30 de novembro de 2014

Bye Bye, So Long, Farewell

 
"Quando entra dezembro...". Epa! Estou forçando a barra. A canção do Beto Guedes fala em "setembro" e não "dezembro", que na verdade começa amanhã.
Detalhes. Que não é aquela romântica do Roberto. O fato é que foi bom repostar ontem o artigo publicado pelo Felipe Muniz tempos atrás sobre a não percepção da passagem do tempo. É que estou nessa: se não fossem a Copa e as eleições, nem perceberia que 2014 passou feito rajada de vento em chegada de frente fria. Como será 2015?
E vamos em frente que atrás vem gente. A Copa foi um sucesso, apesar dos "não vai ter Copa" e a Dilma ganhou, apesar da descontrução da mídia por anos a fio. E que vai continuar. Interesses inconfessáveis. De nossa parte o orgulho de termos participado, humildemente, de sua eleição em 2010 e da reeleição neste ano.
E assim tem sido o blog desde 2009. Ou 2008, se considerarmos o período que estava em outro endereço. Foi quando o Felipe me convidou para complementá-lo nesta empreitada que teve muitos desafios neste passar dos anos. E eu agradeço a ele, apesar da relutância em aceitar, na época.
Dois desconhecidos dos meandros jornalísticos (não jornalistas) e do universo da Internet conseguiram manter vivo o ideal de abordar temas tão distantes como meio-ambiente, música, musas, política, humor, curiosidades, dicas de bem viver, etc.
Uma mistura que era para sobreviver uns dois meses chega ao sexto ano com mais de oitocentos mil acessos. Quer dizer, mais do que isso. É que o contador que colocamos aqui do "lado de fora" do blog não mede alguns tipos de acesso. Até hoje não entendi muito bem, mas o contador interno oficial do Blogger indica  como "Histórico de todas as visualizações de página", um número acima de um milhão e meio de visitas! Nada mal para dois amadores que não tem tempo livre para se dedicar a este espaço como gostaríamos.
Neste momento agradecemos a esses visitantes que não conhecemos (Ok, alguns são amigos de longa data) e que pouco se expressaram ao longo deste tempo, mas que dão sempre uma olhadinha diária por aqui, sabemos disso.
Ao longo deste período, cerca de 5.600 posts foram publicados (daria alguns livros) o que garante uma visita contínua mesmo se pararmos de publicar qualquer coisa nova agora. Explicando melhor: muitos acessos são de pesquisa por assunto no Google que muitas vezes, entre as opções, indica o post específico no blog.
Se vocês perceberam que este post começa a soar como uma balanço de despedida, acertaram. De minha parte, não do Luiz Felipe. Acho que ele vai tentar manter na medida do possível o blog vivo e rezo para que consiga continuar com essa conquista.
Vou lhes dar o prazer de minha ausência por conta da mesma reclamação de sempre: como escrever posts realmente interessantes para um público eclético se mal temos tempo de "copiar e colar" o que outros escrevem?
Se não podemos manter um alto nível por nossa conta e começamos  a ficar estressados com isso, é melhor parar. E essa história eu já conheço. Foi por este mesmo motivo que parei de publicar o Jornal Metamúsica há 14 anos, depois de 5 lutando para mantê-lo vivo. Mesmo com o sucesso do mesmo foi impossível para mim continuar com a empreitada.
Há outros motivos também, mas esses não vem ao caso. Entre eles não está a minha grande amizade e apreço pelo titular do blog, que permanece inabalável. Já lhe falei: seria bom arranjar um substituto para este escriba, gente muito melhor não falta. Desde que também seja amigo e pense de forma semelhante.
Não posso afirmar se esta é uma despedida definitiva. Se houver chance, quem sabe retorno. Mas fica mais uma vez o apreço por todos (até por aqueles que nos odiaram por nossa opção política) e um agradecimento especial ao Luiz Felipe Muniz, guru alguns degraus evolutivos acima deste colaborador.
E chega de explicações. É só que achei que nossos 17 leitores merecem um esclarecimento. E lhes dou o direito de comemorar. Ou ficar indiferentes.
Acredito que vou desaparecer um pouco também das redes sociais. Ficar mais no mundo real.
Mas fica a gratidão de minha parte.
Em tempo: que imagens são essas que ilustram este post? É mais um exemplo do que me incomoda. Há tempos quero fazer um post sobre alguns CDs que tenho importado de uma gravadora alemã, relacionando sua música de difícil classificação com as capas que eles escolhem. Mas não tive tempo. Bem pelo menos as belas capas com fotografias instigantes ficam registradas.
E como nosso blog sempre foi musical, encerro minha participação com uma bela canção do eterno Pink Floyd, "Wish You Were Here".
E, como dizia o Guilherme Arantes na música "Pedacinhos": "Adeus também foi feito prá se dizer... bye bye, so long, farewell... (...afinal a gente sofre de teimoso, quando esquece do prazer)".
Abraços e obrigado!

P.S.: O post acima eu escrevi ontem e programei para sair hoje, domingo. Só que ontem mesmo - em uma mesa de bar com algumas cervejas que ninguém é de ferro - conversei muito com o amigo Luiz Felipe e daí surgiu a ideia de algumas mudanças no blog para 2015 (ou ainda este ano). 
Diante desses fatos novos, que não cabe ainda detalhar aqui, este post poderá ser apenas um até logo com possível retorno após recesso para um bom descanso. Veremos... De qualquer forma resolvi manter o texto original. Vai que sai o artigo sobre essas capas...



A capa do disco do Pink Floyd: 40 anos depois, ainda emblemática

29 de novembro de 2014

O tempo, as rotinas e os nossos registros de vida

Da série "Retrospectiva do Blog". 
Este é um post do nosso titular Luiz Felipe Muniz (só fiz as inclusões de imagens que não existiam no original), realizado originalmente em 2011.

Eu e o Marquinhos temos abordado nos últimos posts alguns pontos interessantes que envolvem as angústias das doenças sistêmicas e os diversos aspectos da cura possível por meio de novas terapias e as novas visões da medicina, aqui abordada como Medicina Quântica, envolvendo desde o poder da música, das terapias orientais aos relaxamentos meditativos - tão complexos para a maioria de nós -...

Hoje recebi um texto do amigo Rubens Banda que resolvi postar aqui. Tem muito a ver com a nossa busca de qualidade de vida em tempos para lá de tumultuados. A mudança é uma regra vital na natureza de todas as coisas, a vitalidade de nossas mentes está diretamente ligada a nossa capacidade desenvolvida ao longo dos anos para mudarmos, e, tudo não passa de um grande exercício a ser praticado!

Veja o texto do Airton Mendonça publicado no Estadão recentemente:


A MENTE APAGA REGISTROS DUPLICADOS

Por Airton Luiz Mendonça
(Artigo do jornal O Estado de São Paulo)

"O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.
Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio.... você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.
Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do Sol.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:
Nosso cérebro é extremamente otimizado.
Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mi l pensamentos por dia.
Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.
Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo.
Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas.
Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.
Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.
Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.
Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência).
Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.
Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.
Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -.... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo.
Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA
A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque).
Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.
Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia). Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes. Seja diferente
Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos... em outras palavras... V-I-V-A. !!!

Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.
E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos.
Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.
E S CR EVA em tAmaNhos diFeRenTes e em CorES di fE rEn tEs !
CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVENTE...
V I V A !!"

Metamúsica

O amigo Márcio Aquino publicou em sua linha do tempo no Facebook uma foto com todas as edições do Jornal Metamúsica com o seguinte comentário: "Coleção completa do Metamúsica, ótimo informativo sobre rock progressivo, editado nos anos 90, por Marcos Oliveira".
Ao que respondi: "Obrigado pela citação, Márcio! Foi um grande prazer realizar este trabalho durante cinco anos e o prazer é maior agora quando vejo, 15 anos depois, pessoas que guardaram e ainda valorizam a realização. Tempos atrás o editor da Poeira Zine de São Paulo também disse que possuía todas as edições do Metamúsica guardadas. Quem sabe um dia voltamos, com mais colaboradores..."
É isso!

Sobre móveis modulados e algumas digressões

Da série "Retrospectiva do Blog". Tá acabando esta série.

O carnaval está fervendo. A chuva que cai (em parte do Sudeste) não atrapalha os foliões mais animados. Sobretudo os flex (aceitam álcool sem problema).
Para quem não é tão chegado aos festejos tá até bom pra descansar. Mas um pouquinho de sol ajudaria na caminhada da praia. Acho que ele sai amanhã.
Por aqui chegou até fazer um friozinho em alguns momentos.
E eu resolvi fazer um post sobre... móveis planejados!
Já vão entender. Embora não tenha nada a ver com o carnaval.
Não sei se vocês já repararam. Em muitas revistas tem anúncios desses móveis projetados especialmente para cada espaço. Diversas marcas e padrões.
Aqueles móveis fabricados exatamente de acordo com o que você quer e de acordo com o espaço disponível.
Estantes, home-theaters, cozinhas, closets, enfim tudo pode ser feito para sua casa.
Práticos. Bonitos. E caros.
Estão substituindo aqueles profissionais autônomos chamados marceneiros. Artífices que procurávamos para realizar os nossos próprios projetos.
Tente achar um bom marceneiro hoje em dia. Difícil.
Mas não percamos o foco.
Voltemos aos anúncios dos móveis.
Neles é tudo minimalista. Não os belos modulados. Mas o que eles contém.
Pelo menos o que está exposto. Não sei nas gavetas. Mas não tem muitas gavetas.
De forma mais clara: nas estantes, por exemplo, onde estão os livros, os discos, as revistas?
Só vejo potes. Eu acho legal potes. Excelentes objetos de decoração. Mas tente colocar um deles no aparelho de DVD. É difícil tocar.
Sei que a decoração "clean" é uma tendência que resiste há uns 20 anos, mas...
Ok, estamos falando de anúncios, a realidade é diferente...
Bem, falando a verdade, acho que o problema é comigo.
Ao longo da vida acumulei muitos 'bens' que eu já citei: livros, discos...
Mas os espaços estão cada vez menores e os filhos, cada vez maiores, querem o seu espaço.
2/3 de minha coleção de discos de vinil foi destruída por alienígenas que o mundo conhece como cupins. Não são deste planeta, tenham certeza.
É que eu guardava os meus LPs fora da casa, em outra construção.
Mas ainda restaram umas mil raridades.
Acho que aqueles seres odiosos talvez tenham sido enviados por inteligências superiores para me ensinar que não adianta mais ter e guardar tanta coisa. Pelo menos tantos discos. Não poderei levá-los para as instâncias superiores (ou inferiores?) de além vida.
E também não tinha mais onde guardá-los. E tem os CDs, ainda imunes (imunizados?) aos micro-ETs. E livros, revistas, DVDs, raras garrafas de Whisky (da época que eu degustava tais escocidades), etc.
E aí eu vejo aquelas estantes com alguns potes e mais nada.
Quem tem uma estante daquelas não precisa organizar nada, limpar nada.
Não precisa se preocupar com milhares de itens de colecionador que precisam ser preservados. Nem com aqueles horríveis, embora pequenos, alienígenas. A não ser que eles ataquem os próprios móveis imunizados, o que não é tão raro.
Acho que no fundo eu não sinto tanta raiva daquela aparente falta de itens culturais e de lazer. Pelo contrário. Sinto é inveja.
Com tanta coisa pra fazer e se preocupar e tão pouco tempo, talvez eu precise mesmo é de uma casa no campo - como dizia o saudoso Zé Rodrix - do tamanho ideal, onde eu possa plantar meus amigos, meus (poucos) discos e livros e nada mais.
Só não tenho certeza se ela teria móveis planejados, com potes decorativos.
Mas é uma boa ideia.

28 de novembro de 2014

Entre outros motivos, porque Dilma ganhou no Rio...

E ganhou do "menino do Rio"...



"Quando traficantes abateram um helicóptero da Polícia numa favela do Rio, em outubro de 2009, a Globo sugeriu que as Olimpiadas fossem devolvidas a Madrid, a segunda colocada na disputa pela sede de 2016. Pelo menos coerente a Globo é …"



"Construído em um terreno de 1,18 milhões de metros quadrados, onde antes funcionava o Autódromo de Jacarepaguá, na Zona Oeste, o Parque Olímpico receberá, durante os Jogos Rio 2016, competições de 16 modalidades olímpicas e 10 paralímpicas. Após o término do evento, o local servirá para treinamento de atletas de alto rendimento e terá também uma área de lazer aberta à população. A previsão de conclusão das obras é 2016."

Amoras, Araçás e Jabuticabas

Da série "Retrospectiva do Blog". Este texto é de 2010.
Devo estar ficando velho. Não que pareça, já adianto. A genética e alguma atividade física têm me ajudado ao longo deste meio século mais um (mais um ano e não mais um século).

Essa percepção é despertada quando algum fato me dá uma espécie de nostalgia de tempos que não voltam (como diria o compositor).

Ou quando me pergunto: “cadê aquelas coisas legais que não existem mais?” ou “por onde andam aquelas pessoas que já estiveram tão presentes em minha vida?”.

Já me entenderão melhor.

Tive uma infância meio urbana meio rural (o que sempre me faz lembrar de um disco do saudoso músico Paulo Moura: “Confusão Urbana, Suburbana e Rural”, de 1976; não que eu tenha sido um jovem confuso, nem tenha participado de atos de ‘confusão’, embora eram tempos de ditadura, mas eu era uma criança).

Nasci e morei até os 12 anos na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, área que começa no final da Barra da Tijuca e avança até Santa Cruz, passando pelo Recreio, Jacarepaguá e Campo Grande. Longe, portanto, do ‘glamour’ da Zona Sul.

Em frente à minha casa havia uma imensa área livre, um sítio aberto a todos, com riacho, mangueiras, goiabeiras, coqueiros, pé de laranja lima (lembram do belo livro autobiográfico do José Mauro de Vasconcelos que depois foi transformado em filme e novela?), jamelão, tamarindo, campo de futebol e até bois criados soltos.

Pois recentemente estive em um desses estabelecimentos “hortifruti” e fiquei olhando a profusão de frutas ali disponibilizadas. Me aproximei das estantes que continham aqueles espécimes considerados mais “raros”, menos consumidos, para dar uma olhada no que havia por ali.

