2 de setembro de 2014

O cineasta Jorge Furtado explica as razões de votar "contra tudo que está aí"

É difícil ir contra uma vírgula sequer deste excelente texto do Jorge Furtado.


Cineasta explica os motivos que o fizeram apoiar a reeleição de Dilma Rousseff

Por Jorge Furtado

"Se alguém me dissesse, em 2004 – quando o primeiro governo Lula sofria a oposição feroz de toda a mídia brasileira e tinha pouco ou nada para mostrar de resultados – que em dez anos o segundo turno da eleição presidencial seria disputado entre duas ex-ministras do governo Lula, uma pelo Partido dos Trabalhadores e uma pelo Partido Socialista Brasileiro, eu diria ao meu suposto interlocutor que a sua fé na democracia era um comovente delírio. A provável ausência, pela primeira vez no segundo turno das eleições presidenciais, de candidatos da direita autêntica, do PSDB, do DEM e do PTB, é mais uma boa notícia que a democracia nos traz. Imagina-se que, vença quem vença, muitos dos derrotados voltarão correndo para os braços confortáveis do novo governo, esta é a má notícia.

Tenho familiares e bons amigos que vão votar na Marina e também no Aécio. Eu vou votar na Dilma. Acho que foi o Todorov quem disse (mais ou menos assim) que a democracia nos reúne para que a gente resolva qual é a melhor maneira de nos separar. Não sou nem nunca fui filiado a qualquer partido, já votei em vários, tenho amigos em alguns. Neste que é o maior período democrático da nossa história (25 anos, sete eleições consecutivas), o Brasil não parou de melhorar e não há nada que indique que vá parar de melhorar agora.

Votei no Lula, desde sempre até ajudar a elegê-lo em 2002, com o palpite de que um governo popular, o primeiro em 502 anos, talvez pudesse enfrentar com mais vigor o grande problema brasileiro: a desigualdade social. Achei que, talvez, substituindo a ideia de que o bolo deve primeiro crescer para depois ser divido pela ideia de incentivar o crescimento do país com melhor distribuição de farinha, ovos, manteiga, fogões, casas com luz elétrica, empregos e vagas nas escolas e nas universidades, finalmente poderíamos começar a nos livrar da nossa cruel e petrificada divisão entre a casa grande e a senzala. Meu palpite estava certo. A desigualdade brasileira continua grande e cruel mas está, finalmente, diminuindo.

Voto, ainda, primeiro contra a desigualdade social, ainda o maior problema do país, um dos mais injustos do planeta, em poucos lugares há uma diferença tão grande entre pobres e ricos. A elite brasileira (sim, ela existe, esta aí), fundada e perpetuada no escravismo, luta para manter seus privilégios a qualquer custo. Eles são donos dos bancos, das grandes construtoras, fábricas e empresas, das tevês, rádios, jornais e portais da internet e defendem ferozmente sua agradável posição. A única maneira de enfrentar seu enorme poder é no voto.

Voto contra o poder crescente do capital sobre as políticas públicas. Quem vive de rendas pensa sempre mais no centro da meta da inflação e menos nos níveis de emprego, mais na taxa dos juros e menos no poder aquisitivo dos salários. O poder do capital especulativo, rentista, é gigante, mora na casa dos bilhões de dólares. Voto contra, muito contra, a autonomia do Banco Central, que tira do governante, eleito pelo nosso voto, o poder de guiar o desenvolvimento segundo critérios sociais, protegendo o país do ataque de especuladores e garantindo renda e empregos, e entrega este poder ao tal mercado, hereditário e eleito por si mesmo, sempre predador e zeloso em garantir a sua parte antes de lamentar os danos sociais causados por seus lucros. (Ver Espanha, Grécia, EUA, Finlândia, etc.)

Voto contra submeter os critérios de uso dos nossos recursos naturais não renováveis, como o petróleo, ao interesse de grandes empresas estrangeiras. O petróleo brasileiro e seu destino é o grande assunto não mencionado nas campanhas eleitorais. Os ataques contra a Petrobras, que acontecem invariavelmente às vésperas de cada eleição, atendem interesses das grandes empresas petroleiras, especialmente as americanas, que querem a volta do velho e bom sistema de concessões na exploração dos campos de petróleo, sistema que, na opinião delas, deveria ser extensivo às reservas do pré-sal. Aqui o interesse chega na casa do trilhão. Garantir que o uso da riqueza proveniente da exploração de nossos recursos não-renováveis tenha critérios sociais, definidos por governantes eleitos, me parece uma ideia excelente da qual o país não deveria abrir mão.

Voto contra o poder crescente das religiões sobre a vida civil. Respeito inteiramente a fé e a religião de cada um, gosto de muitos aspectos de várias religiões, sei do importante trabalho social de várias igrejas, mas não aceito o uso de argumentos ou critérios religiosos na administração pública. Mesmo para os que professam alguma fé religiosa a divisão entre os poderes da terra e do céu deveria ser clara. Diz a Bíblia, em Eclesiástico, XV, 14: “Deus criou o homem e o entregou ao poder de sua própria decisão”. (Esta é a versão grega, a versão latina fala em “de sua própria inclinação” ou “ao seu próprio juízo”.) Erasmo faz uma boa síntese desta ideia: “Deus criou o livre-arbítrio”. Ele, se nos criou a sua imagem e semelhança e criou também as árvores, haveria de imaginar que, criadores como ele, criaríamos o serrote, e com ele cadeiras, mesas e casas, e ainda, Deus queira!, a ciência que nos permita usar com sabedoria os recursos naturais e viver bem, com saúde. O poder crescente das igrejas, com suas tevês e bancadas no congresso, deve ser contido por um estado laico.

Voto contra o preconceito contra os homossexuais. O estado não tem nada a ver com o desejo dos indivíduos. Ninguém (seriamente) está falando que o sacramento religioso do casamento, em qualquer igreja, deva ser definido por políticas públicas, mas os direitos e deveres sociais devem ser iguais para todos, ponto. Os preconceituosos e mistificadores, que vendem a cura gay ou bradam sua lucrativa intolerância contra os homossexuais, devem ser combatidos sem vacilação ou mensagens dúbias.

Voto contra a criminalização do aborto. A hipocrisia brasileira concede às filhas da elite o direito ao aborto assistido por bons médicos, em boas condições de higiene, e deixa para as filhas dos pobres os métodos cruéis e o risco de vida, milhares de meninas pobres morrem de abortos clandestinos todos os anos. A mulher deve ter direito ao seu corpo, independente de vontades do estado ou de dogmas religiosos.

Voto contra o obscurantismo que impede avanços científicos. Há quem se compadeça com os embriões que serão jogados no lixo das clínicas de fertilização e ignore o sofrimento de milhares de seres humanos, portadores de doenças graves como a distrofia muscular, a diabetes, a esclerose, o infarto, o Alzheimer, o mal de Parkinson e muitas outras, cuja esperança de cura ou melhor qualidade de vida está na pesquisa com as células tronco.

Voto contra palavras vazias. Nossa era da mídia transformou a oralidade num valor em si, esquecendo que há canalhas articulados e bem falantes e pessoas de bem e muito competentes que são de pouca conversa, ou até mesmo mudas. Tzvetan Todorov: “A democracia é constantemente ameaçada pela demagogia, o bem-falante pode obter a convicção (e o voto) da maioria, em detrimento de um conselheiro mais razoável, porém menos eloquente”. (1) Há quem diga de tudo e também o seu oposto, dependendo do público ouvinte a quem se pretende agradar, há quem decore frases feitas repetíveis em qualquer ocasião, há quem não fale coisa com coisa. Prefiro julgar os governantes e aspirantes a cargos públicos menos por suas palavras e mais por seus atos, seus compromissos e sua capacidade de trabalho em equipe, ninguém governa sozinho.

Voto contra os salvadores da pátria. Pelo menos em duas ocasiões o Brasil apostou em candidatos de si mesmos, filiados a partidos nanicos, sem base parlamentar, surfando numa repentina notoriedade inflada pela mídia e alimentada pelo discurso “contra a política”, prometendo varrer a corrupção e as “velhas raposas”. No primeiro caso, a aventura personalista de Jânio Quadros acabou num golpe militar e numa ditadura que durou 25 anos. No segundo, a aventura personalista de Fernando Collor, sem base parlamentar e passada a euforia inicial, terminou em impeachment, bem antes do fim de seu mandato.

Voto na Dilma e contra tudo isso que ainda está aí: a desigualdade social, o poder crescente do capital, a cobiça sobre nossos recursos naturais, o preconceito contra os homossexuais, a criminalização do aborto, o obscurantismo que impede avanços científicos, a criminalização da política, as palavras vazias, os salvadores da pátria. Com a direita autêntica fora do jogo podemos, sem grandes riscos de voltar ao passado, debater o melhor caminho para seguir avançando. Ponto para a democracia."

(1) Tzvetan Todorov, Os inimigos íntimos da democracia, tradução Joana Angelica DÁvila Melo, Companhia das Letras, 2012.

Fonte: Revista Forum

1 de setembro de 2014

Solo adubado com ilusões...


Valter Pomar: “Solo adubado com ilusões produz merda em grande quantidade”
"Numa sociedade de classes, ainda tão desigual como a nossa, não existe “Terceira Via”, minha gente! Ou é pela Esquerda, ou é a barbárie.

