27 de novembro de 2014

Combate à corrução, sim. Entreguismo não.

O blog reproduz artigo de Rogério Lessa publicado na página da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras).

"De acordo com matéria publicada no jornal O Globo desta quarta-feira (26), o Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nilton Trisotto, relator do julgamento do doleiro Alberto Youssef, afirmou que a corrupção brasileira é "uma das maiores vergonhas da humanidade". Já o ministro Felix Fischer, disse que “nenhum outro país viveu tamanha roubalheira”, referindo-se ao escândalo de corrupção da Petrobrás, investigado pela operação Lava Jato.

São afirmações fortes e chegam a causar estranheza, tal o exagero, mostrando certo desconhecimento da realidade mundial. A mídia vem mostrando escândalos nas vendas de armas para o Departamento de Estado norte-americano, as denúncias do Wikileaks; o lucro de US$ 300 bilhões da Halliburton - mentora da guerra do Iraque - fazendo obras de recuperação sem concorrência; a derrubada de governos no mundo do petróleo; o tráfico de drogas; o tráfico de armas; escândalos estes muito mais intensos do que os denunciados no Brasil.

A AEPET reitera sua posição contra qualquer ato de corrupção ou ingerência política indevida, mas estranha tais afirmações de magistrados neste momento em que os entreguistas de plantão estão aproveitando para concentrar as denúncias na Petrobrás visando enfraquecê-la como operadora única do pré-sal. Vale destacar que, na condição de operadora única, a Petrobrás inibe os dois maiores focos de corrupção no setor petróleo: o superfaturamento dos custos de produção – que são ressarcidos em petróleo - e a medição fraudulenta da produção. Destaque-se também que a relação promíscua das empreiteiras com os órgãos públicos permeia todos os segmentos da administração pública do Brasil, mas a Petrobrás é a única citada.

Outro ponto a destacar é o fato de o Judiciário ter uma parcela de culpa na impunidade. Por exemplo: a AEPET subsidiou o Sindipetro-RS numa ação contra a troca de ativos entre a Petrobrás e a Repsol feita na gestão Reischstul. Essa troca de ativos visava privatizar a refinaria Refap, criando-se uma terceira empresa, Refap S/A, com aportes de capital da Petrobrás e da Repsol. No primeiro instante, cada uma deveria aportar US$ 500 milhões em ativos. No entanto, os ativos aportados pela Petrobrás, segundo cálculo da AEPET, valiam US$ 2,2 bilhões e os aportados pela Repsol não passaram de US$ 170 milhões (a Petrobrás declarou no balanço o prejuízo de US$ 330 milhões na operação). O Sindipetro-RS e a AEPET obtiveram liminar invalidando a transação. Ao chegar no STJ, o presidente Edson Vidigal, dois anos depois, cassou a liminar e, sem julgamento de mérito, anulou o processo alegando que não podia manter a liminar porque os envolvidos haviam feito vultosos investimentos. A realidade: a Repsol e o presidente da Petrobrás ignoraram a liminar, portanto desrespeitaram a Justiça, e a Repsol foi beneficiada pela decisão. Ou seja, o STJ beneficiou o infrator.

Um outro exemplo: na operação Satiagaha, em que foi preso o banqueiro Daniel Dantas, acabou com a punição da ratoeira, deixando o rato fortalecido. O delegado Protógenes Queiroz, o denunciante, foi o único punido pelo Superior Tribunal Federal (STF).

Outro caso que vale destacar é a ação de inconstitucionalidade feita pelo governador Roberto Requião (PR) contra o Artigo 26 da Lei do Petróleo (9.478/97), que cede todo o petróleo para quem produz, contrariando frontalmente o Artigo 177 da Constituição, recebeu votos magistrais favoráveis dos ministros Aires de Brito e Marco Aurélio Mello, mas foi derrotada pelos demais ministros com votos absolutamente medíocres, porém sob pressão do cartel internacional do petróleo.

Lembremos que a corrupção pode ser comparada à AIDS: o que mata o paciente são as doenças parasitas. Os casos de corrupção que estão sendo denunciados devem ser totalmente apurados, mas não podem seguir servindo de pretexto para os entreguistas atacarem a Petrobrás e defenderem a vinda de empresas estrangeiras de engenharia, como faz o editorial do jornal O Globo desta quarta-feira (26). “O problema é que o ramo das empreiteiras se transformou em um clube fechado, subdividido em diferentes níveis, de acordo com o patamar do contratado. Empresas internacionais não podem concorrer dentro do país. Tudo indica que chegou a hora de se rever esse antigo protecionismo”, diz o texto."

Era uma vez, em um verão...

No último domingo estava dando uma olhada nos meus discos de vinil.
Até hoje não contei quantos LPs sobraram (acredito que menos de 1.000) e já nem lembro de muitas das raridades que perdi.
Mas achei um dos que mantive (ainda bem): a trilha sonora original do filme "Summer of '42", de Michel Legrand.
Aí me lembrei que havia feito um post no blog sobre o filme e a música. Acho que foi em 2010. Encontrei e resolvi recolocá-lo aqui para os que na época não conheciam o nosso espaço. Ou para quem já leu, lembrar que vale a pena ver o filme. Da série "Retrospectiva..."
 
Houve uma vez, um verão
Na década de 1970 assisti a um filme de que nunca mais esqueci. Na verdade não me lembro com detalhes de todos os acontecimentos do drama mas, adolescente que era, ficou na memória em linhas gerais uma espécie de “sinopse” da história.

Ocorre que nunca mais vi esse filme. Acredito que ele esteja disponível em DVD (se estiver em catálogo) ou mesmo que passe eventualmente nesses canais de filmes antigos, tipo Telecine Cult.

Pode ser que eu tenha, inconscientemente, optado por assistir aquela única vez para deixar registrado o encantamento de uma mente adolescente que ainda não tinha tido uma única namorada, mas que no fundo ansiava por uma paixão.

Acho que se eu falar o nome do filme e descrevê-lo um pouco, vocês vão entender melhor, certo?

Chama-se “Summer of '42”. A direção foi de Robert Mulligan, baseado em um roteiro autobiográfico de Herman Raucher. Ou seja, trata-se de uma história real. São as recordações de Herman, já um senhor maduro, contando um episódio da adolescência que marcou sua vida.

Foi uma paixão de verão (em um balneário americano) que ele teve por uma mulher mais velha chamada Dorothy (a bela Jennifer O'Neill), recém-casada e carente devido à ausência do marido, que estava servindo na II Guerra Mundial.

É talvez um dos mais singelos e emocionantes registros sobre o tema “a primeira vez”, onde a iniciação sexual é tratada de forma emocional. Apesar do tema 'forte' é um hino à inocência, a um momento único. Uma lição de amor e de vida, contada de forma poética e sensível. O que não é fácil, pois além da questão 'iniciação' trata-se de um relacionamento passageiro entre uma mulher casada, mais velha e um adolescente. Isso em 1942, contado no início dos anos 1970!
A capa original do LP com a trilha-sonora

Tenho até medo de falar essas coisas. Alguns de vocês podem procurar o filme, assisti-lo e... achar horrível! Os tempos são outros...

É que, para muitos, poderá parecer uma história “datada”. Não deixa de ser verdade. É o relato de uma época. Os tempos mudam e, sem nostalgia, acho que muitos jovens poderiam assisti-lo para comparar com as facilidades atuais. Isso sem querer distinguir “como melhor ou pior”.

No Brasil, com tantas adaptações de títulos infelizes, neste eles acertaram e para mim ficou melhor que o original: “Houve Uma Vez Um Verão” (acho que depois relançaram com o título "No Verão de 42"). E acredito que nunca houve um verão como aquele no cinema.

Mas tem outra coisa no filme que contribuiu para que ficasse em minha memória: a maravilhosa trilha-sonora de Michel Legrand, essa sim indispensável para admiradores de boa música orquestral. Retratou de maneira impar os momentos suaves do filme.

Talvez esteja na hora de, tantos anos depois, rever essa película (antigamente chamávamos assim) e verificar se resgato as mesmas sensações, apesar dos mais de 50 anos de hoje...


Jennifer O'neill

Navegando nas Lembranças e nas Ondas do Radio

Alguns dias de retrospectivas especiais do blog a partir de hoje.
Este texto foi postado no início de 2011.

Neste verão li uma matéria sobre emissoras de rádio e andei pensando sobre o fato.

As novas gerações não estão muito ligadas em ouvir rádio e diversos fatores contribuíram para isso.

A reportagem mostrava uma reversão desse quadro e apontava os motivos.

Na minha época de infância (lá vou eu de novo), subúrbio da cidade do Rio de Janeiro, ouvir rádio era hábito obrigatório para quem gostava de música. Poucos tinham condições de adquirir equipamento de som nos anos 60. Quer dizer, pelo menos a minha família (e a vizinhança) não tinha.

Não havia (ainda) emissoras FM que começaram a surgir em meados dos anos 70. Daqui a pouco falo delas.

As rádios AM dominavam a programação, que era de alto nível. Tinha que ser mesmo, pois o Pop/Rock/MPB da época eram Beatles, Rolling Stones, Roberto Carlos, Chico Buarque, etc.

Eu ouvia muito a Radio Tamoio e a Radio Mundial (AM 860), que tinham uma disputa entre elas.

