18 de fevereiro de 2014

Será que o Levy Fidelix vira essa eleição?

Dilma venceria hoje no 1º turno, diz nova pesquisa
"Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira aponta que, se a eleição fosse hoje, Dilma seria a primeira colocada entre os candidatos. O levantamento apontou que ela obteria 43,7% das intenções de votos, contra 17% de Aécio e 9,9% de Eduardo Campos.

Num outro cenário, quando Campos é substituído por Marina, o quadro seria o seguinte: Dilma ainda lideraria, com 40,7%, seguida de Marina, com 20,6%, de Aécio, com 15,1% e Levy Fidelix (PRTB), com 0,4%.

Em ambos os casos Dilma venceria no primeiro turno.

Quando o eleitor é perguntado sobre em qual candidato pretende votar para presidente, de forma espontânea, Dilma ainda é a mais lembrada, com 21,3%, seguida de Lula (5,6%), que tem o mesmo percentual de Aécio.

Dilma lidera também — agora apertadamente — no índice de rejeição. 37,3% disseram que não votariam nela. A rejeição a Aécio é de 36%, a de Campos 33,9%, e a de Marina 35,5%."
DCM

Mano Cae e The Globe


Quem gosta de MPB (aquela legítima, de alto nível), costuma acompanhar suas estrelas desde fins dos anos 1960. De Milton a Chico, passando por Caetano, Gil, Ivan Lins, João Gilberto, Tom Jobim (até quando era vivo, claro), etc. A foto aqui em cima é histórica.
Além da música, alguns deles ou muitos deles, se envolveram (ou foram obrigados a se envolver) com politica, por causa da Ditadura de Direita (leia-se Comando Americano), da perseguição que tiveram.
Talvez as letras do Chico Buarque nos anos 1970 tenham sido as mais reveladoras do que estava acontecendo.
Não foram  poucos os que - da mesma forma que muitos ativistas de movimentos clandestinos de resistência - tiveram que sair fora do país para escapar de uma possível prisão ou até mesmo "desaparecimento".
Me lembro que Gil e Caetano, entre outros, foram para Londres. Chico foi para a Itália.
Mas isso, se não é coisa do passado por continuar tudo muito vivo na mente e na preocupação de muitos, hoje a realidade desses artistas pode ser muito diferente.
Nem poderia ser de outra forma. A maioria se já fez ou se aproxima dos 70 anos e sua história de vida, se ainda não foi totalmente escrita, já tem muitos volumes interessantes a serem lidos ao longo do tempo que virá.
Gilberto Gil foi ministro de Lula, Chico participou das campanhas de Lula e Dilma, Ivan Lins deu interessantes declarações a respeito de um operário chegar ao poder e de como isso incomodava a muitos do alto da pirâmide, etc.
Caetano aparentemente virou um intelectual de Direita, isso quando consigo entender o que ele está querendo dizer e qual é afinal a sua posição. Só sei que foi contratado pelo Globo, aquele mesmo que fez uma espécie de "mea culpa" por apoiar a ditadura que quase desapareceu com ele e seus amigos.
Mudou o Caetano ou o Globo?
Para falar a verdade há muito tempo parei de ler os dois, mas através de alguns blogs soube que Caetano se voltou contra o jornal pela abordagem que fez, aparentemente detonando o deputado do PSOL com relação aos últimos acontecimentos. Caetano gosta do Freixo e  achou que pisaram no calo dele. Dele Caetano.
Foi nesse panorama que li um excelente artigo escrito pelo Fernando Brito, do blog Tijolaço, sobre o tema e resolvi reproduzir aqui na íntegra. Garanto que vale a pena ler. Gostem ou não de Caetano. Gostem ou não de MPB. Mas é mais delicioso ainda para quem gosta de ambos.

A Caetano, sobre O Globo: é tua a Queixa
Por Fernando Brito em 17/02/2014
"Eu não comentei o artigo de Caetano, ontem, queixoso de como O Globo tratava o Deputado Marcelo Freixo, do PSOL.

“Descobrir”, agora, que O Globo acusa sem provas, cria ondas linchatórias, pressupõe a culpa quando o culpado lhe desagrada, francamente, é um tanto tardio vindo de quem, como Caetano, foi brutalizado pela ditadura à qual O Globo serviu.

Nem vou comentar o editorial “neutro” do jornal, hoje, onde diz que fez a apuração dos fatos, agora, embora não a tenha querido fazer enquanto os blocs serviam de desgaste ao Governo a quem faz oposição.

Como os blocs, Caetano e Freixo serviram, não servem mais.

Como alguns leitores têm dito que ando meio irritadiço – às vezes é verdade, porque não sou um observador “neutro” da política, tenho lado e causa e não os escondo – vou me servir da poesia e deixar  que o genial e amado poeta Caetano Veloso faça, ele mesmo, a sua Queixa:

“Um amor assim delicado
Você pega e despreza
Não devia ter despertado
Ajoelha e não reza”

Pois é, Caetano, tem essa. O diabo não compra só um pedacinho da alma, leva o lote.

De repente, você achou feio tudo o que não era espelho e descobriu nos que sempre estiveram ao lado do passado e da opressão o canal da liberdade?

A esquerda que você e o Freixo renegaram nunca achou que vocês fossem os “culpados”.

"Dessa coisa que mete medo
Pela sua grandeza
Não sou o único culpado
Disso eu tenho a certeza"

Mas você não viu ou não quis ver o que havia nisso.

E isso é terrível num poeta.

Como cantou, tão lindo, o Chico, os poetas, como os cegos podem ver  na escuridão.

Estava escuro, é verdade, mas dava para ver onde o caminho ia dar. O pobre Santiago Andrade foi a pedra no meio do caminho, que doeu em todo mundo, mas  fez parar a loucura que é transformar a democracia que custou tanto a você e a mim – e que não se apaga de nossas retinas tão fatigadas  - num cenário de pedradas, máscaras e agressões.

Os “novos democratas” da mídia e das elites que sustentaram a brutalidade e hoje posam de “pós-modernos”, desprezando estes velhos brontossauros do nacionalismo, usaram a sua imagem – aquela que você achou linda, libertária, jovem – o quanto ela foi útil. Inútil agora, o Freixo vira bandido, para levar nas costas o peso da condenação por tudo do quanto se serviram.

"Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou"

Pois é, Caê, a vida é real e de viés e vê só que cilada o amor te armou, fez virar ao contrário teu verso “onde queres bandido eu sou o herói”.

Revolução não é um pano preto sobre o rosto. Não finda por ferir com a mão essa delicadeza, a coisa mais querida, a glória da vida.

Lembra do Herivelto Martins, que você cantou, tão lindamente? "Atiraste uma pedra/no peito de quem/só lhe fez tanto bem/e quebraste um telhado/perdeste um abrigo/feriste um amigo)/conseguiste magoar/quem das mágoas te livrou/e atiraste uma pedra/com as mãos que esta boca/tantas vezes beijou".

Não reclama, Caetano, mas age.

E não é aplaudindo, é cobrando, pedindo, exigindo, do jeito que só os poetas sabem fazer, e que eles, homens duros da direita, detestam.

Porque o sonho tem hora que não pode ser apenas sonhado, mas feito. Com pó, pedrisco, farpa, cansaço, erro, até dor. E a gente precisa de poesia para não se afundar sem olhar o céu enquanto lavra o chão.

Volte pra cá, Caetano, porque a gente já não pode nem quer ir embora , não quer dar mais o fora.

Dona Canô, que te mandou pro mundo, era sabida.

“Apenas fiquei conhecida por causa de meus dois filhos que nunca se esqueceram de onde vieram nem da mãe que têm.”

Termina a música do Herivelto, Caetano, por favor.

