9 de maio de 2014

O doleiro, o PSDB e a mídia

Viomundo revela ligações de doleiro com estatais do PSDB
Por Miguel do Rosário - 09/05/2014 - em O Cafezinho

"A mídia fez um escarcéu danado para ligar o “doleiro” Alberto Yousseff e suas empresas químicas ao ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mas as relações pecuniárias do doleiro são todas com governos tucanos.

A reportagem abaixo, de Conceição Lemes, editora do Viomundo e jornalista que orgulha a blogosfera por sua competência e honestidade, traz os documentos que provam as ligações profundas entre o governo FHC e os governos tucanos de São Paulo, com a Labogen e a Piroquímica, ambas operadas por homens de Yousseff.

Lemes ressalta que a Labogen nunca chegou a firmar contratos com o ministério da Saúde durante a gestão petista, e no entanto, o caso tem aparecido na mídia apenas de forma a “incriminar” o ex-ministro Alexandre Padilha.

Interessante notar que, a partir do momento em que fica patente que as ligações das empresas do “doleiro” eram todas com estatais controladas pelo PSDB, a mídia esquece o assunto e parte para outras batalhas. O estrago já foi feito. Lançaram-se insinuações sem prova. É hora de virar o disco, falar de Petrobrás, Datafolha e das “regalias” de Dirceu."

A matéria:
Contratos das indústrias Labogen com governos tucanos chegam a R$ 164 mi; em São Paulo somam R$ 67 mi
por Conceição Lemes

"Desde o desencadeamento da operação Lava Jato, em março,  as indústrias Medicamentos Labogen e Labogen Química, do doleiro Alberto Youssef, preso na operação, estão na mídia. Ambas foram usadas para lavagem de dinheiro, segundo a denúncia do Ministério Público Federal no (Paraná MPF-PR).

Inicialmente, elas ganharam todos os holofotes, porque o deputado federal paranaense André Vargas (ex-PT, atualmente sem partido), foi flagrado pela Polícia Federal (PF) em troca de mensagens com Youssef.  Ele seria suspeito de fazer lobby a favor das organizações Labogen no Ministério da Saúde na gestão de Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo. O ex-ministro nega interferências e está interpelando judicialmente Vargas.

O fato é que:

1) Como a denúncia foi feita pelo MPF-PR, a mídia passou a impressão de que o esquema se restringia ao Paraná, até porque Youssef é de Londrina. Omitiu, assim, que as organizações Labogen estão sediadas em São Paulo.

2) Com base no que se sabe até agora,  elas não têm contratos firmados com o Ministério da Saúde, desde o final do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Inclusive, balanço de 2001 da Labogen Química mostra que na época ela recebeu financiamento do Banco do Brasil e da Finep.
3) Em 1999, na gestão José Serra (PSDB), a Medicamentos Labogen fechou contratos no valor de R$ 30,8 milhões com o Ministério da Saúde, revelou o Tijolaço.Em valores corrigidos até março deste ano somam R$ 97,4 milhões.

4) Youssef é um dos doleiros envolvidos no maior escândalo do Brasil, o do Banco Estado do Paraná ou Banestado, que atinge fortemente a mídia e o governo FHC. Entre 1996 e 2002, mais de US$ 84 bilhões foram retirados indevidamente do Brasil via contas CC5 do Banestado.

Curiosamente, à medida que se descobrem ligações das indústrias Labogen com os tucanos, o noticiário sobre elas vai minguando. E talvez diminuam ainda mais.

Além de contratos com o Ministério da Saúde na gestão Serra, a Medicamentos Labogen vendeu diretamente para a Fundação Remédio Popular (Furp), do governo do Estado de São Paulo, de 1999 a 2005.

A Furp também firmou vários contratos com a Piroquímica Comercial, oficialmente de Pedro Argese Júnior. Só que ele é testa de ferro do doleiro Alberto Youssef, segundo o MPF-PR. Os contratos foram entre 1999 e 2007, consequentemente nos governos Covas, Alckmin e Serra.

Esses dados foram obtidos em levantamentos feitos no Sistema de Gerenciamento da Execução Orçamentária (Sigeo) e no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Até agora, pelo que apuramos, os contratos da Furp com a Medicamentos Labogen somam R$ 14 milhões; em valores corrigidos, aproximadamente R$ 28 milhões.

Os com a Piroquímica atingem R$ 20 milhões; em valores corrigidos, cerca de R$ 39 milhões.

Resultado: os contratos das indústrias Labogen e Piroquímica com os governos tucanos de São Paulo chegam a R$ 67 milhões."
 
Leiam o retante com detalhes no Viomundo.

Volta FHC!


2º Encontro de Estadual de Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro

 

Começa hoje!
Com transmissão ao vivo.
Local: Auditório do Sindicato dos Jornalistas (Av. Evaristo da Veiga, 16/17º Andar)
Realização: Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

Programação:
Sexta-feira (09/05/2014)

18:00 – Abertura do Encontro
• Theófilo Rodrigues (Coordenador do Rio Blog Prog)
• Miguel do Rosário (Barão de Itararé e blog Cafezinho)

19:00 – Copa e eleições: o ano de fazer o gol pela democratização da mídia
• Mediação: Marcos Pereira (Barão de Itararé)
• Altamiro Borges (Presidente do Barão de Itararé)
• Orlando Guilhon (Coordenador do FNDC)
• Wadih Damous (OAB)
• Wanderley Guilherme dos Santos (Cientista Político)
• Deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ)

22:00 – Festa Vaca Atolada

Sábado (10/05/2014)

10:00 – A Blogosfera, a sonegação da Rede Globo e os erros da AP 470
• Mediação: Carla Santos (Barão de Itararé)
• Miguel do Rosário (Blog O Cafezinho)
• Fernando Brito (Blog Tijolaço)
• Alexandre Teixeira (Blog Megacidadania)
• Renato Rovai (Revista Forum).

13:00 – Almoço

14:00 – Financiamento da mídia alternativa
• Mediação: Theófilo Rodrigues (Barão de Itararé)
• Deputada estadual Enfermeira Rejane (PCdoB)
• Claudia Santiago (NPC)
• Arthur William (Intervozes)
• Mario Jakobskind (ABI)
• Gilberto de Souza (Jornal Correio do Brasil)
• Vereador Reimont Otoni (PT)

16:00 – Marco Regulatório da Comunicação e democracia na Internet
• Mediação: Larissa Ormay (Barão de Itararé)
• Deputado Alessandro Molon (PT-RJ e Relator do Marco Civil da Internet)
• Marcelo Saldanha (Instituto Bem Estar Brasil)
• Marcos Dantas (ECO-UFRJ)
• Paula Mairan (Sindicato dos Jornalistas)
• Claudia de Abreu (FALE-Rio)

18:00 – Plenária Final do RioBlogProg
Coordenação: Antônio Fernando, Theófilo Rodrigues, Larissa Ormay e Miguel do Rosário

22:00 – Festa Vaca Atolada

Musa da Semana: As Heroínas das HQs

Na semana passada as nossas musas foram belas ilustrações relativas à Copa do Mundo, tendo como pano de fundo cidades brasileiras.
O que me fez lembrar das heroínas das HQs (Histórias em Quadrinhos - algumas exclusivamente para adultos) que faziam a alegria de adolescentes e pós-adolescentes em épocas que não existiam Internet, video-games nem TV por assinatura.
Algumas sobrevivem até hoje, produzidas por grandes ilustradores e autores.
Selecionei algumas dessas heroínas como musas desta semana. Trata-se de um complemento do post da semana passada.
Há desenhistas europeus (como Manara e Sapieri) e o pessoal da Marvel e DC Comics.
No Brasil muitos livros, em edições de luxo dessas heroínas, são publicadas por editoras especializadas, destinados a fãs e colecionadores.
Falta agora o cinema produzir filmes com essas heroínas da mesma forma que tem feito com os super-heróis mas acredito que isso vai ser muito difícil acontecer. Para ser fiel a algumas delas (Druuna, por exemplo) teriam que existir cenas "mais quentes" e aí obviamente não seria censura livre, só 16 ou 18 anos, o que influenciaria negativamente no faturamento da produção. Uma pena.











8 de maio de 2014

Prepare o seu coração...