De repente percebi que eu não estava olhando por olhar e sim estava procurando algo. E eram três tipos de frutinhas.

Voltando ao túnel do tempo, em flashback: além do citado sítio, o quintal de minha casa era grande e havia ali também alguns pés de fruta. Tanto árvores, como arbustos.

Pois naquele momento, em frente às estantes, eu me vi outra vez em meu quintal, criança pequena, tirando direto do pé, amoras vermelhas e roxas, jabuticabas e araçás.
Não sei quantos que leem este texto aqui no blog conhecem essas frutas. Não cabe aqui descrevê-las, a não ser seus sabores agridoces, suas cores marcantes, seus perfumes inesquecíveis.

Pois há muito tempo não vejo nem saboreio essas delicadezas. Saíram de moda ou nunca frequentaram esses estabelecimentos? De qualquer maneira, pela fragilidade, não resistiriam muito tempo ao ritmo frenético e às distâncias da cidade grande.

Acho que elas estão lá, escondidas na roça, esperando quem sabe pela criança que já fui e que erroneamente teimo em nunca mais voltar a ser.

Na verdade, ao olhar aquelas estantes do hortifruti procurando amoras, araçás e jabuticabas eu estava procurando, além das frutas, a minha infância perdida.

Não encontrei nenhuma coisa nem outra. Estão muito distantes agora.

Quem sabe eu ainda encontre as frutas por aí. Pelo menos isso.

Pequenos Paraísos

Pensei em um post como uma fotos de uma casinha confortável, mas pequena que remetesse a um pequeno paraíso.
Achei imagens de duas assim.
Nem sei onde ficam.
Desconfio que a da floresta seja na Austrália e a perto mar, em alguma ilha do Oceano Índico.
Só para dar água na boca e vontade de fugir prá lá.









Musa da Semana: The Big Butt Book(?)

Da série "Retrospectiva do Blog". Não foi originalmente um post da série "Musa da Semana".


A editora alemã Taschen é a mais importante do mundo no que se refere à arte.
Suas publicações são especializadas em pintura, fotografia, escultura, arquitetura, etc.
Mais do que apenas falar sobre o assunto proposto, os próprios livros são obras de arte, com acabamento diferenciado (e preço idem: podem chegar a US$ 1.000!).
Normalmente em tamanho grande, papel especial, cores deslumbrantes, os books da Taschen são sonho de consumo para todos que gostam de artes & livros.
Mas é uma editora polêmica também, pois publica assuntos que teoricamente nada tem a ver com a arte. Quer dizer, mais ou menos. Se fotografia é arte, o objeto da fotografia pode ser um mero detalhe. Acho.
Convenhamos também que o corpo humano é a maior obra de arte de todas. Uns mais outros menos, é verdade.
Estou dando toda essa volta de apresentação da Taschen para dizer que eles vão lançar esse mês um luxuoso livro sobre... bundas! E um dos destaques é a "Mulher Melancia". Eu nem sou muito fã dela não, pois acho aquele derriere desproporcional ao resto do corpo, mas...
E também não gosto muito dessas nomenclaturas de frutas para as modelos. A mais nova é a "Mulher Jabuticaba". Sabem por que? "É 'roxinha' e vive agarrada no pau". Difícil, né?
Voltando ao livro, ele tem mais dois destaques: as americanas Coco e Buffie.
São dezenas de fotos, de épocas diferentes, muitas anônimas. Se não não for muito caro (deve custar aqui umas 150 pratas) eu vou comprar (como objeto de pesquisa jornalística, OK?)
Além das fotos há ensaios e descrição histórica da bunda como objeto antropológico e sociológico de estudo. Tudo muito sério e intelectual. Afinal ninguém vai comprar um livro desse só pra ficar vendo bunda, certo? :)
O título é "O Grande Livro da Bunda" e é da mesma coleção que já publicou "O Grande Livro dos Peitos" (bom), "O Grande Livro das Pernas (bom) e "O Grande Livro do Pênis" (não vi e não vou ver).
Tão pensando que eu tô falando mentira? Confiram em: "The Big Butt Book"!

27 de novembro de 2014

Federação Única dos Petroleiros (FUP) terá acesso a depoimento de Costa e quer espaço nas investigações

Entidade defende participação dos trabalhadores como fundamental para democratizar investigação, evitar vazamentos seletivos e proteger imagem da empresa e seu papel estratégico para o país
José Maria Rangel - Coordenador-Geral da FUP
por Maurício Thuswohl, para a RBA publicado 27/11/2014

"Rio de Janeiro – O coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, confirmou hoje (27) à Rede Brasil Atual que a Justiça Federal do Paraná concordou com o pedido, feito pela entidade representativa dos trabalhadores, de acesso integral ao depoimento prestado pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, no inquérito da Operação Lava Jato da Polícia Federal.

A FUP espera para segunda-feira (1º) a chegada das gravações com a íntegra do depoimento, enviadas pelo juiz Sérgio Moro da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba, e afirma que a participação dos trabalhadores é fundamental para democratizar a investigação e evitar os vazamentos seletivos que chegam à imprensa.

“O que tem sido passado para a opinião pública é que dentro da companhia tem uma grande quadrilha. A população não está fazendo a separação, até por conta do bombardeio que sofre diariamente da mídia. Estamos até agora falando de somente três pessoas que estão envolvidas. Essas três pessoas não podem ser confundidas com todo o corpo técnico da Petrobras, e a mídia não pode manchar a imagem de uma empresa que é orgulho não só dos trabalhadores, mas de todos os brasileiros”, diz Rangel.

Após conseguir da Justiça acesso ao depoimento de Costa, a FUP pede agora mais espaço nas investigações internas da Petrobras: “Entendendo que somos legítimos representantes dos trabalhadores – no momento em que a empresa está sendo atacada por desvios – nós queremos participar das comissões que foram criadas internamente para apurar não só as denúncias de Paulo Roberto Costa como também as denúncias sobre o suposto pagamento de propina a empregados da Petrobras pela empresa holandesa SBM”, diz Rangel.

A entidade também exige esclarecimentos sobre os vazamentos surgidos de dentro da própria Petrobras: “Há também aquele episódio no qual foi feita uma filmagem no edifício da empresa em Brasília e essa filmagem foi parar na Globo. Queremos saber por que até o momento ninguém foi responsabilizado por aquela filmagem e pelo posterior vazamento”, diz o sindicalista."

Leia mais na Rede Brasil Atual

Nova Equipe Econômica: sem desemprego e sem arrocho (nem que a vaca tussa)

Para decepção de analistas globais a coisa não vai seguir as regras de aécio never - que, para quem não sabe, perdeu as eleições - e sim de Dilma - que, para quem não sabe, ganhou as eleições. 
É ela quem manda.
2018 eles tentam de novo.
Levy, Barbosa e Tombini: sem desemprego e sem arrocho
Quem se reelegeu foi a Dilma, lembrou o Barbosa

"A coletiva dos ministros da área econômica deixou claro como o sol da manhã em Brasília que Levy, Barbosa e Tombini estão unidos em torno do princípio que informou a fabulosa reeleição: sem desemprego e sem arrocho.