Basta ouvir a propaganda eleitoral dos candidatos das bancadas da bala, da fundamentalista e da ruralista. É o fascismo pregado em alto e bom som, é a direita sem medo de dizer o que pensa, apostando que o povo não pensa, apostando que sua exploração imensa dos trabalhadores, concentrando renda, produzindo desigualdades, pondo o estado mais rico do Brasil, São Paulo, na contramão do restante do país que a alienação os afastará da  da política. Esta direita fascista prega abertamente no horário eleitoral: mais repressão, mais cadeia, mais tempo de encarceramento para meninos pobres da periferia, propõe milícias pra combater manifestações, prega mais controle sobre os corpos, esvaziam de sentido os termos “saúde” e “educação”.

Em seus discursos autoritários não há nenhuma fala sobre desigualdades sociais, nada sobre como a mesma direita há 20 anos no governo do estado de São Paulo nos deixou sem água, sem mobilidade urbana, sem moradia, com a educação e saúde públicas sucateadas.
Valter Pomar em mais um texto de análise do atual quadro político o esclarece, sem dourar a pílula, sem adubar solo com ilusões.

Ao lê-lo, digo e repito:  Valter Pomar é o melhor formulador teórico do PT, uma das pessoas mais sensatas que conheço. E não é porque muito do que penso conflui para as suas análises, é que Valter nunca, sob qualquer situação, despolitiza suas análises numa era em que a regra em todos os campos é fazer uma geleia geral despolitizadora. ausente de polarização e de críticas.

Mas, é preciso combinar com o povo:

O povo não é idiota. Paga caro quem subestima a capacidade crítica das pessoas. É preciso politizar o debate, polarizar programaticamente e confiar no senso de classe da maior parte do povo.

Parte dos eleitores de Marina é de pessoas que já votaram em nós ou que socialmente podem votar em nós. 

Portanto, é preciso conquistar ou reconquistar o voto destas pessoas, assim como conquistar o voto daquelas que ainda não optaram. E isto se faz através de política, programa, mobilização.” Valter Pomar.

Para ler na íntegra sua excelente análise visite seu blog, parada obrigatória nesses tempos sonháticos de tornar o sindicalista Chico Mendes “elite” e banqueira do Itaú “educadora”."
Fonte: Maria Frô

31 de agosto de 2014

Será que Dilma ainda pode ganhar essas eleições? E se Marina ganhar?

Artigo de Miguel do Rosário publicado hoje em seu blog O Cafezinho.


"Se conselho valesse grande coisa, muito vagabundo estaria rico. Mesmo assim, darei um aos amigos leitores e às queridas leitoras, que estão preocupados com a possibilidade de um novo Collor ganhar as eleições, interrompendo o processo de avanço sócio-econômico que estamos vivendo. É o mesmo conselho que Lula deu a Evo Morales, num dos momentos mais difíceis vividos pelo presidente da Bolívia, há alguns anos: “paciência, paciência, paciência”.
Eu acrescentaria outra palavra: serenidade.
Não acho que Marina Silva ganhe as eleições. O povo brasileiro, num segundo turno, não irá embarcar numa aventura que tem cheiro, cara e sabor de plano B da direita retrógrada para reassumir o poder.
Mas quem pode prever o que virá?
Nesses tempos de redes sociais, tudo pode acontecer. O “zeitgeist”, o espírito do tempo, tem andado um tanto arisco e imprevisível.
Tocqueville já ensinava, na primeira metade do século XIX, que eleições são sempre um momento de crise nacional, porque todas as forças sociais, econômicas, políticas, entram em estado de tensão máxima.
Num país tão complexo como o Brasil, com tantos interesses contraditórios em jogo, com tantas disparidades regionais, econômicas e sociais, a tensão chega às vezes a nível insuportável.
Mas isso é democracia, uma conquista da nossa sociedade. E o que estamos assistindo é a eclosão do que existe de mais emocionante num regime democrático: o entrechoque de ideias e projetos.
Até mesmo a “despolitização” da maioria da população, em especial da juventude, tão denunciada por todos, inclusive por este blog, é um conceito relativo, porque, em verdade, somente a experiência ensina.
Na introdução de sua Crítica da Razão Pura, Kant ensina que “nenhum conhecimento precede a experiência, todos começam por ela.”
Isso vale para tudo, e logo também para nossa juventude e para o processo político. Se a história de nossa democracia quiser que ela – a juventude – experimente um governo de Marina Silva, para que possa entender melhor os erros e acertos do PT, então será isso que acontecerá.
A despolitização, portanto, seria apenas um outro nome para um processo massivo de politização dos jovens e da nova classe média.
O Brasil não vai acabar com a vitória de Marina.
Nem acho que haverá o “desmantelamento” de todas as nossas conquistas. Pode haver retrocessos, mas não brutais. Não exatamente por causa de Marina, em quem não confio, mas porque a população hoje tem mais voz, através das redes sociais, tem mais força de rua, após as “jornadas de junho”, e o Congresso Nacional saberia impor resistência importante a qualquer loucura da presidente.
O governo Marina deverá exercer um neoliberalismo moderado. A mídia tucana já começou a pressionar Marina Silva, para ela governar em aliança com o PSDB. De fato, como o embate no segundo turno será sangrento, haverá pressão insuportável para que o PSB assuma compromissos políticos com o PSDB, o partido mais estruturado e orgânico da oposição.
Mas não se pode esquecer que o esvaziamento de Aécio, o candidato do PSDB, reflete justamente a hostilidade da população contra o neoliberalismo não disfarçado e radical deste partido. Marina pagará um preço altíssimo se entregar fatias do governo em mãos tucanas. Ou seja, fortalecerá o PT, que por sua vez voltará a se aproximar da juventude.
A principal força de Marina, o que a torna realmente uma ameaça à eleição de Dilma, é a adesão a ela de uma significativa parcela da esquerda juvenil, não-partidária. Uma juventude que, a bem da verdade, ainda nem sabe que é de esquerda. Mas é.
O maior problema de Dilma se encontra em sua baixa aprovação numa juventude que nunca viveu sob outro governo que não o PT. Não tem como fazer a comparação, portanto, entre o atual estado de coisas e o inferno tucano.
A juventude pensa no futuro, e por isso a campanha de Dilma, se quiser conquistar ao menos um parcela deste eleitorado, terá que falar mais do que pretende fazer daqui para frente do que apenas relatar o que já fez.
As realizações do governo já deveriam ser de conhecimento público. É absurdo que o Brasil tenha tido que esperar o início do horário eleitoral para conhecê-las. O horário político deveria ser usado para focar nas propostas para a próxima gestão, e não para fazer um balanço do passado.
De qualquer forma, duvido que um eventual governo Marina tenha força para “deixar o pré-sal em segundo plano”, conforme prometeu a ex-petista, embora seja absolutamente aterrorizante que uma candidata com chances de ganhar as eleições fale uma coisa dessas.
O Brasil, para se desenvolver, precisa continuar construindo hidrelétricas. Dezenas ou mesmo centenas delas. Algumas usinas nucleares a mais também seriam bem-vindas. Dilma tem consciência disso e está fazendo várias hidrelétricas e tem um bom programa nuclear, sem esquecer de nenhuma alternativa: eólica, biomassa, solar, etc.
Com Marina, esses projetos correriam grave risco. Seriam, no mínimo, atrasados em quatro anos.
O maior perigo, num governo Marina, é a instabilidade decorrente de um governo fraco e ideologicamente confuso, feito dessa mistura esquisitíssima entre o ambientalismo radical e o neoliberalismo do banco Itaú, do Giannetti e do André Lara Resende, economistas ultratucanos.
Lara Resende, não devemos esquecer, foi o economista que convenceu Collor a confiscar a poupança dos brasileiros.
A blogosfera também não irá acabar, conforme acusam nossos adversários, e temem alguns de nossos amigos. Durante as eras Lula e Dilma, o Cafezinho viveu sem dinheiro de governo ou partido e poderá continuar assim num governo Marina. Nenhuma diferença. Continuaremos crescendo e nos fortalecendo. Na verdade, talvez seja até mais fácil obter anúncios privados e públicos num governo Marina, porque ninguém poderá mais nos acusar de “governistas” ou “chapa-branca”, esse estigma que a grande imprensa colou nos blogs como se fosse crime político defender um governo.
Quanto aos blogs que recebem anúncio estatal, eu quero ver cair a máscara democrática da oposição. Os governos do PT introduziram uma mídia técnica que, ao cabo, beneficiou muito mais os veículos de direita. Eu sempre critiquei um parâmetro que se revelou totalmente desconectado do nosso contexto histórico, e na contramão da política do governo de promover a desconcentração de renda. Nesse sentido, não foi democrático. Ninguém pode negar, contudo, que tenha sido um critério absolutamente apartidário e técnico. Por isso será instrutivo assistir ao que fará a oposição no poder. Será republicana e generosa como foi o PT, ou cortará até mesmo as migalhinhas que iam para dois ou três blogs, apenas porque não gostam deles?
Bem, a vitória de Marina significará poder para Roberto Freire, supra-sumo da hidrofobia e do rancor partidário, então não tenho esperanças de nenhuma magnanimidade por parte do governo.
Não sou do PT, não tenho sequer nenhum amigo mais próximo trabalhando no governo federal, nem mesmo nenhum parente, que eu me lembre, então minha vida continuará rigorosamente a mesma. O blog tem quase 500 assinantes e continuarei trabalhando duro para prosseguir colhendo mais assinaturas e sobreviver. Aliás, se quiser assinar, clique aqui.
Mas também já entendi que o ambiente de criminalização da política nos força, sobretudo jornalistas e comunicadores, a uma postura reativa e pusilânime, como que tentando provar a todo momento que não somos partidários. Eu vivo numa democracia e defendo quem eu quiser, da maneira que eu quiser, e acho um absurdo que alguém seja discriminado ou ofendido por votar ou defender um governo ou partido, como acontece tantas vezes no Brasil, onde nossa mídia vive a lançar calúnias contra os blogs apenas porque eles não são hipócritas e demonstram, transparentemente, que tem lado.
Ter lado é bom, e talvez um dia os jornalistas da grande imprensa, num futuro distante, desfrutem da liberdade de expressão que eles tanto fingem defender para o país, mas que seus patrões lhes proíbem. Espero que eles conquistem, algum dia, a maravilhosa liberdade política de defender um candidato, um governo, um partido, sem que isso implique no desprestígio de seu trabalho e de sua seriedade profissional.
*
Ao longo da minha carreira, sofri apenas três processos: um do Ali Kamel, que perdi em primeira instância, mas com o valor reduzido de R$ 41 mil para R$ 15 mil, e que espero vencer na segunda instância ou no STF; outro de um marketeiro do finado Eduardo Campos (esqueci o nome do sujeito), uma besteira insossa repleto de asserções incrivelmente reacionárias, que tenho certeza que irei ganhar, em primeira instância ou no recurso; e outro de uns servidores de uma estatal paulista, que eu venci absolutamente (já transitou em julgado, eles não recorreram).
Neste sentido, as coisas estão sob controle. Estou em paz com a Justiça brasileira.
Também não acho que os blogs serão “massacrados” num governo Marina. Por que eles fariam isso? Qualquer ataque aos blogs só lhes dariam mais cartaz.
Ao contrário, os blogs ganhariam importância política, porque para eles convergiriam as forças de esquerda derrotadas: sindicais, partidárias e sociais.
Não é por interesse pessoal, portanto, que defendo um voto em Dilma Rousseff. Nem por algum tipo de visão desesperada de mundo, segundo a qual o Brasil iria pelos ares se o PT fosse alijado do poder.
Eu defendo o voto em Dilma e faço o bom combate político ao projeto de Marina Silva porque acho a presidenta, pese todos os seus defeitos, representa o projeto que tem mais condições de terminar as grandes obras de infra-estrutura e mobilidade urbana que estão sendo conduzidas no Brasil.
Tenho uma série de críticas políticas ao governo, aos partidos no poder, à presidenta. Elas são públicas porque eu já as repeti várias vezes aqui no blog, e podem ser resumidas numa só: faltou debate político, faltou comunicação. Um governo e uma presidenta nunca podem fugir do debate. Tem corrupção no Brasil? Tem. Há problemas graves na saúde e na educação. Há. As cidades estão à beira de um colapso urbanístico? Estão. O governo deveria ser o primeiro a admitir isso, na TV, em entrevistas, e convocar a população a participar do debate de como superar esses problemas. Pintar um mundo cor de rosa foi o grande erro do governo. Isso faz as pessoas se sentirem enganadas. As pessoas são seduzidas pela sinceridade, pela informação, pelo debate onde elas mesmos participam, não pela propaganda. O mundo nunca será cor de rosa.
Além disso, no mundo contemporâneo, e nas circunstâncias específicas do nosso país, que tem a mídia mais concentrada, mais reacionária e mais golpista de todo o mundo democrático, era obrigação do governo ter promovido um grande debate nacional sobre o nosso sistema de informação.
E o que tivemos? Paulo Bernardo, de um lado. Helena Chagas, de outro.
Se não tinham segurança de que a correlação de forças permitiria propor uma regulamentação constitucional dos meios de comunicação, poderiam ao menos elaborar políticas de fomento à criação de centros independentes de produção de conteúdo. O tamanho do Brasil – e a gravidade do problema – pedia projetos de comunicação da envergadura de um Pronatec. Alguma coisa para criar dezenas de milhares de espaços digitais, que refletissem a incrível e maravilhosa diversidade do povo brasileiro, e que constituíssem uma força orgânica, autônoma, sustentável, que pudesse enfrentar os períodos em que a esquerda passasse para a oposição. Não fizeram nada, e agora, se a direita voltar ao poder, teremos que construir uma resistência praticamente do zero.
Só que esses erros, e outros, não são suficientes, nem de longe, para eu desistir do projeto. Os acertos foram imensos. Sigo apoiando a eleição da nossa Dilminha, guerreira de coração valente, uma das pessoas mais honradas que já ocuparam o seu cargo, com otimismo e esperança de vitória!