Não turve a água desta corrente por onde o povo brasileiro avança, essa água que um dia, por estranha ironia, tua sede matou."

Fonte: Tijolaço

17 de fevereiro de 2014

Isso é sério? 'Vejam' este editorial do JB!

Em capa da maior revista do país, Sininho vira a nova musa das passeatas
"A Veja  - revista de maior circulação no país - estampou na sua capa deste fim de semana a militante Sininho, lançando a ativista ao estrelado com uma foto de seu rosto em página inteira.

Poucos já mereceram da revista tamanho destaque. Nesta elite encontram-se personalidades mundiais como Barack Obama, Papa Francisco, Richard Nixon, George Bush, Lady Di, entre poucos outros.

Sininho mereceu tamanho destaque aos 28 anos. Quantos dos 50 milhões de jovens brasileiros não gostariam de estar na capa desta revista? Num país com 200 milhões de habitantes, imaginem as reflexões que devem estar fazendo os jovens ao vê-la nas bancas de jornais:
"Sininho está certa ou errada? Será que também consigo sair na capa da revista?"

A imprensa que estampa seu rosto e dá a ela esta projeção, está no fundo fazendo uma crítica ou um elogio?

Sininho se transformou na nova musa das passeatas, podendo ser também a nova musa do Brasil nesse momento de eleições."

Fonte: Jornal do Brasil

Oitocentos Mil

Foi uma amigo que chamou atenção.
No marcador de acessos (diretos e indiretos) ao blog, ultrapassamos a marca de 800.000.
Nada mal para quem, obviamente, começou com zero.
E com 3 seguidores. Temos hoje 128.
Podem ser números pequenos para grandes sites e blogs profissionais mas, para nós, principiantes amadores ainda relutantes na forma de abordagem, trata-se de excelente resultado.
Nunca saberemos quem são realmente os nossos leitores fiéis ou quem passa por aqui acidentalmente, procurando um determinado assunto ou imagem.
Não importa tanto.
É o veículo que temos para divulgar nossas visões e mostrar coisas que achamos interessantes sobre diversos assuntos.
Confesso - e falo por mim pois o titular do blog, o amigo Luiz Felipe Muniz, também nem deve ter percebido o número - que, vez por outra, percebo que está na hora de parar. E conheço bem essa história que vivenciei de forma semelhante ao longo dos cinco anos que produzi o Jornal Metamúsica nos anos 1990.
A exposição é grande. O retorno (aparente) é pífio. O tempo livre é pouco. Os resultados não são mensuráveis (apesar de sabermos o número de acessos). Etc.
A sensação de desgaste e cansaço e de que já disse o que tinha de dizer também bate.
E se não tomarmos cuidado ainda corremos o risco de tomar um processo.
No entanto, continuamos por aqui, neste ano de Copa, de eleições e de protestos. E de planeta em ebulição, em todos os níveis e temas.
Complexidade ou simplicidade? Enfrentamentos estressantes ou paz de espírito alienada (neste caso sem sentido de crítica)?
Bem, por enquanto ainda estamos mantendo o espaço, que é de todos, com a política, a economia, o meio-ambiente, a mídia, as músicas, as musas, o humor, a ironia, os questionamentso existenciais.
Seja para 17 ou 17.000 leitores.
Vamos ver até onde vai dar.
Se chegaremos a um milhão ou não.
No mais é só agradecer, em nome desses blogueiros, os 800.000 acessos!

16 de fevereiro de 2014

O Mundo de Quino - O Nosso Mundo

Quino, apelido do cartunista argentino Joaquín Salvador Lavado Tejón, é considerado um dos maiores do mundo no que se refere ao humor gráfico.
Aos 81 anos sua obra tem sido, ao longo de décadas, um retrato da surpresa e do desencantamento perante as mudanças operadas nas relações humanas, na política, na tecnologia, etc.
Sua principal personagem foi a garota Mafalda, sempre questionando coisas que deveriam ser óbvias mas que não encontram as respostas ideais.
Um dia Quino "matou" a Mafalda. Segundo ele, não havia mais espaço para ela no estranho mundo de hoje.
E é esse estranho mundo que nessa série ele tenta mostrar para o neto: o significado das coisas atuais. Sempre em seu estilo crítico, irônico, desencantado e questionador.








Um Olhar do Paraíso

Não sei bem porque mas, de vez em quando, me vem à memória algum filme ou livro que vi ou li há tempos. Por outro lado alguém pode citar uma publicação ou película que eu conheço mas não consigo me lembrar se não ver ou ler pelo menos um trecho.
Coisas da mente. Ou da idade. Ou de ambos.
Hoje me lembrei de um filme bem legal que assisti há uns cinco anos (outra coisa: quando não sei bem o tempo decorrido de determinado fato, sempre cito "há uns cinco anos...") e nunca mais vi.
Miraculosamente me lembrei do título em português. Aí foi fácil achar uns vídeos no You Tube.
Selecionei dois trailers: um musical e o outro oficial.
Fica a dica do blog. Como nessas TVs por assinatura passam uns duzentos filmes por dia, você pode buscar e quem sabe ache alguma reapresentação.
No Brasil recebeu o título de "Um Olhar do Paraíso".






"Baseado no elogiado best-seller de Alice Sebold e dirigido pelo vencedor do Oscar Peter Jackson (de "O Senhor dos Anéis" e "O Hobbit"), o filme é narrado sob o ponto de vista de uma adolescente de 14 anos que foi assassinada e observa sua família e seu assassino do Céu. Ela terá de decidir entre o desejo de vingança e o desejo de que a família supere a dor."

15 de fevereiro de 2014

Ipsos, empresa internacional de pesquisas, avisa: Dilma tem 85% de chances de ser reeleita

"Que ela é favorita, ninguém duvida. Mas a empresa de pesquisa Ipsos, uma das maiores do mundo, já quantifica para seus poderosos clientes o quão favorita a vencer Dilma é: ela tem 85% das chances. Em visita ao Brasil, Clifford Young, diretor de pesquisas sobre o setor público da Ipsos, afirma que Dilma só perde a eleição se surgirem “curingas” — um apagão de grandes proporções, uma organização de Copa do Mundo inquestionavelmente ruim ou um escândalo de corrupção, por exemplo.

O trabalho da Ipsos é dizer o resultado das eleições antes de elas acontecerem. Não é à toa que seu slogan é “Ninguém é imprevisível”. Para fazer isso, o diretor da Ipsos elegeu a aprovação do governo como o indicador mais importante para prever reeleições ou vitória de governistas nas eleições de sucessão. O governo federal hoje tem aprovação de 56%, segundo dados do Ibope do fim de 2013. Isso está dentro da faixa que Clifford chama de desejo de continuidade. Ela vai de 55% de aprovação para cima.

De 39% para baixo, a indicação é de que a população quer mudanças. Nesse caso, as estatísticas da Ipsos mostram que em 250 eleições  pelo mundo, o presidente ou seu candidato perde na esmagadora maioria das vezes. Entre 40% e 54% de aprovação, a situação é intermediária. Sugerir quem é o ganhador se torna altamente imprevisível — contrariando o slogan da Ipsos. “Nessa faixa de aprovação, o desempenho dos candidatos de oposição é muito mais determinante”, diz Clifford. Por isso mesmo, hoje Clifford  imagina que mesmo que Aécio Neves ou Eduardo Campos acertem no tom e façam uma boa campanha, nenhum deles conseguirá derrotar Dilma.