Na Tamoio existia o programa “Musical dos Colégios”. O DJ dizia: “música do Colégio Pedro II”: Beatles, “Hey Jude”(!). Aí o pessoal ligava para lá para votar nas preferidas. As mais pedidas retornavam nas campeãs.

Na mesma linha a Mundial tinha o “Show dos Bairros”: “Música da Tijuca”: Tim Maia, “Azul da Cor do Mar”(!).

E lançavam-se LPs das emissoras: a ótima série “Sua Paz Mundial” teve diversas edições. Aliás foi também Mundial e Tamoio que cunharam o termo “Good Times” nos programas que recordavam músicas de anos anteriores: “Saudade Não Tem Idade”.

Nessa linha formaram-se ouvintes conscientes. Parte desse público tornou-se mais exigente e as emissoras atendiam: na MEC, Música Clássica; na JB, “60 Minutos de Música Contemporânea”. E aí vieram as FMs com destaque para a Eldo Pop que mirava no Hard-Rock, Jazz-Rock e Rock Progressivo. Em outro post falo desta.


No final dos anos 70 a coisa desandou e as emissoras tornaram-se “pasteurizadas”: os Djs falavam da mesma forma, tocavam as mesmas músicas, iniciou-se o chamado “jabá” das gravadoras (pagavam para tocar só o que era interessante economicamente para elas).

Pouca coisa se salvou nos anos 80 e uma delas foi a Fluminense FM (a “Maldita”) que transmitia de Niterói uma programação fora dos padrões, sem jabá e com excelentes programadores. Não durou muito tempo.

Os anos 1990 e 2000 foram uma lástima. A ponto de surgirem as emissoras piratas regionais para tentar colocar vida inteligente no ar. Eu participei disso, mais como ouvinte mesmo, sem risco para os jatos.

Foram 20 anos perdidos e aí voltamos ao ponto inicial: novas gerações não sabem o que é uma emissora de radio de qualidade e nem se ligam muito nisso (até porque o radio agora disputa a atenção com outras formas de comunicação, sobretudo Internet).

No entanto, segundo a matéria citada, nos últimos anos o quadro começou a se reverter. Os programadores voltaram a ter importância nas definições do que tocar e na ênfase da informação ao ouvinte.

Talvez isso possa parecer algo sem importância mas, afinal, no que se refere à diversão e arte, o que é importante hoje em dia? BBB?

No livro “O Triunfo da Música” (Cia. das Letras) do historiador inglês Tim Blanning, a importância da música e a sua elevação de status nos últimos séculos é devidamente analisada em cinco pontos chave: prestígio, propósito, espaços, tecnologia e libertação.

Como exemplo da melhoria da situação das emissoras, são citados (no artigo, não no livro) programas da Oi FM, MPB FM, Roquete Pinto AM, Transamérica Pop, Beat 98, Nativa FM, MEC FM em programas como “Novo Som”, “Faro MPB”, “Sangue Novo” (MPB), “Nômade”, “Afrotudo” (World Music), “Segunda-Feira Sem Lei” (raridades e alternativos), “Radio Caos” (música e literatura), “Quem Toca” (música instrumental), “Viva Música!” (música clássica), etc.

São emissoras que transmitem a partir do Rio de Janeiro, mas a programação pode ser acessada também via Internet de qualquer parte.

Fica a dica do Blog.

A citada Radio Mundial tinha um comercial na TV que se utilizava da música abaixo. Era um vôo de asa delta ao som dessa música e com os dizeres “8-6-0: Sua Paz Mundial”. Por causa disso essa bonita canção ficou conhecida como “melô da asa” (melô era uma gíria que se referia à palavra melodia).



Falando em programador radiofônico (o cara que escolhia as músicas que iam tocar), DJs, anos 60 e 70, etc., não poderíamos deixar de citar aquele que foi o grande nome que revolucionou a linguagem radiofônica, trazendo não só uma nova forma de locução, mais jovem, como também renovando musicalmente o radio no Brasil: o saudoso Big Boy!

Achei esse pequeno documentário sobre ele. Na verdade esse vídeo resume bem a história que contei acima.


Como eu citei “rádios piratas” no texto, me lembrei dessa música do RPM.


26 de novembro de 2014

Operação Lava-Jato: A imprensa e a desinformação

OPERAÇÃO LAVA JATO
Excesso de informação desinforma
Por Luciano Martins Costa em 25/11/2014

"Eis um exercício interessante para os observadores críticos da imprensa brasileira: diga, de memória, os nomes de cinco acusados no escândalo da Petrobras e explique as suspeitas que pesam sobre cada um deles. Outro desafio: especifique o valor que teria sido desviado da estatal no conjunto de operações abordado pelo inquérito. Mais uma questão: quantos e quais partidos políticos estariam envolvidos no caso, a se considerar o que sai diariamente nos jornais?

Como se pode notar, excesso de informação não significa mais informação. O bombardeio intenso de notas e declarações, colhidas em vazamentos produzidos pelas autoridades, impede que o leitor componha em sua mente o quebra-cabeças que lhe permitiria entender a história como um todo.

Sabe-se, genericamente, que foi montado um esquema para aumentar preços de serviços, obras e equipamentos, e que esse dinheiro era usado para alimentar um fundo – ou vários fundos – com finalidades diversas. Um esquema de consultorias fictícias fazia a transição do dinheiro. A principal suspeita, pelo menos a que tem aparecido com maior frequência no noticiário, é de que os valores desviados serviriam para financiar campanhas eleitorais.

No entanto, segundo os jornais, o juiz encarregado de conduzir o processo se nega a ouvir referências a políticos, para não ser obrigado a transferir o foro para o Supremo Tribunal Federal. Se não há políticos envolvidos oficialmente, que valor teriam as citações a parlamentares, ex-ministros e outras autoridades nas denúncias?

Que há corrupção na Petrobras e em outras grandes empresas, estatais ou privadas, não há dúvida. Pode-se dizer que, com ou sem operações com nomes inspiradores, a prática vem de longa data, e entende-se que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal tenham que restringir a investigação a certo período específico e a um conjunto de personagens que tenham relações entre si, o que deixaria para outro pacote a apuração dos antecedentes do caso que agora mobiliza a imprensa. No entanto, não se pode ignorar que falta um fio condutor para orientar a compreensão dos cidadãos que acompanham as notícias.

Quem move a primeira peça?

Na terça-feira (25/11), por exemplo, os leitores dos principais jornais de circulação nacional são convencidos pela imprensa de que os envolvidos atuavam com tanta segurança que até davam recibo de propina. Essa afirmação está na primeira página do Globo: “Corrupção na Petrobras teve até recibo de propina”, diz o jornal carioca.

O Estado de S. Paulo, mais contido, evita assumir que o recibo se referia ao pagamento de propina, dizendo que um dos executivos presos declarou ter entregue dinheiro a um intermediário, mesmo depois de iniciado o inquérito do caso, e mostrou um comprovante de pagamento. Já a Folha de S. Paulo coloca o assunto em segundo plano na primeira página e registra: “Empreiteira exibe suposto comprovante de propina”.

Temos, então, três versões diferentes para a mesma história, mas com um sentido comum que nenhum dos jornais esclarece: o esforço que fazem os advogados dos empresários presos para convencer a sociedade e, por extensão, as autoridades, de que seus clientes são apenas vítimas do sistema da corrupção que envenena o setor público. O tal recibo seria, no caso, uma prova de que o pagamento foi feito sob ameaça de boicote à empresa.

Acontece que os jornais já publicaram, em edições anteriores, até mesmo fac-símiles de notas fiscais, que, segundo o inquérito, comprovariam pagamentos de comissões irregulares. Com esse tipo de abordagem, a imprensa reforça a tese de que as grandes empreiteiras são vítimas do sistema da corrupção, obrigadas a pagar comissão para vender equipamentos e serviços.

O noticiário não responde as questões importantes, como por exemplo: quem move a primeira peça nesse jogo – o corrupto ou o corruptor?

A imprensa se esforça para fazer parecer simples uma história complexa, com muitos protagonistas e complicadas operações financeiras, mas a tática de saturar o noticiário com informações desconexas apenas produz desinformação e reforça a crença geral de que tudo, na nossa democracia, se faz por vias tortas.

Sem uma proposta de reforma negociada entre os poderes da República e referendada pela sociedade, a criminalização generalizada da atividade política e a demonização do sistema partidário servem apenas para reduzir a confiança da população no sistema democrático."

Fonte: Observatório da Imprensa

Leiam também: Investigações aumentam ligações da gestão FHC à corrupção na Petrobras (na Rede Brasil Atual)

Petrobras, Pré-Sal e Privatização

Ofensiva contra a Petrobras vai se intensificar, pois a disputa de longo prazo é pelo pré-sal
O buraco é mais embaixo: 7000 metros de profundidade
Desgaste à Petrobras esconde intenção de privatizar estatal e o pré-sal

Por Gilberto Cervinski


Integrante do MAB fala da articulação entre setores internos e empresas estadunidenses. Objetivo seria criar condições políticas para que se inicie processo de privatização e entrega das reservas de petróleo.

da Radioagência Brasil de Fato


"A crise internacional do petróleo deve intensificar a ofensiva externa para que o Brasil privatize a Petrobrás e o pré-sal.

