27 de abril de 2015

Pura inveja!

Não resisti em reproduzir aqui no blog, na íntegra, a mais recente crônica do inigualável Luis Fernando Veríssimo.

Sempre saboroso e fluído texto - com a ironia que lhe é peculiar - e tomando como mote uma nova teoria científica: a da presença dos "Buracos Negros" entre nós.

A partir daí, dá o seu recado com humor, chamando atenção para alguns dos mistérios jurídicos/midiáticos que temos apontado aqui ao longo dos últimos tempos.

 
Buracos Morenos

"A mais nova especulação da Física é que existem mais buracos negros no Universo do que se imaginava. Eles não estariam apenas na imensidão sideral, como gigantescos aspiradores engolindo galáxias inteiras, mas também à nossa volta, como pequenos ductos para o Universo paralelo.

Seriam tão comuns e fariam parte do nosso cotidiano de tal maneira que deveríamos parar de chamá-los de buracos "negros", com sua conotação de obscuridade e terror, e adotar um nome mais íntimo, como buracos morenos (mas não, claro, buracos afrodescendentes).

Qualquer um de nós está sujeito a ser tragado por um desses buracos e se ver, de repente, no outro Universo. Onde poderia muito bem encontrar aquela caneta favorita que tinha sumido, o último disco do Chico que desconfiava que alguém tinha roubado, livros e outros objetos inexplicavelmente desaparecidos e até a tia Idalina, que todos pensavam que tinha fugido com um boliviano e fora apenas sugada por um ducto.

Uma possível vitima de um desses hipotéticos buracos morenos seria o ministro do Supremo Gilmar Mendes, que pediu vistas do projeto de alteração das leis eleitorais para impedir doações de empresas a partidos políticos, que estava sendo votado no tribunal, guardou o projeto numa gaveta da sua casa para estudar depois, fechou a gaveta com chave — e a chave desapareceu.

O ministro estaria procurando a chave por todos os lados, preocupado em não atrasar a votação, e não a encontrando. Só haveria uma explicação possível para o desaparecimento da chave: buraco moreno.

Outro caso em que um buraco moreno seria a única explicação aceitável é o da ação penal contra o senador Eduardo Azeredo, do PSDB, suposto beneficiário maior do que ficou conhecido como o "mensalão" mineiro, ou "mensalão" tucano, origem e modelo do "mensalão" que mais tarde beneficiaria o PT.

Exaustos depois do julgamento do PT, os ministros do Supremo decidiram mandar o processo contra Eduardo Azeredo para ser julgado em Minas. No caminho de Minas, o processo teria se desfeito no ar. Pelo menos nunca mais se ouviu falar nele. Buraco moreno.

Aliás, um mistério sobre o qual a Física também deveria especular é o da predileção dos buracos morenos pelo PSDB. Por exemplo: a compra de votos para possibilitar a reeleição do Fernando Henrique caiu no esquecimento ou caiu num buraco moreno? O PT não quer outra coisa a não ser que um buraco moreno venha a aspirar todas as suas agruras, como faz com o PSDB. É pura inveja."
Por Luis Fernando Veríssimo
Fonte: Jornal GGN

26 de abril de 2015

Um post tem que ter algum sentido em um domingo à tarde?

Estava vendo a última postagem que fiz aqui no blog do nosso amigo/mentor Luiz Felipe Muniz. 
Faz mais de um mês, em março.
Podem conferir abaixo. Foi apenas uma frase do Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma".
Não é de se estranhar portanto que nos últimos tempos vemos "protestos" com xingamentos à mais alta autoridade do país, eleita constitucionalmente. E junto disso, o pedido da volta da ditadura.
Um absurdo total, mas visto por muitos como normal.
Não sei mais então o que é normal.
Esta semana a Globo fez um especial no JN comemorando os 50 anos de jornalismo da emissora. Incrível a desfaçatez quando se tratou de temas políticos. Deveriam ter chamado jornalistas que se afastaram ao longo deste tempo, como Franklin Martins, Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha. Eles sim teriam muita verdade a dizer sobre o "jornalismo da globo" (com minúscula mesmo).
Quando do término da campanha política no ano passado estava extenuado. Energia a menos, amigos a menos. Mas uma consciência tranquila a mais.
Pensei que fosse descansar mas ao que parece a oposição continua querendo um terceiro turno. Quando falo oposição, falo também (ou sobretudo) dos veículos de comunicação que escolhem o que vazar, o que noticiar, o que denunciar e como fazer tudo isso.
Única explicação para não darem às operações Zelote, HSBC Suíço e Cartel do Metrô de São Paulo, o mesmo destaque que dão para a Lava-Jato, considerando que essas deram mais prejuízo aos cofres públicos do que aquela.
Enfim, tem uma hora que você se cansa... Quer dar uma parada mesmo.
Ao resolver fazer este post agora, dei uma olhada nas manchetes e vi que não tem muito motivo para ânimo. O Congresso sob o comando do PMDB, a Justiça e a Polícia Federal com algumas prioridades no mínimo estranhas.
Mudando de página, terremoto terrível no Nepal. Cinzas de um vulcão no Chile. Europa ainda com problemas em suas finanças e consequentemente empregos. Africanos mortos tentando atravessar o Mediterrâneo e a União Européia só quer impedir essa travessia e não ajudar quem está do outro lado, morrendo de fome ou de execução nas guerras fomentadas pelos irmão ricos do norte.
Nada de muito novo neste último mês sem postagens por aqui (com cacófato, please).
Pretendia fazer um longo texto interessante nesta retomada, mas faltou ânimo e inspiração diante dos fatos narrados acima.
São 17 horas e eu vou à missa. Não ia não. Mas baixou um certo "baixo astral" neste fim de domingo por conta dessas sempre presentes más notícias. Será que só nos resta rezar por um mundo melhor?
De minha parte vão também frequências positivas que capto e retransmito através da música, sempre um ótimo refúgio em tempos conturbados.
Em breve retorno. Se é que isso tem alguma importância.


16 de março de 2015

Frase da Semana: De Joseph Pulitzer

 
"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma" (Joseph Pulitzer, editor e jornalista, inspirador do principal prêmio de imprensa e literatura dos EUA).

12 de março de 2015

Quem banca a turma do Golpe?