Já não se pode dizer o mesmo sobre 2018. “Se eu fosse candidato, iria preferir concorrer na próxima eleição”, diz ele. A explicação é a mudança na agenda dos eleitores, cada vez mais voltada para a qualidade dos serviços públicos do que para o assistencialismo. “Essa mudança na agenda tende a renovar a safra de políticos”. Clifford acha difícil que esse efeito já determine o resultado da eleição presidencial de 2014, mas certamente será um dos fatores mais importantes das eleições seguintes. De todo modo, nenhuma previsão é final. A Ipsos costuma cravar um resultado para seus clientes entre abril e maio, quando acham que a margem de segurança é maior. Até lá, se não surgir nenhum curinga, o leitor do blog já sabe o que eles vão dizer."
Fonte: Exame

Fim do Horário de Verão: Algumas Imagens de 2014

Costumo dizer que o verão não termina repentinamente.
Seu final tem pelo menos três marcos (com minúscula mesmo).
O primeiro é hoje, dia que termina o amado e odiado horário brasileiro de verão.
O segundo é a quarta-feira de cinzas.
E o terceiro,o término oficial, lá pelo dia 20 de março, quando começa o outono.
Quanto ao fim do calor e início de temperaturas mais amenas, impossível dizer. Seria o quarto marco.
Provavelmente meados de abril, lá pelo dia 15, que é quando faço aniversário. : )
Como registro do fim do horário de verão resolvi postar algumas fotos que tirei nesta ensolarada estação.
Gosto de fotografia, mas tenho certeza que sou um fotógrafo sofrível.
No entanto, eventualmente acerto.
O Luiz Felipe já postou aqui fotos bem melhores de seu verão, o que me dá tranquilidade de publicar alguma coisa mais ou menos.
Nesta altura do campeonato minha filha de 17 anos, que também gosta de fotografia, já me ultrapassou em técnica e emoção.
Se tiver alguma coisa realmente boa aqui, deve ser dela.
Para quem gosta de saber locais e datas, informo que os instantâneos foram feitos nas cidades do Rio de Janeiro, Búzios e Rio das Ostras. Todas em janeiro de 2014.
















14 de fevereiro de 2014

Cadê o Robin?

Batman, Sininho e o teatro do absurdo nas ruas do Rio
Por Bonifa no Viomundo
"Sininho parte de uma tribo de jovens que não cabe chamar de anarquistas, nem de trotskistas, nem de qualquer outra denominação política conhecida. Há muitas tribos como esta em todo o Brasil, ajuntamento informal de jovens que querem gozar uma liberdade semelhante à dos antigos hippies, enquanto também querem ser protagonistas de uma suposta revolução que não tem teoria revolucionária.

Aliás, abominam qualquer teoria política, como foi a princípio no movimento estudantil francês de 1968.

Não queremos nos estender na análise destes grupos, de resto matéria para estudo especializado de fôlego. Mas estes jovens estão ainda a confundir limitações familiares com opressão do Sistema, embora não saibam o que é o Sistema e nem sequer sonhem que de certa forma pertencem ao Sistema, já que acreditam na força do voluntarismo individualista, exatamente como o Sistema quer que seus jovens acreditem.

A tribo de Sininho é mais ou menos assim, gente jovem que quer mudar o mundo mas nem sonha em saber o quanto isto seja difícil, embora tenha optado por viver nas ruas pregando abertamente seu pequenino ideal mal formulado.

Estas tribos trazem a simpatia da juventude para seu idealismo tão abstrato quanto supostamente abrangente. Natural que qualquer cidadão contribua para as atividades, artístico-culturais-políticas, de tais jovens.

Quais são estas atividades? No caso do Rio e da tribo de Sininho, promover hapennings teatrais no centro da cidade, como o evento “Mais amor, menos capitalismo”, ou como a tal ceia de Ano Novo com os moradores de rua na Cinelândia.

Estas ações são postas em vídeo na Internet e têm alguma repercussão.

Impossível não compreender que cidadãos comuns podem perfeitamente contribuir com isso de modo espontâneo e desinteressado, muito embora tenha havido contestação forte por parte de alguns cidadãos que chamaram a atenção dos integrantes da tribo de Sininho, apontando para a alienação supostamente politizada de seu movimento e pelo perigo de que pudessem ser manipulados pela direita, como se vê neste vídeo, onde o Batman colega de Sininho é peitado no centro do Rio.

Estas tribos de jovens , de pouco tempo, talvez um ano, para cá, têm se aproximado do PSOL, e têm sido bem recebidas pelo partido.

Não poderia ser de outra forma. Jovens assim dão um alento de juventude e liberdade que a ala formal do partido já não possui, com seu rancor de um esquerdismo ranzinza e às vezes francamente hostil a outras agremiações progressistas, já que tem colocado o alvo de combater o Governo federal muito acima do alvo de combater as injustiças e a desigualdade social.

O Psol, embora sem qualquer ligação formal com tais jovens, é preciso acentuar esta observação, tem se renovado com sua aproximação, parece um novo partido cheio de vitalidade cultural e artística. Mas no próprio desabafo de Sininho contra companheiros de tribo que estão se comportando mal, desabafo fartamente veiculado pela mídia, ela fala que vai, como todos, votar nulo. E que concorda com a posição da tribo que seria a de usar o Sistema contra ele mesmo, ou seja, usar os políticos, do Psol, claro, para detonar a política formal do Sistema.

Na tribo de Sininho há, é óbvio, contabilidade para as doações. Isto é necessário para um mínimo de organização. Mas também deve ter funcionado como fonte de atritos, porque como falava Trotski, quando se trata de repartir valores ou bens, a tendência é a de que quem reparta seja mais generoso consigo mesmo e com quem lhe seja simpático, mesmo que se trate do mais idealista dos grupos humanos.

A tribo de Sininho com certeza absoluta não é a única a agir nas manifestações do Rio. Há outras tribos, de conexão mais ou menos tênue entre seus membros.

E os black blocs não são obviamente a tribo de Sininho, embora a tribo de Sininho tenha sido, por algum momento, parte dos black blocs. Só quem quer confundir a opinião pública pode espalhar que os black blocs sejam uma organização única.

E é bem provável que a contabilidade da tribo de Sininho tenha em algum momento servido para o transporte e a alimentação de jovens determinados que fariam a segurança de movimentos de rua, a princípio contra os ataques da polícia.

Desde o movimento estudantil da época da Ditadura existem estas tais brigadas de segurança e defesa nos movimentos de rua. Gente forte e sem medo.

Agora, quem participou dos movimentos nas ruas, pôde ver em dado momento estes rapazes mascarados pedirem passagem orgulhosamente pela multidão: “abram alas para o Exército Popular”.

Pediam passagem para se posicionarem na vanguarda da passeata, para enfrentarem ou desafiarem a polícia, protegendo os integrantes da passeata de alguma violência policial.

Até aí, tudo bem. Mas apenas para ilustrar o fato com a experiência, sabe-se que na época da pré-Ditadura, gente infiltrada pela direita insuflava a ponta de lança das manifestações de rua, voltando-a no sentido de um quebra-quebra generalizado nos centros das cidades.

Estudantes incontroláveis saiam quebrando a princípio os escritórios de agências políticas americanas, depois, o comércio em geral, o transporte coletivo e tudo que estivesse pela frente, gerando um sentimento de insegurança nos transeuntes e nos trabalhadores do comércio e fazendo perder-se o apoio da população aos movimentos de rua.

A mídia então entrou em campo para responsabilizar o Governo Federal pela baderna.

Esta foi uma das maiores bandeiras que a direita empunhou para acionar os militares, com o propósito inicial de dar fim a uma impressão generalizada de descontrole total do país, um sentimento de caos gerado pela famosa “baderna” e pelos “baderneiros” e amplificado mil vezes pelos órgãos de comunicação de massas. E então sobreveio a Ditadura, a princípio recebida com alívio pela classe média apolítica e pela grande mídia conservadora.