Segundo Gilberto Cervinski, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), desgastar a imagem da estatal é uma forma de criar condições políticas para que isso ocorra.

A Petrobras é alvo de investigações da Polícia Federal, que apura esquema de corrupção envolvendo políticos e donos de empreiteiras.

Os desdobramentos levaram a prisão de mais de vinte pessoas.

Cervinski destaca a posição estratégica ocupada pelo país quando o assunto é a questão energética.

Ele alerta para a necessidade de as forças populares defenderem a empresa, que é essencial para a garantia do desenvolvimento do país.

“O ataque ao Brasil para privatizar a Petrobras e privatizar o pré-sal vai se intensificar. Nos Estados Unidos as reservas de petróleo são baixíssimas e é o maior consumidor mundial. E ele praticamente está fora do controle do pré-sal. Uma parcela dos setores da sociedade articulada com as empresas estadunidenses vai querer forçar a entrega do petróleo e a privatização da Petrobrás.”

Recente pesquisa do Ibope divulgada em setembro, mostrava que 59% dos brasileiros são contrários à privatização da Petrobras. (...)"

Nota do Viomundo: O jornal O Globo, porta-voz estadunidense em terras brasileiras, já quebrou o tabu e disse que não se deve descartar a privatização da Petrobras. Como se sabe, esta é uma batalha de longo prazo, com torpedos diários da mídia corporativa para solapar as bases de uma Petrobras que sirva acima de tudo aos interesses do povo brasileiro. Em nome do controle da PDVSA, lembrem-se, os Estados Unidos apoiaram um locaute empresarial que quase derrubou o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Leia mais aqui.

Paul McCartney e a Fonte da Juventude

"A história de Paul McCartney e John Lennon em sua essência é universal: dois jovens que formam uma ligação através de sua paixão pela música.
Este vídeo é sobre eles, e cada banda, e cada criança que sofreu os altos e baixos de começar uma banda, ou não se tornou bem sucedido.
A universalidade da sua história foi uma grande inspiração para a criação deste filme no Mississippi durante os anos 50.
Os primórdios do Rock and Roll americano e do Delta Blues do Mississipi é um período de tempo que inspirou fortemente os Beatles.
A canção "Primeiros Dias" é sobre o espírito e a inspiração que jovens músicos encontram um no outro."

A tradução pode ser lida no final do post.
Paul McCartney "Early Days" from VINCENT HAYCOCK on Vimeo.

Ontem eu assisti a transmissão ao vivo que o canal Multishow fez do show de Paul McCartney em São Paulo.
Quer dizer, ao vivo um ova.
Havia um 'delay' em que o pessoal estava editando a apresentação. 
A galera das redes sociais 'chiou' na hora, e com razão. Ou é ao vivo ou não é. Não importa se o atraso seja de dias ou minutos.
O que me lembrou uma piada do Facebook: uma foto do Anderson Silva vendo no sofá de casa sua luta "ao vivo", transmitida pela Globo de madrugada e ainda por cima pelo Galvão.
Bem, mas essa reclamação é o de menos.
O fato é que mais uma vez perdi a oportunidade de ver um Beatle in loco. E não sei se existirão ainda muitas chances. E era o Paul!
Prometi para minha filha que iremos no próximo. 
Mas o Paul está com 72 anos! 
E daí? Viram ele no show? Um fenômeno. Tá melhor que eu, que tenho 17 anos a menos.
Viva a história da música popular do século XX, na figura do eterno Beatle Paul McCartney!
Leiam abaixo o emocionante texto do Kiko Nogueira do DCM.

 
O segredo da eterna juventude, segundo o velho Paul McCartney
"Quando tinha 16 anos, Paul McCartney e John Lennon costumavam pegar um ônibus em Liverpool para ver um guitarrista que sabia fazer um si com sétima maior, acorde essencial no rock.
Décadas mais tarde, evocando essa cena, Paul diria que aquele artista “tinha provavelmente 26 anos, mas nós achávamos que ele era velho demais para ainda estar tocando”.
Aos 72, Paul continua se apresentando e dá sinais de que não vai parar nunca. Os shows no Brasil, parte da turnê “Out There”, têm três horas de duração, durante as quais ele ataca 35 números de um catálogo sem paralelo na história da música popular.
Nos início dos anos 60, ele previu mais um ou dois anos para sua banda e, dali em diante, uma carreira mediana de compositor. Em “When I’m 64”, desenhou um futuro para si que, hoje, não poderia estar mais absurdamente distante.
Macca nunca foi tão popular. Está entre os artistas mais ricos do mundo, enche concertos para até 300 mil pessoas (na Praça Vermelha, em Moscou), lança discos novos, em média, a cada dois anos. Tudo isso carregando nas costas sua própria lenda.
Precisa? Por que não vai para uma ilha contar moedinhas?
“Porque isso é o que eu sei fazer”, respondeu certa vez. “Eu vou morrer no palco tocando ‘Yesterday’ numa cadeira de rodas”. Para o New Musical Express, afirmou que tenta superar a si mesmo. Macca confessou querer compor “mais uma música realmente boa”. Vindo de quem fez o que ele fez — “Golden Slumbers” seria suficiente –, é extraordinário.
Dificilmente esse milagre acontecerá e é injusto cobrar mais do homem. O que importa, no entanto, é que ele não se contenta.
Macca está com o mesmo grupo há 12 anos. A saber: Paul Wickens (teclados), Rusty Anderson (guitarra), Brian Ray (guitarra) e Abe Laboriel Jr (bateria). Mais tempo, portanto, do que com os Beatles e com os Wings. Eles se gostam, se conhecem, se entendem.
As piadas sobre o eterno retorno do dinossauro ao Brasil, a comparação óbvia, idiota e fora de lugar com Lennon, seu suposto bom mocismo (se você tiver mais de 12 anos e chamá-lo de coxinha, precisa consultar um psiquiatra) — tudo isso vira pó na introdução de “Eight Days A Week”.
Na faixa mais bonita de seu último CD, “Early Days”, Macca rememora sua juventude. “Eles nunca vão tirar isso de mim”, canta ele, a voz frágil. “Tantas vezes tive de trocar a dor pelo sorriso, apenas para não enlouquecer”. Ele e o amigo John andavam “de preto, duas guitarras nas nossas costas, procurando alguém que ouvisse a música que escrevíamos em casa”.
Meio século depois, sob as vistas de milhões de pessoas, aquele garoto ainda vive no velho Macca, procurando alguém que ouça sua música."

(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

Sobre o Autor: Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Primeiros Dias (Early Days)
Eles não poderiam tirar isso de mim, se tentassem
Eu vivo através desses primeiros dias
Tantas vezes eu tive que mudar da dor para o riso
Apenas para não ficar louco

Vestido de preto da cabeça aos pés
Duas guitarras em nossas costas
Andaríamos pelas ruas da cidade
Procurando alguém que iria ouvir a música
Que havíamos escrito em casa

Mas eles não poderiam tirar isso de mim, se tentassem
Eu vivo através desses primeiros dias
Tantas vezes eu tive que mudar da dor para o riso
Apenas para não ficar louco

Cabelo penteado para trás com vaselina
Como as fotos na parede
Da loja de discos local
Ouvindo ruídos que estávamos destinados a lembrar
Decididos que nunca acabasse a emoção

Doces memórias dos amigos do passado
Sempre voltam para você, quando você as procura
E a sua inspiração, por muito tempo pode durar
Pode voltar a você outra vez

Agora todo mundo parece ter a própria opinião
Quem fez isso e quem fez aquilo
Mas, quanto a mim, eu não vejo como eles podem lembrar
Já que não estavam onde aconteceu

Eles não podem tirar isso de mim, se tentassem
Eu vivo através desses primeiros dias
Tantas vezes eu tive que mudar da dor para o riso
Apenas para não ficar louco

Eu vivo através desses primeiros dias
Eu vivo através desses primeiros dias

The Book Is On The Table: Uma análise psicológica de "A Culpa é das Estrelas"

Um dos livros que estou tentando ler 
ao mesmo tempo com outros dois
Nossa seção "The Book Is On The Table", onde comentamos sobre livros que andamos lendo ultimamente, anda sumida.
É que temos que optar: ou tentamos ler a interminável fila de obras aguardando na estante ou dedicamos tempo a escrever sobre cada uma delas.
Enfim, sempre a falta de tempo.
No momento, por exemplo, estou terminando o clássico "Cem Anos de Solidão" (Gabriel Garcia Marquez) ao mesmo tempo que encaro o primeiro ("A Guerra dos Tronos") dos cinco livros (na verdade serão sete!) da saga "As Crônicas de Gelo e Fogo" (George R.R. Martin) e a biografia "Inside Out - A Verdadeira História do Pink Floyd" (de Nick Mason, baterista e um dos fundadores da banda).
Já viram que fica difícil, né?
Ontem uma leitora do blog pediu para comentar sobre o livro "A Culpa é das Estrelas" (Editora Intrínseca; já tem o filme também) de John Green. Eu comprei este livro para minha filha há alguns meses. Ela leu mas eu ainda nem folheei. Confesso que nem sabia do que a história tratava. Pensava ser apenas mas um dessas levezas de adolescência. Parece que não.
Como não li, não posso comentar.
A saída foi 'catar' na Internet alguma resenha a respeito, no sentido de atender à leitora. Descobri que é uma obra que aborda um tema de interesse geral, embora não tão agradável.
Vale a pena ler a análise do psicanalista Carlos São Paulo, publicada originalmente na Revista Psiquê, da Editora Escala, edição de outubro/2014.
A transcrição eu consegui no site Acesso Educar.

