31 de julho de 2014

Humor de Quinta: Maconha

Conflitos Internacionais

Não sei não.
Ontem vi o Obama cheio de força anunciando sanções à Rússia por ela teoricamente estar ajudando os rebeldes do leste ucraniano que são em sua maioria russos ou descendentes dos mesmos.
Não me consta que os rebeldes estejam jogando bombas no resto da Ucrânia, muito menos matando civis, entre eles mulheres e crianças.
Sem negar o direito de Israel se defender (e se defende muito bem), seria bom que Obama aumentasse o tom da mesma forma com Israel. Mas como Israel é nação aliada pode varrer a Faixa de Gaza do mapa que está tudo bem.
Com a infeliz decisão de Israel de continuar bombardeando escolas, hospitais, prédios da ONU, etc. ganha força a posição brasileira de chamar seu embaixador e condenar o ataque desproporcional aos palestinos.
Nosso blog humildemente apoia um cessar fogo incondicional (e humanitário) imediato.
Quanto à Russia, seria bom que a imprensa ocidental - ao invés de só puxar o saco dos EUA - desse voz também aos rebeldes para que expliquem sua posição e igual oportunidade à chancelaria russa.
Da mesma forma deveria tentar fazer matérias históricas que explicassem as origens dos conflitos na Síria, Iraque e Líbia...


Brasil 10 X Israel 0
Por Marcelo Zero, no blog de Paulo Moreira Leite:
(...) "Assim, o Brasil historicamente se posicionou em relação àquele conflito com muita moderação e tomando como base fundamental as resoluções da ONU sobre o tema. Essas resoluções são claras: os israelenses têm direito ao seu Estado, mas os palestinos também. Ademais, a ONU condenou explicitamente a ocupação, por parte de Israel, dos territórios palestinos e dos territórios de outros países tomados após a guerra de 1967. De fato, tanto o Conselho de Segurança das Nações Unidas, através da sua Resolução 497, quanto a Assembleia Geral, que aprovou moção de apoio à essa Resolução , condenaram taxativa e reiteradamente a ocupação ilegal.

Além de se posicionar de forma equilibrada sobre o tema, tomando como parâmetros as resoluções da ONU relativas ao conflito, o Brasil sempre deu firme apoio a todas as iniciativas destinadas à retomada das negociações de paz. Desse modo, o nosso país, em consonância com a comunidade internacional, apoiou os entendimentos alcançados no segundo Acordo de Oslo (1995), na Iniciativa Árabe de Paz de Beirute (2002), no chamado “Mapa do Caminho para a Paz” (2003), na “Iniciativa de Genebra” (2003) e nas outras que as sucederam.

Assim sendo, cabe aqui a pergunta: quem é o anão diplomático nessa história? O Brasil, que apoia as resoluções da ONU e as tentativas de negociação, ou Israel, que as descumpre sistematicamente, manifestando desprezo pela comunidade internacional?

No plano externo, Israel usa somente dois argumentos de peso: seu poderoso exército e o apoio incondicional dos EUA e seus aliados. No que tange aos palestinos, a “diplomacia” israelense se resume a isso. Convenhamos: é muito pouco para quem acusa o Brasil de nanismo diplomático.

Se há uma crítica que se pode fazer ao Brasil, é precisamente a contrária à que fez o ventríloquo bufão. Uma posição muito equilibrada, relativamente a um conflito com correlação de forças tão assimétricas, tão desproporcionais, pode beneficiar o forte, em detrimento do fraco. Fica cada vez mais claro que tanto o Brasil quanto os demais países precisam assumir uma posição mais incisiva, no que tange à defesa do sofrido povo palestino.

Esse povo, que não tem Estado, território coeso, economia viável e nem forças armadas vem sendo submetido ao que Ilan Pappé, historiador israelense, denominou apropriadamente de “genocídio incremental”. Aos poucos, o governo de Israel vai colonizando quase toda a Cisjordânia, tomando as poucas terras remanescentes dos palestinos, e sitiando 1,8 milhão pessoas na estreita Faixa de Gaza.

O governo de Israel não gosta, mas não há como deixar de comparar Gaza a um gueto. A situação lá não é igual à do gueto de Varsóvia, mas, aos poucos, está se aproximando bastante.

