos anos 1950 quem tinha pouco mais de 50 já era considerado "idoso".
Aplicar em nossas vidas os novos conhecimentos da ciência com relação à alimentação, atividades físicas e mentais, controle das emoções, etc. tem proporcionado isso. Fora os avanços da medicina.
Mas coloco em dúvida quando alguém me fala que, aos cinquenta e cinco, por exemplo, se sente com vinte, sem nenhuma diferença física ou mental em relação à juventude.

Pausa.

Em janeiro de 1985 eu trabalhava em alto mar. Indústria de petróleo. Estava embarcado e tinha que cumprir a escala. Perderia o Rock in Rio? Quase. Perdi uma parte. Desembarquei na quarta, consegui assistir aos quatro últimos dias.
Não vi muita gente boa: Rod Stewart, James Taylor, George Benson, Iron Maiden, etc. Em compensação tive o prazer de estar lá quando tocaram Queen, Whitesnake, Scorpions, AC/DC, Ozzy Osbourne, Yes, etc. E muitos brasileiros: Baby & Pepeu, Barão Vermelho, Kid Abelha, Gilberto Gil, Blitz, Lulu Santos, etc.

Pausa.
Pausa para pensar sobre a passagem do tempo

A energia da juventude - tanto física quanto mental - pode ser mantida em "idades mais avançadas", dependendo do DNA e das atitudes. Adicionada da experiência das vivências. With a little help from genetic.
No entanto, por mais que tenhamos avançado, não tenham dúvida: o tempo não para, como diria o Cazuza, e traz seus efeitos a cada nova idade que comemoramos. Começamos a envelhecer quando nascemos, não tem jeito.

Pausa.

O festival foi um evento histórico não só para o público. Por suas dimensões e pelo seu sucesso foi também um momento mágico inesquecível também para os artistas que participaram, incluindo os experientes internacionais, que ficaram assombrados com aquela platéia de mais de 150 mil pessoas por dia.
Quem foi se lembra como se fosse ontem. O que é muito legal. Mas também preocupante e melancólico: 30 anos se passaram muito rápido para mim.
A galera apelidou a cerveja de Malt 'Nojenta'
Os shows começavam por volta das 15 horas e terminavam lá pelas 3 da madruga. Ao final eu pegava o ônibus para Campo Grande (bairro da Zona Oeste do Rio) onde morava minha irmã. Chegava por volta das 5. Dormia até às 10. Comia alguma coisa e voltava para o festival.
Foi assim por 4 dias (e seria pelos 10 se eu tivesse tido a chance de ir em todos). Dormindo cerca de 4 horas, me alimentando mal, ficando em pé por 12 horas, embaixo de chuva (naquele tempo chovia em janeiro no Rio), por cima de muita lama, multidão ensandecida, bebendo chopp Malt 90 (que não existe mais) em copos plásticos de 750 ml cujos quiosques eram abastecidos por caminhões pipa que vinham direto da fábrica! Tinha 25 anos. E tava tudo muito bom, tudo muito bem, como cantava a Blitz. Lembrando que a infraestrutura na época não era nem sombra do que é atualmente. Festa, alegria, celebração. Cheguei a passar pelo Roberto Medina (o idealizador do festival) na entrada das bilheterias e o agradeci. Ele sorriu. Se sentia realizado.

Pausa.

Hoje, com toda juventude que uma pessoa de 55 anos possui, eu não encararia aqueles quatro dias, noites e madrugadas. É onde me refiro às limitações impostas pela passagem do tempo. Nesses extremos que só quem tem menos de 30 aguenta. Quer dizer, nem sei se a juventude de hoje arriscaria tanto em uma maratona daquele tipo. Todos querem mais é conforto. E não se pode condená-los por isso.

Mas eu estive lá! E fazem 30 anos hoje."