É preciso viver intensamente 
Por Carlos São Paulo

Em A Culpa é das Estrelas, o autor John Green conta a história de Hazel Grace, uma adolescente portadora de doença terminal, que descobre e vivencia um grande amor, dentro do cenário da premente e precoce finitude de sua vida

"Não importa a imensidão do quanto dura uma estrela ou a vida de um homem. Importa, dentro dessa finitude, a beleza, o amor e o que precisa ser vivido dentro dos vários tamanhos de infinito de cada vida, quando bem vivida. A consciência do homem está sempre pronta para dividir uma mesma realidade em duas bandas com sentidos opostos.
Ficamos com a parte que nos interessa e desqualificamos a outra, como agem os adolescentes com seus sentimentos de onipotência e ideias de imortalidade. Isso os leva a uma aproximação da possibilidade de morte. Por isso, ser lembrado da morte é, também, tomar consciência da vida e zelar pela boa qualidade dela.
Para Tolstoi, todas as famílias felizes se parecem, e cada família infeliz é infeliz à maneira delas. Em A Culpa é das Estrelas, John Green narra a história de Hazel Grace, adolescente portadora de doença terminal. A condição de sua família ser infeliz a faz se sentir uma granada prestes a explodir. A mãe, que vivia em função de cuidar da moça, a levou para participar de um grupo de apoio composto por jovens, portadores de câncer, cujas vidas tinham uma sentença de morte indefinidamente protelada.
Lidar com a dor que precisa ser sentida e o desconforto do que não podemos controlar, nos deixa péssimos ouvintes da dor do outro. Quando uma pessoa que vai morrer é enganada, com uma mentira agradável, segundo o PhD em psicologia Jean-Yves le loup, surge nela uma confusão e aumenta a dificuldade em que ela já se encontra. Isso porque o corpo ―sabe que vai morrer. Ocultar essa verdade é violar o direito sagrado de um eu finito se adaptar a uma natureza infinita. Chegará o momento em que o corpo, em sua última hora, revelará uma verdade brutal àquele que está para se libertar dessa dimensão corporal de um eu.
A culpa é das estrelas é uma história que ensina a necessidade de se viver a vida independentemente da impotência diante do destino. Somos responsáveis por várias decisões na vida, mas não pelo destino. É escolha dos deuses. Abrir mão do controle e aceitar o incontrolável é o modo que temos para aceitar as várias mortes que se sucedem em cada ciclo de vida.
No grupo de apoio, hazel Grace conhece augustus Waters - o Gus. Juntos descobrem o amor e o sexo. Vivem esse amor ilimitado dentro da lembrança de suas ―sobrevidas‖ limitadas.
Ambos incluem, em suas leituras, o romance chamado Uma Aflição Imperial. Uma obra que acaba no meio de uma frase. Esse sentimento de incompletude domina o casal, que vive essa sensação na vida.
A adolescência é uma fase da vida em que o homem está incompleto. Esse casal jovem não vive a ilusão da cura. O que lhes importa é viver um grande amor. Nessa fase, como em todas as outras, nunca saberemos o quanto iremos viver. Gus não chegou a ser adulto, partiu. Hazel, no funeral, fez um discurso, cuja última
frase dizia: ―você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, eu sou muito grata por isso‖.

A ADOLESCÊNCIA É UMA FASE DA VIDA EM QUE O HOMEM ESTÁ INCOMPLETO. ESSE CASAL JOVEM NÃO VIVE A ILUSÃO DA CURA. O QUE LHES IMPORTA É VIVER UM GRANDE AMOR. NESSA FASE, COMO EM TODAS AS OUTRAS, NUNCA SABEREMOS O QUANTO IREMOS VIVER. GUS NÃO CHEGOU A SER ADULTO, PARTIU

O livro (que virou filme este ano) e seu autor
A mãe de Hazel se lamentou com a elocução: ―Eu vou deixar de ser mãe‖. A filha, sem querer, ouviu-a e revelou-lhe o que escutara. Pediu-lhe desculpas e disse que continuaria a amá-la como a própria Hazel continuava a amar Gus. Nesse momento, a mãe lhe revelou que era mestranda em serviço Social. A filha ficou contente. Hazel imaginou que seus pais poderiam continuar vivendo, mesmo sem ter uma filha adolescente para se ocupar.
Há várias mortes em nossos ciclos de vida. Na morte simbólica da adolescência, os pais precisam intervir para que seus filhos não se tornem um puer Aeternus. Nome que se dá a um complexo que faz o indivíduo continuar a adolescência e depender dos seus pais por muito mais tempo do que determina sua idade cronológica. É o ―filho eterno.
Em nossa cultura, o modo de ser jovem tem a morte literal engolida pela ideia ficcional da eterna adolescência. Modo inconsciente de perpetuar a juventude. Estão acostumados com os desenhos animados da infância. A bomba explode, mas não atrapalha o personagem. Logo ele se recupera e entra em ação. Dessa forma, os jovens não conseguem elaborar os perigos que a mídia lhes transmite no dia a dia: rachas, pacientes jovens com câncer, liberdade sexual, drogas, o menino que entrou na jaula do tigre etc. Até os profissionais de saúde são propensos a fazer o diagnóstico tardiamente, quando se trata de um paciente juvenil. Obras literárias como a de John Green têm um valioso papel de acordar o nosso público para
esse tema da morte literal e, assim, trazer mais valor para a vida.
Será a culpa das estrelas? de acordo com o psicólogo Viktor D. Salis, na astrologia arcaica, o retorno aos astros é o nosso caminho, que representa nossa evolução. Os astros são a manifestação dos deuses e, como viemos deles, a nossa personalidade teria essa influência. Faz sentido a frase: ―viestes das estrelas e para as estrelas voltarás, tradução livre de ―viestes do pó e ao pó voltarás.
Disse São Francisco: ―senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado... Resignação para aceitar o que não pode ser mudado... Sabedoria para distinguir uma coisa de outra.
Aprendemos no livro que alguns infinitos são maiores do que outros e que todo o mundo deveria poder viver um amor verdadeiro, não importando o quanto dure."

Sobre o autor: Carlos São Paulo é médico e psicoterapeuta junguiano. É diretor e fundador do Instituto Junguiano da Bahia.

25 de novembro de 2014

Juristas põem em suspeita procedimentos usados por Moro em delação

Magistrados e professores de Direito afirmam que, se denúncias feitas por advogados dos acusados sobre prisões e coações forem comprovadas, ‘operação poderá cair por terra’

por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 25/11/2014

Brasília – "Magistrados, advogados e professores de Direito têm questionado, nos últimos dias, alguns dos pontos jurídicos observados na condução da Operação Lava Jata – que apura denúncias de corrupção entre empreiteiras, políticos, dirigentes e ex-dirigentes da Petrobras – e o instrumento da delação premiada. Primeiro, o fato de o Brasil não ter regulamentado até hoje o crime de perjúrio (que é o ato de mentir durante depoimento em juízo) e, em segundo lugar, a legalidade dos procedimentos que estão sendo adotados pelo juiz federal Sérgio Moro na condução do caso.

O questionamento sobre o crime de perjúrio foi colocado na última semana por cientistas políticos e advogados durante encontro em São Paulo e, pouco tempo depois, mencionado pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), José Múcio Monteiro, em Brasília. Eles lembraram que, em países onde é comum a técnica da delação, como Itália e Inglaterra, o perjúrio é objeto de legislações rigorosas aplicadas aos réus que assinam o acordo para tal prática. No Brasil, no entanto, isso não acontece.

Por aqui, o crime de perjúrio é chamado de falso testemunho, conforme estabelece o artigo 342 do Código Penal, que diz ser ilegal "fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade" em inquéritos policiais ou processos judiciais. A lei prevê prisão de um a, no máximo, três anos para quem cometa tal infração, além do pagamento de uma multa. A pena só aumenta no caso de ficar comprovado que o infrator recebeu algum tipo de propina para contar a mentira.

“Não é que a não existência do crime de perjúrio no país vá atrapalhar o rumo das investigações da Lava Jato. Mas corrobora a importância de as delações serem observadas de forma mais criteriosa, até mesmo para evitar que o vazamento de tudo o que é dito, antes de a veracidade das informações ser comprovada pela Justiça, não leve a acusações que prejudiquem pessoas sem envolvimento com o caso”, alertou o cientista político Alexandre Ramalho.

‘Inocentes e bandidos’
O debate sobre o tema tomou mais força depois das declarações feitas por Múcio Monteiro, que assumirá no TCU a responsabilidade pelos processos relacionados à operação depois da aposentadoria do antigo relator, o ministro José Jorge Vasconcelos. Ao falar sobre o tema em entrevista ao blog do jornalista Ricardo Noblat, Monteiro afirmou que embora considere o processo “doloroso, mas necessário” para o país, sente preocupação em relação ao tema. “Acho que muita coisa ainda virá, mas temos de ter cuidado para não trazer a emoção para o processo, para não cometer injustiça, que pode ser de dois tipos: pôr inocente na cadeia ou pôr bandido em liberdade”, acentuou.