Gaza sofre um bloqueio impiedoso há sete anos, que devasta sua precária economia e submete a população a sofrimentos indizíveis. Há falta de água e de energia. Há fome e falta de remédios. A taxa de desemprego é de 40% e os palestinos que lá moram não podem manter contato regular com seus familiares na Cisjordânia. Praticamente todo o comércio externo foi cortado. Até mesmo a pesca foi severamente restringida pelo governo de Israel. Para não morrer, a população de Gaza depende da ajuda internacional, que chega a conta gotas, e de precários túneis pelos quais entram alimentos e remédios. Justamente os túneis que o governo de Israel quer fechar.

Gaza é hoje uma gigantesca prisão. Uma prisão já condenada pelo Alto Comissário para os Direitos Humanos das Nações Unidas e pelo comitê da Cruz Vermelha Internacional, entre vários outros. Gaza é uma crua ofensa à consciência do mundo.

Ante tal situação dantesca, não resulta difícil entender que o Hamas eventualmente dispare seus precários e primitivos foguetes Qassam contra Israel, sem nenhum sucesso, já que esses artefatos são facilmente destruídos pelo sofisticado sistema antiaéreo israelense.

Portanto, classificar a atual ofensiva genocida do governo de Israel em Gaza, que já matou 800 pessoas, incluindo mulheres e crianças, como uma resposta apropriada ao Hamas, justificada pelo direito à autodefesa, é uma manifestação de nanismo intelectual. Não é apenas desproporcional. Simplesmente não é autodefesa. É ataque indiscriminado que atinge especialmente a população civil inocente de Gaza, já massacrada cotidianamente pelo bloqueio.

Não é uma guerra. Trata-se de uma política deliberada de sufocação e aniquilamento. É o “genocídio incremental”, que, às vezes, não é tão incremental assim.

É por isso que o governo de Israel, mesmo contando com a simpatia da mídia ocidental, vem perdendo, nos últimos anos, apoio na opinião pública internacional e na opinião pública brasileira. Ao convocar seu embaixador, o governo do Brasil está somente entrando em sintonia com o que pensa e sente boa parte de sua população.

Contudo, o principal problema do governo que chama o Brasil de “anão diplomático” é o seu nanismo moral. No dia seguinte em que acusou o Brasil de “anão diplomático”, o governo de Israel bombardeou uma escola das Nações Unidas em Gaza, manifestando, dessa forma, todo o seu apreço à diplomacia, ao multilateralismo e à comunidade internacional.

Desconhecemos manifestação do ventríloquo bufão sobre esse crime. Mas, no placar da diplomacia mundial, a desproporcionalidade já é gritante.

Brasil 10 x Israel 0."

Marcelo Zero é diplomado em Ciencias Sociais pela UnB e assessor legislativo do Partido dos Trabalhadores

Fonte: IstoÉ Independente

30 de julho de 2014

Edgar Morin - da Complexidade a um Novo Mundo (*)


Eu devo muito a Morin pelas boas leituras e profundas reflexões que fiz de parte de seu imenso e exaustivo trabalho no campo da complexidade e da ética humana, por este motivo, sempre que posso, volto a ele com imenso prazer para tentar saídas e novas estratégias de ação.


O Edgar Morin está no Brasil falando da Complexidade e da Segurança, dentre outras questões é claro, e deu uma breve entrevista que publicamos aqui no blog para a sua reflexão em tempos de grandes transformações anunciadas aos quatro cantos do mundo, veja abaixo:

"A violência deve ser tratada em sua complexidade Por Lincoln Macário, da TV Brasil

Se violência gera violência, submeter um jovem infrator ao cárcere só fortalece seu lado agressivo. Esta é uma das várias declarações humanistas do filósofo francês Edgar Morin, que está no Brasil para uma série de palestras e seminários. Enquanto o mundo se preocupa com os conflitos entre iranianos, é o pobre e esquecido povo do Sri Lanka que ele lembra em primeiro lugar quando perguntado sobre formas de violência que mais o preocupam.Quanto aos conflitos no Irã ele afirma que as informações vindas de lá devem ser sempre analisadas em seu contexto histórico, político e social.Em entrevista exclusiva concedida à TV Brasil, ele explica sua Teoria da Complexidade. Autor de 30 livros, entre eles a trilogia O Método e Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, Morin avalia que o mundo ainda não compreendeu a importância do erro - um desses sete saberes - e revela que a educação mudou pouco nos últimos anos, pois permanece ainda muito negativa.Prestes a completar 88 anos, Morin se empenha em popularizar os conceitos de Política da Civilização e Política de Humanidade. Admirador do Brasil, o professor concedeu a entrevista em português. Recém-chegado da França, ainda não tinha “tomado um banho de português” necessário para deixar suas frases mais “belas”. A mistura, porém, não tirou o caráter inovador de suas ideias.