Eles deixaram claro que não haverá:

- medidas bruscas;

- sustos;

- quebra da regra do jogo;

- vao trabalhar num horizonte de TRÊS anos – quando a Globo já terá sido vendida ao filho do Murdoch;

- a Economia não está em crise e não precisa de um choque por sufocamento;

- as medidas serão tomadas de acordo com a proposta do Orçamento 2015;

- Barbosa cuidará do PAC, das PPPs e do MCMV, ou seja do emprego na veia;

- Levy não é de dar trela nem se assustar com repórteres de Brasília que se acham …;

- Dilma deu à reunião a sua rotineira e ritualistica dimensão – nem apareceu.

Quem se elegeu foi ela.

Um dia o Aecioporto se acostuma a isso.

Demora, mas passa.

Nem que a vaca tussa !

Em tempo: fez bem o Ministro Trauman. Distribuir o texto lido, sortear entrevistadores e limitar em seis perguntas. Aquilo ali é para apresentar os ministros ao povo. E não as repórteres de Brasília ao Carlos Schroeder … Podia era limitar a uma pergunta por repórter. A da Reuters deu o golpe do João sem braço …

Em tempo2: A Fazenda é mole. Quero ver o Ministro das Comunicações ..

Por Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada

Combate à corrução, sim. Entreguismo não.

O blog reproduz artigo de Rogério Lessa publicado na página da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras).

"De acordo com matéria publicada no jornal O Globo desta quarta-feira (26), o Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nilton Trisotto, relator do julgamento do doleiro Alberto Youssef, afirmou que a corrupção brasileira é "uma das maiores vergonhas da humanidade". Já o ministro Felix Fischer, disse que “nenhum outro país viveu tamanha roubalheira”, referindo-se ao escândalo de corrupção da Petrobrás, investigado pela operação Lava Jato.

São afirmações fortes e chegam a causar estranheza, tal o exagero, mostrando certo desconhecimento da realidade mundial. A mídia vem mostrando escândalos nas vendas de armas para o Departamento de Estado norte-americano, as denúncias do Wikileaks; o lucro de US$ 300 bilhões da Halliburton - mentora da guerra do Iraque - fazendo obras de recuperação sem concorrência; a derrubada de governos no mundo do petróleo; o tráfico de drogas; o tráfico de armas; escândalos estes muito mais intensos do que os denunciados no Brasil.

A AEPET reitera sua posição contra qualquer ato de corrupção ou ingerência política indevida, mas estranha tais afirmações de magistrados neste momento em que os entreguistas de plantão estão aproveitando para concentrar as denúncias na Petrobrás visando enfraquecê-la como operadora única do pré-sal. Vale destacar que, na condição de operadora única, a Petrobrás inibe os dois maiores focos de corrupção no setor petróleo: o superfaturamento dos custos de produção – que são ressarcidos em petróleo - e a medição fraudulenta da produção. Destaque-se também que a relação promíscua das empreiteiras com os órgãos públicos permeia todos os segmentos da administração pública do Brasil, mas a Petrobrás é a única citada.

Outro ponto a destacar é o fato de o Judiciário ter uma parcela de culpa na impunidade. Por exemplo: a AEPET subsidiou o Sindipetro-RS numa ação contra a troca de ativos entre a Petrobrás e a Repsol feita na gestão Reischstul. Essa troca de ativos visava privatizar a refinaria Refap, criando-se uma terceira empresa, Refap S/A, com aportes de capital da Petrobrás e da Repsol. No primeiro instante, cada uma deveria aportar US$ 500 milhões em ativos. No entanto, os ativos aportados pela Petrobrás, segundo cálculo da AEPET, valiam US$ 2,2 bilhões e os aportados pela Repsol não passaram de US$ 170 milhões (a Petrobrás declarou no balanço o prejuízo de US$ 330 milhões na operação). O Sindipetro-RS e a AEPET obtiveram liminar invalidando a transação. Ao chegar no STJ, o presidente Edson Vidigal, dois anos depois, cassou a liminar e, sem julgamento de mérito, anulou o processo alegando que não podia manter a liminar porque os envolvidos haviam feito vultosos investimentos. A realidade: a Repsol e o presidente da Petrobrás ignoraram a liminar, portanto desrespeitaram a Justiça, e a Repsol foi beneficiada pela decisão. Ou seja, o STJ beneficiou o infrator.

Um outro exemplo: na operação Satiagaha, em que foi preso o banqueiro Daniel Dantas, acabou com a punição da ratoeira, deixando o rato fortalecido. O delegado Protógenes Queiroz, o denunciante, foi o único punido pelo Superior Tribunal Federal (STF).

Outro caso que vale destacar é a ação de inconstitucionalidade feita pelo governador Roberto Requião (PR) contra o Artigo 26 da Lei do Petróleo (9.478/97), que cede todo o petróleo para quem produz, contrariando frontalmente o Artigo 177 da Constituição, recebeu votos magistrais favoráveis dos ministros Aires de Brito e Marco Aurélio Mello, mas foi derrotada pelos demais ministros com votos absolutamente medíocres, porém sob pressão do cartel internacional do petróleo.

Lembremos que a corrupção pode ser comparada à AIDS: o que mata o paciente são as doenças parasitas. Os casos de corrupção que estão sendo denunciados devem ser totalmente apurados, mas não podem seguir servindo de pretexto para os entreguistas atacarem a Petrobrás e defenderem a vinda de empresas estrangeiras de engenharia, como faz o editorial do jornal O Globo desta quarta-feira (26). “O problema é que o ramo das empreiteiras se transformou em um clube fechado, subdividido em diferentes níveis, de acordo com o patamar do contratado. Empresas internacionais não podem concorrer dentro do país. Tudo indica que chegou a hora de se rever esse antigo protecionismo”, diz o texto."

Era uma vez, em um verão...

No último domingo estava dando uma olhada nos meus discos de vinil.
Até hoje não contei quantos LPs sobraram (acredito que menos de 1.000) e já nem lembro de muitas das raridades que perdi.
Mas achei um dos que mantive (ainda bem): a trilha sonora original do filme "Summer of '42", de Michel Legrand.
Aí me lembrei que havia feito um post no blog sobre o filme e a música. Acho que foi em 2010. Encontrei e resolvi recolocá-lo aqui para os que na época não conheciam o nosso espaço. Ou para quem já leu, lembrar que vale a pena ver o filme. Da série "Retrospectiva..."
 
Houve uma vez, um verão
Na década de 1970 assisti a um filme de que nunca mais esqueci. Na verdade não me lembro com detalhes de todos os acontecimentos do drama mas, adolescente que era, ficou na memória em linhas gerais uma espécie de “sinopse” da história.

Ocorre que nunca mais vi esse filme. Acredito que ele esteja disponível em DVD (se estiver em catálogo) ou mesmo que passe eventualmente nesses canais de filmes antigos, tipo Telecine Cult.

Pode ser que eu tenha, inconscientemente, optado por assistir aquela única vez para deixar registrado o encantamento de uma mente adolescente que ainda não tinha tido uma única namorada, mas que no fundo ansiava por uma paixão.