Magistrados, no entanto, defendem que mesmo sem a lei de perjúrio, os delatores pegos em falsas informações não ficarão sem punição.

"No direito brasileiro o réu pode permanecer calado ou até falsear a verdade, confessar o que não cometeu. Isso porque não é vigente para ele, o acusado, a lei de falso testemunho, que funciona para peritos, testemunhas, contadores, tradutores ou intérpretes em processos judiciais e administrativos", diz o juiz federal aposentado Pedro Paulo Castelo Branco, professor de Direito Penal da Universidade de Brasília (UnB) – que atuou nos processos envolvendo o ex-presidente Fernando Collor e Paulo César Farias, na década de 1990. "Mas no caso de estar sendo feita uma delação premiada, se o que o delator denunciar não for verdadeiro, lhe poderá ser imputado o crime de falso testemunho sim, porque durante a delação essa pessoa ainda está atuando como depoente, e não como réu”, explicou.

‘Vigiar e coagir’
O jurista e professor Luiz Flávio Gomes, presidente do Instituto Avante Brasil, também é da opinião de que o delator a proferir inverdades poderá ficar em maus lençóis, ao perder todos os privilégios negociados no processo de delação, motivo pelo qual o que o preocupa de fato, conforme disse, não é um falso depoimento e sim, a adoção de procedimentos, por parte do juiz que comanda as investigações, considerados por ele pouco comuns.

“O que está sob suspeita é o comportamento do juiz com uma série de procedimentos que fogem da lei, como prender para vigiar e coagir para delatar. Se os advogados dos empresários (que há poucos dias criticaram várias atitudes do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo caso) provarem que está acontecendo mesmo isso, toda a operação cairá por terra”, enfatizou.

De acordo com Gomes, a delação premiada, em si, na forma como é regulada pela lei 12.850/13 – que dispõe sobre investigação criminal no país –, se por um lado pode revolucionar os métodos investigativos no Brasil, por outro “pode servir de instrumento de arbítrio, despotismo e tirania, com gravíssimas violações aos direitos e garantias fundamentais contemplados no nosso estado de direito”, segundo destacou.

“O grande risco que, ao mesmo tempo, pode se constituir em fonte de uma enorme frustração coletiva consiste na futura declaração de nulidade de muitas das diligências (judiciais ou policiais) da Operação Lava Jato, tal como já ocorrera com as operações Satiagraha e Castelo de Areia”, acrescentou ele. Luiz Flávio Gomes também criticou o fato de o juiz Sérgio Moro não ter permitido até hoje o acesso dos advogados de defesa dos acusados aos depoimentos dos delatores.

Questionamentos ao juiz
Nesta terça-feira (25), o Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou que o ministro Teori Zavascki – responsável pelo julgamento dos casos relacionados à Lava Jato no tribunal – encaminhou a Moro questionamentos apresentados pelo advogado Fábio Tofic Simantob, que atua na defesa do vice-presidente da empresa Engevix, Gerson Almada, preso na última fase da operação. Simantob perguntou formalmente ao STF o motivo pelo qual os políticos citados na investigação não têm tido seus nomes divulgados.

O advogado argumentou que a Polícia Federal, comprovadamente, sabia de relacionamentos existentes entre o doleiro Alberto Yousseff e deputados desde setembro de 2013, mas o magistrado teria omitido a informação até março passado. “A omissão sobre a presença de políticos tem o objetivo de impedir que o caso seja remetido ao Supremo, já que deputados federais, por terem foro privilegiado, só podem ser investigados pelo STF”, frisou. No documento apresentado ao STF, Simantob relembrou, ainda, a atitude que tem sido adotada por Sérgio Moro de impedir os réus de citarem nomes de políticos acusados de receber propina.

O magistrado, que todas as vezes em que é abordado pela imprensa evita se pronunciar a respeito e já disse que não dará mais declarações sobre isso, já afirmou que a sua determinação em proibir os réus de citar políticos em suas delações tem o objetivo de “preservar a autoridade do Supremo”. Mas Moro tem sido alvo de críticas diversas de advogados que, embora o considerem preparado, levantam dúvidas sobre o seu trabalho. “Ele é acusador, não tem se mostrado, neste caso, equidistante da Polícia Federal nem do Ministério Público como um juiz precisa ser”, acusou o advogado Alberto Zacharias Toron, que defende o presidente da UTC, Ricardo Ribeiro Pessoa, no caso.

Acareação entre diretores
Enquanto a polêmica promete se estender nos próximos dias, simpatizantes do juiz também partiram em sua defesa. “Toda a crítica que alguém possa fazer a Sérgio Moro é mera especulação. Ele é muito bem preparado tecnicamente e é experiente nesta matéria”, acentuou o procurador regional da República e ex-conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Wellington Cabral Saraiva.

No Senado, o clima é de espanto com o vazamento de algumas delações. Citado como um dos políticos que teriam sido beneficiados com recursos do esquema para sua campanha pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, o líder do PT na Casa, Humberto Costa (PT-PE), que colocou seus sigilos fiscal e bancário à disposição da Justiça, fez um discurso duro neste sentido, no plenário.

“Causa-me espécie o fato de que, ao afirmar a existência de tal doação, o senhor Paulo Roberto não apresente qualquer prova, não sabendo dizer a origem do dinheiro, quem fez a doação, de que maneira e quem teria recebido. Sou defensor da apuração de todas as denúncias contra a Petrobras e qualquer outro órgão do governo. Porém, isso deve ser feito com o cuidado de não macular a honra e a dignidade de pessoas idôneas”, salientou.

Os integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o caso no Congresso receberam autorização de Sérgio Moro para convocar novamente o ex-diretor Paulo Roberto Costa. A comissão fará uma acareação entre ele e o também ex-diretor da estatal Nestor Cerveró, que deram depoimentos conflitantes na Casa, em audiências passadas. Os dois devem se encontrar em reunião marcada para terça-feira (2)."

Fonte: Rede Brasil Atual

Leia também: Como o processo de sonegação da Globo sumiu da Receita e sobreviveu no submundo do crime (no Diário do Centro do Mundo)

Documentário: Infância Perdida(?)

Quem tem mais de 40 (faixa etária que temos abordado aqui de vez em quando, eu já estou com mais de 50) se lembra que a nossa infância foi bem diferente da infância da maioria dos nossos filhos.
E atualmente a coisa está pior. Em minha análise de leigo no assunto, mas como pai, acho que a nossa época foi melhor.
E não se trata apenas de usar nostalgia para comparar com tempos atuais.
A pós-adolescência sempre foi um momento difícil, mas nunca os jovens precisaram tanto de apoio psicológico como nos dias de hoje.
Resultado do que foi sua infância pós-anos 90?
Este documentário canadense - mas realizado com base em estudos em diversos países - tenta jogar luzes sobre o tema.
Narrado em português com depoimentos legendados.




(Canadá, 2009, Scott Harper, 45min.)

"Brincar está ligado à evolução das espécies e intimamente ligado à habilidade de se adaptar a diversas situações, de desenvolver a inteligência emocional, a criatividade, a saúde mental e pode determinar o tipo de indivíduo que uma criança irá tornar-se quando adulta.
Num período de cerca de 20 anos, as brincadeiras de rua praticamente desapareceram das cidades e o que vemos são crianças em ambientes controlados.
Nos dias de hoje, ruas e praças estão se tornando desertas e pais tentam substituir as brincadeiras por atividades estruturadas, cursos e eletrônicos, na intenção prepará-las para um mundo competitivo. Mas o que se vê, é que estão dessa forma produzindo cidadãos com enormes deficiências emocionais e sociais."(docverdade)

24 de novembro de 2014

2014, o ano que não deveria ter existido

2014 não deveria ter começado e talvez nunca acabe. 
Mas 2015 já começou. 
A direita vai continuar presa ao passado, querendo fazer o relógio da história andar para trás.


Por Flávio Aguiar  no Blogue do Velho Mundo (Rede Brasil Atual)

"Este foi um dos piores anos da minha vida. Só há paralelos no ano do golpe, em 1964, ou no período que vai de 1972 a 1974. Assim mesmo, do ponto de vista pessoal, houve diferenças signifcativas. Em 64 acabei saindo do país e passando um ano nos Estados Unidos. Entre 72 e 74 tornei-me pai. Foram vetores para o futuro. Em 1965, voltei ao Brasil tendo me tornado um pacifista convicto. Nosso país mergulhava na sombra, mas os Estados Unidos (!) vibravam com as primeiras manifestações contra a guerra do Vietnã, Martin Luther King...

Em 1973, a paternidade me deu alento para seguir até 74, quando a ditadura começou a se esvair. Nossa ditadura não caiu: saiu pelo ralo, deixando feridas abertas, além das cicatrizes indeléveis.

Já em 2014 foi diferente – embora, como em 64, eu estivesse vivendo no exterior.
Acontece que este ano na Alemanha foi uma tortura. Estive no Brasil em março. Quando voltei, deparei-me com a intensa campanha na mídia europeia contra o governo brasileiro, contra a Copa do Mundo no Brasil, contra o próprio Brasil. Tudo embrulhado no pacote “agora nós vamos mostrar o verdadeiro Brasil”.