Até porque, como diziam os anarquistas do século XIX, que sacrificavam suas vidas por lutas às vezes completamente utópicas: a única luta que se perde é a que se abandona!"

Quando entra setembro. Aqui e em Macondo.


No momento estou lendo, depois de décadas na 'fila de espera', o clássico latino-americano "Cem Anos de Solidão", do grande Gabriel Garcia Márques, que dispensa maiores comentários.
Aliás faz tempo que não postamos um episódio da série "The Book Is On The Table". Neste interim já li uns três livros que merecem resenha aqui. Falta tempo.
Voltando à obra-prima "Cem Anos de Solidão", tem uma passagem na fictícia e fantástica (no sentido de ser fora da realidade que conhecemos, embora não pareça) aldeia de Macondo onde a personagem Ursula percebe que o tempo está passando de forma diferente: "Os anos agora já não chegam como antes, sentindo que a realidade cotidiana lhe escapava das mãos. (...) A verdade é que Úrsula se negava a envelhecer mesmo depois de ter perdido a conta de sua idade. (...) Recordando essas coisas enquanto preparavam o baú de José Arcádio, Úrsula se perguntava se não era preferível deitar de uma vez na sepultura e que jogassem terra em cima, e perguntava a Deus, sem medo, se de verdade achava que as pessoas eram de ferro para suportar tantos padecimentos e mortificações; e perguntanto ia atiçando sua própria confusão, e sentia uns desejos irreprimíveis de desandar a dizer palavrões e xingamentos como se fosse um daqueles forasteiros, e se permitir enfim um instante de rebeldia, o instante tantas vezes ansiado e tantas vezes adiado de mandar a resignação à merda, e cagar de uma vez para tudo, e arrancar do coração os infinitos montões de palavrões que tinha precisado engolir num século inteiro de conformismo. 
- Caralho! - gritou.
Amaranta, que começava a pôr a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
- Onde está? - perguntou alarmada.
- O quê?
- O animal - esclareceu Amaranta.
Úrsula pôs ao dedo no coração.
-Aqui - disse."
Pois é. Final de agosto. Início do último mês do terceiro trimestre.
2014 imbica para a reta final e a mim parece que nem começou.
A algo estranho nessa percepção.
Será que estou me recusando a pensar na velhice que agora já não me é um tema absolutamente fora de questão?
No momento resta-me a canção.
Essa é clássica e é sempre lembrada no início de setembro, junto com a primavera, bela estação.
Sempre vale a pena ouvir de novo a linda música do mineiro Beto Guedes.
Enquanto isso, me pergunto se a solitária e alucinada Macondo é mesmo um lugar fictício. 
Só que García Márquez não está mais aqui para me responder.

30 de agosto de 2014

Ménage

Uma boa para esta noite de sábado.
Não me refiro ao título do post, que é o mesmo do primeiro vídeo.
Falo de assistir a uma seleção do humor escrachado e 'politicamente incorreto' do pessoal do "Porta dos Fundos". 
Somente para maiores, ok?!

Pesquisa Nacional?????

Esse eu peguei do Pedala Direita.
Postado agora.
Não deu para conferir se é isso mesmo.
Mas segue a informação.

Do Pedala Direita:
"BOMBAAAA!!!!
Desvendada a farsa da PESQUISA NACIONAL IBOPE para Presidente da República
Recebemos esta nota por e-mail de Valerio Santiago:
Farsa, FArsa, FARsa, FARSa, FARSA! - Pelas barbas do profeta. A manipulação e a canalhice chegaram a níveis inimagináveis!
A pesquisa do Ibope de ontem foi feita em apenas 05 dos 27 estados brasileiros.
A pesquisa do Ibope foi feita nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Distrito Federal.
Ou seja, no Nordeste onde Dilma lava de votos, pesquisaram apenas no estado de Eduardo Campos. No Norte, onde Dilma lava de votos também, não pesquisaram em lugar nenhum.
Pesquisaram apenas onde Marina e Aécio estão bem e simplesmente não pesquisaram em estados onde Dilma está bem!

