23 de agosto de 2014

Os Mercenários e a minha nostalgia


O longa "Os Mercenários 3" teve seu lançamento mundial ontem.
É um filme de ação como tantos outros, ótima para quem gosta do estilo.
Mas para muitos - eu, por exemplo - funciona também como uma viagem no tempo.
Da adolescência nos anos 1970 à juventude nos anos 1980.
Meio nostálgico e ao mesmo tempo muito legal.
É que estão no filme (alguns com a minha idade, outros mais velhos) os mesmos atores que eu acompanhava naqueles tempos.
Bom vê-los inteiros por volta dos 60 anos e um pouco melancólico sentir como o tempo e a vida passam tão rápido.
Que todos nós, junto com Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Harrison Ford, Mel Gibson, Wesley Snipes, Antonio Banderas, Dolph Lundgren, etc., tenhamos saúde e que fiquemos por aqui por muitos anos, "mercenários" do bem.



"Anos atrás, o grupo dos mercenários foi fundado por Barney e Conrad Stonebanks. Entretanto, Conrad se tornou um comerciante de armas inescrupuloso e, por causa de suas atividades ilegais, Barney foi obrigado a matá-lo. O que ele não sabia era que Conrad tinha sobrevivido e, anos depois, retornaria para se vingar do antigo colega."

22 de agosto de 2014

Falta inventar alguma coisa na política brasileira? Ou: começando a conhecer os bastidores da candidatura Marina Silva


Antes de votar em Marina, você precisa conhecer Neca – e fazer a pergunta de R$ 18 bilhões
Por André Forasteri
"Você precisa conhecer Neca. Ela é a coordenadora do programa de governo de Marina Silva, pela Rede Sustentabilidade, ao lado de Mauricio Rands, do PSB. O documento será divulgado na semana que vem, 250 páginas consensadas por Marina e Eduardo Campos. Educadora, com longo histórico de obras sociais, Neca conheceu Marina em 2007. É uma das idealizadoras e principais captadoras de recursos da Rede Sustentabilidade.

Sua importância na campanha e no partido de Marina Silva já seria boa razão para o eleitor conhecê-la melhor. Ainda mais após a morte de Eduardo Campos. Mas há uma razão bem maior. Neca é o apelido que Maria Alice Setúbal carrega da infância. Ela é acionista da holding Itausa. Você pode conferir a participação dela neste documento do Bovespa. Ela tem 1,29% do capital total. Parece pouco, mas o valor de mercado da Itausa no dia de ontem era R$ 61,4 bilhões. A participação de Maria Alice vale algo perto de R$ 792 milhões.

A Itausa controla o banco Itaú Unibanco, o banco de investimentos Itaú BBA, e as empresas Duratex (de painéis de madeira e também metais sanitários, da marca Deca), a Itautec (hardware e software) e a Elekeiroz (gás). Neca herdou sua participação do pai, Olavo Setúbal, empresário e político. Foi prefeito de São Paulo, indicado por Paulo Maluf, e ministro das relações exteriores do governo Sarney. Olavo morreu em 2008. O Itaú doou um milhão de reais para a campanha de Marina Silva em 2010 (leia mais aqui).

Em agosto de 2013 - portanto, no governo Dilma Rousseff - a Receita Federal autuou o Itaú Unibanco. Segundo a Receita, o Itaú deve uma fortuna em impostos. Seriam R$ 18,7 bilhões, relativos à fusão do Itaú com o Unibanco, em 2008. O Itaú deveria ter recolhido R$ 11,8 bilhões em Imposto de Renda e R$ 6,8 bilhões em Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A Receita somou multa e juros.

R$ 18 bilhões é muito dinheiro. É difícil imaginar que a Receita tirou um valor desse tamanho do nada. É difícil imaginar uma empresa pagando uma multa que seja um terço disso. Mas embora o economista-chefe do Itaú esteja hoje no jornal dizendo que o Brasil viveu um primeiro semestre de "estagnação", o Itaú Unibanco lucrou R$ 4,9 bilhões no segundo trimestre de 2014, uma alta de 36,7%. No primeiro semestre, o lucro líquido atingiu R$ 9,318 bilhões, um aumento de 32,1% em relação ao primeiro semestre de 2013. O Unibanco vai muitíssimo bem. E gera, sim, lucro para pagar os impostos e multa devidos - ainda que em prestações.

A autuação da Receita foi confirmada em 30 de janeiro de 2014 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O Itaú informou que iria recorrer desta decisão junto ao Conselho Administrativo de Recursos fiscais. Na época da autuação, e novamente em janeiro, o Itaú informou que considerava  "remota" a hipótese de ter de pagar os impostos devidos e a multa. Mandei um email hoje para a área de comunicação do Itaú Unibanco perguntando se o banco está questionando legalmente a autuação, e pedindo detalhes da situação. A resposta foi: "Não vamos comentar."

O programa de governo de Marina Silva, que leva a assinatura de Maria Alice Setúbal, merece uma leitura muito atenta, à luz de sua participação acionária no Itaú. Um ano atrás, em entrevista ao Valor, Neca Setúbal foi perguntada se participaria de um eventual governo de Marina. Sua resposta: "Supondo que Marina ganhe, eu estarei junto, mas não sei como. Talvez eu preferisse não estar em um cargo formal, mas em algo que eu tivesse um pouco mais de flexibilidade."

Formal ou informal, é muito forte a relação entre Neca e Marina. Uma presidenta não tem poder para simplesmente anular uma autuação da Receita. Mas tem influência. E quem tem influência sobre a presidenta, tem muito poder também. Neca Setúbal já nasceu com muito poder econômico, que continua exercendo. Agora, pode ter muito poder político. É um caso de conflito de interesses? Essa é a pergunta que vale R$ 18,7 bilhões de reais."

Fonte: Portal R7

P.S. do blog Viomundo (Luiz Carlos Azenha): "Êta Brasil velho de guerra. A candidata do Partido Socialista Brasileiro (PSB) se junta com a banqueira que, em entrevista à Folha, prega autonomia do Banco Central, ou seja, que o Banco Central responda a banqueiros como ela e não à soberania popular, que é a base da ideia socialista. Falta inventar alguma coisa na política brasileira?"

Lula: rompendo um tabu de décadas e falando a verdade sobre as mentiras da mídia

Ontem eu vi uma "análise econômica" no Jornal das Dez que mostrava que o número de carteiras assinadas em julho foi o menor dos últimos anos comparado aos outros mêses de julho.
Foi dado como um fator ruim, negativo.
O fato na verdade é o contrário. Se o país vive um momento de praticamente pleno emprego, como pode aumentar o número de carteiras assinadas? Pois está quase todo mundo com carteira assinada!
Ou seja, pela milionésima vez transformaram um fato positivo em negativo.
Ainda bem que temos (pelo menos neste momento), o horário eleitoral para que Dilma (e Lula) possam mostrar a verdade para todos.

Lula na TV: imprensa é partido de oposição
Por Miguel do Rosário
Lula rompe o tabu de décadas de democracia amedrontada pela Globo.

Em pleno horário nobre, diante de milhões de espectadores, o ex-presidente defende Dilma e diz que ela sofreu uma terrível campanha negativa, de uma "certa imprensa, que se tornou o principal partido de oposição no Brasil".

A gente já sabia disso.

Lula agora está informando o povo.

Eu separei os 32 segundos históricos, em que, pela primeira vez na televisão, em horário nobre, um político importante, popular, criticou abertamente a postura antidemocrática e sabotadora da imprensa brasileira.

Com exceção de Brizola, claro! Mas aí era ainda uma briga local (apesar da grande repercussão nacional). E só recentemente a esquerda passou a ver a mídia cartelizada como ela realmente é: a principal força antitrabalhista do país.



Fonte: O Cafezinho

Dilma mostra o que o PiG esconde | Conversa Afiada

Dilma mostra o que o PiG esconde | Conversa Afiada

Musa da Semana: Carol Muniz

(*) Aviso: Post indicado apenas para maiores de 18 anos.
Ela é baiana.
De Salvador.
Soteropolitana.
Tem 28 anos.
Foi a destaque da Revista Sexy do mês passado.
É bailarina.
É modelo.
Trabalha atualmente na Rede TV.
Programa "Você na TV".
Detalhes...
Uma morena a ser admirada com o máximo de respeito por todos nós.
Seu nome é Carol Muniz.
Será que tem algum parentesco com o titular de nosso blog?
Caro amigo Luiz Felipe Muniz, se for sua parente, nos apresente!