Não vou desejar um "descanse em paz" para o Jair Rodrigues porque ele não vai parar do lado de lá também.
Vai continuar em disparada pela eternidade, com seu largo e contagiante sorriso, com uma cantoria hiperativa.
Só nos resta agradecer por ele ter passado um tempo por aqui.
Abraço.

Humor de Quinta: Paulo Gustavo na Estrada

O canal Multishow acertou quando passou a investir em novos nomes do humor.
Revelou muita gente boa que abordaremos aqui aos poucos.
Dentre os que se destacam está o Paulo Gustavo que foi de Niterói para o Leblon em um pulo.
Assisti a uma peça dele ("Hiperativo") no Oi Casa Grande e o cara é bom mesmo. 
Trata-se de um daqueles gaiatos natos, que fazem as pessoas rir o tempo todo, como pode ser conferido em "Paulo Gustavo na Estrada", seu mais recente programa no canal que é na verdade simplesmente um acompanhamento documental das viagens que ele faz com sua equipe pelo Brasil afora para apresentação de suas peças.


Vai pra puta que te pariu!



Caro senador Aloysio: não perca a cabeça; e os riscos do “vá pra puta que te pariu”

Lembre-se, caro senador, que esse clima de “pega pra capar” costuma começar com Robespierre cortando cabeças. E depois a cabeça de Robespierre também vai pra guilhotina. Com todo o respeito, não perca a cabeça.

por Rodrigo Vianna
"Caro senador, essa “carta” é escrita sem rancor nem ironia. O senhor provavelmente nem me conhece. Escrevo depois de vê-lo agredir verbalmente um blogueiro que tentou entrevistá-lo na última terça-feira, no Congresso. O senhor xingou o rapaz, avançou contra ele, e depois tentou se justificar nas redes sociais, dizendo que ele era um “ex-assessor do PT”. Aqui um tweet do @Aloysio_Nunes: “acha que um senador de oposição pode ser ofendido por um ex-assessor do PT ? Acha que não há câmeras no Senado?”

A mídia ligada ao tucanato rapidamente espalhou a notícia (falsa) de que um senador reagira a “insultos” de um blogueiro ligado ao PT. O nome do blogueiro é Rodrigo Pilha. As imagens, senador, não mostram insultos por parte do blogueiro. Mas um tratamento até respeitoso – apesar de provocativo.

Parece-me que o PSDB está mal acostumado: protegido pela mídia paulista e mineira, tem queixo de vidro. Não sabe apanhar, perdeu a capacidade de levar uns golpes. Já quer partir pra briga, pedir cabeças, mandar prender. Lamentável.

Senador, preciso dizer que eu costumava ter certo respeito pelo senhor, pela sua história. Respeito, justamente, pela firmeza que o senhor demonstrou nos momentos em que seu partido esteve na defensiva no segundo governo Lula. Enquanto Serra e Alckmin “esconderam” FHC, e renegaram o privatismo, o senhor fez campanha ao Senado com FHC no horário eleitoral em 2010. Defendeu FHC, e foi apoiado por ele. Gosto de gente que atua assim, de peito aberto. Mesmo carregando um fardo pesado.

Além disso, quando era Chefe da Casa Civil de Serra no governo paulista, o senhor alocou recursos para publicar livro importante, sobre desaparecidos políticos – editado por famílias de gente que morreu lutando contra a ditadura.

Muita gente não sabe que o senador Aloysio foi um dia o “camarada Mateus” – guerrilheiro da ALN. Atuou ao lado de Marighella, deu tiros, assaltou. Jamais renegou esse passado. E nem teria porque fazê-lo: lutava contra uma ditadura. O senhor foi mais prestativo do que certos petistas no momento em que famílias de desaparecidos e mortos pela ditadura precisaram de ajuda. De novo, postura corajosa, na medida em que contraria posições de eleitores e da base social tucana em São Paulo – que se deslocou para a direita.

Pois bem. Ao avançar contra o blogueiro no Congresso, o senhor não mostrou coragem. Ao contrário, confundiu bravura com desrespeito e autoritarismo. Foi covarde, até.

Mais que isso: o senhor justificou o ataque ao blogueiro pelo fato de ele ser do PT. Não esperava que o senhor aderisse à lógica justiceira que já incendeia as ruas e a internet. Há um movimento, um desejo latente em certos setores, de “exterminar o PT”. E ele gera um clima violento de parte a parte. “Tucanalha” de um lado. “Petralha” do outro. Onde isso vai nos levar, senador?

De fato, a abordagem do blogueiro Pilha pode ter irritado o senhor. Mas já imaginou se Genoíno ou Dirceu reagissem da mesma forma, quando foram abordados de forma muito mais agressiva por equipe de TV? Imagine se um parlamentar do PT avançasse sobre um jornalista ou humorista, gritando e xingando como o senhor fez? Estaria sujeito a pedido de cassação, por quebra de decoro. Viraria manchete. Sabemos que a mídia tucana não fará isso com o senhor. Mesmo assim, sua imagem (perseguindo aos berros o blogueiro) percorre a internet; e  não é das mais edificantes.

Imagine se o ex-presidente Lula fizesse o mesmo com certos blogueiros da “Veja” que o atacam de forma muito mais virulenta todos os dias? O Lula teria que dar uns sopapos na turma da “Veja”? Mandar a “PQP”? Esfolar? Prender?

Caro senador Aloysio, o senhor errou.

Perder a cabeça é algo normal. Quem sou eu pra dar lição de moral nesse sentido… Quem me conhece sabe que eu também brigo, não aceito desaforo. Então, senador, o mais grave não foi perder a cabeça. Mas tentar justificar o ataque porque afinal, do outro lado, estava um petista.

Senador, isso parece aquela turma que lamenta o linchamento da moça no Guarujá, porque afinal “ela não fez nada”, “não era a pessoa certa”. Ah, se tivesse feito, então podia linchar?

Esse clima de “linchamento”, de “criminalização” política, afeta hoje mais gravemente o PT. Até porque o bombardeio midiático é desproporcionalmente mais intenso quando há um petista envolvido em denúncias. Mas essa história de “vai pra puta que te pariu, seu petista”, pode virar fácil “morte aos tucanos que acabaram com a água de São Paulo”.

Senador, o senhor deveria pedir desculpas ao rapaz. Isso não o diminuiria em nada. Não significaria ceder em um milímetro nos duros embates com o PT. Legítimos, apesar de quase sempre eu estar do outro lado – e não ao seu lado nesses embates.

A sua história, apesar do PSDB ter ido para a direita, não merecia esse momento Toninho Malvadeza. O senhor é melhor que isso. Apesar de todas nossas discordâncias, sei que é.

E acho que o senhor faria bem se respondesse às perguntas que o blogueiro tentou fazer ao ser interrompido pelo “vai pra puta que te pariu”:

- por que o PSDB quer CPI em Brasília, mas não admite CPI em São Paulo para apurar as denúncias graves de “corrupa” no Metrô e nos trens?

- se o senhor acha que não precisa de CPI em São Paulo porque afinal já há outras instâncias (MP, policia etc) a investigar, por que diabos esse raciocínio não vale para a Petrobrás?

- e o que o senhor acha do envolvimento de seu nome nas denúncias em São Paulo? O senhor não deve? Então explique, sem gritar – por favor.

Lembre-se, caro senador, que esse clima de “pega pra capar” costuma começar com Robespierre cortando cabeças. E depois a cabeça de Robespierre também vai pra guilhotina.

Com todo o respeito, não perca a cabeça."

Fonte: Escrevinhador

7 de maio de 2014

StereOMantra - "Magic Garden"

E já que entramos em ritmo de música (no post anterior), sigamos por essa trilha.
StereOMantra é o nome do projeto musical do pianista e compositor húngaro, de Budapeste, Robert Rohaly.
Apesar da formação erudita, em seu primeiro trabalho solo - "Magic Garden" - ele partiu para uma sonoridade eletrônica que denominou ‘progressive psy chillout’. 
É difícil criar algo inédito em música atualmente, mas ele tentou neste álbum, tanto na sonoridade - meio mística, meio lounge - como na descrição.
A capa, repleta de flores multicoloridas, também é muito bonita.
Ao final, a referência é a mesma da maioria: a escola de Berlim de música eletrônica dos anos 1970. 
Ora direis: e a inserção de mantras hindus e budistas? E eu vos direi, no entanto: lembrarai-vos do Popol Vuh, do Florian Fricke, entre outros.
Lançado este ano... na Hungria!
Som viajante (em todos os níveis) e visual do clip em HD mostrando belas cenas naturais.
Recomendo ouvir com fones e ver com imagem cheia.