Manipulação pura e simples e digo sem medo de errar: basta colocar o Norte e o Nordeste, numa pesquisa séria, para ver que Dilma deve estar com quase 50 por cento dos votos válidos."
__________________________________________________________________
"Assaz Atroz: Eles juntaram as intenções de voto para presidente nessa pesquisa nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e no Distrito Federal e apresentaram como pesquisa NACIONAL PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Mesmo assim, Dilma permaneceu lá na frente, então, eles inventaram um tal de segundo turno que não vai ter... E nessa ficção, Marina ganharia..."
Conforme registrado no TSE
Confira usando este link ...
http://www.cearaagora.com.br/site/2014/08/veja-intencao-de-voto-para-governador-em-sp-rj-pe-mg-e-df-segundo-o-ibope/
Porque este, do G1, não está funcionando mais...
http://l.facebook.com/l/pAQEs8dPB/g1.globo.com/politica/eleicoes/2014/blog/eleicao-em-numeros/post/veja-intencao-de-voto-para-presidente-em-sp-rj-pe-mg-e-df-segundo-o-ibope.html

Requião: esporro na CBN

Aqui prá nós... valeu Requião!
A forma como certa imprensa aborda certos candidatos é vexatória e irritante.
Tem que fazer as perguntas certas de uma forma correta. Não é o que estamos vendo.
A imprensa, travestida de donos da verdade, acaba fazendo campanha para quem lhes interessa.



Requião na CBN explicita os adjetivos para mídia bandida: Canalha! Safada!

"Em entrevista na rádio CBN, o radialista não faz perguntas a Roberto Requião, ele repete o discurso dos opositores de Requião como se fosse uma verdade.
Requião diz, que ele já havia explicado isso antes ao radialista, mostra que quem de fato fez o que o radialista – reprodutor do discurso dos detratores de Requião atribui a ele – foram os opositores e Requião, um deles Jaime Lerner e agora Beto Richa.
Mas o papel do radialista é ser megafone da direita, ele não tem a menor intenção de fazer jornalismo, de confrontar os fatos, de ouvir a versão de Requião, versão essa que ele conhece e que poderia no confronto com os dados negar ou reafirmar. Ou seja, o radialista não faz jornalismo, faz política detratora a serviço dos opositores de Requião.
O que Requião faz diante deste “jornalista” que briga com os fatos?

O candidato ao governo do Paraná, retruca, explica que o radialista já foi informado a respeito e, portanto, se continua repetindo o discurso não está fazendo jornalismo: “Eu não vim aqui para responder a safadeza pela segunda vez.
Requião desnuda a safadeza do discurso travestido de jornalismo, explica que a rodovia é privatizada e que tem feito, via judicial, a pressão à concessionária para duplicação da rodovia, explica mais uma vez que quem tirou as ações judiciais contra a concessionária foi o atual governador do Paraná, Beto Richa.
Vejam, tudo isso é dado que se a CBN tivesse de fato comprometida com jornalismo poderia checar. Mas a CBN está comprometida com o ataque à candidatura de Requião e não com a verdade.
Requião encerra a canalhice travestida de entrevista e põe os pingos nos is:
“Não sou seu brinquedo! Pela segunda vez não, você está tentando insinuar uma coisa que já insinuou e que eu já havia respondido. Vamos fazer o seguinte, acaba a minha entrevista aqui e agora. Eu já fui à Justiça pedir direito à resposta pela safadeza que você tentou fazer comigo. Sou Senador da República não sou brinquedo de jornalista. Eu sou um homem sério. O meu governo se caracterizou pela seriedade. Nunca enganei ninguém”.
O discurso cínico do “jornalista” diz que ‘deu’ oportunidade ao candidato Requião pra falar das propostas dele para o governo do Estado. Veja o vídeo, em nenhum momento o ‘jornalista’ fez qualquer pergunta sobre as propostas de Requião.
Requião é o único político brasileiro que enfrenta a mídia bandida. O único.
Se outros políticos decentes fizessem o mesmo, certamente esta mídia concentrada, monopolizada, que faz política para a direita, responsável por caluniar políticos sérios e despolitizar toda a sociedade já teria sido desmascarada. Certamente as comunicações, fruto de concessões públicas – como rádios e tevês – estariam como em qualquer país desenvolvido e democrático do mundo: efetivamente democratizadas e não sob controle de seis famílias, sendo que duas com 4 membros na lista da FORBES entre os mais ricos do país. Você efetivamente acredita que os bilionários Marinho e Civita defendem os interesses da sociedade brasileira?"
Fonte: Maria Frô

Southern Rock


Boa dica dos amigos da revista Poeira Zine.
Mas cabe um breve esclarecimento para os não iniciados.
Entre os inúmeros gêneros e subgêneros do velho e bom Rock'n Roll está um chamado Southern Rock ou simplesmente rock sulista, neste caso se referenciando ao sul dos Estados Unidos.
Trata-se de um dos poucos movimentos (se é que podemos tratá-lo assim), legitimamente americano, uma vez que os principais gêneros do rock nasceram do outro lado do Atlântico, na Inglaterra.
Suas referências são o Blues, o Country, pitadas de elementos Jazzísticos, Psicodélicos e Latinos e é claro uma atitude plenamente rockeira.
Sua proximimidade com as raízes da música afro-americana do Mississipi, Louisiana, Alabama, Georgia, etc., deram uma tempero extra deste som feito essencialmente por brancos (com ótimas exceções) a partir do final dos anos 1960.
Os dois grupos que mais se destacaram no cenário foram o Lynyrd Skynyrd e a Almann Brothers Band, coincidentemente duas bandas marcadas por eventos trágicos, mas aí é outra e longa história.
Vale citar também a Marshall Tucker Band, Charlie Daniels Band, Ozark Mountain Daredevils, Black Oak Arkansas, etc.
Existem outras bandas cujos créditos não são exatamente os mesmos do Southern Rock, seja pela variação de estilo, seja por não habitarem o sul e sudoeste americano. Mas dois grupos são da área e eu costumo categorizá-los como tal: trata-se do Doobie Brothers e do Creedence Clearwater Revival.
Dito isso, o que posto a seguir é um desenho animado muito bem explicado pelo texto da PZ.


Brett Underhill é um ilustrador e animador do Brooklyn, New York, acostumado em trabalhar com programas de edição de imagens e vídeo como Photoshop, Illustrator, Final Cut, After Effects etc.

Calhou dele ter também como a sua banda #1 o Allman Brothers Band.

Foi assim então que Brett resolveu fazer uma homenagem (há alguns anos) aos 40 anos de estrada da banda de Gregg e Duane Allman.

Influenciado por Frank Miller e Yellow Submarine, Brett leva o fã a uma jornada pela carreira do Allman Brothers Band em sua animação.

Unindo diferentes trechos de "Statesboro Blues", de diferentes épocas e fases da banda, o artista vai apresentando todos os principais integrantes que passaram pelo conjunto.

Além disso ele incluiu também dezenas de referências a músicas, letras e capas de discos do grupo




E, aproveitando o post musical, seguem amostras de outros grupos citados.
Vale a pena ver e ouvir neste sábado, já fins de agosto.





Little Love Song by: Marshall Tucker Band

 






The Ozark Mountain Daredevils - You Made It Right


29 de agosto de 2014

Ex-Marina Silva: abaixo o pré-sal (para os brasileiros) e viva os transgênicos!

Ex-Marina defende interromper exploração do pré-sal. Sabe o que significa?
Por Renato Rovai
"O Globo de hoje anuncia em primeira página que a candidata do PSB, Marina Silva, planeja reduzir a importância do pré-sal na produção de combustíveis. Num encontro com produtores de etanol, na Feira Internacional de Teconologia Sucroenergética (Fenasucro), em Sertãozinho, Marina, para foi ovacionada quando disse: “temos que sair da idade do petróleo”. E também quando prometeu disse vai revigorar o álcool, dando incentivo para os produtores do setor.

O governo estima que em dez anos o Brasil extrairá US$ 112,5 bilhões em recursos para a área de saúde e educação com o pré-sal. E que em pouco tempo o país se tornará um exportador de petróleo.

Isso significará não apenas a nossa auto-suficiência energética, mas o Brasil também se tornará um país mais importante do ponto de vista geopolítico.

É isso que está em jogo e que incomoda profundamente os falcões americanos. Eles não querem o desenvolvimento do Brasil e muito menos o nosso fortalecimento internacional.

Um Brasil forte não interessa aos EUA. Desde sempre.

E por isso, sempre houve pressão para que a extração nas camadas de pré-sal fosse entregue a grandes empresas privadas, se possível americanas. E não fosse realizada pela Petrobras.

Os gringos querem o pré-sal para eles.

Mas como a campanha de Marina vai lidar com o assunto, segundo o Globo. Ela vai criar um grupo de especialistas para avaliar os riscos envolvidos na exploração do pré-sal e vai apresentá-los à sociedade.

Que especialistas, cara-pálida? A turma do Eduardo Gianetti da Fonseca, que defende a cobrança de mensalidade para “estudantes que podem pagar” nas universidades públicas.

O Globo procurou um especialista que pelo jeito não é da turma do Gianetti e a resposta à consulta foi óbvia. Nivaldo de Castro, coordenador do setor Elétrico da UFRJ disse que “seria uma decisão estratégica que alteraria substancialmente a capacidade de investimentos do país em duas áreas fundamentais para o Brasil entrar numa rota de desenvolvimento social, a Educação e a Saúde”.

Castro ainda acrescenta que diminuir investimento não seria uma boa estratégia porque o país perderia a liderança tecnológica na exploração da camada do pré-sal.

Mas aí vem a pergunta. Não seria uma boa estratégia para quem interromper os investimentos da Petrobras no pré-sal para o Brasil perder a liderança tecnológica neste setor?

Só não seria uma boa estratégia para o Brasil, os brasileiros e a Petrobras. Para os EUA e para suas empresas de exploração, como a Exxon isso seria lindo e maravilhoso.