O Rock in Rio daqueles tempos: também na Barra. Malt 90 em primeiro plano

15 de setembro de 2015

A moralidade caolha e os riscos da "operação impeachment"


Nenhum erro justifica o outro mas estranho, ou revelador, é se incomodar com os erros de uns e se calar diante dos erros de outros.


"A "moralidade" é caolha.
"Zelotes" e "Contas Secretas do HSBC" são escândalos do agora.
De megaempresas e milionários, escândalos estimados em R$ 38 bilhões.
Investigações? Manchetes? Panelas? Indignação moral? Não. Silêncio."



Publicado em 14 de set de 2015
"Cresce cerco dos que querem o impeachment de Dilma. Ainda falta coesão entre os que disputam o Poder. E clareza sobre os riscos da operação. . Riscos internos e externos. Internos porque, passado down e perplexidade virá a realidade: conta gigantesca, e o contra-ataque dos quem tem pressa e fome. . Risco externo porque derrubar presidente é ato seríssimo. Mancha quem cai, mas pode manchar para sempre quem, mesmo com a mão do gato, derruba. . Se não for ação estritamente legal, aos olhos da História e do mundo será altíssimo o custo de voltar a portar-se como republiqueta de bananas e golpes. . A cada mês tem mudado o motivo para pedir o impeachment. Do motivo "moral", a corrupção, à óbvia incompetência e mediocridade em ações do governo. . A "moralidade" é caolha, de ocasião. Nunca persistiu na investigação a megaescândalos da oposição. Silencia, esconde ou encolhe delações e acusações contra líderes da oposição. . "Mensalões". O do PT está nas manchetes há 10 anos, e deu cadeia. O do PSDB dorme numa gaveta em Minas. . "Zelotes" e "Contas Secretas do HSBC" são escândalos do agora. De megaempresas e milionários, escândalos estimados em R$ 38 bilhões. . Investigações? Manchetes? Panelas? Indignação moral? Não. Silêncio. No Metrô de São Paulo, em governos do PSDB, roubaram R$ 1 bilhão. . Última Notícia... Não há acusação contra altos executivos da CPTM, ou dos governos tucanos... Deve ter sido coisa do maquinista ou da bilheteira. . O impeachment depende de Eduardo Cunha, para quem o procurador pede 184 anos de prisão. Há dias, a Câmara de Cunha aprovou a ocultação das doações de campanha. . "Delegado da Polícia Federal quer ouvir Lula". Segundo o próprio delegado "não existem provas contra Lula". Mas isso garante manchetes desmoralizantes no fim de semana. . Manchete dessa segunda: PSDB já discute sua participação no eventual governo Temer. . Imposta a hegemonia na narrativa midiática para multidões, se tenta intimidar quem ouse questionar tanta moralidade caolha, tanto silêncio e tanta bandeira." (Bob Fernandes)


13 de setembro de 2015

Um domingo frio e chuvoso e uma despedida

O domingo amanheceu chuvoso e frio.
Acho que em toda Região Sudeste e em boa parte da Região Sul.
Ao que parece, já às portas da emblemática Primavera, o Inverno resolveu se fazer presente.
Se isso atrapalha alguns planos de fim de semana, convenhamos que está ótimo para ficar na cama até mais tarde. Ou o dia todo.
Como diria o Guilherme Arantes, "deixa chover, deixa a chuva molhar, dentro do peito tem um fogo ardendo que nunca, nada vai apagar".
Rezemos que essa chuva chegue também ao Nordeste, que está precisando mais ainda que o Sudeste.
E que o Inverno demore a chegar na Europa, para dar tempo de resolver a dramática questão dos refugiados.
No mais, programação típica para dias assim: TV por assinatura - com filmes e esportes, finais do US Open e da volta ciclística da Espanha, automobilismos, motociclismo, futebol, etc.; bons livros; boa música; comidinhas e bebidas especiais...
Só não dá mais para recomendar os jornais dominicais como antigamente. Andam muito ruizinhos e negativos. Não vale perder o domingo com eles.
Por exemplo, uma das poucas coisas que ainda prestavam no Globo (se não a única) acabou, o caderno "Prosa & Verso", que vinha nas edições de sábado. 
Pouco a pouco definha The Globe, mesmo caminho da Folha de São Paulo e do Estadão. Das revistas semanais nem sei mais por onde andam. Tomei distância faz tempo.
Para ilustrar o que estou dizendo reproduzo abaixo o texto do jornalista especializado em literatura José Castello.
Uma triste despedida que mostra os caminhos que vem sendo trilhados pela imprensa brasileira. Percebam nas entrelinhas os principais recados. Os destaques em negrito são meus.
Uma pena.