Música e Futebol: O Milionário, a música. Os Milionários, a seleção

Por causa do título do post anterior, acabei me lembrando desta música que eu adorava.
Foi gravada pelo conjunto Os Incríveis, acho que em 1968.
Na verdade trata-se de uma regravação do original do grupo The Dakotas, realizada possivelmente no início dos anos 1960.
Parece que o grupo inglês criou a música com o objetivo de servir em aulas de guitarra elétrica que naquela época estava começando a se popularizar junto com o Rock.
No entanto esta versão dos Incríveis extrapolou isso e ficou sendo o melhor registro desta deliciosa música instrumental.
Tudo graças ao guitarrista da banda, Waldemar Mozena, o Risonho, atualmente com 71 anos.
No primeiro vídeo, uma apresentação de Os Incríveis em 1992.
No segundo, a original dos Dakotas.







P.S.: Aproveitando o post, eis o elenco milionário de nossa seleção que vai conquistar o hexa (esperamos e torcemos...):

 
Goleiros: Jefferson (Botafogo), Julio César (Toronto) e Victor (Atlético-MG).
Zagueiros: Dante (Bayern de Munique), David Luiz (Chelsea), Henrique (Napoli) e Thiago Silva (PSG).
Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Maicon (Roma), Marcelo (Real Madrid) e Maxwell (PSG).
Meio-campistas: Fernandinho (Manchester City), Hernanes (Inter de Milão), Luiz Gustavo (Wolfsburg), Oscar (Chelsea), Paulinho (Tottenham), Ramires (Chelsea) e Willian (Chelsea).
Atacantes: Bernard (Shakhtar), Fred (Fluminense), Hulk (Zenit), Jô (Atlético-MG) e Neymar (Barcelona).

A Milionária


Parece que nos EUA, país rico híper-capitalista/materialista, demonstrar sinais exteriores de riqueza é quase uma obrigação social.
No Brasil a cultura é diferente, até porque a ponta da pirâmide aqui é uma ponta mesmo. Já a base é imensa. Daí o fato de não pegar bem: em respeito aos que trabalham demais e ganham 'de menos'.
Mas isso não é uma obrigação e se a pessoa ficou rica por meios lícitos e quer ostentar isso, problema (ou vantagem) dela.
Mas algumas situações são mais, digamos, embaraçosas. Assistam ao vídeo e leiam o artigo do Altamiro Borges e entenderão.



Jornal da Band e a âncora bilionária
Por Altamiro Borges em seu blog   
"O vídeo acima causou agito nas redes sociais – além de traumas familiares e no local de trabalho. Nele a âncora do Jornal da Band, Ticiana Villas Boas, esbanja sua fortuna. Casada com o empresário Joesley Batista, dono da Friboi, ela fala das suas gastanças. “É bom ter dinheiro, não fazer conta, sair para jantar a hora que quiser no restaurante que quiser, poder reformar sempre a casa, ter funcionário na casa... Eu chego em casa, meu carro já está abastecido, meu motorista faz isso. Outro dia me perguntei quanto era o litro da gasolina. Eu não sabia”, afirma a jornalista bilionária. Segundo vários sites de notícia, a ostentação causou mal-estar na TV Bandeirantes e até problemas domésticos.

Em reportagem publicada nesta segunda-feira (5), o Portal Imprensa relata que o parceiro de Ticiana Villas Boas na bancada do Jornal da Band, o veterano Ricardo Boechat, ficou irritado com o vídeo e também com a entrevista à revista Veja. “Boechat estaria fazendo campanha para que a jornalista fosse substituída por Ana Paula Padrão, que está sem contrato. O problema, segundo ele, é que a saída poderia gerar perda de anunciantes no canal. Além da Friboi, [Joesley] Batista é dono da Neutrox, Seara e dos sabonetes Francis”.

Já segundo a colunista Fabíola Reipert, no seu blog de fofocas sobre celebridades, “Joesley, marido riquíssimo de Ticiana (uma das empresas dele é a Friboi), ficou muito bravo com a entrevista da mulher contando sobre a vida luxuosa que leva depois que se casou com ele. Isso caiu como uma bomba. Ele não quer saber de ostentação, muito menos de exposição. Além de se irritar com as coisas que Ticiana falou, Joesley detestou ver na revista uma listinha com parte de seus bens, como um jato Legacy avaliado em 25 milhões de dólares, um imóvel em Nova York e uma casa em Angra dos Reis... Ela poderia ser mais discreta, né”.

O mundo da mídia privada, principalmente das emissoras de tevê, tem muitos segredinhos. Ticiana apenas foi sincera e “indiscreta”. Outros figurões midiáticos preferem não revelar suas ligações com empresários ricaços e caciques políticos. Há muitas “calunistas” com íntimas ligações com tucanos e demos, mas eles ficam na moita fazendo os seus discursos “imparciais” sobre a escandalização da política. Alguns, inclusive, devem ter ajudado a divulgar a falsa e criminosa história de que o filho de Lula é dono da Friboi. Ticiana poderia esclarecer o assunto!"

6 de maio de 2014

Eleições 2014: A Equação do Ódio


Por Rogério Faria no GGN
"O debate político nos almoços de família, máquinas de café, mesas de bar e redes sociais está permeado de ódio. Facilmente desandam para ironias, ofensas, brigas. Quais as razões de tanto ódio?
Para os fins desta reflexão, a sociedade pode ser dividida em três grupos: os alienados, os esclarecidos e os pseudoesclarecidos.
Os alienados são a maioria do povo brasileiro. Geralmente de baixa instrução, levam a vida no dia a dia. Muitas vezes satisfeitos com o governo em razão das conquistas no campo social da ultima década.
Os esclarecidos seriam aqueles que têm uma visão realista da atividade política e do funcionamento da sociedade. Pouco importa se são de esquerda ou de direita, bons ou mal-intencionados, eles não são ingênuos quanto às relações sociais/humanas. Instruem-se pela mídia tradicional, novas mídias, próprias experiências sociais e muita reflexão.
Por fim os pseudoesclarecidos. São eles que estão brigando e são os mais nocivos aos avanços sociais e democráticos conquistados. São bem mais influenciáveis pela mídia tradicional do que os alienados, mas são acomodados demais pra buscar elementos que permitam reflexões como as feitas pelos esclarecidos. Ficam nas manchetes de jornais, no noticiário de 30 minutos nas capas dos semanários. Dialogam apenas entre si, retroalimentando-se. Eles estão na dita classe média tradicional e na nova, na A e B (aqui sem rigor conceitual), cooptando os alienados.
Mas o que os leva a esse comportamento? É o resultado da seguinte equação.

1 – Imprensa sob censura
A nossa imprensa é censurada pelo poder econômico. São cinco ou seis grandes famílias que controlam toda a mídia do país. Por ideais democráticos? Não, por lucro. Eles gerenciam empresas, não ideologias. Nesse embate, a democratização, ou seja: a assunção pelo povo dos meios de comunicação é a maior afronta ao caixa da empresa, já que teriam seu poder de influência reduzido e dividiram os recursos com outros atores. É ingenuidade demais acreditar que um grupo que apoiou golpes, apoiou a ditadura, elegeu um presidente para caçar marajás, manipulou debate eleitoral, criou escândalos como a ficha falsa de uma candidata a presidente, acusou outro de estuprar colega de cela, inventou financiamento político de governo cubano e trata desequilibradamente denúncias de corrupção de grupos políticos diferentes tenha algum compromisso com a verdade.
Essa mídia vem bombardeando a população com moralismos rasos e teses apocalípticas, tentando destruir não só o partido no governo, mas a própria participação democrática, ao desmoralizar toda a classe política e participação social de movimentos históricos. Todos os dias tem um escândalo novo para chocar os dito instruídos e vender jornais.
Pra quem assiste tevê, lê jornais e revistas, e não pensa, o país esta um caos. 