TV Brasil - O assunto que o traz a Brasília são os direitos humanos e, em especial, as formas de violência. Nesse tema, que tipo de violência mais o preocupa?


Edgar Morin - A mais preocupante é a violência que vem com as guerras, as perseguições, como é a violência que chegou ao Sri Lanka há poucas semanas. A população, aos milhões, está em situação de horror, de matança. Isso é o mais grave. Mas também são as violências urbanas, cotidianas, matrimoniais, muitos homens que golpeiam as mulheres, os pequenos, uma situação muito impressionante. Mas a coisa mais importante é quando se diz, vamos fazer violência para acabar com violência. Em condições gerais, violência, gera outra violência. É um ciclo que não se interrompe. A questão fundamental é como parar a violência. Fazer com que em um momento não exista mais violência. E há vários caminhos: são os caminhos da compreensão. Por exemplo: a violência juvenil. Ser jovem é um momento de transição. Se essa violência é respondida com a violência do cárcere, vai se produzir delinquentes mais fortes. Outra política de compreensão para a pessoa fazer sua transformação é um momento de magnanimidade, de perdoar a pessoa e interromper o ciclo de violência. Existem exemplos, limitados, como de Gandhi, que sem violência teve sucesso contra o império inglês. Há vários tipos de meios. Hoje podemos pensar em lutar contra todas as formas de violência, com os modos apropriados para cada forma de violência.


TV Brasil - O senhor é conhecido no mundo inteiro, e muito estudado, também no Brasil, pela Teoria da Complexidade. Como se poderia resumi-la?


Morin - Falamos primeiro de violência. Na complexidade, não podemos reduzir uma pessoa a seu ato mais negativo. O filósofo Hegel disse: se uma pessoa é um criminoso, reduzir todas as demais características de sua personalidade ao crime é fácil. Entender, não reduzir a uma característica má uma pessoa que tem outras característica, isso é a complexidade. Uma pessoa humana tem várias características, é boa, má e muito mais. Devemos entender que a palavra latina complexus significa tecido. Em geral, o nosso modo de conhecer que vem da escola nos ensina a separar as coisas, e não religá-las. A complexidade significa religar. Por exemplo: um evento, um acontecimento, uma informação. Quando chega uma informação sobre o que ocorre no Irã, por exemplo, devemos entender o contexto político, histórico, social. A complexidade busca favorecer uma compreensão maior que a compreensão que vem de se isolar a coisas, colocar o contexto, todos os contextos em uma situação.


TV Brasil - Em “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro”, o senhor fala da importância do erro. A humanidade já compreende e já aceita melhor o erro?


Morin - É uma coisa que disse Descartes, o problema de errar é não saber que se erra. Eu penso que é muito inteligente quando se sabe que se comete um erro e se esquece do erro. Penso que é muito importante conhecer as fontes do erro. De onde vem o erro.


TV Brasil - Mas a humanidade vê melhor o erro do que há dez, vinte ano atrás?


Morin - Penso que não há progresso, o sistema de educação não mudou, é cada vez mais negativo. Os problemas globais fundamentais são cada vez mais fortes. Por isso penso que há a necessidade de reformar a educação. Com uma idéia melhor de como se faz o conhecimento e também compreensão humana dos outros. Penso que minha proposta será muito útil para o desenvolvimento nosso futuro.


TV Brasil - Para aceitarmos a complexidade, é preciso uma reforma do pensamento e enxergar o mundo de outra maneira. O senhor acha que os meios de comunicação tradicionais essa reforma do pensamento ou é uma tarefa para a internet?


Morin - A internet hoje dá uma possibilidade de multiplicação de informação e comentários, que é muito útil, por que a vida de uma democracia é a pluralidade das opiniões, visões, sem a homogeneidade da imprensa. Não há muitas diferenças na grande imprensa. É muito útil a internet, o que não significa que não há coisas falsas que venham dessas redes. Mas é a educação que dá à pessoa condição de ver e confrontar o que vê na internet e na televisão. Penso que hoje a internet dá uma possibilidade de mudança muito grande, por exemplo, pela complexidade. No México, há um curso de complexidade da educação virtual, com 25 países.


TV Brasil - O senhor tem se dedicado muito a pensar a política e tem feito a separação da política da civilização e da política da humanidade. Qual a diferença?