Ninguém se iluda, há demasiadas semelhanças do atual momento brasileiro com aquele da época pré-ditatorial. Tão demasiadas que é impossível que não tenham sido ambas as situações geradas no mesmo ventre golpista.

A revista Veja e o jornal o Globo procuram criminalizar o Psol como responsável pelas atuais badernas, mas procuram mais do que isso.

A Veja quer confundir a tribo de Sininho com o próprio Black Bloc, como se não soubesse que black bloc não é uma organização única e formal.

Mostra uma tabela de doações para a tribo de Sininho, efetuada para um determinado evento de rua, como uma prova da doação de pessoas e autoridades para a baderna do “movimento Black Bloc”, uma única e poderosa organização criminosa que seria responsável por toda a violência dentro dos movimentos de rua no país, embora na mesma matéria fale do evento público, em espaço cego.

Sabendo que a Veja e as organizações Globo são o braço midiático mais forte do golpismo em curso, resta saber o que desejam objetivamente com isso, já que seus movimentos são todos milimetricamente calculados.

Desejam detonar um partido político de esquerda, o Psol? Não, deve ser mais até que isso, mesmo porque sabem que o Psol tem muitas vezes funcionado como auxiliar importante em projetos e propósitos políticos da direita. Mas sempre podem falar que o Psol é comunista e que isto o aproxima do governo comunista que querem atingir em cheio.

Desejam acabar com a violência nas manifestações e sair em plena paz com uma réplica da marcha da família com Deus e pela propriedade privada? Talvez.

Talvez queiram dar por findo o cenário das violências nas manifestações e proporcionar tranquilidade aos coxinhas para que eles se divirtam no centro das cidades à noite sem correrem qualquer perigo.

Desejam enfiar fundo na percepção psicológica dos cidadãos que o país está sendo vítima de organizações criminosas de comunistas, que visam espalhar a desordem e implantar um regime de terror no país acuado e assustado, sem que os governantes, eles também comunistas, possam, saibam ou queiram dominar a situação de caos? Com toda a certeza."
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"Para completar o teatro do absurdo, entra em cena uma senhora muito perturbada, típica pessoa de cabeça feita pelas mirabolâncias fascistas de nossos inacreditáveis blogs da Extrema Direita.
A performance dela neste vídeo nos faz pensar que talvez a extrema direita da Internet já tenha ganho a batalha da informação pela rede, e fez ótimo trabalho de preparação para a objetivação de um golpe da direita, seja na marra ou no assalto furioso à disputa eleitoral."

 

Enquanto isso, no 'paraíso fabricado' do Catar... (Copa do Mundo de 2022)

Copa de 2022: Mortes no Qatar
“Nós quisemos o Catar (obs.: também grafado como Qatar), e agora vamos adiante”, respondeu aos jornalistas, em tom quase desafiador, o presidente da Fifa, Joseph Btatter, sobre as condições de trabalho e as mortes ocorridas nas obras no emirado para a Copa do Mundo de 2022.

O jornal britânico The Guardian denunciou que, entre junho e agosto de 2013, mais de 40 trabalhadores nepaleses morreram em acidentes de trabalho ou por problemas de saúde nas obras. As embaixadas da Índia e do Nepal, países de origem da maioria dos trabalhadores imigrantes no Catar, falam em mais de 200 vítimas só no ano passado.

Em novembro, o Catar, após conversações com a Fifa, se comprometeu a entregar um relatório sobre a melhoria das condições de trabalho. O documento servirá de base para a audiência do representante da Fifa, o ex-presidente da Federação Alemã de Futebol Theo Zwanziger, perante o Comitê de Direitos Humanos do Parlamento Europeu, nesta quinta-feira (13/02).

“A Fifa aplaude as atitudes concretas tomadas, anunciadas pelo Conselho Superior de Organização e Sustentabilidade, que asseguram o bem-estar dos que trabalham para a Copa de 2022″, declarou o órgão máximo do futebol mundial, através de comunicado à DW.

A instituição afirmou que é importante que “todos os atores envolvidos se mantenham unidos e, dessa forma, deem sequência às ações iniciadas”. Entretanto, não informou concretamente quais seriam essas atitudes.

O Catar é um Estado escravocrata”, afirma Sharan Burrow, secretária-geral da Confederação Sindical Internacional (CSI). “Não há liberdade de associação. Os trabalhadores vivem na pobreza, trabalham em condições extremas sob forte calor, e não têm o suficiente para beber.”

Segundo ela, os operários também não têm direito a folgas regulares nos fins de semana ou a assistência médica adequada. “As jornadas de trabalho podem ser de até 12 horas. Os dormitórios superlotados muitas vezes não têm eletricidade, e as condições de higiene são catastróficas. A CSI teme que o número de mortes possa subir para em torno de 4 mil até a Copa de 2022, caso as condições básicas de trabalho não sejam melhoradas”, alerta Burrow.

(...) Caso o Catar não promova mudanças na situação dos direitos dos trabalhadores imigrantes, Sharan Burrow aponta que a Fifa não terá outra escolha: terá que rever a escolha da sede da Copa do Mundo de 2022, se não quiserem que o evento máximo do futebol mundial, segundo ela, seja realizado “em um país escravocrata”."

Leiam a matéria comleta nas seguintes fontes: DCM e Deutsche Welle.

Musa(s) da Semana: Garotas dos Jogos de Inverno e uma seleção de outras que poderiam estar lá

Não sei se vocês tem acompanhado os Jogos Olímpicos de Inverno que estão acontecendo na Rússia.
Se não, estão perdendo.
Normalmente reprisa a noite, uma vez que as competições começam por volta das 5 da manhã e terminam por volta das 16 horas.
Além das incríveis disputas e do espetáculo plasticamente bonito por causa da natureza e do estilo dos esportes, ainda tem um espetáculo a mais: a beleza das competidoras.
A grande maioria é do Leste Europeu e do Norte da Europa. Nunca vi tanta mulher bonita em uma competição internacional como essa.
Assim resolvi esta semana fazer o "Musa da Semana" temático: postei algumas fotos de competidoras (as seis primeiras) e selecionei outras que poderiam estar lá, por suas belas características.
Vamos para a Rússia? Ou Ucrânia, ou Suécia, ou Finlândia, etc. etc.
P.S.: Atenção que só as primeiras fotos (as com roupa) são de atletas que estão lá em Sochi. As demais eu selecionei na rede e não tem nada a ver com os Jogos Olímpicos. Mas bem que poderiam estar lá. Ou aqui, no alto verão mesmo. Até facilita para animar a tirar a roupa, com este calorão...












13 de fevereiro de 2014

Black Blocs e seus 'professores' no limite: E agora?

Os black blocs e seus “professores”
Por Miguel do Rosário em 13/02/2014
"Reproduzo abaixo um artigo do Nassif, analisando as consequências da morte do cinegrafista. Antes, alguns comentários sobre um trecho de seu texto, em que ele fala da participação de pessoas mais velhas, irresponsavelmente chancelando os atos violentos.

Irresponsavelmente sim, reitero, porque essas pessoas jamais se arriscariam, elas mesmas. Mas comprometeram a vida de terceiros, em alguns casos tragicamente, como no caso dos jovens presos, que podem permanecer enjaulados por décadas.

É muito fácil pregar a violência do conforto de seu apartamento no Leblon. É muito fácil dar cartaz, espaço ou mesmo dinheiro para organizações comprometidas com a violência. Já vimos isso acontecer em épocas de triste memória. Todos os fascismos tiveram seus “camisas neras”. Todos tiveram também seus “professores”.

Esses professores chancelaram a “estética” ou “linguagem” da violência, o que é uma grande besteira. A violência é a anti-linguagem por natureza.