2 – A oposição medíocre
Bem, a esse caos, junta-se a mediocridade da oposição. O país “estaria cada vez pior”, mas eles não conseguem dar uma alternativa. Não conseguem debater dentro do campo democrático, dentro das regras do jogo. Entraram numa relação de interdependência com a imprensa tradicional, tendo nela a única estratégia.
Assim, os pseudoesclarecidos acreditam viver no pior dos mundos e não tem quem os represente dentro do campo político, que seja capaz de mudar essa situação. Quem não consegue jogar dentro das regras, quer novas regras. Daí defenderem impeachment, prisões sem processos e outras idiotices do gênero, no desespero de sua impotência.
Esta é a equação: imprensa censurada + oposição medíocre=ódio
Sem uma lei de imprensa que cumpra a Constituição e sem uma reforma política que valorize o debate ideológico e propositivo, a tendência é dessa equação piorar, até que vençam, lançando o país em novo obscurantismo."

Pasadena e o jogo político da CPI: uma entrevista

Bem que a entrevistadora tentou mas a entrevista concedida pelo especialista fugiu ao padrão global.
É claro que isso não vai aparecer nos principais jornais: JN, Jornal das 10 e Jornal da Globo.
Foi no das 18h,
Nada que não saibamos mas que a manipulação tenta mudar em favor do jogo político.



5 de maio de 2014

Imagem do Dia (quer dizer, da noite): Lua!

Esta linda foto da lua foi minha filha que tirou no início da noite de hoje.
Trabalhou sem cor para ganhar nitidez.
Fotógrafa amadora mas com jeito de profissional.
Máquina utilizada (para os curiosos que também gostam de fotografia): Nikon Coolpix P510, 42X, 4.3-180mm 1:3-5.9.

Bons lançamentos cinematográficos em breve

Quem não gosta de um bom filme?
Bem, se você não gosta, não me culpe. Mas saiba que está perdendo um prazer muito legal.
Eventualmente no mesmo nível de ler um bom livro.
Selecionamos alguns filmes aguardados para as próximas semanas e meses por fãs que já leram o livro, conhecem a série, gostam dos atores e diretores ou simplesmente ouviram falar que são bons.
Recomendamos (e ficamos devendo os lançamentos nacionais).












20 anos depois morreu o dono da Escola Base

Houve um tempo em que eu lia quase todos os jornais diários, assinava as principais revistas semanais e via todos os telejornais noturnos.
Ainda não havia Internet. Nem TV por assinatura.
Gostava e achava fundamental me manter informado sobre tudo que estava acontecendo e recomendava isso a todos que podia.
Ajudava o fato de sempre gostar de ler tudo, até bula de remédio (embora fosse apenas medianamente hipocondríaco).
Com a Intenert de hoje, teria finalmente encontrado meu paraíso de notícias.
Mas mudei.
Ao longo do tempo fui percebendo a manipulação dos fatos, a busca incessante de novidades sem que as mesmas sejam devidamente esclarecidas, a preferência por notícias ruins que gerem indignação e linchamento midiático/popular sem a devida finalização dos fatos, etc.
Hoje não recomendo que fiquem alienados, mas que busquem infomações complementares, aguardem e tirem as próprias conclusões.
Atualmente prefiro estar acompanhado de um livro do Gabriel Garcia Márquez que de um jornal diário.
E há um complemento assustador a essa breve análise: qualquer um pode ser vítima de um "engano" e virar notícia. Até provar sua inocência - se conseguir - já será tarde demais.
Essas considerações faço a partir de uma nota me repassada por um amigo, dando conta que o dono da antiga Escola Base de São Paulo faleceu de infarto em 16 de abril último. Sua esposa já havia falecido de câncer em 2007. Alguma dúvida que essas mortes prematuras tenham relação com o "linchamento" de que foram vítimas, sendo inocentes?
Posteriormente os injustamente acusados ganharam em primeira instância as ações contra os principais veículos de comunicação.
Os jovens não conhecem a história e muitos não se lembram dela. Foram vidas destruídas pelo tipo de abordagem da imprensa e autoridades da época, há 20 anos.
Existe um livro de Alex Ribeiro sobre o tema.
Reproduzo a nota do falecimento, com breve resumo do caso, do G1:

Morre em São Paulo proprietário da Escola Base
Ex-proprietário morreu em 16 de abril devido a um infarto, diz advogado.
Icushiro Shimada foi erroneamente acusado de abuso sexual em 1994.


"Icushiro Shimada, antigo proprietário da Escola Base, no bairro da Aclimação, na região Central de São Paulo, faleceu no dia 16 de abril, aos 70 anos, em sua casa, após sofrer um infarto. Ele estava com a nora no momento da morte e faleceu antes de receber socorro, afirmou seu advogado, Kalil Rocha Abdalla. Shimada foi acusado equivocadamente de abuso sexual contra  crianças de sua escola em 1994.

Em março de 1994, Shimada, sua esposa, Maria Aparecida Shimada, que faleceu de câncer em 2007, e mais seis pessoas ligadas à escola foram acusadas de abusar sexualmente de crianças no horário de aulas, após a denúncia de duas mães.

À época, o delegado responsável pelo caso, Edelcio Lemos, determinou a prisão de todos antes das investigações chegarem ao fim. A Escola Base teve suas dependências pichadas e os envolvidos sofreram ameaças de morte.

O caso, que ficou conhecido como Escola Base, foi amplamente divulgado pela imprensa na época e, após a troca de delegado, um mês depois do ocorrido, o inquérito foi arquivado por falta de provas. Shimada e sua esposa moveram processos por perdas e danos após o episódio. De acordo com o defensor, Icushiro ainda aguardava o pagamento de indenizações antes de morrer."

Agora reproduzo um artigo do jornalista Luis Nassif, Jornal GGN, publicado em fevereiro deste ano, onde ele repete artigo onde "investiu contra a mídia" em 08 de abril de 1994.

O caso Escola Base, 20 anos depois

19/02/2014
Por Luis Nassif

"Vinte anos depois, os antigos donos da Escola Base conseguem uma indenização mínima, perto dos prejuízos sofridos.

Aqui, o capítulo do livro "O jornalismo dos anos 90" em que trato do tema.

O artigo com que investi contra o linchamento da mídia foi em 8 de abril de 1994."

O caso Escola Base

"O caso “Escola Base” foi herdeira direta da campanha do impeachment contra o ex- presidente Fernando Collor. Depois que a campanha se esgotou, criou-se um vácuo nos leitores. Estavam todos viciados em notícias catárticas, no escatológico, do mesmo modo que viciados em morfina. A cada dia a mídia se obrigava a buscar manchetes e temas que substituíssem o lixo da campanha do impeachment.
Foi nesse contexto que surgiu o episódio da Escola Base.
Como todo brasileiro, particularmente como pai, interessei-me vivamente pelo tema, assim que a imprensa passou a divulgá-lo. No primeiro dia, havia declarações do delegado responsável pelo inquérito sobre supostas orgias com crianças de quatro anos. A imprensa ecoou em coro as acusações. Pouco espaço era dado aos acusados.

Eram eles Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada , donos da Escola Base; Maria Cristina Franca, professora da escola, acusada de abusar sexualmente de uma criança de 4 anos, coleguinha de seu filho na escola; Saulo e Mara da Costa Nunes, perueiros da escola, acusado de abusar das crianças dentro da Kombi; e Maurício Alvarenga e sua mulher Paula Milhin, sócia e professora, acusados de participarem do esquema todo.

Uma das poucas experiências que eu tive com cobertura policial foi no início dos anos 80, no rumoroso episódio da corretora Tieppo. Na época era proibido investir fora do país, especialmente devido à crise cambial brasileira. A corretora montou um esquema de captação de recursos para aplicar nos novos mercados de derivativos que surgiam.

Apostou mal, perdeu dinheiro e explodiu o escândalo.

Todos os jornais cercaram os delegados incumbidos da investigação, entre eles Romeu Tuma. Havia ampla disputa na cobertura, todos os jornais tratando de incensar os delegados, para obter informações. Todos bebendo da mesma fonte.

Como chefe de reportagem de Economia do “Jornal da Tarde”, orientei os repórteres a buscarem outras fontes. Em pouco tempo descobrimos uma versão totalmente diferente daquela apregoada pela mídia. O caso era tocado por dois delegados do DOPS, um deles o futuro senador Romeu Tuma.

A imprensa inteira estava atrás do caixa dois da corretora, que revelaria o nome dos investidores que aplicaram no exterior. Um dia Tuma convocou os jornalistas para informar que o caixa dois havia sido descoberto em um pequeno sobrado do bairro do Ipiranga.