E o verdadeiro Brasil – o deles e delas, as mídias europeias, ecoando e alimentando as tradicionais do Brasil – era uma catástrofe: um país de narcotraficantes, eternos favelados, um povo incompetente para tudo, inapetente para outra coisa que não seja a pobreza ilimitada e a vitimização, perdulário, gastando o que não tinha em estádios absurdos, em obras sem direção, devastador da natureza, inviável, colonizado mas imperialista em relação aos vizinhos mais fracos, um mau exemplo para a civilização e um bom exemplo para a barbárie... Enfim, deparei-me com uma torcida generalizada contra o Brasil, os brasileiros e para que a Copa fosse uma catástrofe.

Pois bem, foi uma catástrofe – e merecida –, mas apenas no jogo contra a Alemanha, que, diga-se de passagem, mereceu a vitória e a Copa depois. Fora deste Mineirazo, a Copa foi um sucesso insuportável para seus inimigos e para os inimigos do Brasil, do governo, e do povo brasileiro. Sim, a Copa foi um desastre – mas para eles, bem como para os inimigos da Copa, do governo e do povo dentro do Brasil.

Mas ficou aquele gosto amargo. Para amigos, confiei que pela primeira vez senti vontade de arrepanhar as coisas e ir embora da Europa. Ficou só no impulso passageiro. Afinal, aqui também há muita coisa e muita gente boa até a medula.

Mas aí vieram as eleições. A campanha contra mudou de rumo e de tom, mas ressoando o que já vinha sendo alimentado. E como dizia o finado presidente Figueiredo, recrudesceu. Nunca houve uma campanha tão violenta contra o governo e contra a esquerda, tão ressentida, tão energúmena, tão mentirosa, tão odienta e semeadora de ódios babantes.

Foi o pináculo de tudo – os médicos que uivavam contra o Mais Médicos, dando alguns mostras de fascismo explícito, a mídia econômica internacional bradando contra o intervencionismo de Brasília e louvando sem parar o falido e despedaçado México, louvando o pífio Acordo do Pacífico e malhando o Mercosul, e por aí afora.

Dentro do país, a situação foi tenebrosa, com a maré de lama da mídia e da campanha das oposições trazendo seus miasmas fétidos até o exterior, culminando com aquela capa de Veja, um misto de calúnia premiada e de filme de terror classe D, porque os B até que são bons. Mentiras sobre a inflação, um tratamento do tal de “pibinho” brasileiro completamente descolado da realidade mundial em crise global, tudo emoldurado pela maior mobilização internacional contra um governo latino-americano dos últimos tempos, reunindo os arautos da City londrina, os de Wall Street, a torcida das grandes corporações, a tentativa de sufoco pela sonegação e a sabotagem de investimentos.

Porém, 53 milhões de brasileiros não se deixaram enganar. Bom, foi um consolo: o 2014 deles também não deveria ter começado, e ainda para azar deles não terminou nem vai terminar tão cedo. Eles perderam a eleição que não podiam perder. Vão continuar jogando o terceiro turno. Vão tentar fechar o governo sim, ou manietando-o ou pelo impeachment ou através de uma tramoia judicial. Vai ser necessária muita mobilização e luta para que o governo Dilma II se mantenha de pé. Este é o sinal de que 2014, se sequer deveria ter começado, passou.

A direita vai continuar presa ao passado, querendo fazer o relógio da história andar para trás. Mas o PSDB está rachado. Alckmin quer se tornar o novo líder, com seu ar de chuchu bem comportado. Aécio ainda não engoliu a derrota, a gente vê no seu rosto. Marina é uma incógnita. Aliás, por isso mesmo sequer passou ao segundo turno. O PSB está sem leme nem timoneiro.

O PMDB está onde sempre esteve: no centrão, atirando anzóis para todo lado. Pesca em águas claras e em águas turvas. Há sinais evidentes de que na Polícia Federal – ala tucana – e em setores do Judiciário se trama alguma tramoia, na falta da possibilidade de um levante militar.

E o PT, gente? Não sei se vai aprender as lições. Não tem conversa nem para os jovens, isto é grave. Vai perder o diálogo com o contingente de juventude que a política inclusiva do governo trouxe para dentro da arena política. Como dizia o velho filósofo da buzina televisiva, “quem não se comunica se trumbica”. O mesmo vale para o governo.

2014 não deveria ter começado e talvez nunca acabe. Mas 2015 já começou. E vem a jato. Aliás, Lava Jato."

'Os Derrotados': EUA x BRICs - sem condições de golpe ou terceiro turno no Brasil


Nem golpe, nem chantagem: a redenção dos derrotados
Por Luís Fernando Vitagliano, no Brasil Debate

Não há possibilidade objetiva para nenhum golpe ou terceiro turno contra Dilma porque não há apoio internacional, o que é imprescindível para ações antigoverno. Os EUA não vão se arriscar a prejudicar a parceria mais estratégica do hemisfério

"Muita gente aparenta estar preocupada, assustada ou, pelo menos, incomodada com as manifestações de ódio e até com as especulações e pedidos de impedimento da presidenta.

Mas, o blefe não pode ser visto assim, porque o resultado improvável dos golpistas é menos importante que seus efeitos indiretos para a determinação do novo governo: trata-se de uma estratégia orquestrada para minimizar o impacto da vitória do PT e provocar a esperada acomodação conservadora que sempre se instaura com a derrota das elites.

Não, não há condições e não haverá terceiro turno. As eleições acabaram e o que está em jogo neste momento é qual será a direção do novo governo.

Não existe possibilidade objetiva para nenhum golpe. Em primeiro lugar porque não há apoio internacional e isso é pré-condição fundamental para qualquer ação antigoverno. Embora pareça jargão, é fato: se não há apoio dos Estados Unidos, não há condições materiais para o golpe.

E por que não há apoio dos EUA?

Em primeiro lugar, o próprio presidente Barack Obama obrigou-se a rapidamente dizer em público que reconhecia a democracia brasileira, parabenizou a presidenta reeleita e reconheceu o resultado das urnas.

Ou seja, dizia aos seus (aos investidores que têm dinheiro no Brasil) que qualquer aventura não contará com o arsenal ou o endosso do governo dos Estados Unidos.

Depois de atuarem fortemente nas eleições, apoiando no submundo da informação e do mercado e favorecendo um ou dois candidatos da direita, reconheceu a derrota e agora vai tomar sua clássica medida pragmática de minimizar possíveis perdas.

Fora o reconhecimento do atual governo, não há alternativa aos EUA. Apoiaria um impedimento da presidenta no Brasil ou um golpe civil ou militar se houvesse condições de vencer.

Mas, a qualquer indicação de que o governo Obama não iria reconhecer os resultados eleitorais do Brasil, China, Índia e Rússia fatalmente não vão se calar. O BRIC não silenciaria, diante dessa ação imperialista.

Reunidos no Brasil em agosto deste ano, duas medidas foram inéditas e fundamentais para a garantia de novas parcerias estratégicas que ressaltaram a soberania brasileira e sua independência: acordos de desenvolvimento de tecnologia próprios em segurança e defesa e o Banco dos BRICs, com a maior carta de crédito do mundo.

Foi, sem dúvidas, a maior vitória da política externa do governo Dilma em termos de resultados.

E não se trata de oposição aos EUA. Mas, de equilíbrio de poder.

Os EUA não vão bater de frente em uma aventura contra o Brasil. Sua avaliação agora é que se tencionar a relação podem ficar fora do jogo e perder a mais importante parceria estratégica do hemisfério americano.

Já avaliaram e sentenciaram que não existe essa condição de reverter o quadro e o próprio Obama já tratou de mudar a estratégia, do confronto à fraternidade.

Somado a esse fato, respiraram aliviados Mujica, Kirschner, Bachellet, Morales, Santos, Corrêa e Maduro, pelo menos.

Não se trata de bolivarianismo como branda a direita torpe. Mas houve, sim, o autonomismo tomando conta da região, depois da onda neoliberal dos anos 1990, que reivindicava a retomada do desenvolvimento tirado da América do Sul pelo Consenso de Washington. Por isso, tantos bastidores americanalhados nestas eleições.

Com as atitudes ligadas ao desenvolvimento nacional e autônomo por parte do governo, os militares no Brasil se deram por satisfeitos.

Mesmo que incomodados com as comissões da verdade, sabem que o apoio dos EUA custa sempre muito caro e as parcerias com Rússia, China, Índia, União Europeia e Mercosul são estratégicas ao Brasil. Se tem uma coisa que os militares concordam com o PT é em termos de segurança, defesa e política externa.

Ambas as forças debandadas, isolaram-se em seu palavrório as elites brasileiras.

Os investidores nacionais que perderam dinheiro com a derrota da oposição agora tentam convencer os investidores estrangeiros a retirar seu dinheiro do País, mas o próprio Banco Mundial hoje deu sinais de que não vai entrar na onda conspiratória e reforçou sua posição de que o Brasil é um bom lugar para investimentos.