Os meninos do golpe no dia 15: quem banca essa turma?
Março 12, 2015
“Estudantes pela Liberdade” (EPL) são financiados por corporação petroleira norte-americana que ataca direitos indígenas, depreda ambiente e tem interesse óbvio em atingir a Petrobras
Por Antonio Carlos, no Outras Palavras, via Escrevinhador
"David Koch se divertia dizendo que fazia parte “da maior companhia da qual você nunca ouviu falar”. Um dos poderosos irmãos Koch, donos da segunda maior empresa privada dos Estados Unidos com um ingresso anual de 115 bilhões de dólares, eles só se tornaram conhecidos por suas maldosas operações no cenário político do país.
Se esses poderosos personagens são desconhecidos nos Estados Unidos, o que se dirá no Brasil? No entanto eles estão diretamente envolvidos nas convocações para o protesto do dia 15 de março pela deposição da presidenta Dilma.
Segundo a Folha de São Paulo o “Movimento Brasil Livre”, uma organização virtual, é o principal grupo convocador do protesto. A página do movimento dá os nomes de seus colunistas e coordenadores nos Estados. Segundo o The Economist, o grupo foi “fundado no último ano para promover as respostas do livre mercado para os problemas do país”.
Entre os “colunistas” do MBL estão Luan Sperandio Teixeira, que é acadêmico do curso de Direito Universidade Federal do Espírito Santo e colaborador da rede Estudantes Pela Liberdade (EPL) do Espírito Santo; Fabio Ostermann, que é coordenador do mesmo movimento no Rio Grande do Sul, fiscal do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e diretor executivo do Instituto Ordem Livre, co-fundador da rede Estudantes Pela Liberdade (EPL), tendo sido o primeiro presidente de seu Conselho Consultivo, e atualmente, Diretor de Relações Institucionais do Instituto Liberal (IL).
Outros participantes são Rafael Bolsoni do Partido Novo e do EPL; Juliano Torres que se define como empreendedor intelectual, do Partido Novo, do Partido Libertários, e do EPL.
Segundo o perfil de Torres no Linkedin, sua formação acadêmica foi no Atlas Leadership Academy. Outro integrante com essa formação é Fábio Osterman, que participou também do Koch Summer Fellow no Institute for Humane Studies.
A Oscip Estudantes pela Liberdade é a filial brasileira do Students for Liberty, uma organização financiada pelos irmãos Koch para convencer o mundo estudantil da justeza de suas gananciosas propostas. O presidente do Conselho Executivo é Rafael Rota Dal Molin, que além de ser da Universidade de Santa Maria, é oficial de material bélico (2º tenente QMB) na guarnição local.
Outras das frentes dos irmãos Koch são a Atlas Economic Research Foundation, que patrocina a Leadership Academy, e o Institute for Humane Studies, às quais os integrantes do MBL estão ligados.
Entre as atividades danosas dos irmão encontra-se o roubo de 5 milhões de barris de petróleo em uma reserva indígena (que acarretou uma multa de 25 milhões de dólares do governo americano) e outra multa de 1,5 milhões de dólares pela interferência em eleições na Califórnia. O Greenpeace considera os irmãos opositores destacados da luta contra as mudanças climáticas. Os Koch foram multados em 30 milhões de dólares em 300 vazamentos de óleo.

As Koch Industries têm suas principais atividades ligadas à exploração de óleo e gás, oleodutos, refinação e produção de produtos químicos derivados e fertilizantes. Com esse leque de atividades não é difícil imaginar o seu interesse no Brasil — a Petrobras é claro.
Seus apaniguados não escondem esse fato.
O MBL, que surgiu em apoio à campanha de Aécio Neves, não esconde o que pretende com a manifestação: “O principal objetivo do movimento, no momento, é derrubar o PT, a maior nêmesis da liberdade e da democracia que assombra o nosso país” disseram Kim Kataguiri e Renan Santos em um gongórico e pretensioso artigo na Folha de S.Paulo.
Eles não querem ser confundidos com PSDB, que identificam com o outro movimento: “os caras do Vem Pra Rua são mais velhos, mais ricos e têm o PSDB por trás” diz Renan Santos. “Eles vão pro protesto sem pedir impeachment. É como fumar maconha sem tragar”.
Kataguiri não se incomoda que seja o PMDB a ascender ao poder: “O PMDB é corrupto, mas o PT é totalitário”. Mas Pedro Mercante Souto, outro dos porta-vozes do MBL, foi candidato a deputado federal no Rio de Janeiro pelo PSDB (com apenas 0,10% dos votos não se elegeu).
Apesar do distanciamento do PSDB a manifestação do dia 15 parece ser apenas uma nova tentativa de 3º turno, mas como vimos ela esconde uma grande negociata. “Business as usual”.
PS do Viomundo: Os Koch Brothers são os maiores financiadores da extrema-direita nos Estados Unidos, Tea Party et al. Plantaram, dentre outros think-tanks, o Cato Institute. Controlam a maior petrolífera privada do planeta, com faturamento de U$ 100 bilhões. Para saber mais sobre eles (em inglês) clique aqui, aqui, aqui, aqui aqui, aqui aqui e aqui. O pai do clã foi um dos impulsionadores da John Birch Society, uma sociedade anticomunista que se opôs às campanhas pelos direitos civis nos anos 60. É famosa nos EUA a oposição deles aos sindicatos e ao salário mínimo; isso, enquanto faturam U$ 13 milhões por dia! Para vídeos do Democracy Now sobre or irmãos Koch, clique aqui, aqui e aqui.
Resumão: “Os irmãos Koch são o que os Estados Unidos tem de mais próximo dos oligarcas russos. Eles juntam controle sobre a economia e sobre o Estado, usando este último para enriquecer gerando ganhos privados com perdas públicas. A idéia que eles tem de ‘economia de mercado’ é comprar autoridades de governo e os bens públicos que eles privatizam a preço de banana”. Já imaginaram estes caras botando a mão no pré-sal?"
Fonte: Viomundo

15 de Março: porque eu não vou

Reproduzimos artigo de Kika Castro (jornalista, ex-Folha de São Paulo), publicado em seu blog na última terça-feira.


"Vi o banner acima ontem, pela primeira vez, no Facebook. Não sei quem o criou. Eu gostei, compartilhei pelo Twitter, e, duas horas depois, mais de 150 pessoas tinham compartilhado meu compartilhamento. (E assim continuou nas horas seguintes, mas parei de contar.)

Então, fiquei com a impressão de que nem todo mundo bateu panela e gritou “Fora Dilma” na janela de casa no último domingo…

Escrevi o seguinte, antes de compartilhar: “Democracia é aceitar o que uma maioria quis e trabalhar/cobrar para que dê certo para todos. Quatro anos depois, escolher livremente o candidato favorito, mais uma vez. E assim por diante ;)”

Claro que, dentro do “cobrar”, do parágrafo acima, cabe também protestar. É legítimo protestar. É legítimo fazer buzinaço, panelaço, vaiar e xingar (embora, que pena, muitos tenham optado por xingar baixarias contra a presidente da República, em pleno Dia Internacional da Mulher). Tudo isso, felizmente, é permitido e só pode acontecer porque ainda vivemos numa democracia.

Quando há reclamação e crítica, o governante da vez se preocupa e busca uma reação para agradar àquela parcela, para a qual ele também governa, e que está demonstrando insatisfação.

O que me preocupa é quando tentam fortalecer o discurso do impeachment, sem nenhum respaldo para isso. Não consigo deixar de pensar no Fluminense: é tentar mudar um resultado por meio do tapetão, ou seja, sem respeitar as regras vigentes e, neste caso, sem respeitar a maioria.

Dilma saindo, por um impeachment nonsense, quem assumiria em seu lugar? Michel Temer, o vice-presidente, que é do PMDB. Mesmo partido de Renan Calheiros e Eduardo Cunha, que dispensam apresentações.

O pior é que não é nem isso que quer um grupelho que estava quieto há 30 anos e, com esta gritaria, voltou a ressurgir das trevas. Esse grupo, que já tem milhares de seguidores só em uma comunidade do Facebook, defende nada mais nada menos que a intervenção militar. [Não vou colocar o link para a comunidade, por motivos óbvios]. E aí, bye-bye panelaço, buzinaço e o escambau. Que seria do futuro? Imprevisível. E não algo que possa ser planejado ou reformulado num novo pleito, em quatro anos, como acontece hoje. O horizonte passa a ser obscuro quando deixamos de viver numa democracia. Assim como essa instabilidade do período pré-tapetão também dificulta qualquer possibilidade de tomar rumos que melhorem o Brasil. Vira só uma grande histeria, cada dia mais radical e intolerante, e menos aberta a divergências.