Hora da despedida
POR JOSÉ CASTELLO
Chegou a hora de me despedir de meus leitores. Não é um momento fácil _ nunca é. Mas ele se agrava porque, com o fechamento do "Prosa", incorporado ao "Segundo Caderno", desaparece um último posto de resistência na imprensa do sudeste brasileiro. Os suplementos de literatura e pensamento já não existem mais. Um a um, foram condenados e derrotados pela cegueira e pela insensatez dos novos tempos. Comandado pela vigorosa Manya Millen, o "Prosa" resistia como um último lugar de luta contra a repetição e a dificuldade de pensar com independência. Isso, agora, também acabou.
Nosso mundo se define pelo achatamento e pela degola. No lugar do diálogo, predominam o ódio e o desejo de destruição. No lugar da tolerância, a intolerância e a rispidez, quando não a agressão gratuita. É o mundo do Um _ em que todos dizem as mesmas coisas, usando quase sempre as mesmas palavras. Um mundo em que a verdade, que todos ostentam, de fato agoniza. Nesse universo, a literatura se impõe como um reduto de resistência. A literatura é o lugar do diálogo, do múltiplo, da diferença. Não é porque gosto de Clarice que devo odiar Rosa. Não é porque amo Pessoa que devo desprezar Drummond. Ao contrário: na literatura (na arte) há lugar para todos.
Uma pena que o "Prosa" se acabe justamente em um momento em que nos sentimos espremidos por vozes que repetem, sempre, os mesmos ataques e as mesmas agressões. Nesse mundo de consensos nefastos e de clichês que encobertam a arrogância, nesse mundo de doloroso silêncio que se apresenta como gritaria, a literatura se torna um lugar cada vez mais precioso. Nela ainda é possível divergir. Nela ainda é possível trocar ideias com lealdade e dialogar com franqueza. Sabendo que o diálogo, em vez de sinal de fraqueza, é prova de força. Lá se vai o "Prosa" com tudo o que ele significou de luta e de aposta na criação.
A meus leitores, que me acompanharam lealmente durante mais de oito anos, só posso dizer obrigado. E dizer, ainda, que conservem a coragem porque a pluralidade e a liberdade vencerão o escândalo e a cegueira. Apesar de tudo o que se diz e de tudo o que se destrói, ainda acredito muito no Brasil. É com essa aposta não apenas no futuro, mas sobretudo no presente, que quero me despedir de minha coluna e encerrar esse blog. Aos leitores, fica a certeza de que certamente nos encontraremos em outros lugares. Nem a loucura do nazismo, com suas fogueiras de livros, conseguiu destruir a literatura. Não tenho dúvidas também: nesse mundo de estupidez e insolência, ela não só sobreviverá, como se tornará cada vez mais forte.

Fonte: Blog de Literatura

10 de setembro de 2015

O Guia Culinário do Falido

Na capa, os autores, à la carte
Você gosta de ir para cozinha preparar um bom prato?
Você é um gourmet?
Gosta daqueles programas de TV que dão receitas complicadas?
E receitas simples?
Tem algum livro de culinária ou visita sites específicos sobre o assunto?
Pelo menos, quando está com fome e não tem quem faça a comida e não dá para ir a um restaurante, você se arrisca a fazer um arroz com ovo?
Bem, passar fome você não pode, concorda?
E se não estiver com muita grana?
Seus problemas acabaram.
E, se você gosta de humor e quadrinhos, a coisa ficou melhor ainda.
É que está saindo este mês o livro "Guia Culinário do Falido (ou Faminto)", uma coletânea de HQs de cinco desenhistas e roteiristas brasileiros.
Não encontrarão nessas páginas receitas ao estilo Claude Troisgros, mas muita criatividade nas histórias e aquelas dicas óbvias que o leigo não se lembra na hora. Ou não sabe mesmo.