 

21 de agosto de 2014

Marina e o PSdB. Crise? Que crise? Quem manda é ela seguindo os ditames neoliberais e não do PSB histórico

Alguém aí ainda tem dúvida de que lado (direita neoliberal ou esquerda) a Marina está? A imprensa PIG está em festa.
O PSB agora é o PSdB. Ou PSDB volume 2.



Antes de começar, campanha de Marina entra em crise
Por Ricardo Kotscho
"Não deu outra. Bem que avisei, desde o primeiro dia, que isso não daria certo. Antes mesmo de começar a campanha, no dia em que foi ungida candidata a presidente pelo PSB, Marina Silva abriu a primeira grande crise na estranha aliança ambientalista-socialista, ao bater de frente com o pessebista histórico Carlos Siqueira, que era uma espécie de José Dirceu de Eduardo Campos, coordenador-geral da campanha presidencial do ex-governador pernambucano, que morreu num acidente aéreo na semana passada. Como escrevi aqui outro dia, o mundo de Marina se divide entre quem manda e quem obedece. Quem manda é ela. Siqueira não obedeceu e já caiu fora.

"Não tenho mágoa nenhuma dela, apenas acho que quando se está numa instituição como hospedeira, como ela é, tem que respeitar a instituição, não se pode querer mandar na instituição. Ela que vá mandar na Rede dela, porque, no PSB, mandamos nós", desabafou o ex-chefe da campanha de Eduardo nesta quinta-feira, ao deixar a reunião do PSB com partidos coligados, em Brasília, para oficializar a nova chapa presidencial.

O que todo mundo já sabia, mas era escondido pela grande imprensa familiar, que queria garantir um segundo turno na eleição presidencial, Siqueira botou para fora a guerra surda da aliança de Eduardo com Marina: "Acho que ela não representa o legado de Campos. Eu não vou fazer campanha pra ela porque eles eram muito diferentes, politicamente, ideologicamente, em todos os sentidos."

Para o lugar de Siqueira, Marina autocraticamente nomeou Walter Feldman, seu fiel aliado, fundador do PSDB e secretário de vários governos tucanos. O último cargo público que ocupou, antes de trocar o PSDB pelo PSB, quando ajudava Marina a criar a Rede Sustentabilidade, que não deu certo, foi o de "Secretário Especial de Articulação de Grandes Eventos" da Prefeitura de São Paulo. Alguém pode imaginar o que seria isso?

Tratava-se de uma bela mordomia em Londres, que durou seis meses e foi custeada pelos nossos impostos, em que Feldman foi encarregado de acompanhar as Olimpíadas na Inglaterra para dar sugestões à Prefeitura de São Paulo, na época comandada por Gilberto Kassab, sucessor e aliado do tucano José Serra. Como as próximas Olimpíadas serão sediadas no Rio, e não em São Paulo, ninguém entendeu até agora qual era o objetivo da sinecura de Feldman em Londres. É desse tipo de gente que Marina está cercada, incluindo herdeiras de bancos, economistas tucanos e altos empresários de cosméticos.

Em seu relatório final sobre seu trabalho em Londres entregue à prefeitura de São Paulo, Feldman concluiu com o seguinte ensinamento, no melhor estilo Marina Silva: "As atividades que envolvem um grande contingente populacional devem ter toda a área de prevenção e análise de riscos, planejamento, agregação e uma retaguarda especializada, com experiência internacional, para monitorar, dar suporte e formar uma rede de ação, a qual, desenvolvida em São Paulo, deverá atuar como fio condutor para o Brasil". Maravilha!

Entenderam? Pois é isso que nos espera nas propostas a serem apresentadas por Marina Silva na campanha presidencial, a julgar pelas ininteligíveis propostas que a candidata e seus fiéis seguidores apresentaram até agora. Salve-se quem puder,  ou quem tiver juízo."
Fonte: Balaio do Kotscho

Marina Silva e o "apagão"

Marina e o apagão
Marina fala do que não entende
Por Paulo Moreira Leite

Marina Silva entrou na campanha batendo em Dilma Rousseff. Em sua primeira entrevista depois que o PSB oficializou a candidatura, ela foi para cima da presidente:

“É lamentável que tenhamos desde 2002 a ameaça de apagão. Eu digo lamentável porque nós temos há 12 anos a mesma pessoa à frente da política energética do nosso país, inicialmente como ministra (de Minas e Energia), depois como chefe da Casa Civil e agora como presidente da República”.

Compreensivelmente em busca de espaço na campanha, Marina mostrou-se desatualizada em matéria de fantasmas criados pela oposição para tentar colocar o governo na defensiva.

O “apagão” foi uma miragem que veio depois do fantasma da hiper-inflação e antes da Copa que não ia acontecer. Era simples factoide, destinado a criar uma ambiente de pessimismo artificial, num país que está longe, muito longe, de ser uma nação sem problemas - mas onde se vive o mais baixo desemprego da história, onde os mais pobres realizaram conquistas inegáveis, inclusive na instalação de luz elétrica, que hoje só não atinge absolutamente 100% de todas as residências porque sempre haverão aqueles lugares perdidos e distantes num país imenso.

O que se procurava, com o fantasma número 2, era nivelar a gestão Lula-Dilma com o governo FHC no qual ocorreram, efetivamente, o governo foi obrigado a organizar um racionamento de energia, produto de uma visão política que não compreendia a necessidade do Brasil crescer e não tomou, é claro, as providências que tornariam isso possível.

O desagradável, no caso, é que a crítica de Marina ajuda a encobrir seu próprio papel nessa história. Como ministra do Meio ambiente, ela fez o possível para atrapalhar o esforço legítimo do governo Lula para garantir o suprimento de energia que permite a uma pessoa assistir TV, tomar banho quente, ligar o computador e até ler um livro à noite - ter acesso a civilização, enfim.
Se é possível apontar falha de projeto aqui, uma decisão errada ali na atuação de qualquer autoridade, em qualquer época, a atuação de Marina leva a outro balanço no campo de energia. Consistiu em impedir investimentos que iriam ajudar os brasileiros pobres, desamparados, a vencer atrasos históricos.
Apoiada numa visão excludente do meio ambiente, pela qual o progresso social pode ser sacrificado em nome da preservação ambiental, sua passagem de cinco anos pelo ministério do Meio Ambiente foi orientada em grande medida para combater a construção de hidrelétricas importantes, responsáveis pela energia mais limpa que se conhece. Se a obras não foram impedidas, foi porque ela não tinha força para isso. Não era apoiada pela maioria dos ministros nem por Lula. Mas Marina fez o possível para atrasar projetos, adiar licitações. Derrotada nas questões de mérito, dava espaço para entreves burocráticos. Jogou duro contra Santo Antônio que, ao lado de Jirau, elevou em 10% o potencial energético do país.
Terceira maior usina do mundo, construída após demoradas negociações e inúmeras concessões ambientais, que reduziram em larga medida seu potencial energético original, Belo Monte, terceira maior usina do mundo, só pode seguir em bom ritmo depois que ela deixou do governo. Nunca deixou de fazer uma campanha permanente contra a construção de Angra 3 e de outras usinas nucleares, principal fonte de energia em países cujo padrão de vida são exemplo para o mundo, como França e Alemanha.

Sete anos depois de deixar o governo Lula, Marina quer mais energia. Em vez de cobrar, seria mais honesto fazer uma autocrítica, certo?

Fonte: Blog do Paulo Moreira Leite

Sobre o autor: Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília. É também autor do livro "A Outra História do Mensalão". Foi correspondente em Paris e Washington e ocupou postos de direção na VEJA, IstoÉ e Época. Também escreveu "A Mulher que Era o General da Casa".

Petrobras: Esclarecimento sobre movimentação patrimonial

"A Petrobras refuta veementemente a informação de que a presidente Graça Foster tenha feito qualquer movimentação patrimonial com o intuito de burlar a decisão do TCU tomada no dia 23 de julho de 2014 que declarou a indisponibilidade de bens de gestores e ex-gestores da companhia.