É isso que você quer? Eu não. Por isso, me abstenho de participar dessa marcha do dia 15. Não pela marcha em si: é muito válido criticar a presidente, que está deixando muita gente insatisfeita, inclusive vários que são até filiados ao seu partido, o PT. Mas pelos que estão se aproveitando da marcha para gerar histeria e, com a histeria, criar o ambiente certo para um golpe, como aconteceu há 50 anos no Brasil (e, também daquela vez, começou com “marchas”). Sou otimista demais pra embarcar nesta canoa furada."


Leiam também:
E a tal marcha vem aí

9 de março de 2015

Luis Fernando Veríssimo e Luiz Carlos Bresser Pereira: a preferência pelos trabalhadores e pelos pobres gerando ódio

Nesta crônica publicada ontem, dia 08/03, Luis Fernando Veríssimo - com seu brilho e estilo únicos - faz comentário sobre o texto (na verdade uma entrevista), também recente, de um baluarte da Centro-Direita no Brasil e um dos fundadores do PSDB: Luis Carlos Bresser Pereira.
Vem daí a introdução: "Às vezes, as melhores definições de onde nós estamos e do que está nos acontecendo vem de onde menos se espera".
O título da crônica é "Olha o velhinho!" e é uma resposta (ainda que parcial) de uma pergunta que vem me incomodando e me afastando cada vez mais das redes sociais: porque tanto ódio?
Não se trata de crítica política, questões econômicas ou purismo moralista acima do bem e do mal. Trata-se de ódio que corrói tudo.
Me incluí fora dessa. 
Ponto. 
No mais, só me resta continuar lendo "O Capital no Século XXI", de Thomas Piketty.
So goodbye yellow brick road...
Luís Fernando Veríssimo
"Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres. O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar.

Economistas liberais recomeçaram a pregar abertura comercial absoluta e a dizer que os empresários brasileiros são incompetentes e superprotegidos, quando a verdade é que têm uma desvantagem competitiva enorme.

O país precisa de um novo pacto, reunindo empresários, trabalhadores e setores da baixa classe média, contra os rentistas, o setor financeiro e interesses estrangeiros. Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente. Não é preocupação ou medo. É ódio.

Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou. Continuou defendendo os pobres contra os ricos.

O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. Não deu à classe rica, aos rentistas. Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita.

Dilma chamou o Joaquim Levy por uma questão de sobrevivência. Ela tinha perdido o apoio na sociedade, formada por quem tem o poder. A divisão que ocorreu nos dois últimos anos foi violenta.

Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo."

Nada do que está escrito no(s) parágrafo(s) anterior(es) foi dito por um petista renitente ou por um radical de esquerda. São trechos de uma entrevista dada à “Folha de São Paulo” pelo economista Luiz Carlos Bresser Pereira, que, a não ser que tenha levado uma vida secreta todos estes anos, não é exatamente um carbonário.

Para quem não se lembra, Bresser Pereira foi ministro do Sarney e do Fernando Henrique. A entrevista à “Folha” foi dada por ocasião do lançamento do seu novo livro “A construção politica do Brasil” e suas opiniões, mesmo partindo de um tucano, não chegam a surpreender: ele foi sempre um desenvolvimentista nacionalista neokeynesiano.

Mas confesso que até eu, que, como o Antônio Prata, sou meio intelectual, meio de esquerda, me senti, lendo o que ele disse sobre a luta de classes mal abafada que se trava no Brasil e o ódio ao PT que impele o golpismo, um pouco como se visse meu avô dançando seminu no meio do salão — um misto de choque (“Olha o velhinho!”) e de terna admiração.

Às vezes, as melhores definições de onde nós estamos e do que está nos acontecendo vem de onde menos se espera.

Outro trecho da entrevista: “Os brasileiros se revelam incapazes de formular uma visão de desenvolvimento crítica do imperialismo, crítica do processo de entrega de boa parte do nosso excedente a estrangeiros. Tudo vai para o consumo. É o paraíso da não nação.”
Luís Fernando Veríssimo
Luiz Carlos Bresser Pereira

25 de fevereiro de 2015

The Corrs

Não sei se conhecem a banda The Corrs, mas deveriam.
É formada por quatro irmãos (a família Corr) irlandeses, filhos de músicos. Três mulheres e um homem.
Vindos de família musical, não deu outra: todos são multintrumentistas e compositores.
Dentro do Pop-Rock foram (e ainda são) um oásis de qualidade nos áridos anos 1990 e 2000, lembrando a personalidade musical exibida pelos artistas dos anos 1960 e 1970.
Sua sonoridade é infuenciada pelo Folk irlandês (a música Celta) que vem sendo referência para diversos gêneros musicais ao longo de décadas.
Se não conhecem comecem com o CD/DVD/Blu-Ray "Unplugged" de 1999. Belíssimo!
E as moças nem precisavam ser tão bonitas...

24 de fevereiro de 2015

Em Defesa do Brasil e da Petrobras...participe!

Presidencia da República: Defesa da Petrobras e da Democracia

Presidencia da República: Defesa da Petrobras e da Democracia
3.000
2.956
2.956 assinaturas. Vamos chegar a 3.000

Por que isto é importante

Em manifesto, intelectuais denunciam golpe: O QUE ESTÁ EM JOGO AGORA
A chamada Operação Lava Jato, a partir da apuração de malfeitos na Petrobras, desencadeou um processo político que coloca em risco conquistas da nossa soberania e a própria democracia. Com efeito, há uma campanha para esvaziar a Petrobras, a única das grandes empresas de petróleo a ter reservas e produção continuamente aumentadas. Além disso, vem a proposta de entregar o pré-sal às empresas estrangeiras, restabelecendo o regime de concessão, alterado pelo atual regime de partilha, que dá à Petrobras o monopólio do conhecimento da exploração e produção de petróleo em águas ultraprofundas. Essa situação tem lhe valido a conquista dos principais prêmios em congressos internacionais.

Está à vista de todos a voracidade com que interesses geopolíticos dominantes buscam o controle do petróleo no mundo, inclusive através de intervenções militares. Entre nós, esses interesses parecem encontrar eco em uma certa mídia a eles subserviente e em parlamentares com eles alinhados.

Debilitada a Petrobras, âncora do nosso desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, serão dizimadas empresas aqui instaladas, responsáveis por mais de 500.000 empregos qualificados, remetendo-nos uma vez mais a uma condição subalterna e colonial.

Por outro lado, esses mesmos setores estimulam o desgaste do Governo legitimamente eleito, com vista a abreviar o seu mandato. Para tanto, não hesitam em atropelar o Estado de Direito democrático, ao usarem, com estardalhaço, informações parciais e preliminares do Judiciário, da Polícia Federal, do Ministério Público e da própria mídia, na busca de uma comoção nacional que lhes permita alcançar seus objetivos, anti-nacionais e antidemocráticos.

O Brasil viveu, em 1964, uma experiência da mesma natureza. Custou-nos um longo período de trevas e de arbítrio. Trata-se agora de evitar sua repetição. Conclamamos as forças vivas
da Nação a cerrarem fileiras, em uma ampla aliança nacional, acima de interesses partidários ou ideológicos, em torno da democracia e da Petrobras, o nosso principal símbolo de soberania.