Morin - A política de civilização luta contra todos os efeitos negativos da civilização ocidental. É para restabelecer a solidariedade, humanizar a cidades, revitalizar os campos. Cada civilização tem suas virtudes, qualidades, suas diferenças, isso é verdade também para a civilização ocidental. Também para as civilizações de pequenos povoados, como índios da Amazônia, conhecimentos de plantas, animais, arte de viver, novos curativos, como os xamãs. A política de humanidade é combinar o melhor de cada civilização, fazer uma simbiose no nível do planeta onde o melhor do mundo ocidental, que são os direitos humanos, direitos da mulher, a possibilidade do individualismo - mas não do egocentrismo - que combine outras civilizações, onde há mais solidariedade. A questão é lutar contra os defeitos das civilizações e pegar o que há de melhor. Porque nas civilizações tradicionais não há só coisas boas como solidariedade. Há também dogmatismo, autoridade demasiada dos mais velhos, do homem sobre a mulher. A ideia é tirar o melhor de cada, não idealizar a civilização tradicional ou a ocidental."

(*) Publicado em junho de 2009 por Luiz Felipe Muniz - Da série retrospectiva comemorativa dos cinco anos do blog.

29 de julho de 2014

Conhecem ou conheceram o "Adriano" Suassuana?

Melhor deixar o imortal descansar em paz...

As eleições, a mídia e as comparações dos governos tucanos x petistas

É a mídia, Dilma, é a mídia!
Por Emir Sader
"Qualquer comparação minimamente objetiva dos governos tucanos e petistas – dos candidatos que representam a um e a outro – permitiria prever uma vitória eleitoral ainda mais fácil do governo neste ano. Ninguém duvida dos resultados dessa comparação, ainda mais que o candidato tucano reivindica a mesma equipe econômica de FHC e seu guru econômico repete os mesmos dogmas que levaram os tucanos a nunca mais ganharem eleição nacional no Brasil depois que essa equipe governou o pais. Enquanto a candidata do governo representa a continuidade do projeto que transformou positivamente o Brasil desde 2003 e seu aprofundamento.

No entanto, as pesquisas e o clima político e econômico mostram um cenário um pouco diferente. Somente o nível de rejeição que as pesquisas – maquiadas ou não – da Dilma e do governo – o dobro da rejeição de Aécio, segundo as pesquisas – já revela que outros fatores contam para entender as opiniões das pessoas.

Para um tecnocrata, para uma visão economicista ou positivista da realidade, a consciência é produto direto da realidade objetiva. Basta transformar a esta, que as pessoas se darão conta das mudanças e do seu significado. Não leva em conta o papel fundamental da intermediação que exercem os meios de comunicação. A realidade concreta chega às pessoas através das representações dessa realidade, processo em que a mídia exerce um papel determinante. Essa visão ingênua não entende o que é a ideologia e como a fabricação dos consensos pela mídia monopolista atua.

A mídia conseguiu fabricar consensos como os de que a Dilma seria uma presidente incompetente, o governo seria corrupto, a política econômica fundamentalmente equivocada e a Petrobrás um problema, a inflação descontrolada, a economia estagnada e sem possibilidade de voltar a crescer. Por mais que se possa, racionalmente, desmentir cada uma dessas afirmações, são elas que permeiam os meios de comunicação e formam parte da opinião pública, contaminada pelo terrorismo em que aposta a oposição politica e seu partido – a mídia.

Uma política de comunicações desastrosa por parte do governo é responsável por esse clima, que coloca em risco a continuidade do projeto democrático e popular que o povo escolheu como seu em três eleições presidenciais. O governo ficou inerte diante da criação desse clima e o que poderia dizer ficou neutralizado porque o governo não avançou em nada na democratização dos meios de comunicação. É uma atitude grave, porque alimenta uma oposição derrotada, que se apoia no monopólio privado dos meios de comunicação para desgastar o governo, sem que este reaja.

É equivocada a alternativa entre uma imprensa barulhenta – que diga o que bem entenda – ou uma mídia calada. Esta era a alternativa durante a ditadura. Na democracia a alternativa é entre uma mídia monopolista, que só propaga a voz dos seus donos, ou uma mídia democrática, pluralista. Ao não avançar na democratização dos processos de formação da opinião publica, o governo coloca em risco todos os avanços acumulados desde 2003.

Não por acaso os votos duros de apoio do governo – os mais pobres, os do nordeste – são os menos afetados pela influência da mídia, são aqueles influenciados assim diretamente pelos efeitos das políticas sociais do governo. E os setores de classe média das grandes cidades são os mais afetados.