Acho que se eu falar o nome do filme e descrevê-lo um pouco, vocês vão entender melhor, certo?

Chama-se “Summer of '42”. A direção foi de Robert Mulligan, baseado em um roteiro autobiográfico de Herman Raucher. Ou seja, trata-se de uma história real. São as recordações de Herman, já um senhor maduro, contando um episódio da adolescência que marcou sua vida.

Foi uma paixão de verão (em um balneário americano) que ele teve por uma mulher mais velha chamada Dorothy (a bela Jennifer O'Neill), recém-casada e carente devido à ausência do marido, que estava servindo na II Guerra Mundial.

É talvez um dos mais singelos e emocionantes registros sobre o tema “a primeira vez”, onde a iniciação sexual é tratada de forma emocional. Apesar do tema 'forte' é um hino à inocência, a um momento único. Uma lição de amor e de vida, contada de forma poética e sensível. O que não é fácil, pois além da questão 'iniciação' trata-se de um relacionamento passageiro entre uma mulher casada, mais velha e um adolescente. Isso em 1942, contado no início dos anos 1970!
A capa original do LP com a trilha-sonora

Tenho até medo de falar essas coisas. Alguns de vocês podem procurar o filme, assisti-lo e... achar horrível! Os tempos são outros...

É que, para muitos, poderá parecer uma história “datada”. Não deixa de ser verdade. É o relato de uma época. Os tempos mudam e, sem nostalgia, acho que muitos jovens poderiam assisti-lo para comparar com as facilidades atuais. Isso sem querer distinguir “como melhor ou pior”.

No Brasil, com tantas adaptações de títulos infelizes, neste eles acertaram e para mim ficou melhor que o original: “Houve Uma Vez Um Verão” (acho que depois relançaram com o título "No Verão de 42"). E acredito que nunca houve um verão como aquele no cinema.

Mas tem outra coisa no filme que contribuiu para que ficasse em minha memória: a maravilhosa trilha-sonora de Michel Legrand, essa sim indispensável para admiradores de boa música orquestral. Retratou de maneira impar os momentos suaves do filme.

Talvez esteja na hora de, tantos anos depois, rever essa película (antigamente chamávamos assim) e verificar se resgato as mesmas sensações, apesar dos mais de 50 anos de hoje...


Jennifer O'neill

Navegando nas Lembranças e nas Ondas do Radio

Alguns dias de retrospectivas especiais do blog a partir de hoje.
Este texto foi postado no início de 2011.

Neste verão li uma matéria sobre emissoras de rádio e andei pensando sobre o fato.

As novas gerações não estão muito ligadas em ouvir rádio e diversos fatores contribuíram para isso.

A reportagem mostrava uma reversão desse quadro e apontava os motivos.

Na minha época de infância (lá vou eu de novo), subúrbio da cidade do Rio de Janeiro, ouvir rádio era hábito obrigatório para quem gostava de música. Poucos tinham condições de adquirir equipamento de som nos anos 60. Quer dizer, pelo menos a minha família (e a vizinhança) não tinha.

Não havia (ainda) emissoras FM que começaram a surgir em meados dos anos 70. Daqui a pouco falo delas.

As rádios AM dominavam a programação, que era de alto nível. Tinha que ser mesmo, pois o Pop/Rock/MPB da época eram Beatles, Rolling Stones, Roberto Carlos, Chico Buarque, etc.

Eu ouvia muito a Radio Tamoio e a Radio Mundial (AM 860), que tinham uma disputa entre elas.

Na Tamoio existia o programa “Musical dos Colégios”. O DJ dizia: “música do Colégio Pedro II”: Beatles, “Hey Jude”(!). Aí o pessoal ligava para lá para votar nas preferidas. As mais pedidas retornavam nas campeãs.

Na mesma linha a Mundial tinha o “Show dos Bairros”: “Música da Tijuca”: Tim Maia, “Azul da Cor do Mar”(!).

E lançavam-se LPs das emissoras: a ótima série “Sua Paz Mundial” teve diversas edições. Aliás foi também Mundial e Tamoio que cunharam o termo “Good Times” nos programas que recordavam músicas de anos anteriores: “Saudade Não Tem Idade”.

Nessa linha formaram-se ouvintes conscientes. Parte desse público tornou-se mais exigente e as emissoras atendiam: na MEC, Música Clássica; na JB, “60 Minutos de Música Contemporânea”. E aí vieram as FMs com destaque para a Eldo Pop que mirava no Hard-Rock, Jazz-Rock e Rock Progressivo. Em outro post falo desta.


No final dos anos 70 a coisa desandou e as emissoras tornaram-se “pasteurizadas”: os Djs falavam da mesma forma, tocavam as mesmas músicas, iniciou-se o chamado “jabá” das gravadoras (pagavam para tocar só o que era interessante economicamente para elas).

Pouca coisa se salvou nos anos 80 e uma delas foi a Fluminense FM (a “Maldita”) que transmitia de Niterói uma programação fora dos padrões, sem jabá e com excelentes programadores. Não durou muito tempo.

Os anos 1990 e 2000 foram uma lástima. A ponto de surgirem as emissoras piratas regionais para tentar colocar vida inteligente no ar. Eu participei disso, mais como ouvinte mesmo, sem risco para os jatos.

Foram 20 anos perdidos e aí voltamos ao ponto inicial: novas gerações não sabem o que é uma emissora de radio de qualidade e nem se ligam muito nisso (até porque o radio agora disputa a atenção com outras formas de comunicação, sobretudo Internet).

No entanto, segundo a matéria citada, nos últimos anos o quadro começou a se reverter. Os programadores voltaram a ter importância nas definições do que tocar e na ênfase da informação ao ouvinte.

Talvez isso possa parecer algo sem importância mas, afinal, no que se refere à diversão e arte, o que é importante hoje em dia? BBB?

No livro “O Triunfo da Música” (Cia. das Letras) do historiador inglês Tim Blanning, a importância da música e a sua elevação de status nos últimos séculos é devidamente analisada em cinco pontos chave: prestígio, propósito, espaços, tecnologia e libertação.

Como exemplo da melhoria da situação das emissoras, são citados (no artigo, não no livro) programas da Oi FM, MPB FM, Roquete Pinto AM, Transamérica Pop, Beat 98, Nativa FM, MEC FM em programas como “Novo Som”, “Faro MPB”, “Sangue Novo” (MPB), “Nômade”, “Afrotudo” (World Music), “Segunda-Feira Sem Lei” (raridades e alternativos), “Radio Caos” (música e literatura), “Quem Toca” (música instrumental), “Viva Música!” (música clássica), etc.

São emissoras que transmitem a partir do Rio de Janeiro, mas a programação pode ser acessada também via Internet de qualquer parte.

Fica a dica do Blog.

A citada Radio Mundial tinha um comercial na TV que se utilizava da música abaixo. Era um vôo de asa delta ao som dessa música e com os dizeres “8-6-0: Sua Paz Mundial”. Por causa disso essa bonita canção ficou conhecida como “melô da asa” (melô era uma gíria que se referia à palavra melodia).