Entre sangrar a economia brasileira para compensar a derrota nas urnas e a urgência de ocupar posições antes que China e Rússia o façam, a elite internacional já se decidiu.

De qualquer modo, a estratégia do choque e do terror é o último suspiro dos derrotados. Se não der certo, pode dar algum resultado. A ação se sustenta na teoria do choque: para vencer o inimigo e mudar a tendência da história, nada melhor que começar a disputa com um choque.

O choque neutraliza, imobiliza, trava e enquanto isso você tem momentos preciosos para a ação. O primeiro estrago de qualquer bomba é o barulho. Então, não é por nada que se faz muito barulho. Que já tem seus primeiros termos: é preciso acalmar o mercado.

Todavia, pensando objetivamente e afastadas todas as distopias do terror: a disputa foi vencida por um discurso de esquerda. A oposição não perdeu um jogo, não perdeu uma aposta, não perdeu uma guerra, perdeu a eleição de seu modelo.

E não existe nenhuma racionalidade no fato de que mesmo derrotados os agentes do mercado determinam as políticas econômicas. Além disso, Dilma só venceu porque reconheceu que precisa avançar em direção à ampliação da cidadania e isso implica hoje reduzir vários privilégios de setores parasitários.

Portanto, enquanto as negociações durarem, o clima de instabilidade é estratégico para a direita.

Mas, a mobilização das forças progressistas que ainda permanecem no pós-eleitoral é o antídoto a qualquer choque de gestão.

E isso tem mostrado que, de fato, ainda estamos no momento mais radicalizado no Brasil desde 1989 – assim: bastante delicado. Mas, entre as coincidências e os desencontros históricos, é preciso fazer valer que, desta vez, a eleição foi ganha pelo PT."

Luís Fernando Vitagliano é cientista político e professor universitário

Início de semana com música pacífica

Uma seleção musical para um início de semana pacífico.
Assistam em "tela cheia" e com fones.







23 de novembro de 2014

O sumiço do DEM e do PSDB das manchetes ligadas à doações de empresas citadas na Operação Lava-Jato

Acompanham observando bem os detalhes dos noticiários e das manchetes dos jornais?
No começo da divulgação da Operação Lava-Jato, políticos da oposição tinham guarida para falar o que bem entendessem, desde que acusando veementemente o PT.
À medida que blogs e redes sociais iam mostrando outros detalhes (que a grande imprensa não mostra) esses políticos estrategicamente foram sumindo. 
De novo a questão do "vazamento seletivo".

"Na eterna tentativa de vincular qualquer escândalo de corrupção ao PT, a mídia fere a ética jornalística e gera episódios inacreditáveis. É o caso da manchete da Folha de S.Paulo de quinta-feira (20): “Doações de investigadas na Lava Jato priorizam PP, PMDB, PT e oposição”. Mas espera aí! Se as doações priorizam partidos da base aliada e a oposição, quem elas não priorizam? E se prioriza todo mundo aí não prioriza ninguém, não é? Mais que isso: por que o destaque aos três partidos e não às outras siglas, tão envolvidas quanto?

Basta olhar o próprio gráfico que a Folha apresenta na matéria. Se analisarmos os 15 deputados e senadores que mais receberam doações das empresas teremos um cenário bem dividido. O partido que mais apresenta congressistas eleitos com o apoio das empreiteiras investigadas é o DEM (da oposição), com 4. Curioso também é que, se falarmos em valores, veremos que entre os 15 deputados e senadores apresentados na lista, os 8 pertencentes a PP, PMDB e PT receberam menos que os dos três demais partidos. Enquanto PSDB, DEM - ambos da oposição - receberam R$ 6,9 milhões e o PSD recebeu R$ 2,2 milhões, totalizando R$ 9,1 milhões, PP, PMDB e PT receberam somados R$ 7,4 milhões.

Não se trata aqui de uma disputa para ver quem mais recebeu das empreiteiras, mas sim de um debate sobre a falta de ética da imprensa, que arbitrariamente escolhe dar destaque a três partidos da base aliada em detrimento de partidos como PSDB e DEM, tão ou mais envolvidos no recebimento de doações.

Entre os nomes que mais receberam doações e estão ligados à oposição há figuras bastante representativas como José Serra (PSDB-SP), terceiro da lista, Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Ronaldo Caiado (DEM-GO).

Nada disso, entretanto, fez a Folha dar igual importância a todos os partidos, optando por criar uma manchete mal intencionada, para colar a imagem de três legendas às empreiteiras investigadas. É somente no último de 17 parágrafos que PSDB ou DEM aparecem na reportagem, ainda assim brevemente citados. Com qual interesse se escreve uma manchete como essa e se constrói um texto dessa forma?"
Fonte: Muda Mais

Haja paciência com a Veja

Não estou muito mais disposto a gastar tempo e espaço do blog com a Veja.
Mas como o Planalto soltou uma nota e como ainda deve ter meia dúzia que acreditam na revista (fora os 'discípulos' da publicação, mas esses não contam), reproduzimos os esclarecimentos.

Nota à imprensa.

"A reportagem de capa da revista Veja de hoje é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos.

Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, Veja tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras demitido em março de 2012 pelo governo da presidenta Dilma.

As práticas ilegais do senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014, graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Aos fatos:

Em 6 de novembro de 2014, Veja procurou a Secretaria de Imprensa da Presidência da República informando que iria publicar notícia, “baseada em provas factuais”, de que a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, recebeu mensagem eletrônica do senhor Paulo Roberto Costa, então diretor da Petrobras, sobre irregularidades detectadas em 2009 pelo Tribunal de Contas da União nas obras da refinaria Abreu e Lima. O repórter indagava que medidas e providências foram adotadas diante do acórdão do TCU. A revista não enviou cópia do e-mail.

No dia 7 de novembro, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República encaminhou a seguinte nota para a revista:

“Em 2009, a Casa Civil era responsável pela coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Assim, relatórios e acórdãos do TCU relativos às obras deste programa eram sistematicamente enviados pelo próprio tribunal para conhecimento da Casa Civil.

Após receber do Congresso Nacional (em agosto de 2009), do TCU (em 29 de setembro de 2009) e da Petrobras (em 29 de setembro de 2009), as informações sobre eventuais problemas nas obras da refinaria Abreu e Lima, a Casa Civil tomou as seguintes medidas:

a. Encaminhamento da matéria à Controladoria Geral da União, em setembro de 2009, para as providências cabíveis;

b. Determinação para que o grupo de acompanhamento do PAC procedesse ao exame do relatório, em conjunto com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras;

c. Participação em reunião de trabalho entre representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento, Petrobras e MME, após a inclusão da determinação de suspensão das obras da refinaria Abreu e Lima no Orçamento de 2010, aprovado pelo Congresso.

Nesta reunião, realizada em 20 de janeiro de 2010, “houve consenso sobre a viabilidade da regularização das pendências identificadas pelo TCU” nas obras da refinaria Abreu e Lima (conforme razões de veto de 26 de janeiro de 2009). Foi decidido, também, o acompanhamento da solução destas pendências, por meio de reuniões regulares entre o MME, o TCU e a Petrobras.

A partir daí, o Presidente da República decidiu pelo veto da proposta de paralisação da obra, com base nos seguintes elementos:

1) a avaliação de que as pendências levantados pelo TCU seriam regularizáveis;

2) as informações prestadas em nota técnica do MME que evidencia os prejuízos decorrentes da paralisação; e

3) o pedido formal de veto por parte do então Governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Este veto foi apreciado pelo Congresso Nacional, sendo mantido.

A partir de 2011, o Congresso Nacional, reconhecendo os avanços no trabalho conjunto entre MME, Petrobras e TCU, não incluiu as obras da refinaria Abreu e Lima no conjunto daquelas que deveriam ser paralisadas.

E a partir de 2013, tendo em vista as providências tomadas pela Petrobras, o TCU modificou o seu posicionamento sobre a necessidade de paralisação das obras da refinaria Abreu e Lima”.

A inconsistência da reportagem de Veja é evidente. As pendências apontadas pelo TCU nas obras da refinaria Abreu e Lima já haviam sido comunicadas, em agosto, à Casa Civil pelo Congresso e foram repassadas ao órgão  competente, a CGU.

Como fica evidente na nota, representantes do TCU, Comissão Mista de Orçamento do Congresso, Petrobras e do Ministério de Minas e Energia discutiram a solução das pendências e, posteriormente, o Congresso Nacional concordou com o prosseguimento das obras na refinaria.

Mais uma vez, Veja desinforma seus leitores e tenta  manipular a realidade dos fatos. Mais uma vez, irá fracassar."

Assédio, que assédio? (Gostosa!)