O Brasil não será um país democrático, por mais que avancemos na diminuição das desigualdades sociais, se somente uma ínfima minoria pode influenciar sobre a opinião dos outros, impor os temas que lhes pareçam do seu interesse como agenda nacional, difundam o tempo todo suas opiniões. Não será democrático enquanto as pessoas possam ter acessos a bens indispensáveis, mas não possam dizer a todos os outros o que pensam.

Senão seria perpetuar a divisão entre os que trabalham, produzem, vivem no limite das suas necessidades, por um lado, enquanto por outro lado estão os que, pelo poder do dinheiro, podem ocupar os espaços de formação de opinião pública, podem influenciar os outros, impunemente.

A razão pela qual um governo que promove os direitos da grande maioria da população, até aqui excluída, tem tantas dificuldades para traduzir esses avanços numa clara maioria politica, é a mídia, é a mídia."

Fonte: Carta Maior

28 de julho de 2014

Considerações em uma segunda-feira fria e chuvosa


Já faz alguns anos que não tínhamos uma frente fria chegando com tanta força ao Sudeste. Temperaturas na faixa dos 15º C.
Com chuvas e eventualmente rajadas de vento, o que faz aumentar a sensação de frio que eu até gosto mas a minha rinite crônica não. Haja antialérgicos.
De qualquer forma estou protegido das intempéries seja em casa ou no trabalho, embora os deslocamentos na cidade se compliquem.
O que me faz pensar naqueles que moram em condições precárias ou nem moradia tem.
Mas já foi pior. Daí a importância dos programas sociais governamentais de distribuição de renda. Diminuir as desigualdades provocadas pelo conjunto de ideias neoliberais é urgente desde sempre e, embora muito ainda há para ser feito, avançamos bastante nos últimos 10 anos.
Precisamos de mais tempo, antes de colocar de volta os neoliberais no poder (na verdade espero que nunca mais voltem), para que as desigualdades sejam minimizadas ao máximo.
No mais, é olhar para fora, para a situação econômica na Europa, por exemplo, e seus índices de desemprego. Fruto da política citada mas que a mídia estrategicamente não destaca.
Falando em olhar para o exterior, este mês de julho de 2014 vai chegando ao seu final com saldo negativo de boas notícias.
Destaque para as quedas de aviões e os conflitos na Ucrânia, Iraque, Síria e Israel/Faixa de Gaza. Triste saber que a evolução humana não está no Século XXI. Talvez ainda no Século XII, ou menos.
Neste ponto, como dizia o Aldir Blanc, melhor ser acusado de sermos anões diplomáticos do que assassinos de civis, incluindo mulheres e crianças. Se defender é uma coisa, massacrar é outra.
Diante de tudo isso dá para aceitar o frio e a rinite e mesmo o Dunga outra vez, até porque o problema não é ele, é a CBF.

25 de julho de 2014

Viagem: Marrocos (*)

À bordo de uma Land Rover três amigos atravessam o enigmático Marrocos, passando por cidades, florestas, montanhas, prédios seculares e chegando até o deserto do Saara.
Enquanto isso, no escritório...


"Early 2013, we had a little ride with our Landrover once again. A shorter trip this time, we tried to discover most of Moroccos versatile landscapes in just 3 weeks, from the Coast to the forest regions of the Middle Atlas, from the hectic Medinas of Fés and Marrakech to the high mountain ranges of the High Atlas, and finally to the dunes of the Sahara Desert."
Música: "Mechanism" por Poppy Ackroyd

(*) Publicado em setembro de 2013 - Da série retrospectiva comemorativa dos cinco anos do blog.

Dilma, Suassuna e o JN


É curioso.
Quem assistiu o JN ontem não foi informado que a Presidente do país cancelou eventos em sua agenda para comparecer ao velório do grande Ariano Suassuna, de quem era amiga e quem admirava.
Dilma esteve com a família e já tinha divulgado a seguinte nota:

"O Brasil perdeu hoje uma grande referência cultural. Escritor, dramaturgo e poeta, Ariano Suassuna foi capaz de traduzir a alma, a tradição e as contradições nordestinas em livros como Auto da Compadecida e Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta.

Guardo comigo ótimas recordações de nossos encontros e das suas histórias.

Aos familiares, amigos e leitores, meus sentimentos neste momento de perda."

Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil

Assim, por conta de ilações eleitoreiras, ficam os telespectadores do JN apenas com as informações que os editores acham que "devem" interessar ao cidadão.