Falando em programador radiofônico (o cara que escolhia as músicas que iam tocar), DJs, anos 60 e 70, etc., não poderíamos deixar de citar aquele que foi o grande nome que revolucionou a linguagem radiofônica, trazendo não só uma nova forma de locução, mais jovem, como também renovando musicalmente o radio no Brasil: o saudoso Big Boy!

Achei esse pequeno documentário sobre ele. Na verdade esse vídeo resume bem a história que contei acima.


Como eu citei “rádios piratas” no texto, me lembrei dessa música do RPM.


26 de novembro de 2014

Operação Lava-Jato: A imprensa e a desinformação

OPERAÇÃO LAVA JATO
Excesso de informação desinforma
Por Luciano Martins Costa em 25/11/2014

"Eis um exercício interessante para os observadores críticos da imprensa brasileira: diga, de memória, os nomes de cinco acusados no escândalo da Petrobras e explique as suspeitas que pesam sobre cada um deles. Outro desafio: especifique o valor que teria sido desviado da estatal no conjunto de operações abordado pelo inquérito. Mais uma questão: quantos e quais partidos políticos estariam envolvidos no caso, a se considerar o que sai diariamente nos jornais?

Como se pode notar, excesso de informação não significa mais informação. O bombardeio intenso de notas e declarações, colhidas em vazamentos produzidos pelas autoridades, impede que o leitor componha em sua mente o quebra-cabeças que lhe permitiria entender a história como um todo.

Sabe-se, genericamente, que foi montado um esquema para aumentar preços de serviços, obras e equipamentos, e que esse dinheiro era usado para alimentar um fundo – ou vários fundos – com finalidades diversas. Um esquema de consultorias fictícias fazia a transição do dinheiro. A principal suspeita, pelo menos a que tem aparecido com maior frequência no noticiário, é de que os valores desviados serviriam para financiar campanhas eleitorais.

No entanto, segundo os jornais, o juiz encarregado de conduzir o processo se nega a ouvir referências a políticos, para não ser obrigado a transferir o foro para o Supremo Tribunal Federal. Se não há políticos envolvidos oficialmente, que valor teriam as citações a parlamentares, ex-ministros e outras autoridades nas denúncias?

Que há corrupção na Petrobras e em outras grandes empresas, estatais ou privadas, não há dúvida. Pode-se dizer que, com ou sem operações com nomes inspiradores, a prática vem de longa data, e entende-se que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal tenham que restringir a investigação a certo período específico e a um conjunto de personagens que tenham relações entre si, o que deixaria para outro pacote a apuração dos antecedentes do caso que agora mobiliza a imprensa. No entanto, não se pode ignorar que falta um fio condutor para orientar a compreensão dos cidadãos que acompanham as notícias.

Quem move a primeira peça?

Na terça-feira (25/11), por exemplo, os leitores dos principais jornais de circulação nacional são convencidos pela imprensa de que os envolvidos atuavam com tanta segurança que até davam recibo de propina. Essa afirmação está na primeira página do Globo: “Corrupção na Petrobras teve até recibo de propina”, diz o jornal carioca.

O Estado de S. Paulo, mais contido, evita assumir que o recibo se referia ao pagamento de propina, dizendo que um dos executivos presos declarou ter entregue dinheiro a um intermediário, mesmo depois de iniciado o inquérito do caso, e mostrou um comprovante de pagamento. Já a Folha de S. Paulo coloca o assunto em segundo plano na primeira página e registra: “Empreiteira exibe suposto comprovante de propina”.

Temos, então, três versões diferentes para a mesma história, mas com um sentido comum que nenhum dos jornais esclarece: o esforço que fazem os advogados dos empresários presos para convencer a sociedade e, por extensão, as autoridades, de que seus clientes são apenas vítimas do sistema da corrupção que envenena o setor público. O tal recibo seria, no caso, uma prova de que o pagamento foi feito sob ameaça de boicote à empresa.

Acontece que os jornais já publicaram, em edições anteriores, até mesmo fac-símiles de notas fiscais, que, segundo o inquérito, comprovariam pagamentos de comissões irregulares. Com esse tipo de abordagem, a imprensa reforça a tese de que as grandes empreiteiras são vítimas do sistema da corrupção, obrigadas a pagar comissão para vender equipamentos e serviços.

O noticiário não responde as questões importantes, como por exemplo: quem move a primeira peça nesse jogo – o corrupto ou o corruptor?

A imprensa se esforça para fazer parecer simples uma história complexa, com muitos protagonistas e complicadas operações financeiras, mas a tática de saturar o noticiário com informações desconexas apenas produz desinformação e reforça a crença geral de que tudo, na nossa democracia, se faz por vias tortas.

Sem uma proposta de reforma negociada entre os poderes da República e referendada pela sociedade, a criminalização generalizada da atividade política e a demonização do sistema partidário servem apenas para reduzir a confiança da população no sistema democrático."

Fonte: Observatório da Imprensa

Leiam também: Investigações aumentam ligações da gestão FHC à corrupção na Petrobras (na Rede Brasil Atual)

Petrobras, Pré-Sal e Privatização

Ofensiva contra a Petrobras vai se intensificar, pois a disputa de longo prazo é pelo pré-sal
O buraco é mais embaixo: 7000 metros de profundidade
Desgaste à Petrobras esconde intenção de privatizar estatal e o pré-sal

Por Gilberto Cervinski


Integrante do MAB fala da articulação entre setores internos e empresas estadunidenses. Objetivo seria criar condições políticas para que se inicie processo de privatização e entrega das reservas de petróleo.

da Radioagência Brasil de Fato


"A crise internacional do petróleo deve intensificar a ofensiva externa para que o Brasil privatize a Petrobrás e o pré-sal.

Segundo Gilberto Cervinski, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), desgastar a imagem da estatal é uma forma de criar condições políticas para que isso ocorra.

A Petrobras é alvo de investigações da Polícia Federal, que apura esquema de corrupção envolvendo políticos e donos de empreiteiras.

Os desdobramentos levaram a prisão de mais de vinte pessoas.

Cervinski destaca a posição estratégica ocupada pelo país quando o assunto é a questão energética.

Ele alerta para a necessidade de as forças populares defenderem a empresa, que é essencial para a garantia do desenvolvimento do país.

“O ataque ao Brasil para privatizar a Petrobras e privatizar o pré-sal vai se intensificar. Nos Estados Unidos as reservas de petróleo são baixíssimas e é o maior consumidor mundial. E ele praticamente está fora do controle do pré-sal. Uma parcela dos setores da sociedade articulada com as empresas estadunidenses vai querer forçar a entrega do petróleo e a privatização da Petrobrás.”

Recente pesquisa do Ibope divulgada em setembro, mostrava que 59% dos brasileiros são contrários à privatização da Petrobras. (...)"

Nota do Viomundo: O jornal O Globo, porta-voz estadunidense em terras brasileiras, já quebrou o tabu e disse que não se deve descartar a privatização da Petrobras. Como se sabe, esta é uma batalha de longo prazo, com torpedos diários da mídia corporativa para solapar as bases de uma Petrobras que sirva acima de tudo aos interesses do povo brasileiro. Em nome do controle da PDVSA, lembrem-se, os Estados Unidos apoiaram um locaute empresarial que quase derrubou o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Leia mais aqui.