20 de fevereiro de 2015

Alberto Passos Guimarães Filho
Aldo Arantes
Ana Maria Costa
Ana Tereza Pereira
Cândido Mendes
Carlos Medeiros
Carlos Moura
Claudius Ceccon
Celso Amorim
Celso Pinto de Melo
D. Demetrio Valentini
Emir Sader
Ennio Candotti
Fabio Konder Comparato
Franklin Martins
Jether Ramalho
José Noronha
Ivone Gebara
João Pedro Stédile
José Jofilly
José Luiz Fiori
José Paulo Sepúlveda Pertence
Ladislau Dowbor
Leonardo Boff
Ligia Bahia
Lucia Ribeiro
Luiz Alberto Gomez de Souza
Luiz Pinguelli Rosa
Magali do Nascimento Cunha
Marcelo Timotheo da Costa
Marco Antonio Raupp
Maria Clara Bingemer
Maria da Conceição Tavares
Maria Helena Arrochelas
Maria José Sousa dos Santos
Marilena Chauí
Marilene Correa
Otavio Alves Velho
Paulo José
Reinaldo Guimarães
Ricardo Bielschowsky
Roberto Amaral
Samuel Pinheiro Guimarães
Sergio Mascarenhas
Sergio Rezende
Silvio Tendler
Sonia Fleury
Waldir Pires

A Grande Mídia e a Petrobras

A estratégia é a mesma de sempre: criar fatos midiáticos para desestabilizar um dos maiores orgulhos da história do Brasil.
Não poderíamos deixar de publicar esta carta aberta no dia de hoje.
Fonte: O Tijolaço (Fernando Brito).

michelle

"Não precisa de qualquer comentário, exceto o de que há dignidade neste mundo, a carta da petroleira Michele Daher Vieira ao jornal O Globo e à repórter Letícia Vieira, autora do texto Petrobras: a nova rotina do medo e tensão na estatal.
Michele é uma das pessoas que aparecem na foto usada pelo jornal para induzir o leitor a que, de fato, há um clima de terror na empresa, com medo de “de represálias e de investigações”, além de demissões.
A carta de Michelle é um orgulho para os sentimentos de decência humana e uma vergonha para a minha profissão, que deveria ser a de buscadores da verdade e não da construção da mentira.
E a prova de que gente como Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco e outros que engordaram roubando a Petrobras são um grão de areia entre milhares e milhares de homens e mulheres de bem, que trabalham ali não só como profissionais corretos e competentes, mas como brasileiros que amam o seu país."