Vale ressaltar que, na referida  decisão do TCU, a presidente Graça Foster não estava incluída dentre as pessoas nominadas no Acórdão como potenciais responsáveis por supostos danos ao patrimônio da companhia, os quais ainda serão apurados no âmbito de Tomada de Contas Especial, no mesmo Tribunal.

Documentos pessoais da presidente da companhia comprovam que, desde junho de 2013, ela já vinha providenciando a documentação necessária para a lavratura das Escrituras de Doação de Bens Imóveis aos seus filhos com Cláusula de Usufruto. É importante frisar que doações de bens são atos legítimos, previstos em lei e objetivam evitar futuros conflitos entre herdeiros.

Esses procedimentos foram: avaliações dos imóveis, obtenção de certidões, verificação do valor dos custos e tributos incidentes, elaboração das minutas das escrituras e sua posterior formalização, bem como os competentes registros imobiliários, culminando todos esses atos em 20 de março e 9 de abril de 2014."

Humor de Quinta: Adnet, os (ex)pobres e as eleições

Essa é do final do 2010.
Continua bem atual...


20 de agosto de 2014

O twitter do Bonner contra os "robôs", "corruptos" e "blogueiros sujos" e o artigo do Luiz Carlos Azenha


Publicitário William Bonner, nosso Lou Dobbs, mostra que é bom de marketing
por Luiz Carlos Azenha

"Por um tempo Carlos Nascimento alimentou a ideia de que se tornaria âncora do Jornal Nacional. Na minha primeira passagem pela emissora, nos anos 80, acompanhei de perto a trajetória dele. Boa presença no vídeo, boa voz e, acima de tudo, experiência na rua. É conversando com as pessoas, no dia-a-dia, que nascem os bons entrevistadores. O mesmo aconteceu com Ana Paula Padrão, com quem só tive contato muito mais tarde, na TV Record. Foi correspondente, interagiu com entrevistados mundo afora.

Do casal 20 da Globo se dizia o seguinte, na minha segunda passagem pela Globo, no Rio de Janeiro, a partir de 1999: Fátima Bernardes tinha chacoalhado nas viaturas, amassado barro e subido morro. William Bonner, não. Tive pouco contato com ele. Ao analisar as reportagens que seriam exibidas no Jornal Nacional, aprovadas pessoalmente por ele, Bonner era preciosista, focava nos detalhes.

Havia um toque de masoquismo naquele ritual de espera diário na redação: o imperador diria sim ou não ao seu trabalho!

Escapava-lhe a contextualização. O foco no subsidiário — na gramática, por exemplo — permitia que não se discutisse o essencial.

Talvez seja um mecanismo de defesa. Na Globo o profissional tem autonomia até a página 2. A estrutura é altamente hierarquizada. Até as entradas ao vivo são aprovadas antecipadamente, ou pelo menos eram quando eu estava lá. A margem de manobra dos repórteres é reduzidíssima.

Só ascendem a cargos de chefia — o de Bonner é um deles — os que são de extrema confiança do patrão. Por comparação, em outras emissoras nas quais trabalhei as reclamações sempre foram posteriores: Manchete, SBT e Record. “Ah, o Azenha não deveria ter dito aquilo que disse”, um chefe eventualmente observa. Mas, no frigir dos ovos, quem manda mesmo é o dono. É o patrão — ou seus prepostos.

William Bonner tem a mesma alma matter que eu: a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Formou-se em Publicidade e Propaganda. Outros repórteres da Globo, como Alberto Gaspar e Ernesto Paglia, foram meus contemporâneos na faculdade de Jornalismo.

A ECA era uma boa escola, de professores e estudantes questionadores, que foi se voltando aos poucos para servir “ao mercado”. Acho uma perda. Escrever bem ou aparecer direito na TV a gente pode aprender aos poucos, nas ruas, ganhando experiência. Mas a formação em História, Filosofia, Lógica e Ciências Sociais, dentre outras disciplinas, essa não tem preço. É a alma do Jornalismo. É o espírito crítico.

No caso de Bonner, no entanto, a formação em Publicidade e Propaganda parece ter muita solidez.

Às críticas que recebeu nas últimas horas ele respondeu com uma mensagem de deixar qualquer marqueteiro encantado: no twitter, em uma só frase, juntou robôs (deve ter se inspirado na famosa reportagem de Veja, que ao ser pega em conluio jornalístico com o bicheiro Carlinhos Cachoeira atacou ‘aranhas, robôs e comunistas’), corruptos insatisfeitos e blogueiros sujos (adotando, aqui, designação formulada por um dos grandes amigos dos patrões da Globo, o candidato a senador José Serra).

Como bom marqueteiro, Bonner desqualificou as críticas que recebeu ligando-as a  gente previamente criminalizada pela mídia. Não debateu o mérito.

Abandonou o preciosismo que é sua marca, de forma oportunista.

Um preciosismo do qual ele se vale muitas vezes para julgar o trabalho de colegas.

O preciosismo que ele tanto ama e que, nas últimas horas, foi expresso de forma estatística na rede:



Ou, de Ricardo Amaral, no Conversa Afiada:

Dos 16 minutos cronometrados [da entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo], Dilma falou 10 minutos e meio; [o apresentador William] Bonner, 4 e meio, e Patrícia [Poeta, a apresentadora] quase 1 minuto. Dá 65% para ela e 35% para eles. Dilma pronunciou 1.383 palavras, contra 980 da dupla (766 só do Bonner), o que dá 60% x 40%. Isso é escore de debate, não de entrevista. A dupla encaixou 26 acusações ao governo e ao PT; algumas, com ponto de exclamação. Nos quatro blocos temáticos (corrupção, mensalão, saúde e economia) Bonner lançou no ar 13 pontos de interrogação, e Patrícia, dois. A presidenta foi interrompida 19 vezes. Tomou dedo na cara de Bonner e de Patrícia, que reclamou de uma resposta com um soquinho na mesa. Isso não é comportamento de jornalista. Na entrevista com Aécio Neves – que muitos acharam “dura”, embora tenha sido apenas previsível – a dupla fez quatro interrupções e cinco reiterações de perguntas.

Ou, da Márcia Cunha, no Facebook, reproduzindo a Mídia Ninja:

O tom inquisidor de William Bonner na entrevista com Dilma no Jornal Nacional de hoje mostrou, em alguns minutos, como a imprensa brasileira atua há séculos para criar e manipular suas verdades. Na primeira pergunta, com mais de um minuto de duração, o âncora usou sete vezes a frase “Escandalo de Corrupção”. É pela repetição, aquela mesma usada pelo publicitário do nazismo Joseph Goebbels, que se funda a percepção da realidade.

Quando eu, Azenha, era um repórter já maduro na TV, tive o prazer de conviver, na excelente redação do Globo Repórter — acreditem, a Globo tem excelentes profissionais, de altíssimo nível, que só não nomino para não colocá-los sob risco de demissão — com Ana Helena Gomes.

Uma editora de primeira categoria, uma documentarista sensível, ao mesmo tempo doce e ácida, como acredito que devam ser os jornalistas.

Numa viagem ao Nordeste, para gravar um Globo Repórter sobre poligamia, ela me chamou de lado e observou, usando mais ou menos as seguintes palavras: “Azenha, você está muito afoito. Está apertando demais o entrevistado. Querendo arrancar dele tudo na primeira pergunta. Colocado na defensiva, ele não vai revelar nada. Tem de ‘tourear’ o entrevistado. Fazer com que ele se sinta seguro ao seu lado. Uma boa entrevista é quando você envolve o entrevistado de tal forma que ele acabe se entregando”.

Sábias palavras. Obrigado, Ana Helena, pela sabedoria!

Nunca mais fui o mesmo. Obviamente, levei anos para aprender as lições básicas da entrevista, aprendendo cotidianamente com observações de colegas como Jotair Assad, Alexandre Alencar e Vanda Viveiros de Castro. Tentei absorver todas as críticas, mas nunca cheguei lá.

Admiro quem sabe fazê-lo quase que naturalmente, por um dom de nascença: os ex-globais Carlos Dornelles e Arnaldo Duran, por exemplo, ou o Gérson de Souza e o Caco Barcellos.

Os quatro são de tal forma envolventes que, depois de 15 minutos de conversa, você é capaz de comprar o carro usado deles por uma fortuna.