Paul McCartney e a Fonte da Juventude

"A história de Paul McCartney e John Lennon em sua essência é universal: dois jovens que formam uma ligação através de sua paixão pela música.
Este vídeo é sobre eles, e cada banda, e cada criança que sofreu os altos e baixos de começar uma banda, ou não se tornou bem sucedido.
A universalidade da sua história foi uma grande inspiração para a criação deste filme no Mississippi durante os anos 50.
Os primórdios do Rock and Roll americano e do Delta Blues do Mississipi é um período de tempo que inspirou fortemente os Beatles.
A canção "Primeiros Dias" é sobre o espírito e a inspiração que jovens músicos encontram um no outro."

A tradução pode ser lida no final do post.
Paul McCartney "Early Days" from VINCENT HAYCOCK on Vimeo.

Ontem eu assisti a transmissão ao vivo que o canal Multishow fez do show de Paul McCartney em São Paulo.
Quer dizer, ao vivo um ova.
Havia um 'delay' em que o pessoal estava editando a apresentação. 
A galera das redes sociais 'chiou' na hora, e com razão. Ou é ao vivo ou não é. Não importa se o atraso seja de dias ou minutos.
O que me lembrou uma piada do Facebook: uma foto do Anderson Silva vendo no sofá de casa sua luta "ao vivo", transmitida pela Globo de madrugada e ainda por cima pelo Galvão.
Bem, mas essa reclamação é o de menos.
O fato é que mais uma vez perdi a oportunidade de ver um Beatle in loco. E não sei se existirão ainda muitas chances. E era o Paul!
Prometi para minha filha que iremos no próximo. 
Mas o Paul está com 72 anos! 
E daí? Viram ele no show? Um fenômeno. Tá melhor que eu, que tenho 17 anos a menos.
Viva a história da música popular do século XX, na figura do eterno Beatle Paul McCartney!
Leiam abaixo o emocionante texto do Kiko Nogueira do DCM.

 
O segredo da eterna juventude, segundo o velho Paul McCartney
"Quando tinha 16 anos, Paul McCartney e John Lennon costumavam pegar um ônibus em Liverpool para ver um guitarrista que sabia fazer um si com sétima maior, acorde essencial no rock.
Décadas mais tarde, evocando essa cena, Paul diria que aquele artista “tinha provavelmente 26 anos, mas nós achávamos que ele era velho demais para ainda estar tocando”.
Aos 72, Paul continua se apresentando e dá sinais de que não vai parar nunca. Os shows no Brasil, parte da turnê “Out There”, têm três horas de duração, durante as quais ele ataca 35 números de um catálogo sem paralelo na história da música popular.
Nos início dos anos 60, ele previu mais um ou dois anos para sua banda e, dali em diante, uma carreira mediana de compositor. Em “When I’m 64”, desenhou um futuro para si que, hoje, não poderia estar mais absurdamente distante.
Macca nunca foi tão popular. Está entre os artistas mais ricos do mundo, enche concertos para até 300 mil pessoas (na Praça Vermelha, em Moscou), lança discos novos, em média, a cada dois anos. Tudo isso carregando nas costas sua própria lenda.
Precisa? Por que não vai para uma ilha contar moedinhas?
“Porque isso é o que eu sei fazer”, respondeu certa vez. “Eu vou morrer no palco tocando ‘Yesterday’ numa cadeira de rodas”. Para o New Musical Express, afirmou que tenta superar a si mesmo. Macca confessou querer compor “mais uma música realmente boa”. Vindo de quem fez o que ele fez — “Golden Slumbers” seria suficiente –, é extraordinário.
Dificilmente esse milagre acontecerá e é injusto cobrar mais do homem. O que importa, no entanto, é que ele não se contenta.
Macca está com o mesmo grupo há 12 anos. A saber: Paul Wickens (teclados), Rusty Anderson (guitarra), Brian Ray (guitarra) e Abe Laboriel Jr (bateria). Mais tempo, portanto, do que com os Beatles e com os Wings. Eles se gostam, se conhecem, se entendem.
As piadas sobre o eterno retorno do dinossauro ao Brasil, a comparação óbvia, idiota e fora de lugar com Lennon, seu suposto bom mocismo (se você tiver mais de 12 anos e chamá-lo de coxinha, precisa consultar um psiquiatra) — tudo isso vira pó na introdução de “Eight Days A Week”.
Na faixa mais bonita de seu último CD, “Early Days”, Macca rememora sua juventude. “Eles nunca vão tirar isso de mim”, canta ele, a voz frágil. “Tantas vezes tive de trocar a dor pelo sorriso, apenas para não enlouquecer”. Ele e o amigo John andavam “de preto, duas guitarras nas nossas costas, procurando alguém que ouvisse a música que escrevíamos em casa”.
Meio século depois, sob as vistas de milhões de pessoas, aquele garoto ainda vive no velho Macca, procurando alguém que ouça sua música."

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Sobre o Autor: Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Primeiros Dias (Early Days)
Eles não poderiam tirar isso de mim, se tentassem
Eu vivo através desses primeiros dias
Tantas vezes eu tive que mudar da dor para o riso
Apenas para não ficar louco

Vestido de preto da cabeça aos pés
Duas guitarras em nossas costas
Andaríamos pelas ruas da cidade
Procurando alguém que iria ouvir a música
Que havíamos escrito em casa

Mas eles não poderiam tirar isso de mim, se tentassem
Eu vivo através desses primeiros dias
Tantas vezes eu tive que mudar da dor para o riso
Apenas para não ficar louco

Cabelo penteado para trás com vaselina
Como as fotos na parede
Da loja de discos local
Ouvindo ruídos que estávamos destinados a lembrar
Decididos que nunca acabasse a emoção

Doces memórias dos amigos do passado
Sempre voltam para você, quando você as procura
E a sua inspiração, por muito tempo pode durar
Pode voltar a você outra vez

Agora todo mundo parece ter a própria opinião
Quem fez isso e quem fez aquilo
Mas, quanto a mim, eu não vejo como eles podem lembrar
Já que não estavam onde aconteceu

Eles não podem tirar isso de mim, se tentassem
Eu vivo através desses primeiros dias
Tantas vezes eu tive que mudar da dor para o riso
Apenas para não ficar louco

Eu vivo através desses primeiros dias
Eu vivo através desses primeiros dias

The Book Is On The Table: Uma análise psicológica de "A Culpa é das Estrelas"

Um dos livros que estou tentando ler 
ao mesmo tempo com outros dois
Nossa seção "The Book Is On The Table", onde comentamos sobre livros que andamos lendo ultimamente, anda sumida.
É que temos que optar: ou tentamos ler a interminável fila de obras aguardando na estante ou dedicamos tempo a escrever sobre cada uma delas.
Enfim, sempre a falta de tempo.
No momento, por exemplo, estou terminando o clássico "Cem Anos de Solidão" (Gabriel Garcia Marquez) ao mesmo tempo que encaro o primeiro ("A Guerra dos Tronos") dos cinco livros (na verdade serão sete!) da saga "As Crônicas de Gelo e Fogo" (George R.R. Martin) e a biografia "Inside Out - A Verdadeira História do Pink Floyd" (de Nick Mason, baterista e um dos fundadores da banda).
Já viram que fica difícil, né?
Ontem uma leitora do blog pediu para comentar sobre o livro "A Culpa é das Estrelas" (Editora Intrínseca; já tem o filme também) de John Green. Eu comprei este livro para minha filha há alguns meses. Ela leu mas eu ainda nem folheei. Confesso que nem sabia do que a história tratava. Pensava ser apenas mas um dessas levezas de adolescência. Parece que não.
Como não li, não posso comentar.
A saída foi 'catar' na Internet alguma resenha a respeito, no sentido de atender à leitora. Descobri que é uma obra que aborda um tema de interesse geral, embora não tão agradável.
Vale a pena ler a análise do psicanalista Carlos São Paulo, publicada originalmente na Revista Psiquê, da Editora Escala, edição de outubro/2014.
A transcrição eu consegui no site Acesso Educar.