Corremos por fora. O repórter Celso Horta foi incumbido de conversar com as telefonistas da corretora. Com elas levantou a informação de que as ligações para clientes especiais tinha umas frases em código, para evitar grampos. E nenhum dos nomes apurados constava da lista do Tuma.

Outro repórter foi despachado para o sobrado do Ipiranga com fotos de Tieppo e Tuma.

Localizou testemunhas que afirmaram que ambos se encontraram várias vezes por ano, uma semana antes do anúncio oficial da descoberta do caixa dois. Com essas informações convidamos o advogado de Tieppo para uma entrevista no “JT”, onde, apertado por todos os lados, confirmou o acordo entre Tieppo e Tuma para jogar planos quentes na investigação.

O episódio me deu a certeza de que, a exemplo dos repórteres, delegados e promotores tendem a supervalorizar os casos dos quais se incumbem, obrigando a um cuidado redobrado na análise de suas informações.

No caso Escola Base, o delegado aparecia falando muito, expondo vastas certezas, e não apresentava fatos objetivos. Limitava-se a mencionar testemunho de meninos de quatro anos. Nas poucas vezes em que foi ouvido, o proprietário da escola revelava genuína indignação.

No terceiro ou quarto dia de cobertura, sugeri à chefia de reportagem da TV Bandeirantes que ousasse o caminho oposto: apostar na inocência dos proprietários da escola. Mas o clima, por demais candente, desestimulava qualquer movimento na direção contrária.

No dia seguinte foi anunciada a prisão de três casais da Escola Base. Naquele dia, decidi entrar no assunto. Fazia um comentário diário no “Jornal da Noite”, e avisei o editor que falaria sobre o caso.
Para minha surpresa, o editor me informou que o advogado dos acusados tinha entrado em contato com a repórter da Bandeirantes –a emissora menos radical na cobertura— e informado que dispunha de um laudo sobre o caso, segundo o qual havia dilatamento de um por um no ânus do menino. Significava que, se houve penetração, não foi de adulto; mas o mais provável é que tivesse sido uma assadura. Em vão o advogado tentava convencer os jornalistas a divulgar o laudo.

Naquela noite fiz um comentário no Jornal da Noite, posteriormente transcrito pelo jornalista Alex Ribeiro no livro “Escola Base – Os Abusos da Imprensa”: “Bom, hoje eu não vou falar de economia, vou falar de um assunto que me deixa doente. Toda a imprensa está há uma semana denunciando donos de escola que presumivelmente teriam cometido abuso sexual contra crianças de quatro anos. Toda a cobertura se funda
em opinião da polícia. Está havendo um massacre. Mais que isso, está havendo um linchamento. Se eles foram culpados, não é mais que merecido. E se não forem? Uma leitura exaustiva de todos os jornais mostra o seguinte: não há até agora nenhuma prova conclusiva de que a criança foi violentada por adulto
. Não há nenhuma prova conclusiva contra as pessoas que estão sendo acusadas. Tem-se apenas a opinião de policiais que ganharam notoriedade com denúncias e, se eventualmente de descobrir que as denúncias são falsas, vão ter muita dificuldade de admitir. Por isso, a melhor fonte não é a polícia, neste momento. A imprensa deve às pessoas que estão sendo massacradas, no mínimo, um direito de defesa, de procurar versões fora da polícia. Repito: é possível que as pessoas sejam culpadas. Mas é possível que sejam inocentes. E se forem inocentes?”

Na manhã seguinte, aumentei o tom das críticas no programa da rádio Bandeirantes, no qual participava ao lado de Salmoão Esper e José Paulo de Andrade. Naquele dia, escrevi a coluna na “Folha” sobre o episódio, que saiu publicada no dia posterior. Foi a primeira manifestação denunciando os erros de cobertura.
O massacre do japonês da Aclimação se dava no mesmo momento em que um banqueiro de atividade polêmica se firmava na mídia, particularmente nas colunas sociais, como o novo grande mecenas da cidade. Sua incensação serviu de contraponto ao massacre da Escola Base.

8/04/1994 O japonês da Aclimação e o Mecenas

O japonês da Aclimação vai ajudar a brava sociedade brasileira a purgar seus erros e permissividades. Desconfiou-se que em sua escolinha donos, professores e pais de aluno praticavam abusos sexuais contra pequenos alunos de 4 anos de idade. Um roteiro paraMarques de Sade nenhum botar defeito.

Não há nenhuma prova conclusiva para as acusações. Não há sequer laudos que comprovem definitivamente a prática de abusos sexuais. Um exame comprovou dilatamento de um por um no ânus de uma das crianças. Pode ser vestígio de penetração, seguramente não por parte de um adulto. Pode ser fruto de uma assadura. Depois disso, há apenas informações arrancadas de crianças de 4 anos por pais desesperados.

Há o quadro já conhecido de policiais que se deslumbram com episódios que podem lhe render popularidade, e de cobertura jornalística burocrática que se vale exclusivamente da versão oficial.

Mas pode haver algo de maior impacto, para policiais e jornalistas, do que a suposição de crianças de 4 anos—que poderiam ser filhos dos próprios leitores—sendo utilizadas em sessões de filmes pornográficos?

Não há nenhuma foto, nenhum filme que comprove a versão, mas o que importa? Como tem-se 50% de possibilidade do japonês da Aclimação ser culpado, está-se cometendo apenas 50% de injustiça.

E toca-se a linchar o japonês e os pais de outros alunos de 4 anos, valendo-se dessa grande prerrogativa de sentir-se fortalecido na companhia da unanimidade, para melhor poder exercitar o supremo gozo de participar de um linchamento, sem riscos e sem remorsos—uma espécie de realidade virtual da Disneyworld com vidas alheias, em que se vive a sensação de perigo, sem correr riscos.

Pouco importa se o resultado final dessa investigação vier eventualmente a comprovar a inocência dos acusados. Se errar, terão o álibi de estar errando em ampla companhia.
 
Lei e ética
O combate à corrupção não se faz em cima de leis, mas de princípios éticos desenvolvidos pela sociedade como um todo. O primeiro círculo a coibir pr ticas erradas é a família. O segundo, o círculo social. Se houver conivência com desvios, não há aparato legal que resolva.

Em São Paulo, um banqueiro foi acusado de integrar o esquema PC Farias junto a fundos de pensão e ao sistema Telebrás. Um grande empresário carioca, homem de vida pública conhecida, e de boa reputação, acusou-o frontalmente de ter exigido propinas para liberar uma licitação. Outro empresário, do setor de telecomunicações, acusou-o de tê-lo procurado em nome do próprio PC Farias.

Nenhuma medida foi tomada pelo Ministério Público Federal para apurar os fatos. Fosse apenas um empresário paulista, o banqueiro provavelmente teria sua vida investigada. Mas é também genro de um senador da República.

A brava elite paulista transformou-o em seu mecenas particular, sem se preocupar sequer em cobrar-lhe explicações cabais para as acusações. Ele é personagem ativo das colunas sociais, sua casa é freqüentada por personalidades conhecidas da vida intelectual e empresarial, suas festas elogiadíssimas, assim como suas virtudes de enólogo. Tem dinheiro e é grande amante das artes. Um grande praça, sem dúvida.

Não se assuma a presunção da culpa. Pode ser que seja inocente. Pode ser que seja culpado. O fato é que em nenhum momento as suspeitas provocaram sequer o constrangimento, que é o sinal mais tênue de existência de princípios éticos regendo relações sociais.

Mas pouco importa. O poderoso japonês da Aclimação (o da Escola Base) está aí mesmo, para mostrar que com a sociedade brasileira não se brinca."

Dia do Trabalhador: A campanha eleitoral 2014 decolou


A CAMPANHA COMEÇOU
Dilma deixou a mensagem de que o país pode não estar muito bem com ela mas estará muito pior com seus adversários. E agora?
Por Paulo Moreira Leite

"O pronunciamento de Dilma Rousseff, na véspera do 1 de Maio, foi o ato inicial da campanha presidencial de 2014.

 Ao defender o aumento de 10% no Bolsa Família, a correção das alíquotas do Imposto de Renda e a política de valorização do Salário Mínimo, Dilma traçou uma linha divisória na campanha presidencial.