Agora, boa parte deles protagoniza um estrondoso silêncio. Ninguém mais defende os black blocs, transformados em párias da sociedade.

Quanto à suspeita de organizações que os patrocinavam, isso é outra história.

O que não faltam são teorias neste sentido, algumas ventiladas neste blog, sempre com a ressalva de que eram apenas teorias, muitas delas de caráter conspiratório, falando em financiamento estrangeiro – embora nem por isso menos realistas.

Desde o ano passado, há muitas denúncias de patrocínio ao vandalismo e à truculência. Amigos meus de sindicato e partidos (vários partidos) foram violentamente agredidos em junho do ano passado, enquanto eu estava em Brasília, onde observei a manifestação que terminou com a depredação do Itamaraty.

No dia 11 de julho, eu testemunhei a presença hostil dos black blocs à manifestação dos sindicalistas e militantes partidários, que organizaram uma passeata da Candelária à Cinelândia justamente como um desagravo às agressões que tinham sofrido em passeatas anteriores. Os sindicalistas, no alto dos carros de som, pediam insistentemente para que não se usasse máscara na passeata.

Os black blocs circulavam agressivamente em meios às bandeiras e, num dado momento, se voltaram contra os manifestantes. No dia seguinte, escrevi um texto um pouco acima do tom contra os mascarados, porque passei a vê-los não apenas como adversários políticos, mas como adversários físicos, já que eles agrediram amigas minhas. A manifestação encerraria na Cinelândia, com um grande comício para debater a mídia. Não houve. Os black blocs destruíram tudo. Na mesma noite, conversando, as especulações que os blocs eram pagos eram muito fortes, até porque eles se organizaram com incrível agilidade para detonar a manifestação. Distraíram a turma que cuidava da segurança criando um tumulto de um lado, enquanto outro grupo se posicionava à frente, preparando-se para agredir e assustar os manifestantes.

Meses depois, num evento (cujo lugar declino, porque não quero demonizar ninguém, neste momento de histeria midiática), usaram uma frase desse post que menciono acima, descontextualizada, para me constranger. Nessa mesma ocasião, notei a hipocrisia enorme dos setores que defendiam a violência e os mascarados, porque atacavam a arbitrariedade da polícia, que prendia “inocentes”, que não tinham feito nada, mas ao mesmo tempo se mostravam simpáticos ao quebra-quebra, ou seja, defendiam os “culpados”. Houve um debate acalorado e uma das “professoras”, quando passou diante de mim, falou com todas as letras: “eu defendo a violência”.

No evento que organizamos em frente à Globo, em julho, tomamos um extremo cuidado para evitar a presença de mascarados, porque nosso objetivo era político, na acepção democrática do termo. Apareceram uns dois ou três, com aquela máscara ridícula do Anonymous, e mochilas. Pedimos para abrirem a mochila e nos mostrar o conteúdo. Tínhamos receio, inclusive, de uma armadilha, ou seja, que aparecerem por ali uns arruaceiros justamente para a Globo depois nos desqualificar, a todos, como vândalos.

O argumento surrado dos defensores da violência sempre foi o de que o vandalismo “vem do Estado”. Tem fila no hospital? Tem polícia truculenta na favela? “Tem mais é que vandalizar mesmo!”, afirmavam os “professores”. Mas eles mesmos continuavam seguros, em seus empregos, em seus apartamentões. Os buchas de canhão são os jovens que embarcavam nessa. E agora sabemos que haviam os buchas dos buchas: jovens colhidos nas periferias para fazer o serviço sujo que os playboyzinhos não tinham coragem de encarar.

Lembro-me de um deles que pegou o microfone para dizer que, este ano, organizariam o Ocupa Congresso e o Ocupa Planalto, o que me causou calafrios, porque pensei imediatamente: o Congresso pode abrigar centenas de picaretas, mas a troco de que esses coxinhas acham que são melhores?

Em momento de “crise” de representação política, aparece todo o tipo de oportunista. Alguns pegam carona e exageram na linguagem, falando em “colapso” da representação, mas só para os outros, não para o seu político de estimação.

Mesmo sendo radicalmente contra a tática black bloc, no entanto, sou ainda mais rigidamente contra qualquer histeria judicial contra esses jovens. Temos que esvaziar nossas cadeias, não abarrotá-las ainda mais.

O importante é descobrir a verdade. Quem os financiava? E não adianta nos fiarmos somente às palavras dos rapazes e de seu advogado, porque aí poderíamos ser vítimas de outro complô. Se uma pessoa é capaz de depredar patrimônio público e pôr a vida de outros em risco soltando bombas na multidão, também é capaz de mentir para promover outro tipo de vandalismo, ainda mais se isso lhe ajudar a ficar menos tempo em cana.

É preciso lembrar ainda que nossa mídia é totalmente black bloc. Ela não tem nenhum senso de responsabilidade além de seus próprios interesses econômicos. Como um black bloc, é contra partidos, contra o Estado, usa a máscara da imparcialidade e pratica um jornalismo truculento.

Assim como os black blocs, não tem compromisso nenhum com a paz, com o desenvolvimento, com o bem estar das pessoas. Tanto é que, no auge das manifestações, quando já víamos emergir uma enorme onda de violência e hostilidade contras as instituições democráticas, a Globo tentou faturar politicamente, de maneira descarada. Não fez crítica à violência, encarada sempre como vinda de “um pequeno grupo de vândalos”.

Quando se descobriu que a estratégia das manifestações violentas ajudava a erodir a popularidade da presidente, a direita ficou eufórica, e grupos de apoio aos manifestantes passaram a surgir em toda a parte, alguns de origem estrangeira explícita, como aquele Change Brazil, patrocinado por um milionário brasileiro com empresas sediadas nos Estados Unidos.

Não podemos perder o foco, portanto. O importante não é prender esses dois garotos. Eles não apitam nada. Foram usados. O foco é pegar quem está por trás. O advogado falou que eles ganhavam para criar páginas na internet, além da participação em manifestações. Que páginas são essas? Que outras páginas foram criadas? É preciso fazer uma varredura geral nesse esquema criminoso que visou atingir a nossa democracia."

*

As consequências da morte do cinegrafista

O movimento Black Bloc chegou no limite da guerrilha urbana

por Luis Nassif, na Carta Capital.

"A morte do cinegrafista Santiago Andrade, à qual se somam mortes frequentes de torcedores de futebol, indica que é hora de uma atuação mais severa em relação às manifestações populares violentas, de Black Blocs e de torcidas organizadas.

As manifestações de junho passado foram respiros de cidadania, um mal estar difuso indicando o esgotamento do modelo institucional atual – tanto dos poderes públicos quanto da representação midiática. Foi um aviso relevante, devidamente captado por todos os setores responsáveis do país.

Infelizmente, não geraram ainda políticas continuadas de atendimento das demandas e de discussão de novos modelos.

***

Houve tentativas iniciais de instrumentalizar as manifestações. Todas fracassaram, de partidos políticos a veículos de mídia.

Passada a primeira etapa, difusa, as manifestações foram apossadas por grupos violentos, propondo quebradeira.

Em um primeiro momento, criaram impasses. Depois de abusos iniciais, as polícias estaduais não souberam mais separar manifestantes de vândalos, não sabiam quando agir com dureza, quando permitir o protesto.

***

Do lado da opinião pública, observou-se a aliança improvável entre grupos de ultraesquerda e setores da grande mídia, empenhados na batalha inglória de desmoralizar a Copa do Mundo.

Intelectuais irresponsáveis trataram de colocar lenha na fogueira, legitimando a violência sem colocar-se na reta, iludindo jovens seguidores e comprometendo sua vida adulta – com a possível criminalização de seus atos.