Carta aberta à Leticia Fernandes e ao jornal O Globo

"Antes de tudo, gostaria de deixar bem claro que não estou falando em nome da Petrobras, nem em nome dos organizadores do movimento “Sou Petrobras”, nem em nome de ninguém que aparece nas fotos da matéria. Falo, exclusivamente, em meu nome e escrevo esta carta porque apareço em uma das fotos que ilustram a reportagem publicada no jornal O Globo do dia 15 de fevereiro, intitulada “Nova Rotina de Medo e Tensão”.
Fico imaginando como a dita jornalista sabe tão detalhadamente a respeito do nosso cotidiano de trabalho para escrever com tanta propriedade, como se tudo fosse a mais pura verdade, e afirmar com tamanha certeza de que vivemos uma rotina de medo, assombrados por boatos de demissões, que passamos o dia em silêncio na ponta das cadeiras atualizando os e-mails apreensivos a cada clique, que trabalhamos tensos com medo de receber e-mails com represálias, assim criando uma ideia, para quem lê, a respeito de como é o clima no dia a dia de trabalho dentro da Petrobras como se a mesma o estivesse vivendo.
Acho que tanta criatividade só pode ser baseada na própria realidade de trabalho da Letícia, que em sua rotina passa por todas estas experiências de terror e a utiliza para descrever a nossa como se vivêssemos a mesma experiência. Ameaças de demissão assombram o jornal em que ela trabalha, já tendo vários colegas sendo demitidos[1], a rotina de e-mails com represálias e determinando que tipo de informação deve ser publicada ou escondida devem ser rotina em seu trabalho[2], sempre na intenção de desinformar a população e transmitir só o que interessa, mantendo a população refém de informações mentirosas e distorcidas.
Fico impressionada com o conteúdo da matéria e não posso deixar de pensar como a Letícia não tem vergonha de a ter escrito e assinado. Com tantas coisas sérias acontecendo em nosso país ela está preocupada com o andar onde fica localizada a máquina que faz o café que nós tomamos e com a marca do papel higiênico que usamos. Mas dá para entender o porque disto, fica claro para quem lê o seu texto com um mínimo de senso crítico: o conteúdo é o que menos importa, o negócio do jornal é falar mal, é dar uma conotação negativa, denegrir a empresa na sua jornada diária de linchamento público da Petrobras. Não é de hoje que as Organizações Globo tem objetivo muito bem definido[3] em relação à Petrobras: entregar um patrimônio que pertence à população brasileira à interesses privados internacionais. É a este propósito que a Leticia Fernandes serve quando escreve sua matéria.
Leticia, não te vejo, nem você nem O Globo, se escandalizado com outros casos tão ou mais graves quanto o da Petrobras. O único escândalo que me lembro ter ganho as mesma proporção histérica nas páginas deste jornal foi o da AP 470, por que? Por que não revelam as provas escondidas no Inquérito 2474[4] e não foi falado nisto? Por que não leio nas páginas do jornal, onde você trabalha, sobre o escândalo do HSBC[5]? Quem são os protegidos? Por que o silêncio sobre a dívida da sonegação[6] da Globo que é tanto dinheiro, ou mais, do que os partidos “receberam” da corrupção na Petrobras? Por que não é divulgado que as investigações em torno do helicoca[7] foram paralisadas, abafadas e arquivadas, afinal o transporte de quase 500 quilos de cocaína deveria ser um escândalo, não? E o dinheiro usado para construção de certos aeroportos em fazendas privadas em Minas Gerais [8]? Afinal este dinheiro também veio dos cofres públicos e desviados do povo. Já está tudo esclarecido sobre isto? Por que não se fala mais nada? E o caso Alstom[9], por que as delações não valem? Por que não há um estardalhaço em torno deste assunto uma vez que foi surrupiado dos cofres públicos vultosas quantias em dinheiro? Por que você e seu jornal não se escandalizam com a prescrição e impunidade dos envolvidos no caso do Banestado[10] e a participação do famoso doleiro neste caso? Onde estão as manchetes sobre o desgoverno no Estado do Paraná[11]? Deixo estas perguntas como sugestão e matérias para você escrever já que anda tão sem assunto que precisou dar destaque sobre o cafezinho e o papel higiênico dos funcionários da Petrobras.
A você, Leticia, te escrevo para dizer que tenho muito orgulho de trabalhar na Petrobras, que farei o que estiver ao meu alcance para que uma empresa suja e golpista como a que você trabalha não atinja seu objetivo. Já você não deve ter tanto orgulho de trabalhar onde trabalha, que além de cercear o trabalho de seus jornalistas determinando “as verdades” que devem publicar, apoiou a Ditadura no Brasil[12], cresceu e chegou onde está graças a este apoio. Ao contrário da Petrobras, a empresa que você se esforça para denegrir a imagem, que chegou ao seu gigantismo graças a muito trabalho, pesquisa, desenvolvimento de tecnologia própria e trazendo desenvolvimento para todo o Brasil.
Quanto às demissões que estão ocorrendo, é muito triste que tantas pessoas percam seu trabalho, mas são funcionários de empresas prestadoras de serviço e não da Petrobras. Você não pode culpar a Petrobras por todas as mazelas do país, e nem esperar que ela sustente o Brasil, ou você não sabe que não existe estabilidade no trabalho no mundo dos negócios? Não sabe que todo negócio tem seu risco? Você culpa a Petrobras por tanta gente ter aberto negócios próximos onde haveria empreendimentos da empresa, mas a culpa disto é do mal planejamento de quem investiu. Todo planejamento para se abrir um negócio deveria conter os riscos envolvidos bem detalhados, sendo que o maior deles era não ficar pronta a unidade da Petrobras, que só pode ser culpada de ter planejado mal o seu próprio negócio, não o de terceiros. Imputar à Petrobras o fracasso de terceiros é de uma enorme desonestidade intelectual.
Quando fui posar para a foto, que aparece na reportagem, minha intenção não era apenas defender os empregados da injustiça e hostilidades que vem sofrendo sendo questionados sobre sua honestidade, porque quem faz isto só me dá pena pela demonstração de ignorância. Minha intenção era mostrar que a Petrobras é um patrimônio brasileiro, maior que tudo isto que está acontecendo, que não pode ser destruída por bandidos confessos que posam neste jornal como heróis, por juízes que agem por vaidade e estrelismos apoiados pelo estardalhaço e holofotes que vocês dão a eles, pelo mercado que só quer lucrar com especulação e nunca constrói nada de concreto e por um jornal repulsivo como O Globo que não tem compromisso com a verdade nem com o Brasil.
Por fim, digo que cada vez fica ainda mais evidente a necessidade de uma democratização da mídia, que proporcionará acesso a uma diversidade de informação maior à população que atualmente é refém de uma mídia que não tem respeito com o seu leitor e manipula a notícia em prol de seus interesses, no qual tudo que publica praticamente não é contestado por não haver outros veículos que o possa contradizer devido à concentração que hoje existe. Para não perder um poder deste tamanho vocês urram contra a reforma, que se faz cada vez mais urgente, dizendo ser censura ou contra a liberdade de imprensa, mas não é nada além de aplicar o que já está escrito na Constituição Federal[12], sendo a concentração de poder que algumas famílias, como a Marinho detém, totalmente inconstitucional.
Sendo assim, deixo registrado a minha repugnância em relação à matéria por você escrita, utilizando para ilustrá-la uma foto na qual eu estou presente com uma intenção radicalmente oposta a que ela foi utilizada por você."
Fontes:
[1] Demissões nas Organizações Globo:
http://www.conexaojornalismo.com.br/…/demissoes-do-globo-es…
http://radiodeverdade.com/tag/demissoes-na-radio-globo/
http://www.parana-online.com.br/editor…/almanaque/…/836519/…
http://www.portalimprensa.com.br/…/o+globo+faz+cortes+na+re…
http://blogs.odia.ig.com.br/…/globo-inicia-demissoes-no-jo…/
[2] Exemplos de o que deve e não deve ser publicado
http://www.brasildefato.com.br/node/31315
http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/globo-ordena-que-no…
http://www.conversaafiada.com.br/…/globo-censura-reporter-…/
[3] Objetivos
http://www.municipiosbaianos.com.br/noticia01.asp…
http://www.aepet.org.br/…/Prezado-a-companheiro-a-da-Petrob…
http://www.viomundo.com.br/…/sordida-campanha-dos-marinho-c…
https://petroleiroanistiado.wordpress.com/…/petrobras-sob-…/
https://fichacorrida.wordpress.com/…/rede-globo-de-corrupc…/
[4] Inquérito 2474
http://www.cartacapital.com.br/…/em-sigilo-ha-7-anos-inquer…
http://www.ocafezinho.com/…/inquerito-2474-ja-esta-na-inte…/
http://www.istoe.com.br/…/…/345927_ERRO+HISTORICO+NA+AP+470+
http://www.brasil247.com/…/Nassif-STF-vai-abrir-segredo-de-…
[5] Escândalo do HSBC
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-assombroso-silen…/
http://economia.ig.com.br/…/reino-unido-investiga-hsbc-por-…
http://economia.estadao.com.br/…/hsbc-entenda-o-escandalo-…/
http://economia.ig.com.br/…/receita-esta-de-olho-em-corrent…
http://www.brasil247.com/…/Sonega%C3%A7%C3%A3o-no-HSBC-%C3%…
[6] Sonegação Globo
http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=4664
http://www.ocafezinho.com/…/os-documentos-da-fraude-da-glo…/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/injusto-e-pagar-im…/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-o-processo-de…/
[7] Helicoca
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-dcm-apresenta-no…/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-papel-cada-vez-m…/
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/categorias/helicoca/
[8] Aeroportos Mineiros
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-a-midia-na…/
http://www1.folha.uol.com.br/…/1493571-aecio-neves-a-verdad…
http://www1.folha.uol.com.br/…/1488587-governo-de-minas-fez…
http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/trafico-de-cocaina-…
http://www.plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=82339
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/aecio-nomeou-desem…/
[9] Alstom
http://www1.folha.uol.com.br/…/1281123-brasil-e-unico-que-n…
http://tijolaco.com.br/blog/?p=24684
[10] Banestado
http://www.redebrasilatual.com.br/…/o-caso-banestado-a-petr…
http://www1.folha.uol.com.br/…/1267100-justica-anula-punica…
http://ultimosegundo.ig.com.br/…/lentidao-da-justica-livrou…
[11] Beto Richa e o Paraná
http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/beto-richa-quebrou-…
http://www.redebrasilatual.com.br/…/curitiba-a-pauta-da-reb…
[12] Globo e a Ditadura
http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/editorial-globo-cel…
http://www.brasildefato.com.br/node/25869
http://altamiroborges.blogspot.com.br/…/as-diretas-ja-e-o-c…
http://www.viomundo.com.br/…/faz-30-anos-bom-jornalismo-da-…
http://www.viomundo.com.br/…/fabio-venturini-no-golpe-dos-e…
http://www.viomundo.com.br/…/exclusivo-as-entrevistas-feroz…
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/abrir-empresa-em-p…/
[12] CF/88
Diz o artigo 220 da Carta, no inciso II do parágrafo 3°:
II – estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
Já o parágrafo 5° diz:
Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.
E o artigo 221. por sua vez, prescreve:
Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

20 de fevereiro de 2015

Meditação com o Dr. Brian Weiss

Tenho colocado alguns posts simultaneamente neste blog e no Impressões.
O objetivo, óbvio, é chegar a um número maior de pessoas.
Este é um deles.
É que me lembrei que há alguns anos me dediquei bastante a leituras de assuntos contidos em livros como os do Dr. Brian Weiss (acho que sua especialidade é Psiquiatria).
Ele procura unir pesquisas científicas à espiritualidade, bem como à tentativa de aplicação da medicina à conhecimentos filosóficos orientais milenares.
Faz tempo que não leio livros assim mas esses dias, tentando dar uma organizada em livros e discos, achei um CD qua andava meio perdido em tantos títulos e que na época veio encartado em um livro chamado "Meditando com Brian Weiss".
Ouvi muito as meditações dirigidas contidas naquele CD e lembrei que na época havia convertido para mp3 no sentido de poder levar as narrações em pen-drivers e smartphones. Transformei-a em "meditação portátil". :)
Resolvi dar uma olhada no You Tube para ver se alguém tinha colocado alguma daquelas ali e achei.
É essa que reproduzo a seguir.
Em tempos de crises planetárias e pessoais, uma parada de cerca de 27 minutos de olhos fechados pode trazer alívio ou até mesmo, quem sabe, soluções definitivas para algum tipo de problema.
No mínimo vai te fazer relaxar um pouco. Se conseguir parar durante 27 minutos.