Mesmo que depois de interromper a exploração por um determinado tempo o Brasil decidisse voltar a explorar o pré-sal, já estaríamos defasados tecnologicamente. E superados. E aí teríamos de terceirizar a exploração.

É um jogo absolutamente bruto que está por trás dessa decisão. Em nome de uma causa em tese ecológica, vamos entregar nossas reservas e abrir mão do nosso futuro.

Ao mesmo tempo que promete interromper o pré-sal para discutir as consequências da exploração, Marina diz que nunca foi contra os transgênicos.

E ainda está se comprometendo a priorizar acordos bilaterais em detrimento do Mercosul.

Marina está virando ex-Marina. É muita mudança em pouquíssimo tempo.

PS: A defesa do Banco Central independente e da interrupção da exploração do pré-sal vão ajudar muito a campanha do PSB a arrecadar. Por isso o tesoureiro Márcio França já disse que não tem essa de não aceitar recursos de empresas de armas ou qualquer outra área. Vale tudo, desde que seja legal, segundo ele. Vai chover dinheiro na hortinha do PSB com esses novos compromissos que passam a a ser assumidos agora. Não vai ser necessário nem usar semente transgênica para multiplicar os recursos."


Marina abre o jogo: deixa o pré-sal para os gringos! Energia, só de catavento e espelhinho!
Por Fernando Brito
"Não foi preciso nem que a diretora da Chevron, Patrícia Pradal, fosse pedir, como fez com José Serra, em 2010.

Marina Silva, espontaneamente, anunciou que vai deixar o petróleo do pré-sal lá embaixo, bem enterradinho, para que, um dia, os gringos venham  tirar.

Seu programa, dizem os jornais, vai tirar a prioridade “da exploração do petróleo da camada do pré-sal na produção de combustíveis”.

Ou seja, deixar por lá mesmo uma quantidade imensa de petróleo, tão grande que faz a Agência Internacional de Energia prever que o crescimento da oferta de petróleo no mundo, nas próximas décadas, virá mais do Brasil do que do Oriente Médio.

Adeus, 75% da renda do petróleo do pré-sal para a educação. Goodbye, 25% para a saúde! Tchau, indústria naval, engenharia nacional e empregos!

Fiquem lá esperando até que os gringos venham te buscar!

O que ela sugere no lugar ma maior reserva de petróleo descoberta no século 21?

Energia eólica e energia solar.

Claro que ninguém é inimigo, muito pelo contrário, do uso da energia dos ventos e do sol para gerar eletricidade, e o Brasil vem avançando muito neste campo.

Só que, com a ciência de almanaque de Marina Silva, deixa-se de lado a sinceridade.

Um  parque eólico  muito  bom – que é caríssimo –  vai gerar perto de 40% de sua capacidade instalada, porque o vento, óbvio, não é constante. Ou seja, para produzir um 1 megawatt é preciso instalar  turbinas capazes de gerar pelo menos 2,5 MW.

O parque eólico de Osório, do Rio Grande do Sul, um dos maiores da América Latina, ocupa com seus cataventos uma área de 130 km², quase tanto quanto a usina de Santo Antonio inundou além da área que já era antes ocupada pela calha do Rio Madeira, para gerar  de meros 51 Mw médios, menos que uma só das 30 turbinas que já operam naquela usina!

E a energia solar?

A maior usina solar do mundo só consegue abastecer – se tiver sol todo o tempo – a cidade de Niterói!

Produz 340 Mw, o que é meio por cento do que o Brasil consome!

Recém inaugurada pela empresa Google, gera menos que 15% da energia gerada por Santo Antônio e para
isso transforma 13 km² do deserto de Mojave, na Califórnia, numa fornalha solar. São 3.150 campos de futebol cobertos de espelhos refletindo energia do sol para caldeiras a vapor!

Só para cobrir o crescimento da demanda, precisaríamos fazer umas dez fornalhas gigantes destas por ano!

E, claro, com problemas ambientais, só que trocando a ecologia do bagre pela do calango.

Qualquer pessoa com conhecimento técnico ouve o que Marina diz com o espanto de quem olha um energúmeno.

E qualquer empresa de petróleo do mundo ouve o que Marina diz  com o salivar de quem tem grandes apetites.

Ela só agrada aos bobos e aos muito espertos.

Marina Silva  seria  a P-36 do petróleo brasileiro."

Fonte: Tijolaço

Ter uma casinha branca com varanda...


Em parte por formação profissional (que praticamente não exerci), em parte por gosto mesmo, estou sempre ligado em coisas ligadas a arquitetura e decoração. Até gosto também de construções e reformas mas hoje em dia está difícil de encarar por motivos diversos.
Dito isso, gosto de ver revistas e documentários ligados ao tema.
Tinha um programa muito legal no canal GNT chamado Casa Brasileira (ou coisa parecida) que deixou de ser exibido. Mostrava o trabalho de arquitetos e decoradores muito criativos.
Depois entrou no ar uma outra série chamada Morar. Eu pensei que era no mesmo estilo do outro citado, mas é diferente. No começo me decepcionei mas depois peguei o espírito que a produção queria mostrar: a casa como nosso principal refúgio, um retrato do nosso ser, independente de estilos arquitetônicos ou de decoração. 
Desta forma podem mostrar de uma grande mansão até uma pequena e simples casinha mas que retrata a felicidade de quem a montou e ali fez o seu lar, não apenas sua casa.
Vejam, por exemplo, o caso desta fanática torcedora do Figueirense.

O nosso esgotamento de cada dia: as fases do burnout, a reação e as soluções

Li este texto ontem no site "Papo de Homem", que é muito legal.
Aliás vou tentar colocar um link em nosso box de "Sugestões" mas depende de ter feeds de atualização.
Achei muito interessante e de utilidade para a maioria das pessoas. Daí resolvi copiar e colar aqui.
Sem pedir autorização aos donos do site e da autora. Ok, mas damos o link e as fontes. É o mínimo de consideração que devemos ter certo? Além disso nosso humilde blog não tem fins lucrativos.
Apesar do nome do espaço, especificamente este artigo foi muito bem escrito por uma mulher, conforme registrado em nossa cópia.
Vale a pena ler, nós que andamos tão atarefados, cansados, estressados, preocupados, etc.
Atenção para as dicas e conselhos da Andrea.

Como voltar à ativa depois do esgotamento    
Andrea Ayres-Deets por
     
Verão de 2013, Gaslight Coffee Roasters, Chicago, Illinois:
De novo sentada em frente a tela do computador. De novo exausta. Me sentindo o cocô do cavalo do bandido.
Passei o ano passado ouvindo esse tipo de perguntas:
“Como vai aquele seu projeto de escrever mais?”
“Já pensou trabalhar só meio turno?”
“A mensalidade da faculdade está em dia?”
Chego a esboçar o tipo de resposta que acredito que estas perguntas mereçam, mas então lembro que é importante manter um bom relacionamento com as pessoas.
Há semanas que não consigo escrever, ou fazer qualquer coisa ligada a minhas ambições pessoais. Como entender isso? Como levantar do fundo do poço quando não se tem mais para onde ir? Não há ponto de apoio, nada onde firmar a mão para se erguer e seguir adiante.
Como nos recuperamos depois do burnout, do profundo esgotamento?
Como recomeçamos depois dele?

O que significa burnout

Não há definição clara sobre o burnout, mas o termo apareceu pela primeira vez nos anos 70, nos escritos do psicólogo Freudgenberger e seu colega Gail North identificaram 12 fases que levam ao burnout:
burnout
Os sintomas fisiológicos do burnout são causados pelas reações de “luta ou fuga”. Queiramos ou não, esta resposta acaba sendo provocada por elementos comuns causadores de estresse no trabalho (como respeitar prazos ou levar projetos até o final).
  • A glândula adrenal secreta o hormônio cortisol
  • O batimento cardíaco se acelera
  • A pressão sanguínea sobe
O burnout ocorre quando as exigências e o estresse colocados sobre nós excedem nossas capacidades físicas e mentais. Nos enganamos quanto ao que é necessário porque assumimos poder empurrar tudo e simplesmente ignorar os limites. A má notícia é que isto está acontecendo cada vez com mais frequência.
luta-ou-fuga
A Forbes relata que desde a crise econômica muitos empregadores cortaram despesas – e nem era preciso alguém nos dizer isso. A redução das despesas e o arrocho salarial coincidiram com um aumento no número de tarefas e responsabilidades. Os empregados se sentem intensamente na obrigação de nunca dizer não.
Antes do meu burnout eu dizia sim para tudo. Não havia nada que eu considerasse não poder fazer, nada que eu não faria por meu trabalho. Para ser honesta comigo mesma, isso se resumia a eu não querer ver outra pessoa dizendo sim.