Uma boa do Artur Xexéo sobre um viral de uma garota de Nova York que filmou supostos assédios enquanto andava (durante 10 horas!) pelas ruas da cidade.
Não sei não. Como cita o Xexéo ela agora comanda uma campanha para arrecadar fundos. Será para que? Mover ações na justiça contra todos que chegarem perto dela?
É verdade que o assédio em qualquer lugar pode ser extremamente desagradável (e preocupante) para qualquer mulher.
Por outro lado, muitas "cantadas" bem feitas, no momento certo e da forma certa, resultaram em felizes matrimônios.
Assim, nem tanto ao céu, nem tanto à terra (ou ao inferno). 
Existe a questão cultural, a falta de bons modos e de respeito, mas também pode existir um saudável elogio que agrada a muitas mulheres.
Sobre a situação citada ao final pelo colunista em relação ao Rio (e eu diria à muitas outras cidades no Brasil), faz sentido.
Em tempo 1: sobre o nome da ONG americana, pronunciando-se a parte inicial e traduzindo a parte final, dá uma piada pronta. Ok, de mau gosto, mas eu não resisti. Pronto! :) 
Em tempo 2: procurei o vídeo e achei um resumo de menos de dois minutos. Ao menos que vocês queiram ficar vendo as dez horas de filmagem! (Bom, pelo menos é um passeio por Nova York). Inseri ao final.

Gostosa!
Por Artur Xexéo em seu blog
"A última manifestação de machismo urbano está com os dias contados. Isso mesmo: a cantada nas ruas, aquelas que fazem os operários de obra gritarem “Gostosa!” diante da aparição de qualquer mulher na cercania de seus domínios, a cena do malandro pedindo o telefone do cachorrinho, a fala batida do conquistador dizendo que aquela, sim, aquela é a nora que mamãe pediu a Deus, pois está tudo caminhando para a extinção. Este é, pelo menos, o desejo da ONG americana Hollaback, que se define como “um movimento internacional para acabar com o assédio nas ruas”, que expôs para o mundo, na semana passada, o constrangimento por que passa uma mulher que passeia sozinha pelas calçadas de Nova York.
A denúncia foi feita em forma de vídeo. Uma atriz foi filmada, por uma câmera escondida, durante dez hora seguidas, caminhando pelas ruas da cidade. Neste período, foi assediada uma centena de vezes. A experiência pode ser vista no YouTube em um vídeo de dois minutos, o que sobrou da edição das tais dez horas de filmagem. Virou viral. Mais de 14 milhões de acessos foram registrados.
Alguma situações mostradas são mesmo constrangedoras. Um homem acompanha a mulher por cinco minutos seguidos sem dizer uma só palavra. Mas é intimidador. Outro tenta puxar conversa. “Não quer falar comigo?”, “É por que eu sou feio?”, “Não podemos ser amigos?”, “Se eu te der meu telefone, você me liga?”. Mas, na maioria das vezes, os homens a cumprimentam _ “Bom dia” , “Boa noite”, “Tá tudo bem?”, “Sorria!” _, o que, sinceramente, não é necessariamente uma agressão ou um assédio.
No final do vídeo, a Hollaback pede contribuições financeiras, sem explicar no que elas serão usadas. Será para fazer novos vídeos? Se não for, outros já estão tratando disso. Na Nova Zelãndia, a mesma experiência foi realizada em Aukland, a maior cidade do país. Uma atriz local, com vestimentas semelhantes à da nova-iorquina (jeans e camiseta) andou dez horas seguidas enquanto era filmada discretamente. Um fracasso. Só foi abordada duas vezes. Na primeira, recebeu uma cantada, parecida com as do vídeo da Hollaback. Na segunda, era um turista pedindo informações sobre um endereço que procurava.
Alguns gaiatos repetiram a experiência mas com um homem. Também em Nova York, também de jeans e camiseta, e com um corpo forjado em academia, o tal homem andou por três horas pelas ruas da cidade. A reação das mulheres nas calçadas é muito semelhante à dos homens no vídeo original. Uma chega a se aproximar e dizer “minha amiga te achou sexy. Você me daria o teu telefone pra eu dar pra ela? “ Diante da indiferença do modelo, ela reage: “Acho que não, né?”. Alguns gays também o abordam: “Tá indo pra onde?” Em resumo: em três horas, o homem foi “assediado verbalmente” 30 vezes. Às vezes, dá para desconfiar que a reação em volta do modelo é armada. Mas, se for, as reações em volta da atriz da Hollaback também podem ser. Uma acusação de situações armadas era só o que faltava para o vídeo que, surpreendentemente, só mostra negros e latinos assediando a atriz. Brancos nova-iorquinos não assediam mulheres nas ruas?
Fico pensando o que aconteceria se o vídeo fosse feito no Rio. Bem, a mulher que se dispusesse a andar dez horas seguidas pelas ruas da cidade certamente não se preocuparia com as cantadas. Ela teria que esconder as joias, camuflar o celular, desviar de balas perdidas, fugir dos arrastões... Assédio? Que assédio?"

22 de novembro de 2014

Casa de Arquiteto: permitindo uma integração entre espaços, com visão política, social, artística e intelectual

Para quem gosta de arquitetura e boas histórias, vale a pena ver este pequeno documentário sobre a casa do comunista (da mesma forma que Oscar Niemeyer) Vilanova Artigas.



 "A filha do falecido professor Vilanova Artigas recorda, com o jornalista Paulo Markun, o tempo em que ambos frequentavam os encontros intelectuais promovidos na casa de Artigas. 
Seguindo a linha marxista do arquiteto, o projeto da década de 1940 não possui hierarquia entre os espaços, abolindo a tradicional oposição da casa brasileira em área social versus área de serviço."

21 de novembro de 2014

Mulheres: Enlouquecendo de vez em quando

Hoje não é o "Dia Internacional da Mulher". Nem Nacional. Nem mensal, nem semanal. 
Ao certo, todos os dias deveriam ser das mulheres. 
É uma "média" sim com nossas leitoras (que nem temos ideia quantas são), mas também uma constatação.
Ao que parece o mundo tem exigido mais do belo sexo do que de nós, taxados muitos vezes (a maioria com razão) de "insensíveis".
Não é à toa que temos uma Presidenta. Tentativa de melhorar o país e o mundo masculino.
Mas - nós homens - estamos melhorando. 

O que dá medo. 
Vai que precisemos enlouquecer de vez em quando para não enlouquecer de vez...


Toda mulher precisa enlouquecer de vez em quando, ou acaba por enlouquecer de vez

Por Nathali Macedo no DCM e no "Escritos Nathali Macedo"

"Curiosamente, um mundo loucamente imperfeito nos exige perfeição o tempo todo. De todos nós, de fato, mas, em se tratando de mulheres, as exigências são ainda mais exorbitantes e cruéis. O mundo espera de nós o que, talvez, sequer saibamos se é possível – e que muito provavelmente não é.

O mundo espera que sejamos bonitas, acima de tudo. Lindas, se possível. Bem cuidadas, magras, torneadas, gostosas e sexys. E tenta nos convencer que não somos bonitas se não vamos ao salão de beleza semanalmente.

Uma mulher ‘perfeita’ para o mundo atual tem que trabalhar o dia inteiro – porque precisa ser independente – estudar – porque precisa ser culta – fazer dieta, ir à academia e manter os cabelos com um brilho espetacular. Ir à manicure, sorrir para a sogra e, depois de tudo isso, ter disposição para fazer um sexo memorável a qualquer hora, para que o mundo – e, em alguns casos, excepcionalmente o seu companheiro – a considere uma mulher que vale a pena.

E ainda é preciso encontrar tempo pra rezar pra não ser trocada por outra – por que, como já ouvi incontáveis vezes: homens disponíveis estão mesmo difíceis de encontrar. E depois de nos aterrorizar com toda essa história de que precisamos agradar nossos homens, muito mais, até mesmo, do que sermos nós mesmas, ele nos cobra lucidez. Segurança. Serenidade.

A verdade é que o mundo nos cobra equilíbrio quando tudo o que ele faz é nos desequilibrar. Nos cobra segurança quando tudo converge para que acreditemos que não somos nada sem um homem ao lado, nos cobra união enquanto, culturalmente, nos lança umas contra as outras, fazendo-nos uma cruel lavagem cerebral que tenta nos convencer de que somos desunidas e competitivas.

E os homens de nossas vidas – pais, companheiros, amigos – embora, muitas vezes, cheios de boas intenções, acabam por nos atribuir uma responsabilidade que talvez sejamos incapazes de assumir: a de sermos boas o suficiente o tempo todo.

De não mexer no celular dele. De deixá-lo ver futebol em paz. De não sentir ciúmes da amiga gostosa. De se portar dignamente, elegantemente, graciosamente. De não enlouquecer nunca – e se você aceita um conselho, toda mulher precisa enlouquecer de vez em quando, ou acaba por enlouquecer de vez.

Se cada homem no mundo pudesse escutar a minha voz, o único conselho que eu daria é: deixe-nos enlouquecer quando quisermos. Porque não há amor sem uma dose de loucura. Porque equilíbrio absoluto numa relação jamais foi um bom sinal. E toda mulher tranquila e que nunca te interroga sobre o seu atraso pode não ser tão equilibrada assim: ela pode, simplesmente, não te amar.

A intensidade é parte de cada passo nosso. A insensatez eventual nos é necessária e característica. E se não lhe tivermos um pouco de loucura, certamente não lhe temos sequer um pouco de amor."

Sobre a Autora:
Atriz por vocação, escritora por amor e feminista em tempo integral. 

Adora rir de si mesma e costuma se dar ao luxo de passar os domingos de pijama vendo desenho animado. 
Apesar de tirar fotos olhando por cima do ombro, garante que é a simplicidade em pessoa. 
No mais, nunca foi santa. 
Escreve sobre tudo em: facebook.com/escritosnathalimacedo