Nós, telejornalistas, somos tratados como repórteres de segunda classe pelo pessoal que trabalha em jornal e revista, que não precisa se preocupar com a captação de imagens e tem a garantia de anonimato para coletar informações. Nosso desafio, o dos telejornalistas, é conseguir arrancar alguma coisa do entrevistado com a presença intimidadora de uma grande equipe, de luzes e microfones.

É tarefa árdua, delicada, ainda mais quando exige que o entrevistador não apareça mais que o entrevistado. Pelo menos eu não confundo jornalismo agressivo com jornalismo agressor.

Barbara Walters, a grande entrevistadora da TV dos Estados Unidos, nunca, jamais, perdeu a linha. Era dura com uma leveza admirável. Tinha o dom.

Porém, em tempos mais recentes, com o desafio da internet, nosso meio mudou.

As emissoras querem telejornalistas que sejam, eles mesmos, personagens. Que sejam mais importantes que a própria notícia.

Nos Estados Unidos, isso não é novidade. Lou Dobbs, da CNN norte-americana, foi um dos primeiros âncoras a abraçar uma causa. Quando eu morava em Nova York, ouvia as diatribes diárias dele contra “the illegal alliens”, os alienígenas ilegais. Era como se todos os problemas sociais dos Estados Unidos fossem causados pela entrada de imigrantes mexicanos ou dominicanos. Justamente no momento em que o presidente direitista Ronald Reagan, este sim, destruia sindicatos, salários e direitos sociais. Com apoio da CNN.

Os imigrantes eram, portanto, alvo fácil, a “escória”, da mesma forma que hoje a direita brasileira elegeu “os corruptos” como nosso grande mal, desde que não sejam corruptos privados, como os irmãos Marinho, multados em 600 milhões de reais pela sonegação de impostos na compra dos direitos de TV nas Copas de 2002 e 2006.

Para assumir seu papel de herói da causa, nos Estados Unidos, Dobbs mascarava a realidade. Não contava toda a história.

Assim como Bonner não fala na multa da Globo, Dobbs escondia o contexto:

1. Com o acordo comercial fechado com os Estados Unidos, o NAFTA, o milho norte-americano e outros produtos agrícolas começaram a invadir o mercado mexicano, destruindo a agricultura local e acelerando a imigração;

2. Os imigrantes ilegais cumpriam, nos Estados Unidos, o papel de calibrar para baixo o salário dos trabalhadores em geral, especialmente os do campo.

Dobbs cumpriu direitinho o papel que o dono da CNN esperava dele, o de atrair telespectadores de extrema-direita, preocupados com o fato de que os brancos logo deixariam de ser maioria nos Estados Unidos, ameaçados pela demografia.

No Brasil, o compromisso de Bonner é o de “render” credibilidade ao jornalismo de seus patrões. É uma espécie de ‘caçador de marajás’ da própria casa.

Como escrevi anteriormente, Bonner faz isso para mascarar a verdade factual de que a Globo apoiou a ditadura militar, interferiu e interfere no processo eleitoral, atribui a si própria o papel de ‘árbitro’ da política brasileira — apesar de ter conspirado contra a democracia — e exerce um monopólio midiático praticamente desconhecido em qualquer parte do mundo.

Gente do Executivo, do Judiciário e do Legislativo brasileiros já se deu conta de que não poderá viver eternamente sob a ameaça do assassinato de caráter jornalístico praticado pelos Marinho.

Bonner é um biombo dos patrões para evitar que se faça com eles o que uma das mais sólidas democracias liberais do mundo, a do Reino Unido, fez com o magnata Rupert Murdoch. Com apoio da rainha “chavista” Elizabeth, foram colocados limites claros à atuação da mídia eletrônica, com direito dado ao telespectador de abrir investigações através de formulários na internet e previsão de penalidades inclusive para conteúdo desequilibrado.

No plano profissional, se estamos tratando exclusivamente de técnicas de entrevista, Bonner não deveria se preocupar com o fato de que se formou em Publicidade e Propaganda, não em Jornalismo na ECA.

Não devemos ser preconceituosos quanto a diplomas.

Talvez fosse o caso de Bonner revisitar os arquivos da própria Globo, para consultar todas aquelas entrevistas que fez como repórter de rua. A partir disso, de forma humilde, o imperador talvez reconhecesse que é possível melhorar. Ou será que ele nunca fez uma única e mísera reportagem de rua?"

Fonte: Viomundo

Trabalhar ao som de boa música

Vi isso essa matéria em um site e resolvi reproduzir aqui no blog.
A pesquisa foi conduzida pela empresa Sonos, especializada em sonorizar ambientes caseiros e empresariais com tecnologia wireless (sem fio). Aliás ótima tendência ao eliminar fios e amplificadores, centralizando o controle em um único local que pode ser um notebook, por exemplo. Nos ambientes, apenas uma ou duas caixas de som pequenas com controle de volume individual via controle remoto.
Mas trata-se de uma pesquisa superficial. Primeiro porque as respostas são para o mercado americano (não fala em MPB, por exemplo) e deixa de fora ambientes como escritórios administrativos, consultórios e hospitais. Sobre esses últimos tenho uma teoria de que determinadas músicas podem fazer bem aos pacientes, acelerando a resposta aos tratamentos, mesmo em ambientes mais críticos, do tipo UTI e centros cirúrgicos.
De qualquer forma, seguem as dicas.

Que tipo de música você deve escutar no trabalho
Você sabia? Ouvir música no trabalho aumenta a sua produtividade, melhora a concentração e ajuda a passar o tempo mais rápido. Segundo pesquisa, cada profissão tem um estilo de música específico que auxilia na realização das tarefas

"Ouvir música no trabalho não é permitido a todos, mas é realmente gratificante. Além de aumentar a produtividade no trabalho, ela também ajuda na concentração. No entanto a escolha da música errada pode sair pela culatra. Por isso é muito importante selecionar as músicas corretas para ouvir no trabalho.

Sabemos que a música tem efeitos diferentes em nosso corpo, tanto psicologicamente como emocionalmente e fisicamente. A verdade é que ouvir música nos dá prazer. Parece muito simples, mas por trás disso existe um processo complexo do trabalho cerebral, envolvendo os sentidos, memória e emoções.

De acordo com a pesquisa do site norte-americano Sonos the Wireless Hi-Fi System, existe um estilo de música diferente para cada tipo de emprego ou tarefa. O estudo analisou os níveis de produtividade de acordo com a profissão e estilo de música que os trabalhadores escutavam durante a execução de suas respectivas tarefas. Se você pode trabalhar ouvindo música, confira quais são os estilos corretos para o seu trabalho:

Se você trabalha com construção, carpintaria ou mecânica:
Ouvir rock clássico, hard rock, heavy metal ou ramos de metal. A música destes estilos irá mantê-lo motivado e com força para terminar o dia. Mas tente fazer isso em um volume alto o suficiente para que o ruído das ferramentas fique opaco. Não escute música clássica, barroca, ou ambiental.

Se você trabalha com atletismo, esportes ou cargos de liderança:
Ouça punk, punk-rock, rap, hip-hop ou rock and roll. Você precisa de músicas para levantar o seu humor e o de seus colegas. Nem pense em trabalhar ouvindo polca ou oldies.

Se você trabalha com o público em loja, bar e comércio em geral:
Trabalhando com pessoas você pode praticamente ouvir o estilo de música que quiser, afinal a ideai é agradar a todos. Você pode ouvir todos os tipos de rock clássico, indie, alternativo. Country, folk, eletrônica, techno, pop, jazz, reggae. O tipo de música vai depender do tipo de cliente. Não é recomendado ouvir punk, metal, rap ou hip-hop.

Se você trabalha com táxi, entrega ou transporte:
O recomendável é ouvir música barroca ou clássica, jazz, pop ou oldies. Recomenda-se também utilizar um volume permitindo escutar o som do ambiente, da cidade e os outros carros. Não é bom escutar estilos como metal, e punk porque eles podem gerar estresse.

Se o seu trabalho envolve criatividade, se você é um artista, escritor ou músico:

Escute música barroca e clássica de qualquer época, em geral, jazz, smooth jazz e música ambiente. A pesquisa sugere que esses estilos musicais ajudam a aumentar a concentração e a capacidade de foco das pessoas.