Com a palavra, os criadores (em entrevista à UOL):
- Segundo Leo Finocchi, foi coincidência o fato dos cinco autores terem optado por pratos pouco saudáveis e distantes do mundo da alta gastronomia. "O combinado era fazer uma receita, a que você quisesse, não importa como ela terminasse. Não tinha nada de junk food nas regras."
Lápis e ingredientes: receitas HQ

- "Quando combinamos que cada um desenharia poucas páginas, não dava muito para ser uma receita longa ou cansativa", explica Marília, responsável por quatro divertidas páginas sobre a produção de um hambúrguer artesanal.
- "Há muita honestidade na minha total incompetência na cozinha", revela a quadrinista Samanta Flôor. Ela é responsável pelas instruções de dois pratos: um vegetariano com inspirações na culinária indiana, à base de vegetais e temperos, e um singelo bolo de caneca. 
- "Fazer quadrinho dá um trabalho do cão. Se você não puder fazer quadrinho sobre absolutamente qualquer coisa maluca que te passe pela cabeça, é no mínimo uma perda de tempo", explica Fernanda Chiella em relação ao tema da HQ.

Estão curiosos com relação às receitas apresentadas? Que tal um "Brigadeiro Monstro" ou uma "coxinha inspirada em Mad Max: A Estrada da Fúria"? Hahaha...

Os cinco artistas participantes são Leo Finocchi, Marília Bruno, Felipe 5Horas, Fernanda Chiella e Samanta Flôor, todos com uma boa bagagem no cenário atual do HQ nacional.

Pelo menos um deles eu acompanho mais de perto. É o Leo Finocchi, que já publicou alguns ótimos livros e trabalha produzindo desenhos animados para o canal infantil Cartoon Networks. Por coincidência é filho de um grande amigo, que trabalha comigo há mais de 20 anos. Com certeza ele tem todos os motivos para se orgulhar do filho.

Eu já encomendei o meu exemplar (autografado). Não sei se vou me arriscar em todas as receitas (mesmo sendo práticas e baratas) mas sei que será uma leitura bem agradável e divertida.

Ah! Ia esquecendo: a publicação custa só dez pratas! Sobra grana para comprar os ingredientes! Pode comprar direto no site da editora (link a seguir).
Mamma Mia: uma receita italiana!
Texto de apresentação da obra (Editora Balão Editorial):
Preparar um prato rápido quando se está sozinho em casa ou para saciar a fome daqueles amigos que chegam sem avisar, utilizando apenas os ingredientes disponíveis na dispensa e na geladeira, pode não ser tão simples quanto parece.

Para ajudar nessa tarefa, a Balão Editorial reuniu cinco artistas e criou o Guia Culinário do Falido em Quadrinhos, que chega às livrarias em setembro. De forma bem humorada, Leo Finocchi, Marília Bruno, Samanta Flôor, Felipe 5Horas e Fernanda Chiella ensinam de forma didática como não preparar receitas práticas.

No cardápio, Macarrão Abandonado, Hambúrguer, Craca (aquela crosta que fica no fundo da frigideira) Vegetariana, Bolo de Caneca, Yakimeshi Surpresa, Brigadeiro de Panela Monstro, Mad Coxinha Fury Road (com requintes de deserto cinematográfico) e Molho Maravilhoso. Cada um no seu estilo, os cinco artistas atestam que, como cozinheiros, são ótimos quadrinhistas.