Essas medidas pegaram a oposição de surpresa e  amarelaram os sorrisos do PSDB e do PSB no palanque da Força Sindical, no dia seguinte, em São Paulo. Em vez de anunciar suas propostas, Aécio Neves e Eduardo Campos tiveram de comentar as propostas de Dilma.

Dormiram na ofensiva e acordaram na defensiva.

Tudo estava pronto para transformar a defesa da lei do Salário Mínimo, obra do governo Lula, em bandeira da oposição.

A Lei vai expirar em 2015 e, de olho no eleitorado trabalhador, o deputado Paulinho da Força já tinha apresentado um projeto de lei no Congresso. Num texto assinado em companhia de um parlamentar do Solidariedade e de outro do PSDB, Paulinho reconhece a atuação do governo Lula-Dilma quando diz, no preâmbulo, que “nesses últimos anos o Brasil vem enfrentando profundas mudanças, sobretudo no ambito social”. O projeto de lei é favorável a renovação da lei em vigor.

Era, naquele momento, uma tentativa de  deixar o governo na defensiva. Teria, sem dúvida, apoio popular durante a campanha, não mais do que isso. O  pré-Ministro da Fazenda de Aecio Neves, Armínio Fraga, já deixou claro que acha o mínimo alto demais.

O pronunciamento de Dilma eliminou essa possibilidade.

 O mesmo vale para o Bolsa Família, revalorizado em 10%, e a correção do imposto de renda, em 4,5%.

A oposição, que sempre bateu no Bolsa-Preguiça ou mesmo Bolsa-Esmola, agora é obrigada a dizer que os benefícios subiram pouco.

Risos.

Nem é preciso dizer quem ficou perdendo no debate.

Falar em correção integral do IR é uma maravilha para quem está na oposição – como sabem todos aqueles que já tiveram de fechar contas públicas, inclusive reservando dinheiro para os lucros dos bancos e dos especuladores financeiros, e não para a melhoria da vida dos pobres.

Você sabe a verdade  secreta: ajuda para os pobres é desperdício e demagogia. Pacote de bondades. Eleitoreiro.

Para os bem situados, é investimento e justiça. Pacote de bom senso.

É difícil saber até onde poderia ter ido a correção. Ninguém gosta de pagar imposto.

Mas é bom entender a liçao básica: a turma que denunciar a “carga tributária” também adora esconder para quem se destinam os tributos que recolhe. A lógica é simples: Estado mais pobre significa menos dinheiro para os mais pobres -- mesmo que uma parte dos recursos continue chegando aos muito ricos.

A confusão no palanque da Força, mais uma vez, confundiu políticos e jornalistas. Estes descrevem um mundo em que tudo é festa.

Depois que Paulinho causou constrangimento ao falar que Dilma acabaria na Papuda, até Aécio achou melhor procurar outras companhias.

Chegou a dizer para o secretário geral da Força, João Carlos Juruna Gonçalves, que ele deveria entrar para a campanha do PSDB. A Força é uma central que abriga várias correntes políticas.

“Fizemos uma festa democrática, onde os interesses dos trabalhadores estão acima das convicções partidárias,” diz Juruna. “Nosso compromissdo é com os assalariados.” Há dirigentes da Força alinhados com Aécio, como Paulinho. Outro apoiam Eduardo Campos. Juruna fez campanha por Lula em 2006, por Dilma em 2010 e planeja seguir o mesmo caminho em 2014.

 Ao defender reivindicações  ligadas aos interesses dos trabalhadores e dos mais pobres, Dilma marca o território e obriga a oposição a buscar votos num terreno desfavorável. O apoio irrestrito de Lula ajuda a reforçar essa situação.

Como já foi dito, estamos assistindo a reconstrução de políticas de classe.

Muita gente acha isso feio, anacronico, pré-histórico. É a mesma turma que saiu da esquerda, foi para a direita e agora diz que esquerda e direita não existem mais.

O condomínio Lula-Dilma encara, em 2014, a eleição mais difícil desde sua chegada ao Planalto, em 2003. Após “profundas mudanças, sobretudo no ambito social,” como admitia o projeto de lei de Paulinho, a oposição procura todos os atalhos para recuperar o poder de Estado. Os donos de jornais nem precisam mais dizer que resolveram ajudar uma oposição muito fraquinha, como aconteceu em 2010. Está na cara.

Eduardo Campos chega a brigar com Marina Silva porque defende a indepedência do Banco Central, bandeira reacionária que faria corar o avô Miguel Arraes – e, provavelmente, o próprio Eduardo Campos há seis meses atrás. Aécio Neves não teve receio de anunciar sua “coragem” para tomar “medidas impopulares” – qualquer pessoa que entende um pouco de geopolítica social sabe que isso equivale a falar grosso com a Bolívia e afinar a voz diante de Washington.

No 1 de maio, no entanto,  todos queriam mostrar-se preocupadíssimos como o bem-estar do povo.

A mensagem de Dilma é simples. O país pode não estar  muito bem com ela. Mas estará  muito pior sem ela.

Este é o debate em 2014."

Fonte: IstoÉ Independente

Paulo Moreira Leite:
Diretor da Sucursal da ISTOÉ em Brasília, é autor de "A Outra História do Mensalão". Foi correspondente em Paris e Washington e ocupou postos de direção na VEJA e na Época. Também escreveu "A Mulher que Era o General da Casa".

4 de maio de 2014

The Northern Lights

A sempre magnífica Aurora Boreal, 'sonho de consumo visual' de quase todo mundo.
Desta vez vista e registrada (com alguns efeitos) no Alasca por Alexis Coram.
Música "Out of Darkness" de James Everingham.



Em complemento, me lembrei que o grupo inglês de Rock Progressivo (comandado pela fantástica Annie Haslam) gravou em seu disco "A Song For All Seasons" de 1978 uma bela música chamada "The Northern Lights".
Bom domingo e boa semana!

3 de maio de 2014

Marcelo Jeneci


Para mim, que sou da música dos anos 1970, quando despontavam as obras-primas de Milton Nascimento, Chico Buarque, Beto Guedes, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Lô Borges, etc. etc. tem sido difícil me interessar por cantore(a)s/compositore(a)s atuais. Não me refiro a uma ou duas músicas legais soltas no CD mas daqueles discos inteiros bons, da primeira à última música.
Pois eis que, depois de décadas, surge um sujeito chamado Marcelo Jeneci.
É o seu CD de estréia o primeiro deste milênio que pude comparar com meus clássicos dos anos 70.
Faltava o difícil teste do segundo disco, que ele lançou no final do ano passado, "De Graça".
Ainda não tive tempo de ouvir tudo com calma, mas pelo que percebi até o momento é ele o "cara" que me trouxe os velhos bons tempos de volta e com músicas inéditas e atuais.
Selecionei cinco de suas canções. Os vocais femininos são da ótima Laura Lavieri.











2 de maio de 2014

O melhor remédio (ou pelo menos um dos melhores)


Fonte: Blog da Saúde

Musa da Semana: Musas da Copa do Mundo

A Copa do Mundo do Brasil está chegando e nada mais justo que fizéssemos um episódio da nossa série "Musa da Semana" com temática da Copa.
Mas queríamos algo diferente do usual, que fizesse justiça à importância da Copa para quem gosta de futebol e para o país. Bem, e para quem gosta de admirar o belo sexo.
Curiosamente fomos descobrir no trabalho de um americano uma obra bem legal destinada à Copa.
Trata-se de Mike Campau, graduado na Universidade de Michigan em design, arte digital e fotografia.
Ele fez uma série ("World Cup Inspired") de belas imagens de garotas em jogadas típicas de futebol nas cidades e estádios do Brasil. Uniu tudo em cada uma das obras.
Ficou muito legal, de alto nível.
Cliquem em cada imagem para admirar em tamanho maior.
Bem que poderia ser o calendário oficial da FIFA. Esse eu compraria! Em tamanho grande daria para emoldurar e fazer diversos quadros para decorar uma sala de jogos, por exemplo.