(*) Post publicado originalmente em setembro de 2012. Da série comemorativa dos cinco anos do blog, com complementos.

 Para trabalhos que envolvem criatividade, dica do nosso blog:


19 de agosto de 2014

Horário Eleitoral: análise do primeiro programa

Por Renato Rovai
"O programa eleitoral dos candidatos a presidente da República começou de forma muito surpreendente. O programa de Aécio Neves foi muito ruim. Bem abaixo das expectativas, sendo mais confuso e menos claro que os de Luciana Genro e Pastor Everaldo.

O tucano começou falando sobre Eduardo Campos e disse que a melhor forma de homenageá-lo era colocar em práticas suas ideias. Ou seja, só faltou dizer que a melhor forma de homenageá-lo era votar nele, Aécio. Disse que o Brasil de hoje é um país muito melhor do que o de décadas atrás, mas que essa realidade vem mudando e que as conquistas estão em risco. Que a inflação já está batendo na sua porta e entrando na sua casa. E que os empregos estão começando a desaparecer e o país está perdendo o rumo. Para finalizar, disse que aquilo que depende  dos próprios brasileiros está dando certo, mas o que depende do governo está dando errado.

Ou seja, Aécio vai apostar no discurso da crise. De que o país está no rumo errado e que precisa tocar o comando.

Isso não é exatamente uma novidade. Um candidato de oposição não pode ficar louvando a ação de quem está no cargo. Mas o tom do discurso parece ter passado do ponto. Afinal, a inflação está controlada, por exemplo, e não há uma crise de empregos.

O que mais surpreendeu no programa de Aécio foi a embalagem. As imagens pareciam toscas, quase amadoras. A narrativa também foi bem primária. E a fala do tucano não aparentava nem sinceridade e nem emoção. É muito estranho que isso tenha acontecido, até porque marqueteiros de alto nível trabalham com pesquisas qualitativas. Mas quem assistiu ao primeiro programa de TV de Serra em 2010 também deve se lembrar que ele foi bem fraco. Foi o programa do samba na laje com cenário fake no qual o candidato que era chamado de “Zé”.

Já o programa de Dilma não superou as expectativas, mas foi ao ponto do que parece ser a fraqueza da candidata, com uma linguagem clean e bem articulada. Começou dizendo que muita coisa aconteceu e que também muito havia acontecido sem que as pessoas tenham notado. Fica claro que durante o programa eleitoral o marketing de Dilma vai tentar mostrar aquilo que não foi bem comunicado durante seu governo. E de forma comparada. Por exemplo, o locutor fez questão de frisar que enquanto 60 milhões de empregos foram destruídos no exterior na maior crise internacional dos últimos tempos, no Brasil foram criados 11,9 milhões de empregos. E que neste período o país também fez um dos maiores conjuntos de obras de infraestrutura do mundo.

A mensagem é que o Brasil se preparou neste seu primeiro mandato para viver um novo ciclo de desenvolvimento. Este parece que vai ser o mote da campanha. E a presidenta será apresentada como “uma mulher que acorda cedo, trabalha muito, gosta de cozinhar, sente saudade da filha e do neto que mora longe. E que compartilha das esperanças do brasileiros”. Ou seja, como uma ser humano que vive os mesmos dilemas de um cidadão comum, mas que é obstinada.

Num dos momentos, Dilma diz: “Todo dia você tem que matar um leão e de certa forma subir e descer o Everest”. Por isso ela teria conseguido evitar que a crise internacional entrasse porta adentro da casa dos brasileiros. “Quem é pessimista não resolve, porque não dá o primeiro passo. Pessimista é a pessoa que desiste antes de começar”. Direto no ponto em relação à abordagem do programa de Aécio. Tudo isso num cenário bucólico, falando entre árvores, com som de pássaros ao fundo.

E o programa ainda teve Lula. Que disse que o segundo mandato dele foi bem melhor do que o primeiro. E que tem certeza de que com Dilma vai acontecer o mesmo. Ao final, depois do jingle que tem mensagens bem específicas para quem ainda não acha que a presidenta vá continuar, Lula voltou para falar sobre Eduardo Campos. “Tínhamos um afeto de pai e filho. Sua luta sempre foi e continuará sendo a nossa luta. Nós, nunca, jamais, vamos desistir do Brasil”.

A distância da qualidade do programa de Dilma para o de Aécio foi um oceano. É bem provável que a equipe do tucano melhore aos poucos a qualidade de seus produtos. Mas se depender desse programa de estréia, a petista pode melhorar muito nas próximas pesquisas."

Fonte: Blog do Rovai

Chill-Out, Downtempo, Ambient Techno, Dub, Lounge, Jazzy, Nu-Soul, Trip-Hop...


Como fazer uma música que seja calma e relaxante, que nos ajude como fundo musical nesses tempos corridos, mas que não seja necessariamente 'sonolenta'? E que possa ser usada até mesmo para dançar se o ouvinte assim o quiser, também para 'desestressar'? Ou para ouvir enquanto lê um bom livro ou navegar na Internet? Ou apenas para deitar no sofá e deixar rolar?

A reposta está no uso da eletrônica, na escolha do ritmo correto, na busca de 'batidas' ora ancestrais, ora baseadas em folk music e em ideias desenvolvidas fora do eixo anglo-americano, como Bossa-Nova, por exemplo. Mas o Jazz e o Pop e suas diversas correntes normalmente não estão descartadas.

O resultado conseguido por produtores e músicos deram em gêneros musicais batizados com diversas denominações, como Chill-Out, Downtempo, Ambient Techno, Dub, Lounge, Jazzy, Nu-Soul, Trip-Hop, etc. Esses rótulos guardam diferenças entre si, muitas vez não muito perceptíveis.


Normalmente são utilizados instrumentos acústicos junto com os eletrônicos, ou as vezes são músicas produzidas diretamente no computador com a ajuda de ferramentas musicais diversas. Podem ser somente instrumentais ou ter uma cantora como convidada.

Selecionei quatro músicas de grupos-músicos-produtores diferentes bem atuais (desta vez nada dos anos 1970 e sim de 2014, ok?!) para ilustração do que descrevo aqui: o alemão Jens Buchert, o italiano Il Santo, o franco-alemão Club des Belugas e o germânico-americano David Douglas.

Enjoy.


18 de agosto de 2014

Dilma não é otária e não se intimida com armadilhas pois tem a razão a seu lado: a entrevista no Jornal Nacional, por PHA


"O Bonner achou que a Dilma era o Aécio ou o Eduardo e ia empurrar a Dilma contra a parede no debate de 15′ no jn.

Deu-se mal.

Numa televisão séria, Bonner teria voltado para o Rio sem emprego.

Dilma não se deixou emparedar e assumiu o controle de todas as respostas.

Empurrou a questão da corrupção pela goela abaixo dos tucanos – que sobrevivem no jn.

Lula e ela estruturaram o combate à corrupção. Deram autonomia à PF e ao MP.

No Governo dela e de Lula não tinha um Engavetador Geral da República.

A Controladoria Geral da União se tornou um orgão forte no combate ao malfeito.

Ela aprovou a Lei de Acesso à Informação (podia ter dito que o partido do jn, o PSDB, tomou como primeira providência ao chegar ao poder, com FHC, extinguir uma Comissão de Combate à Corrupção).

(Aliás, Bonner disse, na abertura, numa gaguejada, que o PSB era o PSDB … Lapso freudiano …)

Dilma ressaltou que nem todas as denuncias (do jn) resultaram em crimes comprovados.

Bonner tentou jogar a mais óbvia casca de banana: obrigar a Dilma contestar o julgamento do do STF sobre o mensalão.

Ela tirou de letra: Presidente da República nao discute decisão de outro Poder.

Bonner insistiu.

Deu-se mal.

A Poeta, finalmente, justificou a passagem, e invocou o Datafalha para dizer que o problema do brasileiro é a Saude.

Dilma enfiou-lhe pela garganta o sucesso retumbante do Mais Médicos, que atende 50 milhões de brasileiros.

Bonner revelou sua aflição, mal se continha na cadeira, bradava “a Economia !”, “a Economia !”, como se fosse sua bala de prata.

Dilma continuou, no comando dos trabalhos, a falar do problema da Saúde.

Quando bem quis, concedeu ao Bonner o direito de falar sobre a Economia !