***

Agora, chega-se ao impasse.

O movimento Black Bloc chegou no limite da guerrilha urbana; as torcidas organizadas, no limite das organizações criminosas. Enquanto apenas limítrofes, continuarão a arregimentar jovens que não veem diferença entre filmes de aventuras, a romantização da violência e as consequências na vida real. Entram na guerra como se fosse um game online.

Daí a necessidade de um corte, prévio, anunciado mas que defina de vez o que é manifestação popular e o que é crime. Ir para manifestações com rojões e armas de combate é crime. Quebrar lojas e aparelhos públicos é crime. E traz consequências.

Tem que ficar claro para os rapazes e para seus pais. Quem persistir na violência, está devidamente informado das consequências e será responsável por seus atos.

***

Que a morte de Santiago traga bom senso às manifestações sobre a Copa. As críticas aos gastos, às prioridades devem ficar no âmbito das instituições – Congresso, Ministério Público, mídia, organizações sociais.

A morte de Santiago traz um novo olhar da opinião pública sobre as tentativas de transformar as críticas em manifestações violentas de rua.

Nos últimos dias há uma troca incessante de acusações sobre as causas da morte de Santiago, se da mídia, se das redes sociais, se da animosidade entre jornalistas e blogueiros. Pouco importa. O mal está feito e vale o que acontecer daqui para diante.

Quem teimar em promover os conflitos responderá perante a opinião pública pelos novos Santiagos que quedarem vítimas dessa insânia."

Fontes: O Cafezinho e Carta Capital

Apoio a José Dirceu

Começa a campanha de apoio a Dirceu


Por Altamiro Borges
Já está no ar a página da internet de arrecadação de doações para cobrir a injusta multa imposta pelo STF ao ex-ministro José Dirceu em decorrência do midiático julgamento do "mensalão". A Vara de Execuções Penais do Distrito Federal ainda não publicou a notificação oficial, mas estima-se que a multa será de R$ 971 mil e terá prazo de dez dias para ser quitada. Depois do sucesso das campanhas de solidariedade a José Genoino e Delúbio Soares, que tanto irritaram a direita partidária e midiática, agora é a hora de garantir o êxito do apoio ao ex-ministro. Veja no site apoiozedirceu.com as razões da iniciativa e a forma de contribuir. Reproduzo abaixo o texto de apresentação da campanha: 

*****
Apoio Zé Dirceu

"Não me condenaram pelos meus atos nos quase 50 anos de vida política dedicada integralmente ao Brasil, à democracia e ao povo brasileiro. Nunca fui sequer investigado em minha vida pública, como deputado, como militante social e dirigente político, como profissional e cidadão, como ministro de Estado do governo Lula. Minha condenação foi e é uma tentativa de julgar nossa luta e nossa história, da esquerda e do PT, nossos governos e nosso projeto político"

A declaração foi dada por José Dirceu no dia de sua prisão, marcada por ilegalidades e açodamento, em 15 de novembro do ano passado. Dirceu foi condenado injustamente por corrupção ativa e formação de quadrilha e segue em sua luta para se fazer justiça e restabelecer a verdade dentro e fora do Brasil. O 'mensalão' que o Supremo condenou não passa de uma peça de marketing político construída em cima de inverdades que precisam ser desmascaradas.

Tiraram sua liberdade - sagrada a qualquer cidadão - antes mesmo do fim do julgamento e também impuseram uma multa de R$ 971.128,92.

Ainda que queiram impor o 'ostracismo' aos réus condenados, José Dirceu não está e nunca esteve só, apesar de todo linchamento público que sofreu. Amigos, militantes partidários e dos movimentos sociais e, sobretudo, cidadãos brasileiros conscientes da perseguição implacável contra aqueles que ousaram construir um Brasil melhor estão ao seu lado. São muitos os companheiros que nestes últimos oito anos se mostraram solidários a Dirceu e conscientes da verdade.

A notificação que esperamos da Justiça ainda não foi publicada. Mas notícias veiculadas pela imprensa dão conta de que os prazos foram reduzidos ou mesmo de que não haverá prazo para o pagamento da multa após o recebimento da notificação.

Tomamos a decisão de não mais esperar e iniciar a campanha já. É chegada a hora de reparar injustiças e mostrar que a solidariedade é capaz de mudar a história.

A ajuda para pagar a multa quase milionária imposta pelo Supremo é um protesto coletivo contra as arbitrariedades e violações do julgamento da AP 470. A contribuição de cada um representa muito mais do que um gesto financeiro. Representa antes de tudo um gesto humano e político.

No mesmo dia da prisão, em carta aberta ao povo brasileiro, Dirceu concluiu: "Não importa que me tenham roubado a liberdade: continuarei a defender por todos os meios ao meu alcance as grandes causas da nossa gente, ao lado do povo brasileiro, combatendo por sua emancipação e soberania". É por essa luta que todos contribuem.

Amigos do Zé

Uma belíssima revoada

Estorninhos de diversas partes da Europa são como pardais no Brasil. Embora não sejam originários dali, se adaptaram muito bem.
Mas podem ser encontrados em diversas partes do mundo, inclusive por aqui.
Depois do video reproduzimos texto da Wikipedia sobre eles. Atenção no último parágrafo.
O vídeo é fantástico. Assistam em tela cheia, com som ativado.
Mostra a revoada das aves, provavelmente ao fim do dia (ou ao alvorecer), com uma incrível capacidade de organização de grupo em pleno vôo, formando diversas formas no ar. Um verdadeiro balé da natureza nos céus da França.
Vídeo feito por Phillipe Lavaux com música de Guillaume Bories.
O filme ganhou o prêmio "Prix du Public", no Festival de Filmes da Natureza, Bélgica, dezembro de 2013.

Descrição:
"Nuvens de estorninhos da Europa Central se reúnem em Provence no inverno, por causa do clima e das condições de alimentação.
Eles vêm em dezembro e voltam em março.
Costumam descansar durante a noite em pinheiros.
Eventualmente são atacados por aves de rapina, como falcões peregrinos e Pardais-gaviões.
O vídeo foi filmado em 2012 e 2013 perto de Avignon (sudeste da França)."


Wikipedia: "O estorninho-comum (Sturnus vulgaris), também chamado de estorninho-malhado, é um pássaro da família dos esturnídeos, nativo da Eurásia e introduzido na América do Norte, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia.
Nidifica por vezes em grandes colónias, em buracos de árvores, muros, debaixo das telhas e aceita com facilidade ninhos artificiais. Choca de 4 a 6 ovos.
Caminha rápida e agitadamente em terrenos abertos, prados e relvados em busca de alimento (insetos e vermes). Pode ser confundido com o melro-preto, com comportamento e cor semelhante. Tem porém a cauda mais curta e o bico de cor amarela menos intensa que do melro.
É de comportamento gregário e voa em bandos compactos, em interessantes evoluções, mudando rapidamente de direção, tal como um cardume de peixes. Com frequência, após a época de reprodução, oferecem esse espectáculo tanto no campo como nas grandes cidades.
Distingue-se do estorninho-preto por este não apresentar qualquer mancha clara durante o verão, ao contrário do malhado. No inverno ambos apresentam pequenas manchas, sendo menores as do estorninho-preto.
Os estorninhos-malhados visitam a península Ibérica durante o inverno, enquanto os estorninhos-pretos permanecem durante todo o ano.
Uma característica interessante e menos conhecida dos estorninhos é a sua capacidade de ingestão de álcool. Graças a uma enzima específica que produz, consegue processar o álcool 14 vezes mais rapidamente que um ser humano o que lhe permite ingerir em grandes quantidades uma série de frutos e bagas que tendem a fermentar a partir de certo nível de maturação1 ."