"Exercício de relaxamento profundo extraído do livro "Meditanto com Brian Weiss", de Brian Weiss. O dublador é Márcio Seixas (também conhecido como o Batman nos desenhos do próprio e da Liga da Justiça). Recomendo que você o escute pela primeira vez com os olhos abertos para "sentir" do que se trata. Depois, caso ele tenha te agradado, feche os olhos e apenas se permita passar pelos 27 minutos de relaxamento que o exercício propõe.

Não é hipnose, é relaxamento profundo. Você terá plena consciência do que está ocorrendo (na hipnose, você literalmente "apaga" e o hipnotizador decide se você se lembrará ou não do que ocorreu).

Escolha um local e um horário onde você não será incomodado(a) durante os 27 minutos de duração do exercício. Fique com os olhos fechados e, se desejar, faça-o deitado(a) (se bem que aí você corre o sério risco de dormir) ou sentado(a) confortavelmente numa cadeira com os dois pés nos chão e as duas mãos sobre suas coxas. Eu costumo fazê-lo deitado e geralmente caio no sono. Às vezes é um sono consciente, às vezes não, mas eu sempre acordo perto do final, quando ele pede para acordarmos."

19 de fevereiro de 2015

Impitiman é Meuzovo

Só para quem não sabe: "Impitiman é o meuzovo" significa algo como "Impeachment é o cacete!" (ou outra denominação mais pesada começando com c).

Uma reposta carnavalesca bem humorada ao "Impeachment já" defendido pelos derrotados da última eleição. Só não sei quem eles estão pretendendo colocar lá...

"E de repente lá da cobertura global do Carnaval do Ceará vem o grito de guerra mais pop contra a tentativa de golpe da oposição que não sabe perder, impitiman é meuzovo.

É o resgate do humor na batalha da comunicação contra o raivoso discurso midiático. É uma chama de lucidez discursiva entre os aliados de Dilma.

Em política, quem perde o humor em disputas de caráter popular, em geral é derrotado.

Do Ceará vem o grito de guerra que pode tirar Dilma e o seu governo das cordas: impitiman é meuzovo!" (do Blog do Rovai).

Assista ao vídeo:



18 de fevereiro de 2015

Good Times: as baladas românticas do Scorpions

Um dos temas que deveriam ser predominantes neste blog é música.
Mas tenho feito menos posts sobre o assunto do que gostaria.
Ultimamente tento evitar política, meio-ambiente, economia, mídia, relações internacionais, etc. mas mesmo assim ainda tem tido poucos sons por aqui.
Os assuntos citados na verdade deveriam ser os motores propulsores do blog neste momento mundial tão difícil e que requer soluções complexas. A bem da verdade nem sabemos o que se desenha para o futuro a média e longo prazos com essas inúmeras e incessantes crises planetárias. Mas podemos agir de alguma forma a respeito.
Ocorre que, ao longo dos últimos cinco anos, essas preocupações foram predominantes nas postagens feitas aqui no Blog do Luiz Felipe Muniz.
Assim, tenho preferido ultimamente me dar um "refresco" e abordar temática mais leves.
Pode ser alguma coisa do tipo "fiz a minha parte" ou "desisto de tentar salvar o mundo". Enfim, cansei. Pelo menos por enquanto.
Fuga? Falta de perspectiva? Alienação? Entrada no time dos "massificados"? Desencanto? Pode ser. Não estou preocupado com isso. Pelo menos por enquanto. Mas sei que deveria.
Assim, vamos de música.
E não é carnavalesca que é o que está rolando em todo canto desde a semana passada.
Uma das bandas de Hard-Rock ou Heavy-Metal que mais gosto não vem da Inglaterra, nem dos EUA nem do Brasil.
É da terra da Angela Merkel (vai de retro!) e chama-se Scorpions. Não é desconhecida no Brasil não. Veio no primeiro Rock in Rio e teve alguns temas em trilhas de novelas.
Talvez o reconhecimento internacional deva-se a uma faceta particular da banda: embora sejam mestres no "rock pesado", normalmente sempre registram pelo menos uma bela balada romântica em cada disco que lançaram ao longo de mais de 40 anos de carreira e mais de 30 discos lançados.
Selecionei quatro delas que acho que vocês se lembrarão. Mas eles tem várias outras. Recomendo que pesquisem. Se gostarem.
Good Times.







14 de fevereiro de 2015

Eu quero dizer o seguinte...

(...) "Não temos como escapar de um eventual pessimismo, diante da nova ofensiva midiática, conjugada à apatia do governo.

Quem sofre, naturalmente, é o trabalhador, preso em meio a uma crise que paralisa a atividade econômica.

Lembro-me que, certa feita, li um desses caricatos conservadores de jornal escrever: “A França, como a Inglaterra, teria se modernizado sem a maldita revolução”.

Maldita revolução…

É muito curioso alguém pretender julgar a história.

Mais curioso ainda, depois de tantos séculos, odiar a revolução francesa.

Como se os fatos históricos não fossem todos encadeados, como se a revolução francesa fosse um livro que não deveria ter sido escrito.

Um dia, num futuro distante, algum historiador poderá catalogar o período histórico que vai dos anos 50 aos dias de hoje, como uma sucessão ininterrupta de golpes políticos articulados com auxílio da mídia.

Talvez possamos, desde já, chamar esse período, iniciado em 1954, com o suicídio de Vargas, até 2015, quando se articula um segundo golpe, muitas vezes mais sofisticado, como aera da mídia”.

Livros serão escritos, num ambiente já mais tranquilo, estável, sobre décadas e décadas de histeria midiática e técnicas de tortura semiótica aplicadas à política.

O poder da nossa mídia para torturar, destruir e humilhar é extraordinário. É a única coisa que explica o suicídio de Vargas e o golpe de 64.

A última eleição de Dilma foi, por isso mesmo, um verdadeiro milagre, só explicável pela comunicação produzida na campanha.

Não me refiro apenas à propaganda eleitoral da TV, mas ao contato direto entre Dilma e o povo, através dos comícios e dos encontros.

Mas não vou mais falar de comunicação, porque isso já encheu o saco. Hora de virar o disco.

Encerro com uma notícia que, acho eu, nunca contei por aqui.

Vocês sabiam que a indústria do cinema e audiovisual nos EUA é altamente sindicalizada? Isso desde a década de 20, ao menos.

Claro que vocês nunca verão isso no Globo Repórter…"

Por Miguel do Rosário em O Cafezinho 


P.S.: As ilustrações foram inseridas neste blog.