E ele veio com  xaropada da Urubóloga.

(Interessante que o Bonner pensa que ninguém percebe que a pergunta dele, na verdade, é uma longa exposição daquilo que ele quer que o espectador pense que seja a verdade dos fatos. Ele quis falar mais que a Dilma. Ele se acha…)

Inflação explodiu !, disse o entrevistador/candidato.

Sobre a inflação, Dilma mostrou que ele não sabe nada.

A inflação é negativa.

Todos os indices estão em ZERO !

Sobre o crescimento, falou uma linguagem que o Bonner ignora: “indicadores antecedentes”.

Os dados de hoje sobre o consumo de papelão e energia indicam elevação do PIB no segundo semestre.

Dilma estourou os 15 minutos.

Continuava a falar, enquanto o Gilberto Freire com “I” (*) devia berrar no ponto do Bonner “corta ela !”.

E ela na dela.

Terminou por dizer que nao foi eleita para fazer arrocho salarial. Ou para provocar desemprego.

“Corta !”, devia berrar o “ï” no ouvido do Bonner. “Corta ! Não deixa ela falar !”.

E ela, na dela: “vamos continuar a fazer um país de classe média, como o Presidente Lula começou a fazer.”

“Corta, Bonner !”, no ponto.

“Eu acredito no Brasil”, disse ela, como se conversasse com o neto, numa tarde de domingo.

Só faltou dizer: “Bonner, eu não sou o Aécio, o Eduardo e muito menos a Bláblá”.

“Pode vir quente !, meu filho. Esse teu dedo indicador só assusta a Fátima !”"

Por Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada

“Efeito-mídia” não tira um ponto de Dilma


Por Fernando Brito
"O monstruoso volume de mídia  gerado pela morte trágica de Eduardo Campos, apresentado como um semi-deus sacrificado e tendo Marina como sua ungida sucessora ia, como é natural, alçar a candidatura da ex-verde aos níveis que a pesquisa Datafolha lhe dá.

Não apenas Marina Silva é personagem conhecida, sempre glamourizada pelos meios de comunicação como, é obvio, tem um recall de sua candidatura anterior.

Ainda mais em uma coleta de dados feita nos dois dias seguintes à tragédia, com as tevês transmitindo ininterruptamente o clima de comoção.

O que é significativo, na pesquisa, porém, é que isso não teve o poder de tirar sequer um ponto nas intenções de voto de Dilma Rousseff, cujo eleitorado – mais pobre, menos instruído e mais periférico que o de Aécio Neves – estaria, em tese, mais sujeito ao bombardeio de mídia.

Ao contrário, as declarações de voto espontâneas dela sobem ( 24 para 26%) e seus números de segundo turno ficam nos mesmos patamares que tinham na pesquisa anterior, até um pouco mais altos do que antes, em relação a Aécio. O que se mostra é que os eleitores de Aécio votam em peso em Marina ou em qualquer um contra Dilma. Não chega a ser novidade.

O que o Datafolha tenta nos convencer é de que Marina capturou todos os votos das pessoas que estavam indecisas ou que iriam anular o voto e, agora, com a sua presença, sentem-se de novo motivadas a escolher um candidato.

Esta parcela dos eleitores, que somaria 27%, agora estaria reduzida a 17%, com todos os 10% que mudaram escolhendo Marina.

Que, de quebra, ainda leva o 1% de votos que tinham, cada um, Luciana Genro (PSOL), de Rui Costa Pimenta (Partido Comunista Operário) e do Ei-Ei-Eymael.

Aliás, os três, coitados, são os únicos que perdem votos no Datafolha.

Desde o dia em que se anunciou esta pesquisa de alto índice de insensatez, com os despojos do candidato morto ainda na cena do acidente, diz-se aqui que seu valor científico é zero, a não ser para retratar o que é uma avalanche de mídia mórbida.

A crer-se, com boa vontade, que não houve uso da “reserva técnica” representada pelo “não-voto”, o que se prova, apenas, é o limite de manipulação da opinião pública pela mídia.

Foi  incapaz de mover um voto sequer daqueles que, ao lado do governo ou da oposição de direita, haviam tomado partido.

E capaz, se tanto, de mexer com uma parcela de 10% dos brasileiros menos definidos politicamente.

Desde ontem, porém, cessaram as condições objetivas para que continue a avalanche de mídia mórbida, ou – no máximo – que ela tenha apenas uma última “marola” com uma hipotética – e abominável – indicação da viúva como vice de Marina.

É que, na noite de amanhã, acaba o monopólio midiático da oposição, embora esteja longe de acabar-se o desequilíbrio nos meios de comunicação.


Começa o horário eleitoral e começarão a serem vistas as realizações concretas de governo, o que Aécio tem parcamente e Marina não tem.

Não é possível, como em 2010, dizer se isso será o suficiente para evitar um segundo turno.

Mas é exato dizer-se que a candidatura Dilma atravessou o deserto de comunicação que lhe impôs o sistema de comunicação brasileiro – a mais forte e orgânica máquina partidária deste país – sem maiores perdas.

As percentagens, agora, são valores apenas relativos.

Conta é cada decisão de voto, que é mais profunda e pessoal do que qualquer “efeito-boiada” que os meios de comunicação sejam capazes de fazer.

O terreno a conquistar, o dos indecisos e, sobretudo, o do não-motivados, é estreito porque, de fato, a negação da política representada em Marina Silva há de ocupar certa parte dele, sobretudo na classe média-alta.

Já não se pode afirmar o mesmo dos ex-votos de Eduardo Campos no Nordeste ou do voto da periferia das metrópoles.

Onde pesa, e como, a palavra e a presença de  Lula, o fator mais importante desta eleição, como na passada."

Fonte: Tijolaço

Análise da nova pesquisa DatafAlha
"Os números revelados mostram um resultado ruim para Aécio e bom para Dilma. Depois de ser “oficialmente” apresentado para a população na entrevista ao “Jornal Nacional”, era de se esperar que Aécio crescesse, o que não aconteceu. Na simulação de segundo turno contra Dilma, ele caiu de 40% para 39% e Dilma subiu de 44% para 48%. A rejeição de Dilma caiu de 35% para 34% e a avaliação positiva do governo subiu de 32% para 38%.

Esses números são frutos diretos do fim do bombardeio midiático contra o governo. A morte de Campos tirou todos os outros assuntos do noticiário, como a dobradinha Pasadena/Petrobras, além do terrorismo econômico habitual (que antes era sobre a inflação, depois era sobre o baixo crescimento). O horário eleitoral começa essa terça, com uma ampla vantagem para Dilma. Ela terá quase 12 minutos de televisão, enquanto Aécio terá 4 e Marina 2. Ela também poderá mostrar pela primeira vez em 4 anos suas realizações, algo que é escondido pela grande mídia.

O PT ainda conta com a “bomba” eleitoral Lula (90% de aprovação), político mais popular da história do país, que vai entrar em campo com tudo para defender o governo Dilma."

 
Fonte: Desmascarando GloboFolha

17 de agosto de 2014

A comoção da morte de Eduardo Campos, as 'pesquisas a toque de caixa' e a exploração eleitoral

Agora que o corpo de Eduardo Campos foi enterrado, respeitosamente podemos voltar a falar das eleições.
O corpo não tinha sido encontrado ainda e comenta-se que o Datafolha já tinha registrado no TSE uma pesquisa'emergencial' que seria feita.
O corpo não tinha sido identificado oficialmente e os pesquisadores já estavam nas ruas.
O velório (quase 'showmício' da mídia pró segundo-turno em alguns momentos) ainda estava em andamento e números estavam sendo tabulados para serem divulgados no decorrer desta semana (talvez já amanhã), quando o PSB nem divulgou oficialmente o nome de Marina Silva.
Porque este desespero todo em divulgar uma pesquisa antes do início da propaganda eleitoral na TV?
Seria para aproveitar o momento de comoção com a morte de Campos, conseguindo um 'número mágico' de Marina embolada com Aécio e Dilma e desta forma influenciando naqueles indefinidos e forçando para que as próximas pesquisas efetivamente joguem a eleição para um segundo turno?
Os "analistas" estão em polvorosa deste o trágico acontecimento. Teve gente que nem deu os pêsames à família, já entrou dizendo que o "quadro mudou totalmente". Lastimável.
Essa história de Marina "disparar" no primeiro e possível segundo turno contra Dilma neste momento (segundo as "pesquisas emergenciais") soa como estratégia bem sucedida dos meios de comunicação que pautam a Direita deste país.
Resta ao eleitor analisar com isenção o que efetivamente vai ser mostrado a partir dos programas eleitorais (independente de pesquisas encomendadas) na TV, deixar passar a comoção e não se deixar contaminar pelo clima que a grande mídia sempre quis e fez: manipular corações e mentes e o dedo que na urna eletrônica vai digitar o número do próximo presidente.
Dilma Rousseff e Lula no velório de Eduardo Campos consolando os parentes
Marina Silva no mesmo velório
Imagens que transcendem 'análises'