1 de maio de 2014

Longevidade

Mais um que recebi da Internet mas não descobri com precisão a origem.
Por uma breve citação acredito que tenha sido publicado originalmente na extinta revista Alfa (uma revista destinada ao público masculino).
E veio com piada do tipo "como morrer saudável". Mas é isso mesmo, longevidade com qualidade de vida.
Não dá para dizer se tal pesquisa existiu mesmo, mas os 15 conselhos (com algumas ressalvas a meu ver, vocês poderão achar as suas) são quase óbvios mas que não consideramos como deveríamos.
Segue então neste feriado de primeiro de maio.
15 passos para longevidade
Fazer exercícios, controlar o estresse, maneirar no sal — estas regras você já sabe ou deveria saber, de tanto que os médicos repetem.
Conheça agora ensinamentos para viver mais que não passam pelos consultórios.
Alimentação balanceada, exercícios regulares, álcool sob controle, cigarro à distância, muitas horas de sono. Se tudo isso já faz parte da sua rotina, parabéns: você cumpre alguns dos pré-requisitos para viver mais. Acontece que há muitos outros: bons hábitos e fatores externos que são fundamentais para se chegar a uma “melhor idade” digna do nome.

Boa parte dessas novas regras são desdobramentos de estudos que levam em conta a influência que a sua personalidade e o seu entorno podem ter na sua longevidade. O principal deles é um estudo da Universidade Stanford, na Califórnia, iniciado pelo médico Lewis Terman em 1921. Naquele ano, ele selecionou um grupo de 1 500 crianças para acompanhá-las durante os anos seguintes. Terman faleceu em 1958, mas seus assistentes (e os assistentes deles) seguiram acompanhando todo o grupo durante décadas, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, até que suas mortes os separassem.

Em 2012, as conclusões foram apresentadas. Os conselhos clássicos de se manter ativo, bem alimentado e tranquilo continuam valendo, claro. Mas os pesquisadores chegaram a algumas informações surpreendentes: trabalhar muito é um caminho para viver muito, otimismo de mais pode ser prejudicial e a genética não é assim tão determinante para prever seu futuro.
Conheça essas e outras lições nas próximas páginas. Afinal, o negócio não é só chegar a 100: é chegar bem.

1- Nunca, nunca se aposente
Pesquisas que comparam trabalhadores e aposentados da mesma idade mostram: quem parou está pior. Claro, vai depender da sua rotina. Mas como sabemos que a poltrona é tentadora, fique esperto. Não precisa trabalhar muito, nem todo dia – ache um hobby, um curso, um compromisso regular. E, não, assistir TV não conta como hobby.

2. Passar fio dental faz bem para o coração
O que uma coisa tem a ver com a outra? Acompanhe o raciocínio: se você não passar fio dental, vai acumular placa bacteriana, que vai causar gengivite, que vai provocar a liberação de substâncias conhecidas como químicos da inflamação, que são os vilões por trás de várias doenças cardíacas. Mas se isso não for argumento suficiente pra você… poxa, gengiva inflamada, dentes em falta e mau hálito não ajudam ninguém na terceira idade.

3. Otimismo faz mal à saúde
Enxergar apenas o lado bom das coisas tem seu lado ruim. Pois é: pessoas otimistas tendem a subestimar riscos – um traço de personalidade que pode levar de ultrapassagens ousadas a longas ausências no médico. Além disso, otimismo além da conta deixa você frustrado demais com as dificuldades da vida. Ou seja: com um pé atrás, você vai mais longe.

4. Socializar é a fonte da juventude
Quanto mais velhos, menos saímos de casa. Lute contra isso: a ciência garante que conviver com outros é o gatilho de benefícios físicos e mentais que prolongam a vida.

5. Deus ajuda quem vai à igreja
Fato: quem comparece à missa, culto, centro espírita, sinagoga, terreiro etc. em geral vive mais. Dilema: religiosos vivem mais porque rezam ou rezam porque vivem mais? Os dados não permitem concluir se a saúde dos anciãos é beneficiada pela experiência ou se, na verdade, quem tem disposição para ritos religiosos são justamente os mais saudáveis. Moral da história: na dúvida, tenha fé em alguma coisa – nem que seja em Richard Dawkins.

6. Beba. E não precisa ser tacinha de vinho
Quando o assunto é álcool e longevidade, só se fala em vinho tinto. Preconceito: vinho branco, cerveja, uísque e outros fermentados e destilados também podem fazer bem. Há um índice menor de doenças cardiovasculares relacionado ao consumo diário de até duas doses – e de apenas uma para mulheres, ponto para os homens! Mas a ALFA e o Ministério da Saúde advertem: beba com moderação. Passou de duas doses, já vira problema.

7. Palavras cruzadas salvam vidas
Atividades que exercitam seu cérebro mantêm sua inteligência e prolongam sua lucidez. Opções não faltam: palavras cruzadas, xadrez, videogame, sudoku, qual-é-a-música. Detalhe: assim que estiver craque, troque de treino – seus neurônios só mantêm o frescor enfrentando novos desafios.

8. Mulher: o negócio é imitar
Elas vão mais ao médico, comem melhor, fumam menos, envolvem-se em menos acidentes e, assim, vivem mais. Então, deixe de frescura: seja mais feminino.

9. Não fique viúvo. Você não sabe se cuidar sozinho
Não bastasse haver cinco viúvas para cada viúvo no Brasil, elas ainda vivem muito mais depois de perder seus maridos do que nós após perdermos a esposa. A verdade é que, sozinhos, tendemos ao caos – o que aos 30 anos tem seu charme, mas em uma idade avançada é fatal. Então, não fique solteiro: sua saúde agradece.

10. Pare de se incomodar com bobagem
Mágoa, rancor, ressentimento: se ao ler essa lista você já recorda de vários exemplos pessoais, calma. Não é por aí. Se cultivados, esses sentimentos descambam na produção de cortisol, um hormônio que ataca seu coração, metabolismo e sistema imunológico. Diversos estudos relacionam uma alta taxa de cortisol a uma morte precoce. Portanto, aprenda a perdoar, relevar, deixar pra lá. Como dizia o guru indiano Meher Baba: Don’t worry, be happy – pois é, também achava que vinha daquela música.

11. Não confie nos seus genes
“Meu avô viveu 90 anos, não preciso me preocupar.” Precisa. Uma nova pesquisa concluiu que apenas 25% da duração da nossa vida podem ser atribuídos à herança genética; os outros 75% dependem de você. Se quiser chegar aos 90 como o seu avô, descubra como ele fez para chegar lá.

12. Não tenha amigos legais. Tenha amigos saudáveis
OK, eles não são excludentes. Mas o ponto é: da mesma maneira que, para ganhar dinheiro, é melhor se cercar de ricos, e para emagrecer convém conviver com magros, para se ter saúde a receita é arranjar uma turma saudável – você melhora sem querer.

13. Tenha filhos – ou algo parecido, como cachorros
Caso tenha se ofendido, por favor, volte ao item 10. Pronto. É o seguinte: possuir uma conexão com alguém mais jovem que você (filho, enteado, sobrinho, neto) é algo que te mantém interessado pelo mundo à sua volta – e mais a fim de continuar vivendo nele. E, sim, cachorro e gato também contam: além de manter você conectado, curtir um animal de estimação libera ocitocina, o hormônio benéfico liberado na convivência pais e filhos.

14. Seja bom no que você faz. Ao menos tente
Quanto menos trabalho, melhor. Esse conselho, que parece vindo do personagem Macunaíma, de Mário de Andrade, foi durante muito tempo adotado pelos especialistas em longevidade. Acreditava-se que uma vida sem esforço seria uma vida longa. Mas os médicos observaram que parece haver uma relação entre longevidade e empenho profissional. Por incrível e justo que pareça, passar décadas se dedicando e evoluindo em algo que você valoriza, ou seja, ralando muito, pode lhe valer vários anos a mais. Ao menos, garantem os especialistas, em comparação com quem passar o mesmo bocado de tempo trabalhando no que não gosta – essa sim é uma receita garantida para viver menos e pior.

15. Ser um pouco hipocondríaco vale a pena
Você vai continuar sendo considerado chato pela maioria dos amigos, mas pesquisas apontam que quem desconfia mais da própria saúde vive mais. No caso, é melhor prevenir e se remediar.