13 de fevereiro de 2015

E chegou o Carnaval: dicas para os não foliões


A festa do carnaval... para quem gosta.
Começa hoje, nesta sexta-feira 13, o Carnaval 2015. Na verdade já começou desde a semana passada. E provavelmente vai perdurar até depois da quarta-feira de cinzas, pelo menos em alguns lugares.
Para os grandes foliões, inveterados ou não, este é o grande momento do ano, o mais aguardado.
E dá-lhe trios elétricos, escolas de samba, blocos.
Me lembro que na sexta de carnaval era o dia preferido dos "Blocos de Sujos", que tocavam marchas e desfilavam com fantasias improvisadas. Não sei se essa tradição suburbana ainda persiste mas eu fiz parte dela, em tempos quase imemoriais.
Praia vazia no carnaval? Só se chover muito!
A questão é que existem também os "não foliões", muitos extremamente avessos ao Reinado de Momo.
É claro que esses darão o seu jeito. Se puderem se refugiar em um local bucólico junto à natureza, ótimo.
Mas podem montar um "bunker" em casa mesmo. Fazendo um estoque de alimentos, bebidas, livros, filmes, discos, etc.
As opções existem para quem quer fugir das ruas quentes e barulhentas, do cheiro de xixi, de foliões que exageram no álcool, dos tráfegos impedidos, dos beijos 'mononucleóticos' (rs).
Eu montei algumas estratégias, uma vez que faz um bom número de anos que abandonei o  posto de frequentador da Marquês de Sapucaí, dos salões de bailes de carnaval (quando isso existia) e dos blocos (quando era uma brincadeira tranquila e segura e não dependia tanto de vodka com energéticos).
Então serve como dica (ou 'guia de sobrevivência') a de ir ao supermercado e hortifruti até no máximo hoje. Faça a sua programação "gourmet" para os próximos cinco dias e leve a lista do que vai precisar comprar. Não esqueça da cerveja e das frutas para preparo da caipiríssima (compre vodka de boa qualidade, ok?), se gostar. Nem das carnes para o churrasco, se gostar.
Churrasqueira e 'chuveirão': boa opção
Como o refúgio praiano fica a cinco minutos (a pé) do mar, até dá para ir na praia em determinados horários mas, dependendo da distância que estiver, verifique antes se vale à pena o deslocamento, considerando também a frequência no local. Piscina (do clube, do prédio ou da casa) ou 'chuveirão' podem ser uma ótima opção se fizer calor desértico.
O mesmo cuidado com a questão dos deslocamentos tem de se dar também se quiser ir a cinemas, restaurantes ou qualquer outra opção fora do "bunker".
Dicas de livros já foram dadas aqui recentemente e com relação à filmes as melhores opções em cartaz no momento são os indicados ao Oscar. Isso se resolver ir ao cinema. DVDs, Blu-Rays e canais por assinatura são as opções caseiras. Inclusive tem alguns canais que vão fazer maratonas de filmes (por assuntos) e séries. Pesquisem.
No mais, aproveitem o feriadão de carnaval, foliões ou não, com uma programação de acordo com seu perfil e possibilidades.
Em tempo: para os três ou quatro que se interessarem, postaremos algumas "Impressões" lá no outro blog durante o período momesco. Mas não serão sobre carnaval. Nem política. Depois daremos uma desacelerada e, quem sabe, retornaremos com mais força aqui.

Bons filmes e livros, ar-condicionado, cerveja e caipivodka podem estar na lista do feriadão

11 de fevereiro de 2015

Vídeo de Bob Fernandes em "O Mercado de Notícias": a corrupção em nosso país


O jornalista paulista Bob Fernandes (que atua na TV Gazeta) costuma fazer comentários certeiros sobre temas polêmicos da política e do noticiário de forma geral. 
Atua acima de disputas bipolares e mostra didaticamente verdades nuas e cruas das quais é difícil discordar.
Este vídeo traz um trecho de uma entrevista sua para um documentário chamado "O Mercado de Notícias" do cineasta Jorge Furtado.

10 de fevereiro de 2015

Desemprego em queda: fala mídia!

Qual o destaque que a grande mídia vai dar a isso?
Será que vão considerar um fato negativo?
Os analistas globais são capazes de tudo!

Do Blog do Planalto:


Terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 às 12:00

Desemprego cai a 6,8% em 2014 e é o menor dos últimos dois anos, aponta IBGE

Com informações do IBGE
"A taxa de desemprego no País ficou em 6,8% em 2014, na média. Foi o menor índice desde 2012, quando atingiu 7,4% no ano e também abaixo do patamar registrado em 2013, que foi 7,1%. Considerando apenas o mês de dezembro, a taxa ficou em 4,3%, nível igual ao de dezembro de 2013, considerado o menor da série histórica, iniciada em 2002. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta terça-feira (10), pelo IBGE.
No mês de dezembro a taxa ficou em 4,3%, nível igual ao do mesmo mês em 2013, considerado o menor da série histórica, iniciada em 2002. Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
No mês de dezembro a taxa ficou em 4,3%, nível igual ao do mesmo mês em 2013,
considerado o menor da série histórica, iniciada em 2002.
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Queda no nível de desocupação
Em dezembro, a população desocupada caiu 11,8% nas seis regiões pesquisadas, para 1,051 milhão, em relação ao mês anterior. Na comparação com dezembro de 2013, a queda foi de 0,9%. Já a população ocupada chegou a 23,224 milhões no último mês do ano, recuando 0,7% em relação a novembro. Na comparação com dezembro do ano anterior, ficou quase estável.
Em relação ao trimestres, o nível da ocupação no Brasil, no 4º trimestre de 2014, foi estimado em 56,9%. Não houve variação estatisticamente significativa em relação ao trimestre anterior, quando era 56,8%. Regionalmente, no 4º trimestre de 2014, as regiões que apresentaram os maiores percentuais de pessoas trabalhando entre aquelas em idade de trabalhar foram a Centro-Oeste (61,5%) e a Sul (61,2%), enquanto na região Nordeste foi verificado o menor nível da ocupação, 52,2%.
A população desocupada também mostrou queda na comparação com o trimestre imediatamente anterior, passando de 6,7 milhões para 6,5 milhões de pessoas.
O nível da ocupação (indicador que mede a parcela da população ocupada em relação à população em idade de trabalhar) foi estimado em 56,9% no 4º trimestre de 2014 no Brasil, permanecendo estável frente ao trimestre anterior (56,8%) e em relação ao 4º trimestre do ano passado (57,3%).
A Pnad Contínua substituirá a tradicional Pnad anual e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). De acordo com os dados, o desemprego ficou em 4,3% em dezembro do ano passado, taxa igual à de 2013, considerada a menor desde o início da série histórica, em 2002.
A cada trimestre, pesquisa analisa os dados de 211.344 domicílios em aproximadamente 16 mil setores censitários em cerca de 3.500 municípios.
Regiões
Regionalmente, no 4º trimestre de 2014, as regiões que apresentaram os maiores percentuais de pessoas trabalhando entre aquelas em idade de trabalhar foram a Centro-Oeste (61,5%) e a Sul (61,2%), enquanto na região Nordeste foi verificado o menor nível da ocupação, 52,2%.
A a redução mais expressiva no desemprego no ano passado foi registrado na região metropolitana do Rio de Janeiro, com 23,4%, seguida de São Paulo (-16,5%) e Belo Horizonte (-12,5%).
Homens e mulheres
As análises apontaram diferenças no nível da ocupação entre homens e mulheres, ou seja, a proporção de homens com 14 anos ou mais de idade trabalhando era superior ao de mulheres deste mesmo grupo etário. No 4º trimestre de 2014, o nível da ocupação dos homens, no Brasil, foi estimado em 68,2% e o das mulheres, em 46,7%.
Faixas etárias
No 4º trimestre de 2014, o nível da ocupação do grupo etário de 25 a 39 anos foi estimado em 75,8%, para o grupo etário de 40 a 59 anos em 69,9%. Entre os jovens de 18 a 24 anos, esta estimativa era 57,9%.
Entre os menores de idade (de 14 a 17 anos) esta estimativa foi 15,9%, enquanto entre os idosos (60 anos ou mais), 22,1%."