Mais uma vez, a Balão Editorial investe em novos talentos do quadrinho nacional para produzir uma obra única, e prova que, assim como a culinária, o humor é uma arte.

3 de setembro de 2015

Crise? Que Crise?

Nos últimos tempos tenho postado aqui temas mais políticos, deixando para o blog Impressões as crônicas mais leves, observadoras dos usos e costumes.
Esta semana havia mudado de ideia. Ia escolher para este espaço algo suave, musical, fora do ritmo negativiland que tem predominado em nossas grandes mídias.
Mas não deu. Nem vou tentar explicar. Apenas resolvi fazer um apanhado das negatividades diárias e comentar brevemente.
Respirem fundo.
- TV, Jornais e grande portais da Internet: ao que parece, só apostar em meia dúzia de assuntos negativos priorizando seus interesses é o que os move. Li (não nesses meios de comunicação), que centenas de jornalistas estão sendo demitidos. Caiu vertiginosamente a audiência e a credibilidade. Ao aumentar o tamanho da crise, acabam a tornando real e o monstro volta-se contra o seu criador.
- Crise econômica (1): culpam o governo e situam o Brasil em uma ilha, onde o resto do mundo vai muito bem, obrigado. Fato: a crise vem de 2008, by USA e atinge agora países que bancaram a economia para que o Tsunami não chegasse, como Brasil e China. Não dava para prever que o problema iria se estender por tanto tempo. Além disso o Brasil paga um preço pelo resgate da enorme dívida social de séculos que só este governo teve coragem de enfrentar: no ano passado nosso país foi retirado do vergonhoso, humilhante, "Mapa da Fome" da ONU. Isso foi pouco noticiado (aqui). Um dos maiores feitos sociais da história mundial recente. Sim, até pouco tempo tinha gente morrendo de fome no Brasil. Por incrível que pareça muitos não dão a mínima para isso. E odeiam ver pobre em Shopping ou aeroporto com passagem na mão.
- Crise econômica (2): para resolve-la, o governo não pode embarcar de olhos vendados no princípio "Angela Merkel". Há de se fazer um meio termo entre medidas de contenção de gastos, reaver dinheiro desviado (sobretudo em casos como da Operação Zelote, que envolvem números absurdos que podem chegar a R$ 20 bilhões) e criar impostos em cima de grandes fortunas e dos juros bancários.
- Crise política: uma aberração. Totalmente pré-fabricada em linhas de montagem. Simplesmente é do tipo: "que se dane o país e os trabalhadores, se eu conseguir reaver o poder". Fato: não existiu nos últimos 13 anos nenhum "Engavetador Geral da República". No mais, me recuso a comentar.
- Crise humanitária na Europa: esta semana a foto do menino morto na areia de uma praia abalou o mundo. Tal tragédia talvez sirva para que alguma coisa seja feita. Não são nem imigrantes, são refugiados. A Europa e os EUA tem sim responsabilidade, pelo que vem fazendo na África e Oriente Médio ao longo de séculos. Colhem o que plantaram. Semearam a guerra. Os frutos são esses. Acolham essas pessoas. Não são da África. São do Planeta Terra. E o Brasil pode dar exemplo, sinalizando que está disposto a receber (e cuidar) de parte desses irmãos que sofrem.
Com a palavra, a ONU.

Houve um tempo que se dizia que o Socialismo estava morto. Que o Capitalismo Neo-Liberal venceu e era a única forma viável de economia. Ganhou mas não levou: ou o "Clube do Bilhão" abre mão de um pouco de sua fortuna, ou não terá planeta onde gastar tanta grana.

Mas, para não dizer que não falei de flores (ou quase), o título e a ilustração que abre este post é a capa de um dos álbuns do excelente grupo inglês Supertramp. Achei apropriado.

A música abaixo - "The Logical Song" - é de outro disco da mesma banda, "Breakfast in America" (huummm) mas, de alguma forma, representa também o significado deste mundo em crise.