Humor de Quinta: Calor - a culpa é da moça do tempo

Nessa o Luis Fernando Veríssimo espertamente - com sua ironia peculiar - explora uma tendência natural de boa parte da população: achar um culpado para tudo que incomoda.
Neste caso não foi difícil, considerando o calor insuportável do mês de janeiro e agora fevereiro.
Acho que as chuvas daqui migraram para a Inglaterra. E as possíveis frentes frias foram reforçar as americanas.
Não é só o calor que está deixando as pessoas "loucas".
Talvez nós é que deixamos, ao longo das última décadas, o clima louco.
Agora temos que aguentar.
P.S.: a foto que ilustra o post foi tirada por minha filha em um lindo por de sol, depois de mais um dia escaldante.
É o calor
Por Luis Fernando Veríssimo
Alguém tem que assumir a culpa, minha filha! Sensação térmica de 51 graus, alguém tem que ser responsável

"Pode acontecer. A moça do tempo na TV entra no bar com um grupo de amigos. É recebida com óbvio desconforto pelos frequentadores do bar. Ouve-se um zum-zum-zum de desaprovação à sua presença. O grupo da moça ocupa uma mesa. Depois de algum tempo, um homem da mesa ao lado não se contém e pergunta:

— Você não é a moça do tempo, na TV?

A moça diz que é, sorrindo, mas o homem não sorri. Pergunta:

— Até quando vai esse calor?
— Pois é — diz a moça, ainda sorrindo. — Está difícil de prever. Tem uma zona de pressão na...
— Não — interrompe o homem. — Não me venha com zona de pressão. Chega de enrolação.

Uma mulher de outra mesa se manifesta:

— Há dias que você põe a culpa pelo calor nessa zona de pressão. E não toma providências.
— Minha senhora, eu...

Outros começam a gritar.

— Sensação térmica de 51 graus. Onde já se viu isso?
— Não dá mais para aguentar!
— Faça alguma coisa!

A moça do tempo na TV agora está em pânico.

— O que eu posso fazer? Eu só descrevo o tempo. Não tenho o poder de...
— Alguém tem que assumir a culpa, minha filha! Sensação térmica de 51 graus, alguém tem que ser responsável.
— A culpa é da Natureza!
— Rá. Natureza. Muito bonito. Muito conveniente. É como culpar a corrupção pela índole do brasileiro. Aqui ninguém tem culpa de ser corrupto, é a índole. A índole do tempo, num país tropical, é essa. E quem pode reclamar da índole? Ou da Natureza? De você nós podemos reclamar, querida.
— Mas a culpa não é minha!
— Estamos cansados do seu distanciamento enquanto mostra no mapa que o calor só vai aumentar. Seu ar superior, como se não tivesse nada a ver com aquilo. Chega!

A mesa da moça do tempo na TV está cercada. Caras raivosas. Ameaça de violência. A moça do tempo na TV se ergue e grita:

— Esta bem! Está bem! Amanhã eu faço chegar uma frente fria. Eu prometo!

As pessoas se acalmam. Todos voltam para as suas mesas. O garçom vem tirar o pedido do grupo da moça do tempo na TV e tenta explicar:

— É o calor... O pessoal fica meio louco."

12 de fevereiro de 2014

Carta aberta do Deputado Federal André Vargas


PREPOTÊNCIA DE BARBOSA É SINÔNIMO DE SEU DESPREPARO PARA O STF

André Vargas (*)

"A polêmica ocorrida na solenidade de retomada das atividades do Congresso Nacional quando ergui o braço, com punho cerrado, num cumprimento a deputados do partido postados na Câmara Federal, demonstra como a mídia brasileira tem lado. Na ânsia de atacar o PT, construiu um falso herói que mesmo blindado não consegue esconder seu despreparo para o exercício da função de presidente da Suprema Corte do Brasil.

As vozes que se levantaram iradas para apontar o dedo em minha direção, condenando um simples cumprimento, foram as mesmas que se calaram quando Joaquim Barbosa deixou de cumprimentar a presidenta Dilma na visita do Papa Francisco. Imagine se fosse o contrário? Estas vozes também se calam sobre a aquisição de um imóvel em Miami no mínimo em situação irregular. Imaginem se fosse um deputado do PT ou de qualquer partido? Estaria sendo linchado.

Barbosa foi leviano quando disse que o Legislativo é inteiramente dominado pelo Executivo, num ataque direto ao Congresso Nacional. Quando disse que os partidos eram de mentira, que entidades de juízes federais agiram de forma sorrateira e que os advogados eram vagabundos ou preguiçosos. Para mim, tais declarações são de uma pessoa que não tem apreço pela democracia brasileira e muito menos condições de presidir o Supremo. Em nenhum momento deixei de refutar os absurdos ataques ao Congresso Nacional, às entidades de classe e à democracia.

Tenho honrado meu mandado parlamentar concedido pelo povo do Paraná, defendendo um Brasil mais justo e para todos. Tenho defendido as causas do Paraná e como vice-presidente tenho me posicionado com coragem na defesa dos nossos interesses.

A concessão de uma liminar suspeita contra os TRFs foi outro ato de prepotência barbosiana que lesou o Paraná. E não ouço as vozes iradas e enérgicas que condenam um cumprimento. Um novo tribunal é uma bandeira levantada pela sociedade paranaense há mais de 20 anos e que dormia na Câmara Federal há mais de 10 anos. Conduzi a votação com celeridade em dois turnos e sancionei em seis meses o projeto como vice-presidente do Congresso Nacional.

E na calada da noite, o ministro Joaquim Barbosa coloca uma pá de cal nesse sonho brasileiro. Não são apenas os paranaenses que dependem do Tribunal Federal Regional, instalado em Porto Alegre, mas outros estados que precisam da agilidade da justiça para que seus assuntos sejam decididos com rapidez.

Joaquim Barbosa, como presidente do Supremo Tribunal Federal, deveria se pautar mais nas questões institucionais e jurídicas que dizem respeito ao Brasil ao invés de dar shows para a mídia, numa demonstração clara de prepotência.

A meu ver, está longe de ser um salvador da pátria, como muitos defendem e poderia até ter um papel importante na política. Para isso, no entanto, tem que pendurar a toga e experimentar a vida político-partidária, como bem disse o ex-presidente Lula. Que deixe o Supremo Tribunal Federal e se candidate a um cargo legislativo ou executivo. Aí sim, terá propriedade para falar sobre política e políticos.

Reafirmo, aqui, que ao cumprimentar companheiros fiz sim o gesto da resistência do PT, mas que também é o gesto de resistência de inúmeros militantes das causas justas da sociedade em várias épocas e regiões do planeta. Não concordo com o formato novo do julgamento da AP 470, pois além de midiático, inaugurou a Teoria do Domínio do Fato em que se pode condenar sem provas e sob o apupo popular. Mas os punhos cerrados representam mais que isto."

(*) Deputado federal (PT-PR) e vice-presidente da Câmara

Fonte: Coluna do André Vargas / Blog do Esmael

Prece e Meditação

Com tanta coisa ruim acontecendo no país (algumas fabricadas, aumentadas ou estereotipadas estrategicamente, afinal estamos em 2014) e no planeta (que dá sinais claros de cansaço e que muita coisa pior vem por aí), decidi quebrar o protocolo - sair do padrão - neste post e apenas reproduzir um pequeno texto publicado hoje por Paulo Coelho em seu blog.
Estamos precisando mesmo das duas coisas: muitas preces e meditações.

"Meditação e prece são totalmente distintas. Um homem reza quando está precisando de algo ou quando deseja agradecer.