24 de julho de 2014

Marco Aurélio Garcia: O que está em jogo na Faixa de Gaza


"Esta nota estará seguramente desatualizada quando for publicada. Mais de setecentos palestinos - grande parte dos quais mulheres, crianças e anciãos - foram mortos nos bombardeios das Forças Armadas israelenses na Faixa de Gaza desde que, há duas semanas, iniciou-se uma nova etapa deste absurdo conflito que se arrasta há décadas. A invasão do território palestino provocou também mais de 30 mortos entre os soldados de Israel.

O governo brasileiro reagiu em dois momentos à crise. Na sua nota de 17 de julho “condena o lançamento de foguetes e morteiros de Gaza contra Israel” e, ao mesmo tempo, deplora “o uso desproporcional da força” por parte de Israel.

Em comunicado de 23 de julho e tendo em vista a intensificação do massacre de civis, o Itamaraty considerou “inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina” e, uma vez mais, condenou o “uso desproporcional da força” na Faixa de Gaza. Na esteira dessa percepção, o Brasil votou a favor da resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU (somente os Estados Unidos estiveram contra) que condena as “graves e sistemáticas violações dos Direitos Humanos e Direitos Fundamentais oriundas das operações militares israelenses contra o território Palestino ocupado” e convocou seu embaixador em Tel Aviv para consultas.

A chancelaria de Israel afirmou que o Brasil “está escolhendo ser parte do problema em vez de integrar a solução” e, ao mesmo tempo, qualificou nosso país como “anão” ou “politicamente irrelevante”.

É evidente que o governo brasileiro não busca a “relevância” que a chancelaria israelense tem ganhado nos últimos anos. Menos ainda a “relevância” militar que está sendo exibida vis-à-vis populações indefesas.

Não é muito difícil entender, igualmente, que está cada dia mais complicado ser “parte da solução” neste trágico contencioso. Foi o que rapidamente entenderam o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, depois de suas passagens por Tel Aviv, quando tentaram sem êxito pôr o fim às hostilidades.

Como temos posições claras sobre a situação do Oriente Médio – reconhecimento do direito de Israel e Palestina a viverem em paz e segurança – temos sido igualmente claros na condenação de toda ação terrorista, parta ela de grupos fundamentalistas ou de organizações estatais.

Estive, mais de uma vez, em Israel e na Palestina. Observei a implantação de colônias israelenses em Jerusalém Oriental, condenadas mundialmente, até por aliados incondicionais do governo de Tel Aviv. Vi a situação de virtual apartheid em que vivem grandes contingentes de palestinos. Constatei também que são muitos os israelenses que almejam uma paz duradoura fundada na existência de dois Estados viáveis, soberanos e seguros.

É amplamente conhecida a posição que o Brasil teve no momento da fundação do Estado de Israel. Não pode haver nenhuma dúvida sobre a perenidade desse compromisso.

Temos reiterado que a irresolução da crise palestina alimenta a instabilidade no Oriente Médio e leva água ao moinho do fundamentalismo, ameaçando a paz mundial. Não se trata, assim, de um conflito regional, mas de uma crise de alcance global.

É preocupante que os acontecimentos atuais na Palestina sirvam de estímulo para intoleráveis manifestações antissemitas, como têm ocorrido em algumas partes, felizmente não aqui no Brasil.

A criação do Estado de Israel, nos anos quarenta, após a tragédia do Holocausto, foi uma ação afirmativa da comunidade internacional para reparar minimamente o horror provocado pelo nazi-fascismo contra judeus, ciganos, homossexuais, comunistas e socialdemocratas. Mas o fantasma do ressurgimento ou da persistência do antissemitismo não pode ser um álibi que justifique o massacre atual na Faixa de Gaza.

O Brasil e o mundo têm uma dívida enorme para com as comunidades judaicas que iluminaram as artes, a ciência e a política e fazem parte da construção da Nação brasileira. Foi esse sentimento que Lula expressou em seu discurso, anos atrás, na Knesset, quando evocou, por exemplo, o papel de um Carlos e de um Moacir Scliar ou de uma Clarice Lispector para a cultura brasileira. A lista é interminável e a ela se juntam lutadores sociais como Jacob Gorender, Salomão Malina, Chael Charles Schraier, Iara Iavelberg, Ana Rosa Kucinski e tantos outros.

Nunca os esqueceremos."

* Marco Aurélio Garcia é assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais.