O ponto sem retorno

Quando consegui admitir que me encontrava em burnout, já era tarde demais. Evitava o convívio social e não dormia mais. Descobri-me chorando em pleno dia e sem razão alguma. Eu só queria fazer as coisas melhor, trabalhar o máximo que pudesse, fazer pelo menos tanto quanto eu via as pessoas ao meu redor fazendo. Era mais fácil, para mim, me convencer a trabalhar mais do que encarar a verdade – a verdade de que eu precisava uma folga.
Todo mundo precisa de uma folga de tempos em tempos. De acordo com a Scientific American, a exposição a estresse contínuo libera no corpo os hormônios epinefrina, noraepinefrina e cortisol. Estes hormônios bloqueiam nossa capacidade de processar bem a informação – além de causar vários outros problemas de saúde.
Quando eu digo folga não estou falando de uma caminhada de quinze minutos ao redor da quadra. Estou falando de alguns dias consecutivos. O corpo precisa tempo para se desconectar do estresse. Isso pode levar alguns dias, ou até uma semana inteira. Os seus recursos físicos e emocionais precisam de tempo para se regenerar. Esses recursos não se esgotaram da noite para o dia, e portanto não é certo esperar que sejam recuperados da noite para o dia.
Por várias razões, muitos de nós se recusam a (ou não conseguem) usar o tempo de férias. Então como lidar com o burnout quando não se pode parar de trabalhar?

Caindo na real

É aqui que a maioria de nós fracassa completamente. Não olhamos para nós mesmos o suficiente porque pensamos que estamos ocupados demais, ou não temos poder para consertar qualquer coisa. Nenhuma dessas pressuposições é verdadeira.

1. Fazendo um inventário

Escreva tudo que está causando estresse em sua vida, e seja honesto. Ao lado de cada fonte de estresse, anote uma estratégia para lidar com aquele estresse particular. Tendo em vista que somos especialistas em nos convencer a ignorar o estresse, colocá-lo no papel é nossa primeira chance de realmente permitir que nosso cérebro comece a processar essa informação.
Aqui está um exemplo em meu diário, desculpem a caligrafia:
texto
Nota do editor: a imagem é uma adaptação da original, que era manuscrita pela autora
Também ajuda reconhecer os temas e fontes comuns do estresse. Localizar a fonte principal é o primeiro passo na direção de descobrir formas saudáveis de lidar com o próprio estresse e aprender a gerenciá-lo.

2. Pedir ajuda

Aprender a pedir ajuda não é fácil, a maioria de nós nunca aprendeu a fazer isso. Pedir ajuda não significa que se é incapaz, não significa que se é burro, e não diminui nem um pouco nosso valor.
O que se pode fazer:
  • ser direto e honesto sobre o que se precisa e porque
  • descobrir quem estaria melhor capacitado a ajudá-lo (amigo, família, médico, fórum anônimo na internet?)
  • ajudar alguém quando, no futuro, estiver em posição de fazer isto
O medo de ser rejeitado muitas vezes obstaculiza a disposição a pedir ajuda, mas estudos mostram que não se deve ficar apreensivo. As pessoas rejeitam dar ajuda muito menos frequentemente do que imaginamos. E não só isso, mas elas gostam de ajudar. Elas gostam de se sentir necessárias, e isso até mesmo faz com que se sintam bem consigo mesmas. Todo mundo ganha com isso.

3. Tire o seu da reta

Quando atinge a fase de burnout a pessoa geralmente se descobre sem escolha alguma, a não ser recomeçar. Alguns abandonam o trabalho, tiram uma licença, ou simplesmente se negam a iniciar novos projetos de trabalho até que tenham se recuperado. Não sei dizer o que é melhor para você, mas posso dar alguns conselhos sobre como minimizar ao máximo os níveis de estresse:
  • Delegue o máximo que puder sempre que puder. Se você é como eu, você provavelmente acumula trabalho como um esquilo faz com as nozes, porque acha que isso o sobressai perante os outros. Não sobressai. Se você trabalha com uma equipe, repasse algumas tarefas menos críticas para outros no grupo.
  • Diga não e seja firme quanto a isso. Isto o ajuda a não exagerar ainda mais. Você pode se descobrir dizendo sim sem refletir sobre o impacto daquilo sobre você mesmo. Fique ciente das consequências de dizer sim e de exatamente o que está sendo pedido.
  • Durma mais. Seis horas de sono não vão ser suficientes, é realmente necessário tentar dormir pelo menos oito horas, para prover o corpo e a mente com o que eles precisam para se renovarem.
  • Encontre tempo para si mesmo. Repito mais uma vez, isso nem se discute. É necessário encontrar tempo durante o dia para si próprio. Faça exercícios, leia, e pratique o relaxamento ativo.
Uma vez que você tenha seguido esses passos, tente reintegrar o trabalho na vida, mas vá DEVAGAR. Reavalie constantemente o tipo de trabalho que está fazendo e se está alinhado com seus objetivos.
Persiste uma voz chata na minha cabeça dizendo “podia ser pior” o tempo todo.
Acredito que muitos ouçam essa voz.
Pensamos em todas as pessoas próximas que trabalham mais do que nós trabalhamos, e com menos folgas. Nos convencemos, “se eles conseguem, eu também consigo”. Mas há momentos em que simplesmente não dá, e não há problema algum nisso.
Uma das reclamações mais frequentes do burnout é o sentimento de que perdemos a nós mesmos. Se você já passou pelo burnout, ou se não quer passar por ele, é preciso investir em si próprio. Dê um jeito de se conectar consigo mesmo e com as próprias paixões, diariamente.
Este artigo foi publicado originalmente no Crew Blog e traduzido por Eduardo Pinheiro.

Andrea Ayres-Deets

Escritora chefe na Crew, uma rede exclusiva para convidados que conecta projetos de software a desenvolvedores e designers escolhidos a dedo. Andrea escreve sobre psicologia, criatividade e negócios no blog da Crew.
Outros artigos escritos por

Fonte: Papo de Homem             

Leonardo Boff: 'Eu apoio a reeleição de Dilma para confirmar a maior revolução pacífica do Brasil' (vídeo)

“Eu apoio a reeleição de Dilma Rousseff para confirmar a maior revolução pacífica feita na história do Brasil. Quando alguém da periferia se tornou presidente, como o Lula, e ela continuou essa política, que é uma verdadeira política de cuidado com as coisas do povo, gesto amoroso com a população pobre e marginalizada”.

28 de agosto de 2014

O Brasil e os Próximos Anos, por Mauro Santayana.

"(Jornal do Brasil) - À medida que estamos mais perto da eleição, se evidencia também a necessidade de avaliar as opções estratégicas que aguardam o Brasil nos próximos anos.   
Hoje, muita gente acha que se nos aproximarmos muito do mundo em desenvolvimento, como a América do Sul, África e as potências emergentes às quais estamos unidos no BRICS - Rússia, Índia, China, África do Sul - estaremos nos afastando cada vez mais da Europa e dos EUA.
Há, entre certos tipos de brasileiros, os que continuam cultuando apenas o que existe em Nova Iorque, Miami ou Paris, como se não existisse mais nada neste mundo, e os arranha-céus mais altos do planeta não estivessem sendo construídos – para ficar apenas no símbolo de modernidade e pujança das “skylines” que fizeram a fama dos EUA – em cidades como Moscou, Dubai, ou Xangai.
Ataca-se a China por censurar o Google, mas não se atacam os EUA por usarem a internet para espionarem e chantagearem milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo nações de quem se dizem “aliados” como é o caso do Brasil e da Alemanha.   

Humor de Quinta: eleições, facebook, etc.

Humor faz bem à saúde, como dizia um velho slogan de um antigo jornal.
Em nossa série das quintas-feiras de hoje selecionei tirinhas bem antenadas do ótimo Will Tirando.
Confira outras aqui.


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 

27 de agosto de 2014

Marina Silva e o jogo dos sete erros

É óbvio que se o prezado (e)leitor deseja votar em Marina Silva tem todo o direito democrático e tem seus motivos.
O mesmo para o Bispo Edeveraldo, Levi's Fidélix, etc.
O meu problema é com a história do marketing da "nova política". Ao meu juízo é querer fazer o estimado cidadão de otário.
Para quem dúvidas, sugiro ler o artigo abaixo. Está quase desenhado. Leitura fácil e fluída, para entender na hora.
Neca Setúbal, herdeira do Itaú e coordenadora do programa de governo de Marina Silva, a candidata e seu vice, Beto Albuquerque
7 motivos pelos quais Marina Silva não representa a “nova política”
Se a sua intenção este ano é votar em uma "nova forma de fazer política", leia este texto antes de encarar a urna eletrônica
por Lino Bocchini

"É comum eleitores justificarem o voto em Marina Silva para presidente nas Eleições 2014 afirmando que ela representaria uma “nova forma de fazer política”. Abaixo, sete razões pelas quais essa afirmação não faz sentido:

1. Marina Silva virou candidata fazendo uma aliança de ocasião. Marina abandonou o PT para ser candidata a presidente pelo PV. Desentendeu-se também com o novo partido e saiu para fundar a Rede -- e ser novamente candidata a presidente. Não conseguiu apoio suficiente e, no último dia do prazo legal, com a ameaça de ficar de fora da eleição, filiou-se ao PSB. Os dois lados assumem que a aliança é puramente eleitoral e será desfeita assim que a Rede for criada. Ou seja: sua candidatura nasce de uma necessidade clara (ser candidata), sem base alguma em propostas ou ideologia. Velha política em estado puro.

2. A chapa de Marina Silva está coligada com o que de mais atrasado existe na política. Em São Paulo, o PSB apoia a reeleição de Geraldo Alckmin, e é inclusive o partido de seu candidato a vice, Márcio França. No Paraná, apoia o também tucano Beto Richa, famoso por censurar blogs e pesquisas. A estratégia de “preservá-la” de tais palanques nada mais é do que isso, uma estratégia. Seu vice, seu partido, seus apoiadores próximos, seus financiadores e sua equipe estão a serviço de tais candidatos. Seu vice, Beto Albuquerque, aliás, é historicamente ligado ao agronegócio. Tudo normal, necessário até. Mas não é “nova política”.