Durante a prece, estamos conscientes de nossos pensamentos e de nossas necessidades. Não há nada de errado nisto – como não há nada de errado com um filho que pede ajuda à seus pais.

Na meditação, o objetivo é afastar qualquer pensamento e se entregar ao que Krishnamurti chama de luz mental. Procura-se entrar em contato com Ágape – a palavra grega para definir um amor que está além do sentimento de gostar ou não gostar. Com a mente livre de pensamentos, esta luz pode se manifestar.

A prece é um segredo partilhado com Deus.

A meditação é um encontro com o anjo."

Vídeo: Curiosidade científica e cultura (in)útil

Molhando e torcendo uma toalha em órbita!
Deve ter algum objetivo para o bem da humanidade nisso.
Mas não me perguntem qual.


11 de fevereiro de 2014

A falácia da "violência como uma tática válida politicamente"

Sempre falta tempo para escrever sobre tantos assuntos aqui no blog.
A bem da verdade é com muito esforço que eu e o Luiz Felipe mantemos este espaço existindo.
Acho que é em agradecimento ao nossos 17 leitores, embora o marcador do blogger insista em dizer que temos mais de mil acessos diários.
Hoje contei cerca de oito assuntos que poderíamos abordar com urgência, mas o trabalho, as outras demandas e até questões de saúde vão nos mantendo em quinta marcha. Ainda bem que não é a ré (a rima pobre saiu sem planejamento).
Salva-nos o fato que existem outros blogueiros que acertam naquilo que desejamos abordar, aí é só aplicar o manjado ctrl c / ctrl v!
Desde que informando as devidas fontes.
É o caso deste artigo do Miguel do Rosário que trata dos desdobramentos do triste e lamentável acidente que vitimou o repórter da Band.

E a bomba coxinha estourou no colo de Marcelo Freixo
Por Miguel do Rosário em 10/02/2014
Os leitores mais antigos do blog sabem que tenho minhas ressalvas ao deputado Marcelo Freixo. Considero-o um excelente parlamentar e uma pessoa honesta, mas não gosto do seu discurso moralista e despolitizante.

No entanto, me parece evidente que não se pode culpar Freixo pelo incidente trágico com o repórter da Band.

E esse título do G1 é vergonhoso.
Presto minha solidariedade ao deputado, portanto.

Não é tão difícil entender o que aconteceu. A militante Sininho ligou para o rapaz preso, o tal Fabio Raposo, que repassou um rojão ao cara que o acendeu.

Raposo passou o telefone para seu advogado, Jonas Tadeu.

Sininho, então, menciona algum auxílio que poderia ser dado pelo deputado Marcelo Freixo.

Naturalmente, foi um gesto apenas ingênuo e desastrado de Sininho, militante bobinha e amiga dos black blocs.

Sininho é admiradora do Freixo, um político que se tornou uma espécie de messias para setores da juventude carioca. Provavelmente ela achou que, criando uma ligação entre Raposo e Freixo, isso o deixaria mais protegido.

Só que ela não contava que o advogado, além de não gostar de Freixo, viu ali a oportunidade de desviar as atenções da mídia de seu cliente para um deputado, um político. Uma ótima cortina de fumaça.

Conseguiu.

Por outro lado, há sim uma relação de afinidade entre a tática black bloc, mascarados de forma geral, e o PSOL.

Marcelo Freixo jamais veio a público (não com a insistência que o tema requeria) declarar que não apoiava a violência. E olha que muita gente cobrava isso dele.

Prefiro acreditar, contudo, que o silêncio de Freixo foi apenas oportunista, ao achar que as violências nas ruas, na medida em que eram contra o governador Cabral, seu adversário, acabariam por lhe beneficiar politicamente.

Mas não creio que ele seja cúmplice ou incentivador de violências. Espero que não.  Só está sendo picado por cobras que ele viu nascer, multiplicar-se, e tratou de forma condescendente.

É fato, porém, que muita gente, inclusive professores universitários, passou a defender a violência como uma tática válida politicamente. Ao fundo desse sentimento, nota-se o velho rancor anti-democrático e voluntarista da classe média carioca, sempre adepta de soluções de força: golpe militar, golpe judicial, quebra-quebra.

Evidente que isso não ia dar certo. O Rio é um barril de pólvora. Uma cidade com problemas terríveis de mobilidade urbana, com áreas miseráveis, degradadas, abandonadas. Rebelar-se é preciso, sim. Mas com estratégia e inteligência. Violência é para estúpidos ou fascistas. Sempre alguém acaba se ferindo.

Em São Paulo, por exemplo, milhares de pessoas fizeram uma linda manifestação contra a Globo, com cantorias, faixas, projeção de laser e substituição do nome de uma ponte. No dia seguinte, a Folha, para descrever a manifestação, mostrou na capa a foto de um grupo de mascarados assustadores portando paus. Desqualificou totalmente o protesto. E Marcelo Tas ainda veio me encher o saco no Twitter, dizendo que a Folha tinha dado um “bom destaque”.

Em primeiro lugar, é preciso saber onde está o adversário. Os black blocs, por exemplo, com a chancela do PSOL, atacaram, em junho e julho do ano passado, no Rio de Janeiro, sindicalistas e partidos de esquerda, como se estes tivessem culpa pelos problemas da cidade, os quais remontam a décadas e décadas de abandono, má-gestão, corrupção ou simplesmente decadência econômica. Eu estava lá e vi. Foi lamentável. Uma manifestação pacífica terminou com muito quebra-quebra e violência porque black blocs e mascarados queriam brincar de polícia-e-ladrão.

Não é questão de “criminalizar” o movimento social. Matar jornalistas, depredar pontos de ônibus, quebrar agências bancárias, jogar pedras na polícia, tudo isso é crime, então não me venham com essa.

Outra coisa irritante é a história de “infiltrados” entre os black blocs. Ora, esse é justamente o problema. Se tem um monte de mascarados, a coisa mais fácil é alguém mal-intencionado infiltrar-se, e isso gera problemas de segurança para os manifestantes e para a cidade. Ou seja, a tática black bloc é contraproducente; não protege ninguém. Ao contrário, traz insegurança e desqualifica as manifestações junto à sociedade.

Máscara é coisa de baile de carnaval. Manifestação política tem de mostrar o rosto, para segurança dos próprios manifestantes.

E protesto, numa democracia, tem de ser pacífico e inteligente, senão vira levante fascista. Pode-se até entender que uma comunidade carente, desesperada com a morte estúpida de um membro, causada pela polícia, queime um ônibus na avenida brasil. Pode-se entender que sem-terras invadam uma fazenda improdutiva, desocupada há décadas.

O que não se pode aceitar é ver jovens de classe média quebrando a cidade, enquanto supostos intelectuais gritam nas redes sociais que isso é lindo. Até um colunista do jornal O Globo andou falando que “os únicos que nos representam politicamente são esses que quebram lojas”. E esse mesmo colunista falava, em 2012, que Marcelo Freixo salvaria o Brasil.

Ou seja, houve um grande movimento de incitação a violência, inclusive dentro da mídia, por se entender que isso poderia trazer danos políticos ao PT e ao governo federal. E trouxe mesmo. Só que não apenas ao PT. Trouxe danos a todo mundo, à imagem do país, à compreensão do que é democracia, até mesmo à imprensa, como agora se vê com a quase morte de um cinegrafista da Band.

Está na hora de fechar a caixa de pandora e entender que o Brasil precisa de mudança, sim, mas tem que ser pela via democrática. Querem fazer política? Escolham seus candidatos e comecem logo a trabalhar em suas campanhas. É assim que se faz, goste-se ou não. Se não gostam de política, então vão estudar e trabalhar, o que já seria uma excelente contribuição que dariam ao país.
Fonte: O Cafezinho