É preciso viver intensamente 
Por Carlos São Paulo

Em A Culpa é das Estrelas, o autor John Green conta a história de Hazel Grace, uma adolescente portadora de doença terminal, que descobre e vivencia um grande amor, dentro do cenário da premente e precoce finitude de sua vida

"Não importa a imensidão do quanto dura uma estrela ou a vida de um homem. Importa, dentro dessa finitude, a beleza, o amor e o que precisa ser vivido dentro dos vários tamanhos de infinito de cada vida, quando bem vivida. A consciência do homem está sempre pronta para dividir uma mesma realidade em duas bandas com sentidos opostos.
Ficamos com a parte que nos interessa e desqualificamos a outra, como agem os adolescentes com seus sentimentos de onipotência e ideias de imortalidade. Isso os leva a uma aproximação da possibilidade de morte. Por isso, ser lembrado da morte é, também, tomar consciência da vida e zelar pela boa qualidade dela.
Para Tolstoi, todas as famílias felizes se parecem, e cada família infeliz é infeliz à maneira delas. Em A Culpa é das Estrelas, John Green narra a história de Hazel Grace, adolescente portadora de doença terminal. A condição de sua família ser infeliz a faz se sentir uma granada prestes a explodir. A mãe, que vivia em função de cuidar da moça, a levou para participar de um grupo de apoio composto por jovens, portadores de câncer, cujas vidas tinham uma sentença de morte indefinidamente protelada.
Lidar com a dor que precisa ser sentida e o desconforto do que não podemos controlar, nos deixa péssimos ouvintes da dor do outro. Quando uma pessoa que vai morrer é enganada, com uma mentira agradável, segundo o PhD em psicologia Jean-Yves le loup, surge nela uma confusão e aumenta a dificuldade em que ela já se encontra. Isso porque o corpo ―sabe que vai morrer. Ocultar essa verdade é violar o direito sagrado de um eu finito se adaptar a uma natureza infinita. Chegará o momento em que o corpo, em sua última hora, revelará uma verdade brutal àquele que está para se libertar dessa dimensão corporal de um eu.
A culpa é das estrelas é uma história que ensina a necessidade de se viver a vida independentemente da impotência diante do destino. Somos responsáveis por várias decisões na vida, mas não pelo destino. É escolha dos deuses. Abrir mão do controle e aceitar o incontrolável é o modo que temos para aceitar as várias mortes que se sucedem em cada ciclo de vida.
No grupo de apoio, hazel Grace conhece augustus Waters - o Gus. Juntos descobrem o amor e o sexo. Vivem esse amor ilimitado dentro da lembrança de suas ―sobrevidas‖ limitadas.
Ambos incluem, em suas leituras, o romance chamado Uma Aflição Imperial. Uma obra que acaba no meio de uma frase. Esse sentimento de incompletude domina o casal, que vive essa sensação na vida.
A adolescência é uma fase da vida em que o homem está incompleto. Esse casal jovem não vive a ilusão da cura. O que lhes importa é viver um grande amor. Nessa fase, como em todas as outras, nunca saberemos o quanto iremos viver. Gus não chegou a ser adulto, partiu. Hazel, no funeral, fez um discurso, cuja última
frase dizia: ―você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, eu sou muito grata por isso‖.

A ADOLESCÊNCIA É UMA FASE DA VIDA EM QUE O HOMEM ESTÁ INCOMPLETO. ESSE CASAL JOVEM NÃO VIVE A ILUSÃO DA CURA. O QUE LHES IMPORTA É VIVER UM GRANDE AMOR. NESSA FASE, COMO EM TODAS AS OUTRAS, NUNCA SABEREMOS O QUANTO IREMOS VIVER. GUS NÃO CHEGOU A SER ADULTO, PARTIU

O livro (que virou filme este ano) e seu autor
A mãe de Hazel se lamentou com a elocução: ―Eu vou deixar de ser mãe‖. A filha, sem querer, ouviu-a e revelou-lhe o que escutara. Pediu-lhe desculpas e disse que continuaria a amá-la como a própria Hazel continuava a amar Gus. Nesse momento, a mãe lhe revelou que era mestranda em serviço Social. A filha ficou contente. Hazel imaginou que seus pais poderiam continuar vivendo, mesmo sem ter uma filha adolescente para se ocupar.
Há várias mortes em nossos ciclos de vida. Na morte simbólica da adolescência, os pais precisam intervir para que seus filhos não se tornem um puer Aeternus. Nome que se dá a um complexo que faz o indivíduo continuar a adolescência e depender dos seus pais por muito mais tempo do que determina sua idade cronológica. É o ―filho eterno.
Em nossa cultura, o modo de ser jovem tem a morte literal engolida pela ideia ficcional da eterna adolescência. Modo inconsciente de perpetuar a juventude. Estão acostumados com os desenhos animados da infância. A bomba explode, mas não atrapalha o personagem. Logo ele se recupera e entra em ação. Dessa forma, os jovens não conseguem elaborar os perigos que a mídia lhes transmite no dia a dia: rachas, pacientes jovens com câncer, liberdade sexual, drogas, o menino que entrou na jaula do tigre etc. Até os profissionais de saúde são propensos a fazer o diagnóstico tardiamente, quando se trata de um paciente juvenil. Obras literárias como a de John Green têm um valioso papel de acordar o nosso público para
esse tema da morte literal e, assim, trazer mais valor para a vida.
Será a culpa das estrelas? de acordo com o psicólogo Viktor D. Salis, na astrologia arcaica, o retorno aos astros é o nosso caminho, que representa nossa evolução. Os astros são a manifestação dos deuses e, como viemos deles, a nossa personalidade teria essa influência. Faz sentido a frase: ―viestes das estrelas e para as estrelas voltarás, tradução livre de ―viestes do pó e ao pó voltarás.
Disse São Francisco: ―senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado... Resignação para aceitar o que não pode ser mudado... Sabedoria para distinguir uma coisa de outra.
Aprendemos no livro que alguns infinitos são maiores do que outros e que todo o mundo deveria poder viver um amor verdadeiro, não importando o quanto dure."

Sobre o autor: Carlos São Paulo é médico e psicoterapeuta junguiano. É diretor e fundador do Instituto Junguiano da Bahia.