3. As escolhas econômicas de Marina Silva são ainda mais conservadoras que as de Aécio Neves. A campanha de Marina é a que defende de forma mais contundente a independência do Banco Central. Na prática, isso significa deixar na mão do mercado a função de regular a si próprio. Nesse modelo, a política econômica fica nas mãos dos banqueiros, e não com o governo eleito pela população. Nem Aécio Neves é tão contundente em seu neoliberalismo. Os mentores de sua política econômica (futuros ministros?) são dois nomes ligados a Fernando Henrique: Eduardo Giannetti da Fonseca e André Lara Rezende, ex-presidente do BNDES e um dos líderes da política de privatizações de FHC. Algum problema? Para quem gosta, nenhum. Não é, contudo, “uma nova forma de se fazer política”.

4. O plano de governo de Marina Silva é feito por megaempresários bilionários. Sua coordenadora de programa de governo e principal arrecadadora de fundos é Maria Alice Setúbal, filha de Olavo Setúbal e acionista do Itaú. Outro parceiro antigo é Guilherme Leal. O sócio da Natura foi seu candidato a vice e um grande doador financeiro individual em 2010. A proximidade ainda mais explícita no debate da Band desta terça-feira. Para defendê-los, Marina chegou a comparar Neca, herdeira do maior banco do Brasil, com um lucro líquido de mais de R$ 9,3 bilhões no primeiro semestre, ao líder seringueiro Chico Mendes, que morreu pobre, assassinado com tiros de escopeta nos fundos de sua casa em Xapuri (AC) em dezembro de 1988. Devemos ter ojeriza dos muito ricos? Claro que não. Deixar o programa de governo a cargo de bilionários, contudo, não é exatamente algo inovador.

5. Marina Silva tem posições conservadoras em relação a gays, drogas e aborto. O discurso ensaiado vem se sofisticando, mas é grande a coleção de vídeos e entrevistas da ex-senadora nas quais ela se alinha aos mais fundamentalistas dogmas evangélicos. Devota da Assembleia de Deus, Marina já colocou-se diversas vezes contra o casamento gay, contra o aborto mesmo nos casos definidos por lei, contra a pesquisa com células-tronco e contra qualquer flexibilização na legislação das drogas. Nesses temas, a sua posição é a mais conservadora dentre os três principais postulantes à Presidência.

6. Marina Silva usa o marketing político convencional. Como qualquer candidato convencional, Marina tem uma estrutura robusta e profissionalizada de marketing. É defendida por uma assessoria de imprensa forte, age guiada por pesquisas qualitativas, ouve marqueteiros, publicitários e consultores de imagem. A grande diferença é que Marina usa sua equipe de marketing justamente para passar a imagem de não ter uma equipe de marketing.

7. Marina Silva mente ao negar a política. A cada vez que nega qualquer um dos pontos descritos acima, a candidata falta com a verdade. Ou, de forma mais clara: ela mente. E faz isso diariamente, como boa parte dos políticos dos quais diz ser diferente.

Há algum mal no uso de elementos da política tradicional? Nenhum. Dentro do atual sistema político, é assim que as coisas funcionam. E é bom para a democracia que pessoas com ideias diferentes conversem e cheguem a acordos sobre determinados pontos. Isso só vai mudar com uma reforma política para valer, algo que ainda não se sabe quando, como e se de fato será feita no Brasil.

Aécio tem objetivos claros. Quer resgatar as bandeiras históricas do PSDB, fala em enxugamento do Estado, moralização da máquina pública, melhora da economia e o fim do que considera um assistencialismo com a população mais pobre. Dilma também faz política calcada em propósitos claros: manter e aprofundar o conjunto de medidas do governo petista que estão reduzindo a desigualdade social no País.

Se você, entretanto, não gosta da plataforma de Dilma ou da de Aécio e quer fortalecer “uma nova forma de fazer política”, esqueça Marina e ouça Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) com mais atenção.

De Marina Silva, espere tudo menos a tal “nova forma de fazer política”. Até agora a sua principal e quase que única proposta é negar o que faz diariamente: política."

Fonte: CartaCapital 

"Marina você se pintou de laranja Itaú, resta saber se você convencerá os incautos"

Possível eleição de Marina Silva: uma aposta de altíssimo risco


Marina e o envelhecimento dos partidos
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

"No Twitter, Xico Graziano vibrava com as notícias do IBOPE sobre a explosão da candidatura Marina Silva, apesar de poder ser a pá de cal na candidatura do seu partido. Não se trata de um twiteiro convencional, mas do homem de confiança de Fernando Henrique Cardoso, que chegou a ser cogitado para comandar a campanha de Aécio Neves nas redes sociais.

Seu entusiasmo é uma demonstração eloquente da falta de substância no discurso oposicionista. Nesses doze anos, limitaram-se a brandir um anacrônico “delenda PT” em vez de buscar o discurso novo.

*****

Nem se pense que do lado do PT houve alguma inovação.

As manifestações de junho de 2013 poderiam ter sido um presente para o partido e para Dilma. Com mais de um ano de antecedência, vinha o aviso das ruas: o povo já tem pão, já tem escola, já tem luz; falta participação.

*****

Sabia-se que, fechado o ciclo de inclusão – promovido pelas políticas sociais de Lula e Dilma – apareceria em cena um novo cidadão, mais exigente em relação aos serviços públicos, mais consciente em relação aos seus próprios direitos, mais cético em relação às instituições convencionais da democracia representativa.

*****

A onda Marina Silva é a comprovação maior de como os partidos – tanto o PT quanto o PSDB – afastaram-se dos intelectuais e do sentimento das ruas.

Hoje em dia, é comum ouvir de líderes partidários críticas a Dilma, por não ter interpretado devidamente o sentimento das ruas. Mas o próprio PT tratou a insatisfação popular como uma tentativa de golpe ou da direita ou de grupos de extrema esquerda. Quem ousasse dar legitimidade à insatisfação das ruas era execrado. Julgaram que o novo cidadão ainda levaria alguns anos para emergir. Não tiveram o menor sentimento de urgência.

Aliás, não conseguiram sequer divulgar – até agora – avanços inegáveis que aconteceram em diversas políticas públicas.

*****

Do lado do PSDB, nem se diga. Desde Mário Covas o partido perdeu totalmente o sentimento de povo. As manifestações de junho mereceram apenas algumas análises óbvias de FHC e nenhuma forma de ação.

*****

Com essa insensibilidade ampla, a bandeira do aprofundamento democrático e da democracia digital ficou exclusiva de Marina Silva – fortalecida pela demonização da política patrocinada esses anos todos pelos grupos de mídia.

Um eventual governo Marina Silva é um enorme risco para o país. Analistas já comparam a Jânio Quadros e Fernando Collor – pelo isolamento, pela falta de estrutura partidária, pela ausência de jogo de cintura para tratar com os políticos e pela falta de um projeto mais amplo de país.

Dilma e Aécio representam propostas de política econômica claras e conhecidas. Já Marina é cercada por grupos absolutamente heterogêneos, onde despontam desde “operadores” de mercado (no pior sentido), como André Lara Rezende, a um certo empresariado industrial paulista mais moderno, os nacionalistas do PSB, e ONGs do setor privado, de boa reputação. Juntos, não formam um projeto.

Mais que isso, sobre essa orquestra disforme paira a personalidade de Marina.

É imensamente mais teimosa e menos preparada que Dilma. Tem muito menos habilidade política e capacidade de escolha de equipe que Aécio.


O crescimento de sua candidatura não se trata de um fogo fátuo, como tantos outros da história recente do país. Que a onda irá refluir, não se tenha dúvida. Não se sabe apenas se refluirá antes de terminadas as eleições.

Mas sua eleição é inegavelmente uma aposta de altíssimo risco."

Eleições: o papel das pesquisas, da mídia, dos programas eleitorais, dos debates e o espaço dos jovens

Celulares na mão, jovens empurram Marina

Por Luiz Carlos Azenha, no blog Viomundo:

Primeiro, as advertências: em 2010, por um bom tempo, Celso Russomano acreditava estar a caminho de se eleger prefeito de São Paulo.

Recuando um pouco mais no tempo, nos anos 80, em São Paulo, eu participei pessoalmente de um dos maiores vexames já dados no Brasil por uma empresa de pesquisas. Da redação da Folha de S. Paulo, na Barão de Limeira, anunciei pessoalmente, ao vivo, na TV Manchete, o resultado da pesquisa de boca-de-urna do Datafolha que dava vitória de Fernando Henrique Cardoso sobre Jânio Quadros na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Jânio venceu com 4% de vantagem. Narrei este episódio aqui.

O que quero dizer é que os quadros eleitorais são altamente fluidos e que as pesquisas de opinião, pelo menos as que não são feitas de má fé, também erram muito. Para ler sobre um pesquisa maldosa, de encomenda, feita para influenciar as eleições na Venezuela, clique aqui.