Lentes em Madri e uma tentativa de resposta ao amigo Marcos Cardozo (*)

Eu bem que tentei nesta semana responder aquela carta dirigida a mim, dias atrás, pelo amigo Marcos Cardozo, muito sobre as fotos em Madri e muito do como lidar com as profundas diferenças no trato dos espaços públicos no Brasil e acolá nas terras dos antigos e atuais colonizadores de povos e nações. Eu tentei mas não consegui, iniciei, abri uma garrafa de vinho e programei uma seleção de Yanni, infelizmente a internet deu um pane lá pelas 2h da madruga e aí nada de resposta ao amigo e última seleção de fotos da viagem à Madri e arredores. Vamos tentar agora, mantendo o que já havia escrito logo abaixo:

É verdade, meu amigo Marcos Cardozo, não há regras aqui neste blog. Nós tentamos destemidos - e também ousadinhos que somos - manter uma regra de não termos regras por aqui, pelo menos no que diz respeito ao belo, ao mais ajustado das coisas e à beleza feminina! Antes de mais nada: meus parabéns pela escolha da musa desta semana, um deslumbrante ornamento em fina textura e arrojadas composições curvilíneas, lindíssima!

Em uma recente postagem anterior vc nos convidou em texto esplêndido, com o seu nobre requinte de sempre, a traçar breves colocações sobre a Madri que visitamos, desbravamos e nos encantamos. Parte disso em função de vc saber dos novos desafios da filha em estudos por lá, por outro lado também em função de nossas caminhadas atentas a procura de algum detalhe mais sedutor - nós bem sabemos o quanto apreciamos os detalhes, né não?! - porém sempre desgarrados de quaisquer pretensões, por aquela capital espanhola...uma liberdade de caminhar pelas ruas, pelos parques e recantos aos plenos 52 anos de idade bem curtidos, em terras absolutamente estranhas, acompanhados tão somente pelo descompromisso, um pelo outro, uma câmera, uma mochila, e claro, pelo frio intenso em radiante período de céu azul e sol brilhante, uma sorte deliciosa!

Fiquei particularmente feliz com o fato de ter conseguido, com as fotos de minha Canon EOS semi-automática digital, sensibilizar e aguçar as suas (e provavelmente de alguns outros nossos visitantes) visões sobre a Madri de hoje, de outrora e a pensar em nosso Brasil, nossa história, nossa tropicalidade. O seu texto acabou refletindo muito de meus pensamentos ao caminhar, ao focar, ao escolher uma imagem para ser deliciada por outros, ao desejar meu aqueles instantes...tivemos um comentário de um anônimo aqui no blog no post: Lentes em Madri IV que me foi fascinante ler naqueles instantes lá em Madri e que publico logo abaixo para contextualizar bem o que eu sentia e sinto ao fotografar naquelas condições:

" "A fotografia é a poesia da imobilidade: é através da fotografia que os instantes deixam-se ver tal como são." Peter Urmenyi

"A fotografia, antes de tudo é um testemunho. Quando se aponta a câmara para algum objeto ou sujeito, constrói-se um significado, faz-se uma escolha, seleciona-se um tema e conta-se uma história, cabe a nós, espectadores, o imenso desafio de lê-las." Ivan Lima

"De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo e, uma vez desaparecidas, não há mecanismo no mundo capaz de fazê-Ias voltar outra vez. Não podemos revelar ou copiar uma memória." Henri Cartier-Bresson

"A fotografia é uma forma de ficção. É ao mesmo tempo um registro da realidade e um auto-retrato, porque só o fotógrafo vê aquilo daquela maneira." Gérard Castello Lopes

"Fotografia é a poesia dos olhos, traduzida na essência das emoções." Michelle Ramos

"Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos,os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos." Ansel Adams
"Para todos aqueles realmente capazes de ver, a fotografia tirada por você, representa o testemunho da sua existência." Paulo Straub "

Não é fácil e nem é tão simples assim deixar uma filha em uma terra tão estranha aos tropicais e longínqua do continente sul! No entanto, o que muito me move é saber que o Brasil precisará cada vez mais de mentes aprimoradas e espíritos elevados para o enfrentamento inevitável da história que nos é reservada em tempos tão complexos, transitórios e mutantes! Que tentemos cada um contribuir com a sua cota nesta nova página!

A história da Europa, vc bem sabe meu amigo, está repleta de sangues derramados por todas as ruas que hoje são orgânicas e retiníneas, ordenadas e cristalinas. Não há uma fresta sequer de uma harmonia histórica com a paz ou com os direitos humanos elementares, a comandar os desígnios do dito primeiríssimo mundo. Se hoje a radiante Madri é a exuberância que é para aqueles mais ou menos 4 milhões de habitantes, com um dos melhores serviços de transporte público do mundo (trens e metro), um patrimônio histórico incomum e explêndido, parques magníficos...boa parte de tudo isso se deve a uma história rica de guerras, ditaduras, reinados, colonizações, mortes sangrentas e revoluções desumanas de toda ordem...e essa é a história de boa parte da Europa, tanto aquela que serviu de palco e cenário de conflitos, destruições e reconstruções, como aquela que foi responsável pela dominação de outros povos e nações, condenando gerações e gerações à desgraça e à fome, à desordem e à abominação...nunca será fácil para quaisquer destas outras nações invadidas, dilapidadas, desidentificadas e amontuadas de gentes escravizadas...romper com os "karmas" que lhes foram encomendados pelos reis e rainhas em comunhão com os deuses e deusas em plantão constante...basta conhecer uma destas enormes e fascinantes catedrais e castelos do século XVI - construções ainda inacreditáveis para nós para a época – para que tenhamos uma singela visão do que foram aqueles tempos de dominação, horror, sofrimento, ignorância...não tão remotos assim...as mudanças na humanidade, penso eu, são contadas tão gigantescamente como são as idades geológicas para o planeta Terra...as mudanças sempre serão traumáticas, mutantes mesmo, e sem destruições da ordem, novas ordens não surgirão...é assim que funcionam os ecossistemas na biosfera terrestre, e talvez seja também assim, o que se dará no atual fenômeno de mundialização e globalização hiper-velozes em que estamos todos inseridos incondicionalmente!

Já andei refletindo muito sobre o quanto a nossa tropicalidade poderia ser a responsável pelo nosso atraso estrutural, penso que há sim uma forte contribuição, mas certamente não é o grande fator determinante, o grande fator no meu modo de ver, ainda está associado ao processo de colonização, domagem, invasão...algo tão profundamente perverso que também associado à ausência de guerras sinistras de destruição real por aqui, nos plasmaram numa certa pasmaceira coletiva, sempre aguardando a ordem e sempre achando que alguém está tomando alguma providência em meu nome e em nome de todos...os vereadores, deputados, senadores da nossa república ainda nos tratam assim por toda parte!

Não haverá espaços nem tempo para disssertar tantas e complexas opiniões, mas o certo, Marquinhos, é que as fotos, ahh, cada foto me tirou um pouco do eixo e este sabor acaba sendo único mesmo, por mais que eu me esforce não conseguirei transmitir os impactos que se processaram. Conhecer e trilhar pelo Velho Mundo é de fato uma oportunidade e tanto, eu sempre irei sentir como um grande exercício de amplianção da consciência.