Fonte: Opera Mundi

20 de julho de 2014

Mike Oldfield: canções de uma terra distante

Para terminar bem o fim de semana e iniciar bem uma nova semana...
No mundo da música, o multi-instrumentista inglês Mike Oldfield é um dos meus preferidos. Sabe dosar como ninguém os seus conhecimentos em benefício de uma sonoridade que valoriza o resultado final e não simplesmente como uma forma de mostrar seus dotes.
São dezenas de discos lançados a partir do início oficial de sua carreira em 1973, com o multi-platinado "Tubular Bells", um disco sofisticado, complexo e ao mesmo tempo acessível e delicioso de ouvir.
Entre muitos outros, nos anos 1990 ele fez um disco que eu considero muito especial chamado "The Songs of Distant Earth" onde explora ritmos e criações de diversas partes do mundo, desenvolvendo algo novo, tecnológico, tendo como base ritmos ancestrais. Vejo como uma celebração à Mãe Terra.
Vale a pena conhecer sua eclética obra.



Para quem é "iniciado": vejam os geniais que acompanham Mike neste histórico vídeo:
Mike Oldfield - Lowery Organ, Bass, Acoustic & Electric Guitarand mandolin
David Bedford - Grand Piano, Accordian, Organ, Choir Master, String Arrangement
John Greaves - Farfisa Organ, Electric Piano, Tin Whistle
Fred Frith - Electric and Bass Guitars
Tim Hodginson - Organ, Electric Piano,Fender Rhodes
Mick Taylor - Electric Guitar
Steve Hillage - Electric Guitar
Pierre Morlen - Glockenspiel, Timpani, Tubular Bells, Gongs, Cymbals, Tam Tam
Steve Broughton - Drums
Geoff Leigh - Flute
John Field - Flute
Terry Oldfield - Flute
Tom Newman - Nasal Chorus
Girly Chorus (12 total Including; Sally Oldfield and Mundy Ellis)



19 de julho de 2014

Em complemento a "Posto, logo existo": a geração "só a cabecinha"

O post anterior (de ontem), conforme registrado, foi publicado em 2012.
Pois vejam só. Achei este artigo - publicado na revista Galileu na quinta-feira - de autoria de Bia Granja ("Co-criadora e curadora do youPIX e da Campus Party Brasil; seu trabalho busca entender como os jovens brasileiros usam a rede para se expressar e criar movimentos culturais"), que poderíamos nomear como um complemento de "Posto, logo existo".
Uma reflexão do uso de nosso tempo (no primeiro caso) e do bombardeio de informações muitas vezes falsas ou superficiais - e da superficialidade ao usar a Internet - no caso do artigo a seguir.
Curiosamente o título da matéria e este mesmo e me fez lembrar de minha juventude lá pelos anos 1970. Será que este "jogada" (que virou piada 'politicamente incorreta', considerando os dias de hoje) ainda é utilizada? Me parece que nem existe mais tempo para isso. Só o mundo virtual...

Geração "só a cabecinha"

Se Caetano Veloso já achava que tinha muita notícia nos anos 1960, o que dizer de hoje?

"SOMOS A GERAÇÃO QUE LÊ O TÍTULO, COMENTA SOBRE ELE, COMPARTILHA, MAS NÃO VAI ATÉ O FIM DO TEXTO. NÃO PRECISA, NINGUÉM LÊ!"

"Outro dia vi um estudo que diz que 25% das músicas do Spotify são puladas após 5 segundos. E que metade dos usuários avança a música antes do seu final. Enquanto isso, no YouTube, a média de tempo assistindo a vídeos não passa dos 90 segundos. O mais chocante desses dois dados é que o uso do Spotify e do YouTube, em geral, está focado no lazer, no entretenimento. Ou seja, se a gente não tem paciência para ficar mais de 90 segundos focado em uma atividade que nos dá prazer, o que acontece com o resto das coisas?

Você ficou sabendo da entrada do ator Selton Mello no seriado Game Of Thrones? Saiu em vários grandes portais brasileiros e a galera na internet compartilhou loucamente a notícia. Tudo muito bacana, não fosse a notícia um hoax, um boato inventado por um empresário brasileiro apenas pra zoar e ver até onde a história poderia chegar. Bem, ela foi longe: mais de 500 tuítes com o link, mais de 3 mil compartilhamentos no Facebook, mais de 13 mil curtidas, matéria no UOL, Ego, Bandeirantes, O Dia e vários outros sites.