5 de fevereiro de 2015

Mauro Santayana e o "fim" do Brasil

 
O Fim do Brasil
"Já há alguns meses, e mais especialmente na época da campanha eleitoral, grassam na internet mensagens com o título genérico de “O Fim do Brasil”, defendendo a estapafúrdia tese de que a nação vai quebrar nos próximos meses, que o desemprego vai aumentar, que o país voltou, do ponto de vista macroeconômico, a 1994 etc. etc. – em discursos irracionais, superficiais, boçais e inexatos.
Na análise econômica, mais do que a onda de terrorismo antinacional em curso, amplamente disseminada pela boataria rasteira de botequim, o que interessa são os números e os fatos.
Segundo dados do Banco Mundial, o PIB do Brasil passou, em 11 anos, de US$ 504 bilhões em 2002, para US$ 2,2 trilhões em 2013. Nosso Produto Interno Bruto cresceu, portanto, em dólares, mais de 400% em dez anos, performance ultrapassada por pouquíssimas nações do mundo.
Para se ter ideia, o México, tão “cantado e decantado” pelos adeptos do terrorismo antinacional, não chegou a duplicar de PIB no período, passando de US$ 741 bilhões em 2002 para US$ 1,2 trilhão em 2013; os Estados Unidos o fizeram em menos de 80%, de pouco mais de US$ 10 trilhões para quase US$ 18 trilhões.
Em pouco mais de uma década, passamos de 0,5% do tamanho da economia norte-americana para quase 15%. Devíamos US$ 40 bilhões ao FMI, e hoje temos mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais. Nossa dívida líquida pública, que era de 60% há 12 anos, está em 33%. A externa fechou em 21% do PIB, em 2013, quando ela era de 41,8% em 2002. E não adianta falar que a dívida interna aumentou para pagar que devíamos lá fora, porque, como vimos, a dívida líquida caiu, com relação ao PIB, quase 50% nos últimos anos.
Em valores nominais, as vendas nos supermercados cresceram quase 9% no ano passado, segundo a Abras, associação do setor, e as do varejo, em 4,7%. O comércio está vendendo pouco? O eletrônico – as pessoas preferem cada vez mais pesquisar o que irão comprar e receber suas mercadorias sem sair de casa – cresceu 22% no ano passado, para quase US$ 18 bilhões, ou mais de R$ 50 bilhões, e o país entrou na lista dos dez maiores mercados do mundo em vendas pela internet.
Segundo o Perfil de Endividamento das Famílias Brasileiras divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o ano de 2014 fechou com uma redução do percentual de famílias endividadas na comparação com o ano anterior, de 62,5%, para 61,9%, e a porcentagem de famílias com dívidas ou contas em atraso, caiu de 21,2%, em 2013, para 19,4%, em 2014 (menor patamar desde 2010). A proporção de famílias sem condições de pagar dívidas em atraso também diminuiu, de 6,9% para 6,3%.
É esse país – que aumentou o tamanho de sua economia em quatro vezes, cortou suas dívidas pela metade, deixou de ser devedor para ser credor do Fundo Monetário Internacional e quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, que duplicou a safra agrícola e triplicou a produção de automóveis em 11 anos, que reduziu a menos de 6% o desemprego e que, segundo consultorias estrangeiras, aumentou seu número de milionários de 130 mil em 2007 para 230 mil no ano passado, principalmente nas novas fronteiras agrícolas do Norte e do Centro-Oeste – que malucos estão dizendo que irá “quebrar” em 2015.
E se o excesso de números é monótono, basta o leitor observar a movimentação nas praças de alimentação dos shoppings, nos bares, cinemas, postos de gasolina, restaurantes e supermercados; ou as praias, de norte a sul, lotadas nas férias. E este é o retrato de um país que vai quebrar nos próximos meses?
O Brasil não vai acabar em 2015.
Mas se nada for feito para desmitificar a campanha antinacional em curso, poderemos, sim, assistir ao “fim do Brasil” como o conhecemos. A queda das ações da Petrobras e de empresas como a Vale, devido à baixa do preço do petróleo e das commodities, e também de grandes empresas ligadas, direta e indiretamente, ao setor de gás e de petróleo, devido às investigações sobre corrupção na maior empresa brasileira, poderá diminuir ainda mais o valor de empresas estratégicas nacionais, levando, não à quebra dessas empresas, mas à sua compra, a preço de “bacia das almas”, por investidores e grandes grupos estrangeiros – incluídos alguns de controle estatal – que, há muito, estão esperando para aumentar sua presença no país e na área de influência de nossas grandes empresas, que se estende pela América do Sul e a América Latina.
Fosse outro o momento, e o Brasil poderia – como está fazendo a Rússia – reforçar sua presença em setores-chave da economia, como são a energia e a mineração, para comprar, com dinheiro do tesouro, a preço muito barato, ações da Petrobras e da própria Vale. Com isso, além de fazer um grande negócio, o governo brasileiro poderia, também, contribuir com a recuperação da Bolsa de Valores. Essa alternativa, no entanto, não pode sequer ser aventada, em um início de mandato em que o governo se encontra pressionado, praticamente acuado, pelas forças neoliberais que movem – aproveitando os problemas da Petrobras – cerrada campanha contra tudo que seja estatal ou de viés nacionalista.
Com isso, o país corre o risco de passar, com a entrada desenfreada de grandes grupos estrangeiros na Bolsa por meio da compra de ações de empresas brasileiras com direito a voto, e a eventual quebra ou absorção de grandes empreiteiras nacionais por concorrentes do exterior, pelo maior processo de desnacionalização de sua economia, depois da criminosa entrega de setores estratégicos a grupos de fora – alguns de capital estatal ou descaradamente financiados por seus respectivos países (como foi o caso da Espanha) nos anos 1990.
Projetos que envolvem bilhões de dólares, e mantêm os negócios de centenas de empresas e empregam milhares de brasileiros já estão sendo, também, entregues para estrangeiros, cujas grandes empresas, no quesito corrupção, como se pode ver no escândalo dos trens, em São Paulo, em nada ficam a dever às brasileiras.
Para evitar que isso aconteça, é necessário que a sociedade brasileira, por meio dos setores mais interessados – associações empresariais, pequenas empresas, sindicatos de trabalhadores, técnicos e cientistas que estão tocando grandes projetos estratégicos que poderiam cair em mãos estrangeiras –, se organize e se posicione. Grandes e pequenos investidores precisam ser estimulados a investir na Bolsa, antes que só os estrangeiros o façam.
O combate à corrupção – com a punição dos responsáveis – deve ser entendido como um meio de sanar nossas grandes empresas, e não de inviabilizá-las como instrumentos estratégicos para o desenvolvimento nacional e meio de projeção do Brasil no exterior.
É preciso que a população – especialmente os empreendedores e trabalhadores – percebam que, quanto mais se falar que o país vai mal, mais chance existe de que esse discurso antinacional e hipócrita, contamine o ambiente econômico, prejudicando os negócios e ameaçando os empregos, inclusive dos que de dizem contrários ao governo.
É legítimo que quem estiver insatisfeito combata a aliança que está no poder, mas não o destino do Brasil, e o futuro dos brasileiros."
Por Mauro Santayana