O povo brasileiro não aceitou a guerra de destruição como um modelo de desenvolvimento! Apostou tudo na complexa miscigenação forçada. Índios, negros e brancos invasores de estirpe duvidosa, formataram as diversas modelagens sócio-raciais de nossa gente de agora, e esta gente não quer a guerra, o sangue, a invasão de outros povos...esta gente bronzeada acredita na democracia, mais do que isso, deseja democracia e deseja que outras nações assim também o façam. Então, Marquinhos, durmamos com um barulho destes! Somos um gigante, não queremos guerras, apostamos e acreditamos na palavra empenhada, mas a maioria dos nossos líderes pensam num povo parvo, tolo, bobão...e daí se tiram como tiranos, aproveitadores e corruptos!       
Neste instante estou ao sabor de um delicioso vinho verde português "Loureiro" e envolvido pelos encantadores acordãos de Yanni em majestosas composições...não poderia faltar!

Não conseguirei responder... ou melhor, corresponder ao Marquinhos à altura das provocações tão bem formuladas. Não se trata de me dar por vencido, é apenas a constatação de que as fotos, meu amigo Marcos Cardozo, são tão somente uma tentativa inglória de aprisionar a história para poder contá-la do meu, do seu, do nosso jeito...e isso não tem jeito...como dito antes, somente o olhar do fotógrafo viu de fato o que quis ver...e eu não nego: sofri profundamente em cada uma das belezas que vi por lá, por Madri, sofri a dor de quem parcialmente conhece da história - e quem conhece da história de fato? – sofri em cada pedra bem assentada, em cada polimento na escultura, em cada calçada bem acabada, em cada monumento preservado...em tudo isso eu sofria, em tudo eu chego à conclusão de que o contínuo sofrimento com tudo, pouco afeta o prosseguimento ou a mudança dos fatos e das coisas... o que mais tem a ver com as concretas mudanças para as gerações futuras são as ações corajosas dos destemidos em assumir o poder em nome agora da democracia sim e não das ditaduras de outrora e em nome da inclusão sócio-eco-ambiental incondicional...este parece ser o destino do Brasil, apesar da Rede Globo e dos Willian’s Bonner e das urubólogas globais de plantão, como a Mirian Leitão...

O nosso último dia em Madri foi quase um sonho mesmo. Decidimos acordar mais cedo, um frio do cão, pegamos o metrô (Principe Pio) e seguimos para estação de interligação (Chamartin) com os trens que partem para as regiões mais ao norte, como Segovia. Sim, trens "bala" como falamos no Brasil. Mais uma vez ficamos estarrecidos com a qualidade dos trens e serviços oferecidos...durante a viagem nos demos conta de que estávamos viajando a nada mais, nada menos do que 250 km/h, que beleza! Enquanto isso no Brasil continental que temos, alguns tolinhos acham que o projeto lançado pelo governo Lula do trem "bala" interligando Rio - SP é um absurdo e que não temos que apostar nisso!

A cidade de Segovia (para mim tinha q ter um acento no "o") é linda, e também muito fria! Chegamos cedo por lá, ninguém pelas ruas, acho que estávamos com uns -4 a -5º C, logo logo procuramos abrigo em um café e aguardamos o sol sair um pouco mais...a Catedral Gótica do séc. XVI é uma obra fantástica, o Castelo de Alcazar é outro monumento fenomenal, sem falar nas ruelas, e na incrível obra de engenharia para levar água para a cidade em tempos remotos, logo na chegada ao centro histórico de Segovia, o Aqueduto, vejam abaixo algumas fotos que adorei:


















(*) Publicado em Fevereiro de 2012 por Luiz Felipe Muniz. Da série retrospectiva comemorativa dos cinco anos do blog. 

16 de agosto de 2014

Carta ao amigo Luiz Felipe Muniz (*)



Caro amigo,
Parabéns pela dupla oportunidade: apoiar a filha no que se refere a evolução dos estudos no exterior e usufruir de uma boa temporada em uma cidade tão bela.
Tenho visto as fotos que tens postado direto de Madri, Espanha. Um verdadeiro correspondente do Blog na Europa. Chique!
Ótimas fotos. Parabéns pela sensibilidade na captação do momento e das paisagens humanas e naturais e pela capacidade técnica no ajuste da objetiva, do obturador, da abertura, velocidade, etc. (se for tudo automático facilita também).
Infelizmente ainda não tive a oportunidade (ou não pude priorizar ainda) de uma viagem ao "velho mundo". O mais longe que cheguei foi a Buenos Aires e tive boas surpresas por lá.
Analisando suas fotos me vem a mente uma observação que me acompanha desde sempre: cidades são belas e "amigáveis" não somente por questão da natureza mas também pelas intervenções humanas no espaço bem como do comportamento de seus cidadãos.
Madri parece ser uma cidade agradável, com belos prédios antigos preservados, praças, jardins e bosques bem conservados, ruas largas, calçadas padronizadas, ciclovias, muitas árvores, bom transporte público que parece não estar o tempo todo lotado, etc.
É claro que não tenho base para afirmar que Madri é a oitava maravilha do mundo, com certeza tem os seus problemas, mas o ponto em que desejo chegar é que - tomando como base suas belas fotos - é facilmente perceptível como temos de melhorar as nossas ruas, nossos bairros, nossas cidades.
Com louváveis exceções sempre tive a impressão que nossos espaços urbanos (nossos, do Brasil) são feios. Mal projetados, mal construídos, sem manutenção, sem preocupação com o coletivo, pouca arborização, poucas praças e jardins em boas condições, transporte público péssimo, etc.
Certa vez vi algumas fotos da Zona Sul do Rio. Nelas haviam retirado com o photoshop as montanhas e alguns outros aspectos da natureza. O que restou foi uma cidade sem graça.
De outra feita tive que transportar por alguns metros umas dessas malas de viagem com rodinhas. Não consegui arrastar ela pela calçada tais os desníveis, buracos e imperfeições no piso. Sem falar no sol inclemente com poucas sombras de árvores. Aliás, tente entrar com uma mala dessas em um transporte coletivo...
O Brasil está caminhando bem na economia, na busca de resolver suas mazelas sociais. A Europa enfrenta sérios problemas econômicos, resultado de falhas de programação quando da criação da União Européia e por conta da crise fabricada nos EUA.
Mas olhando suas fotos fica claro o que significa Índice de Desenvolvimento Humano. Embora estejamos cada vez melhor em nosso PIB ainda temos que melhorar no IDH.
Muitas vezes não nos damos conta que moramos mal. As ruas, os bairros, as cidades tem de ser extensão de nossas casas. Tem de ser agradável sair para uma caminhada sem o risco de pegar uma insolação por falta de sombra, ser assaltado, levar um tropeção na calçada mal feita e sem manutenção, cair em um buraco na rua, ser soterrado por um prédio ou encosta que cai, pegar uma alergia respiratória por conta da poluição atmosférica, ficar deprimido por conta da poluição visual, etc.
Talvez seja esse o principal impacto de suas fotos: como eu já imaginava existem ruas e bosques muito mais agradáveis, para ter prazer de sair de casa.
Fica claro que precisamos avançar muito, mas é preciso que os brasileiros tenha essa percepção do espaço urbano construído por todos e saber exigir das autoridades (sobretudo prefeituras) que administram o nosso espaço que queremos bem estar.
Também nas suas fotos vemos que está muito frio por aí. Ponto contra? Nem tanto. Ok, eu adoro praia mas imagino que no verão dá pra pegar umas ondas por aí também. Pelo menos em Ibiza. Além disso a forma de ficar elegante é quando temos pelo menos temperaturas amenas ou frias.

O que me faz lembrar de uma amigo gaiato que dizia, há tempos, que o problema do Brasil é ser tropical. Segundo ele não dá para ser desenvolvido de bermuda e camiseta. Desenvolvimento humano é sinônimo de elegância e vejo todos elegantes aí em Madri. Até dá para concordar um pouquinho, sobretudo nos verões inclementes. Mas, como diziam os Novos Baianos nos 70, "chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor". Ou ainda, como falava o Chico Buarque em sua canção proibida na época da ditadura: "ai essa terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal". E eu acrescentaria: imagine as coisas boas que temos aqui com um acabamento das melhores cidades européias?
É isso, caro amigo Luiz Felipe. Espero que não se anime tanto com Madri que resolva ficar de vez por aí. Precisamos de suas inestimáveis contribuições aqui!
Abraços a todos.
Direto do Brasil, do amigo Marcos.

(*) Publicado em Janeiro de 2012. Da retrospectiva comemorativa dos cinco anos do blog.