"(...) Mas então eles me mandaram embora
Para me ensinar como ser sensato
Lógico, responsável, prático
E eles me mostraram um mundo
Onde eu podia ser tão confiável
Clínico, intelectual, cínico."

28 de agosto de 2015

A Corrupção, o Facebook, a Felicidade e o Medo da Morte via Hamlet, de Shakespeare

Leandro Karnal é historiador, professor, escritor, filósofo, etc.
Não posso dizer que concordo com cem por cento do que ele fala, mas isso é o natural, não é mesmo? Mas também não posso deixar de reconhecer que é um dos maiores pensadores brasileiros da atualidade.
Selecionei três pequenos trechos de uma recente palestra que ele fez sobre a peça "Hamlet" de Shakespeare.
Calma, não desistam porque citei esse tema difícil.
Ao tomar como base Hamlet ele fala - entre outras coisas - da "necessidade" do Facebook, do conceito de felicidade, da corrupção no Brasil, do medo que temos da morte e de tantos outros temas atuais.
Se tiverem oportunidade assistam no You Tube a palestra inteira.
Mas enquanto isso, deem uma olhada nesses três videos.
Tenho certeza que vão gostar (mas podem até não concordar...).





21 de agosto de 2015

Rio das Ostras Jazz & Blues Festival 2015

E não poderia de deixar de postar aqui que começou ontem (e vai até domingo) um dos maiores festivais do país e que já consta na lista dos melhores do mundo quando o assunto é Jazz e Blues.
É o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, edição 2015!
Ano passado foi transmitido ao vivo pelo G1. Não sei se este ano vão repetir a dose, mas vale a pena conferir (inclusive também em canal do You Tube), caso não possa estar presente lá.
Compareci a todas as primeiras 12 edições. Nesta 13ª, devido à leve problema de saúde, não estarei lá. Tudo bem, outros virão.



17 de agosto de 2015

Mauro Santayana: O PT, o Facebook e as mortes de Lula e Dilma


O PT, O FACEBOOK, E AS MORTES DE LULA E DE DILMA
"O Instituto Lula pediu ao Facebook que retire da rede a página em que centenas de usuários de direita e extrema direita pedem a morte do ex-presidente da República, na qual aparece também, em um comentário, a mórbida, macabra, montagem acima (Nota deste blog: optamos por não reproduzir a montagem que mostra Dilma em um caixão), mas nenhuma atitude foi tomada pela empresa até agora.

Como quase sempre ocorre do ponto de vista da comunicação, e de sua própria defesa, a assessoria de Lula errou estrategicamente e errou feio.

Páginas como essa, e a da comunidade MORTE À DILMA,  que também está no ar, não devem ser eliminadas, até mesmo porque as mesmas ameaças continuarão a ser replicadas em outros lugares, ad aeternum.

É preciso que elas continuem acessíveis, para que possam ser imediatamente identificados - basta fazer um print - pelos advogados de Lula e da Presidente da República, os indivíduos que estão ameaçando sua vida e sua integridade física, para que sejam denunciados, um por um, e judicialmente interpelados, processados e responsabilizados pela justiça.

Se isso tivesse sido feito, desde o início, nos últimos anos, com base em uma atitude de tolerância zero - (ver O PT, O PSDB E A ARTE DE CEVAR OS URUBUS) - a cada ataque, insulto, calúnia recebidos, como fazem aliás outros homens públicos e partidos - nem Lula, nem Dilma nem o PT estariam na situação em que se encontram do ponto de vista da opinião pública.

Quem cala, consente.

Seja qual for sua situação ou posição ideológica, quem é injustamente citado ou ameaçado na internet precisa aprender que na rede a responsabilidade direta e primária é a individual, de quem está fazendo a ameaça ou publicando caluniando terceiros, mesmo que sites e portais, ou redes como o Facebook possam eventualmente também ser processados, mais tarde, por permitir esse tipo de ação ou iniciativa.
"