A origem e o significado do 1º de Maio: os mártires do movimento operário

38 operários mortos e 115 feridos na primeira greve em Chicago
 Por Altamiro Borges em seu Blog
“Se acreditais que enforcando-nos podeis conter o movimento operário, esse movimento constante em que se agitam milhões de homens que vivem na miséria, os escravos do salário; se esperais salvar-vos e acreditais que o conseguireis, enforcai-nos! Então vos encontrarei sobre um vulcão, e daqui e de lá, e de baixo e ao lado, de todas as partes surgirá a revolução. É um fogo subterrâneo que mina tudo”. Augusto Spies, 31 anos, diretor do jornal Diário dos Trabalhadores. 
“Se tenho que ser enforcado por professar minhas idéias, por meu amor à liberdade, à igualdade e à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correspondente à nossa ardente paixão pela redenção da espécie humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição. Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais nossas idéias, estais muito enganados, pois elas são imortais''. Adolf Fischer, 30 anos, jornalista.

“Em que consiste meu crime? Em ter trabalhado para a implantação de um sistema social no qual seja impossível o fato de que enquanto uns, os donos das máquinas, amontoam milhões, outros caem na degradação e na miséria. Assim como a água e o ar são para todos, também a terra e as invenções dos homens de ciência devem ser utilizadas em benefício de todos. Vossas leis se opõem às leis da natureza e utilizando-as roubais às massas o direito à vida, à liberdade e ao bem-estar”. George Engel, 50 anos, tipógrafo.

“Acreditais que quando nossos cadáveres tenham sido jogados na fossa tudo terá se acabado? Acreditais que a guerra social se acabará estrangulando-nos barbaramente. Pois estais muito enganados. Sobre o vosso veredicto cairá o do povo americano e do povo de todo o mundo, para demonstrar vossa injustiça e as injustiças sociais que nos levam ao cadafalso”. Albert Parsons lutou na guerra da secessão nos EUA.


As corajosas e veementes palavras destes quatro líderes do jovem movimento operário dos EUA foram proferidas em 20 de agosto de 1886, pouco após ouvirem a sentença do juiz condenando-os à morte. Elas estão na origem ao 1º de Maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores. Na atual fase da luta de classes, em que muitos aderiram à ordem burguesa e perderam a perspectiva do socialismo, vale registrar este marco histórico e reverenciar a postura classista destes heróis do proletariado. A sua saga serve de referência aos que lutam pela superação da barbárie capitalista.

A origem do 1º de Maio está vinculada à luta pela redução da jornada de trabalho, bandeira que mantém sua atualidade estratégica. Em meados do século XIX, a jornada média nos EUA era de 15 horas diárias. Contra este abuso, a classe operária, que se robustecia com o acelerado avanço do capitalismo no país, passou a liderar vários protestos. Em 1827, os carpinteiros da Filadélfia realizaram a primeira greve com esta bandeira. Em 1832, ocorre um forte movimento em Boston que serviu de alerta à burguesia. Já em 1840, o governo aprova o primeiro projeto de redução da jornada para os funcionários públicos.

Greve geral pela redução da jornada
Esta vitória parcial impulsionou ainda mais esta luta. A partir de 1850, surgem as vibrantes Ligas das Oito Horas, comandando a campanha em todo o país e obtendo outras conquistas localizadas. Em 1884, a Federação dos Grêmios e Uniões Organizadas dos EUA e Canadá, futura Federação Americana do Trabalho (AFL), convoca uma greve nacional para exigir a redução para todos os assalariados, “sem distinção de sexo, ofício ou idade”'. A data escolhida foi 1º de Maio de 1886 - maio era o mês da maioria das renovações dos contratos coletivos de trabalho nos EUA.

A greve geral superou as expectativas, confirmando que esta bandeira já havia sido incorporada pelo proletariado. Segundo relato de Camilo Taufic, no livro “'Crônica do 1º de Maio”, mais de 5 mil fábricas foram paralisadas e cerca de 340 mil operários saíram às ruas para exigir a redução. Muitas empresas, sentindo a força do movimento, cederam: 125 mil assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de Maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados; e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores já gozavam do direito às oito horas.

“Chumbo contra os grevistas”, prega a imprensa
Mas a batalha não foi fácil. Em muitas locais, a burguesia formou milícias armadas, compostas por marginais e ex-presidiários. O bando dos “'Irmãos Pinkerton” ficou famoso pelos métodos truculentos utilizados contra os grevistas. O governo federal acionou o Exército para reprimir os operários. Já a imprensa burguesa atiçou o confronto. Num editorial, o jornal Chicago Tribune esbravejou: “O chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. É de se esperar que o seu uso se estenda”.

A polarização social atingiu seu ápice em Chicago, um dos pólos industriais mais dinâmicos do nascente capitalismo nos EUA. A greve, iniciada em 1º de Maio, conseguiu a adesão da quase totalidade das fábricas. Diante da intransigência patronal, ela prosseguiu nos dias seguintes. Em 4 de maio, durante um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, uma bomba explodiu e matou um policial. O conflito explodiu. No total, 38 operários foram mortos e 115 ficaram feridos.

Os oito mártires de Chicago
Apesar da origem da bomba nunca ter sido esclarecida, o governo decretou estado de sítio em Chicago, fixando toque de recolher e ocupando militarmente os bairros operários; os sindicatos foram fechados e mais de 300 líderes grevistas foram presos e torturados nos interrogatórios. Como desdobramento desta onda de terror, oito líderes do movimento - o jornalista Auguste Spies, do “'Diário dos Trabalhadores”', e os sindicalistas Adolf Fisher, George Engel, Albert Parsons, Louis Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebe - foram detidos e levados a julgamento. Eles entrariam para a história como “Os Oito Mártires de Chicago”.

O julgamento foi uma das maiores farsas judiciais da história dos EUA. O seu único objetivo foi condenar o movimento grevista e as lideranças anarquistas, que dirigiram o protesto. Nada se comprovou sobre os responsáveis pela bomba ou pela morte do policial. O juiz Joseph Gary, nomeado para conduzir o Tribunal Especial, fez questão de explicitar sua tese de que a bomba fazia parte de um complô mundial contra os EUA. Iniciado em 17 de maio, o tribunal teve os 12 jurados selecionados a dedo entre os 981 candidatos; as testemunhas foram criteriosamente escolhidas. Três líderes grevistas foram comprados pelo governo, conforme comprovou posteriormente a irmã de um deles (Waller).

A maior farsa judicial dos EUA
Em 20 de agosto, com o tribunal lotado, foi lido o veredicto: Spies, Fisher, Engel, Parsons, Lingg, Fielden e Schwab foram condenados à morte; Neebe pegou 15 anos de prisão. Pouco depois, em função da onda de protestos, Lingg, Fielden e Schwab tiveram suas penas reduzidas para prisão perpétua. Em 11 de novembro de 1887, na cadeia de Chicago, Spies, Fisher, Engel e Parsons foram enforcados. Um dia antes, Lingg morreu na cela em circunstâncias misteriosas; a polícia alegou “suicídio”. No mesmo dia, os cinco “'Mártires de Chicago” foram enterrados num cortejo que reuniu mais de 25 mil operários. Durante várias semanas, as casas proletárias da região exibiram flores vermelhas em sinal de luto e protesto.

Seis anos depois, o próprio governador de Illinois, John Altgeld, mandou reabrir o processo. O novo juiz concluiu que os enforcados não tinham cometido qualquer crime, “tinham sido vitimas inocentes de um erro judicial”. Fielden, Schwab e Neebe foram imediatamente soltos. A morte destes líderes operários não tinha sido em vão. Em 1º de Maio de 1890, o Congresso dos EUA regulamentou a jornada de oito horas diárias. Em homenagem aos seus heróis, em dezembro do mesmo ano, a AFL transformou o 1º de Maio em dia nacional de luta. Posteriormente, a central sindical, totalmente corrompida e apelegada, apagaria a data do seu calendário.

Em 1891, a Segunda Internacional dos Trabalhadores, que havia sido fundada dois anos antes e reunia organizações operárias e socialistas do mundo todo, decidiu em seu congresso de Bruxelas que “no dia 1º de Maio haverá demonstração única para os trabalhadores de todos os países, com caráter de afirmação de luta de classes e de reivindicação das oito horas de trabalho”. A partir do congresso, que teve a presença de 367 delegados de mais de 20 países, o Dia Internacional dos Trabalhadores passou a ser a principal referência no calendário de todos os que lutam contra a exploração capitalista.
Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador?

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Não sei se a realidade está (ou vai acabar ficando) tão distante disto não...