Dito isso, é preciso considerar que o Brasil é um país extremamente provinciano. Todas as mais importantes emissoras de televisão do país estão sediadas no eixo São Paulo-Rio de Janeiro. Assim é com os grandes jornais. Com a academia, menos agora, mas USP, Unicamp e PUC do Rio continuam ocupando um espaço desigual na formulação do pensamento econômico. Os jornalistas dos aquários, porta-vozes dos patrões, formam uma imensa panela, que fica exposta quando a Veja publica uma resenha elogiosa de um jornalista da Globo, que retribui convidando o jornalista da Veja para uma entrevista na TV.

Todos pontuam desde estes supostos centros irradiadores de opinião como se não houvesse mais Brasil. Outro Brasil. Muitos Brasis.

O ex-presidente Lula entendeu isso. Derivou da constatação a política adotada por ele de distribuir para um maior número de veículos, de todo o país, a publicidade oficial. Foi resultado disso, também, a ênfase dele e, posteriormente, de Dilma, nas entrevistas às rádios do interior.

O erro dos estrategistas do Planalto foi não considerar que havia e continua existindo uma matriz a partir da qual as notícias se disseminam em território nacional: Organizações Globo, grupos Folha, Abril e Estadão, muitas vezes atuando de forma conjunta. Como já escrevi anteriormente - nadando contra a corrente, diga-se - as redes sociais aumentaram, não diminuíram o poder destes grupos. Eles foram capazes, por seu alcance, de mobilizar milhões de usuários das redes sociais para reproduzir seu conteúdo, de graça. O contraponto da blogosfera também se fortaleceu, mas em menor escala.

Há mais de dez anos estas grandes corporações investem no discurso antipolítica. Este discurso as fortalece, na medida em que os barões da mídia podem extrair maiores concessões da iniciativa privada e de todos os poderes da República. Como? Por exemplo, atacando uma empresa que se negue a fazer campanhas publicitárias. Atacando um governo que contrarie interesses dos patrocinadores.Promovendo mutirões investigativos - como o que assistimos contra a Petrobras - com o objetivo de obter lucro direto ou indireto com a privatização do patrimônio público.

“Política é corrupção, todos os políticos são corruptos, o Congresso deveria ser bombardeado” — estas ideias foram incorporadas quase que naturalmente ao discurso dos brasileiros. O objetivo original do consórcio midiático era, naturalmente, tirar do poder governos voltados para reduzir a imensa desigualdade social do Brasil - ainda que cheios de defeitos, montados sobre alianças esdrúxulas e com uma boa dose de corrupção.

É fundamental, aqui, considerar o tratamento desigual dado aos casos de corrupção: os mensalões do DEM e do PSDB, hoje, nem parece que aconteceram, assim como o bilionário desfalque do trensalão em São Paulo, sem considerar casos mais graves e remotos, como a criminosa privatização da Companhia Vale do Rio Doce.

O fenômeno de Marina Silva é caudatário disso. Ela é a papisa da antipolítica, que inclui mas não abrange apenas o antipetismo. A essa altura, o fenômeno é semelhante à onda que levou Jânio Quadros a derrotar o favorito pelo controle da Prefeitura de São Paulo, que descrevi acima. Naquela ocasião, FHC contava com apoio majoritário e algumas vezes escandaloso da mídia. Jânio não dava entrevistas à Globo, por exemplo. Abertamente com ele, só a rádio Jovem Pan, que promovia pesquisas não científicas, com entrevistas de pessoas nas ruas. Pesquisas que, naturalmente, apontavam o petebista como provável vencedor.

Ou seja, foi uma onda do boca-a-boca, fora dos meios de comunicação convencionais, quase um protesto contra o partido que pretendia submeter São Paulo “ao candidato da Sorbonne”, como dizia Jânio, quando ele era produto legítimo do bairro de classe média baixa da Vila Maria.

Em 2010, eu estava em Manaus na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais, quando ainda havia dúvidas se Dilma venceria ou não no primeiro turno. Estava em um lugar público quando testemunhei jovens engajados em levar a eleição para o segundo turno. Todos falavam em Marina. Era uma espécie de onda, de febre de última hora.

Em minha opinião, “fenômenos” como as manifestações de 2013 e ondas eleitorais como a deste momento continuam pegando de surpresa os próprios partidos, os “especialistas” e a “opinião publicada” por conta da desconexão entre os Brasis a que me referi acima.

A mídia que nos “forma e informa”, com seus repórteres e articulistas extremamente concentrados no eixo do Rio-São Paulo-Brasília, não conhece ou demora a reconhecer o país dos jovens brasileiros, conectados entre si por seus telefones celulares e facebooks, mas desconectados de partidos, sindicatos e outras instituições.

Cerca de 35% do eleitorado brasileiro tem menos de 30 anos de idade. É gente que não experimentou a ditadura militar na pele, tem vaga lembrança da inflação descontrolada dos tempos de José Sarney no Planalto, não viveu o desastre resultante da aventura de Fernando Collor e seu Partido da Reconstrução Nacional (PRN). É gente que, ainda que tenha tirado proveito dos programas sociais do governo Lula - que reduziram a desigualdade e promoveram o consumismo - fez isso de forma despolitizada, em contato com as eleições quando muito através daquela “chatice” que consideram a propaganda eleitoral obrigatória, de dois em dois anos.

Estes jovens são politicamente voláteis, querem mudanças e, por conta da habilidade com as redes sociais, exercem uma influência sobre o eleitorado que nunca exerceram no passado. Na casa de dona Irla, em Itapajé, no interior do Ceará - modesta, de três cômodos, que sempre teve TV mas só agora tem geladeira de verdade - são os filhos conectados à internet que trazem as informações para dentro de casa, para os mais velhos da família. São eles que ensinam os pais a lidar com o celular e a montar uma página no Facebook. São eles que trocam mensagens, links, indicam vídeos e dizem que o filho do Lula é o dono da Friboi.

Estes jovens foram intensamente bombardeados pela propaganda “antipolítica” em anos recentes. Talvez não saibam absolutamente nada sobre os planos e projetos de Marina Silva, mas pouco importa. Ela é de origem humilde, evangélica - sinal, para muitos, de que leva a religião a sério - e, acima de tudo, “nova”, ainda não contaminada. É o voto de protesto. É o “Cacareco” do século 21, aquele rinoceronte do zoológico de São Paulo que recebeu um recorde de votos para a Câmara Municipal, no final dos anos 50.

O curioso é que, diante de tantas pesquisas qualitativas, milionárias, Dilma apareça com estes jovens de forma quase institucional em sua propaganda, separada por grades, embora rompa a barreira geracional com os selfies em que posa ao lado de muitos deles. Também é curioso que Aécio Neves, que se pretende candidato da mudança, tenha sido mostrado em seu primeiro programa de terno escuro, distante, oficial, como se precisasse antes de tudo provar sua seriedade.

Quando convidei petistas a refletirem profundamente sobre a irupção das ruas em 2013 - e não a criminalizá-la, atribuindo tudo a “coxinhas” - era justamente no sentido de tentar entender o que move estes jovens. Com certeza, é uma resposta complexa e repleta de nuances. Talvez nem a propaganda eleitoral, nem os debates entre os candidatos, nesta campanha de 2014, sejam suficientes para movê-los de forma maciça em outra direção. Duvido que muitos deles estejam na audiência.

A eleição de 2014, como alertei no primeiro parágrafo, está longe de ser definida. Quando muito, há tendências fortes: Dilma x Marina no segundo turno parece uma forte possibilidade.

Nos Estados Unidos, em 2008, quando Barack Obama se elegeu pela primeira vez, as novas tecnologias foram essenciais para promover a “mudança na qual se pode confiar”, especialmente com a arrecadação de campanha e a arregimentação de milhares de voluntários. Obama apostou quase todas as fichas no entusiasmo e no idealismo da molecada. Lembro-me que Obama fez mais de um evento de campanha em que se reunia num anfiteatro, cercado por jovens, para compartilhar ideias e sugestões com eles. Desceu da tribuna. Arregaçou as mangas. Ouviu. A ideia era se desfazer da tradicional hierarquia que tanto afasta os mais jovens da política institucional. Obama certamente frustrou muitos de seus apoiadores iniciais. Mais tarde, revelou-se mais do mesmo.

No Brasil, o que me parece extremamente curioso é que nem Dilma, nem Aécio, que exerceram cargos executivos simultaneamente, tenham se dado conta das mudanças que, cada um a seu jeito, ajudaram a promover no Brasil. Às vezes parece que se acostumaram ou foram consumidos apenas pela política dos bastidores.

Temos, ainda, um longo mês de campanha pela frente. Quase com certeza, outro tanto antecedendo o segundo turno. Pelo menos hoje, ambos são candidatos a reviver, do lado perdedor, 1989. Para o Brasil, com os mesmos riscos envolvidos 25 anos atrás.

PS do Viomundo: Só agora, depois de ter publicado o texto, soube da promessa feita hoje por Aécio Neves. Segundo a Reuters, “em mais um gesto de popularização de sua campanha, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, anunciou um programa social que prevê o pagamento de um salário mínimo para que jovens de 18 a 29 anos voltem as escolas para completar os ensinos fundamental e médio. O tucano afirmou que há no Brasil cerca de 20 milhões de jovens com ensino médio e fundamental incompletos (11 milhões no fundamental e 9 milhões no médio) que precisam melhorar o nível de estudo para ter mais chances de ingressar no mercado de trabalho”. Pois é, brasileiros entre 18 e 29 anos de idade…