Quem não tem paciência de ouvir cinco segundos de uma música tem menos paciência ainda pra ler uma notícia inteira. Pesquisas já mostraram que a maioria das pessoas compartilha reportagens sem ler. Viramos a Geração “só a cabecinha”, um amontoado de pessoas que vivem com pressa, ansiosas demais pra se aprofundar nas coisas. Somos a geração que lê o título, comenta sobre ele, compartilha, mas não vai até o fim do texto. Não precisa, ninguém lê!

Nunca achei que a internet alienasse as pessoas ou nos deixasse mais burros, pois sei que a web é o que fazemos dela. Ela é sempre um reflexo do nosso eu, para o bem e para o mal. Mas é verdade que as redes sociais causaram, sim, um efeito esquisito nas pessoas. A timeline corre 24 horas por dia, 7 dias da semana e é veloz.

Daí que muita gente acaba reagindo aos conteúdos com a mesma rapidez com que eles chegam. Nas redes sociais, um link dura em média 3 horas. Esse é o tempo entre ser divulgado, espalhar-se e morrer completamente. Se for uma notícia, o ciclo de vida é ainda menor: 5 minutos. CINCO MINUTOS! Não podemos nos dar ao luxo de ficar de fora do assunto do momento, certo? Então é melhor emitir logo qualquer opinião ou dar aquele compartilhar maroto só pra mostrar que estamos por dentro. Não precisa aprofundar, daqui a pouco vem outro assunto mesmo.

Por outro lado… quem lê tanta notícia? Se Caetano Veloso já achava que tinha muita notícia nos anos 1960, o que dizer de hoje? Ao mesmo tempo em que essa atitude é condenável, também é totalmente compreensível. Todo mundo é criador de conteúdo, queremos acompanhar tudo, mas não conseguimos. Resta-nos apenas respirar fundo, tentar manter a calma e absorver a maior quantidade de informação que pudermos sem clicar em nada. Será que conseguimos?"

18 de julho de 2014

Internet: Saturação Social? Ou: "Posto, logo existo"(*)

A velha questão: como aproveitar melhor o tempo que temos?
Eu adoro ler, escrever, ver filmes, praia, mas...
Nos anos 1980 eu era assinante da revista "Veja" (naquela época não havia tanta conotação política de direita nas abordagens). E também da "Isto É". Além de outras mensais (aquelas eram semanais): Planeta, Somtrês, Bizz, Rock Brigade, Roll, etc. E ainda tinham os jornais diários. E os livros.
Não sei como conseguia ler aquilo tudo. Acho que não lia. E nem sei se valeria a pena ler.
Hoje em dia o mesmo problema se processa com a Internet: Facebook, Gmail, Hotmail, Twitter, Skype, Blogs, Sites, WhatsApp, Instagram, etc. E ainda tem os torpedos via celular. E nem estou falando nas obrigações profissionais em frente ao computador. Abordo apenas o "tempo livre".
A Internet, as redes sociais, a interconectividade mundial... Essas coisas vieram para ficar, não há dúvidas.
Mas de algum tempo para cá venho pensando sobre até onde nos tornamos vítimas de uma facilidade.
Precisamos de tantas informações hoje disponíveis? O melhor caminho é aumentar cada vez mais os nossos contatos virtuais?
O fato: começa-se a perceber um cansaço de tantas "obrigações" na grande rede.
Talvez os mais preparados para esse bombardeio sejam os adolescentes mas não estariam eles perdendo outras coisas importantes?
A crônica da Martha Medeiros com certeza explica melhor o que estou querendo dizer. Até porque sou suspeito. Estou no time de blogueiros e 'faces' e acho que estou ficando cansado. Mas pode ser só a idade mesmo...


Posto, logo existo
Por Martha Medeiros
Tão preocupadas em existir para os outros, as pessoas estão perdendo um tempo valioso em que poderiam estar vivendo, ou seja, namorando, indo à praia, trabalhando, viajando, lendo, estudando

"Começam a pipocar alguns debates sobre as consequências de se passar tanto tempo conectado à internet. Já se fala em “saturação social”, inspirado pelo recente depoimento de um jornalista do “The New York Times” que afirmou que sua produtividade no trabalho estava caindo por causa do tempo consumido por Facebook, Twitter e agregados, e que se vê hoje diante da escolha entre cortar seus passeios de bicicleta ou “alguns desses hábitos digitais que estão me comendo vivo”.

Antropofagia virtual. O Brasil, pra variar, está atrasado (aqui, dois terços dos usuários ainda atualizam seus perfis semanalmente), pois no resto do mundo já começa a ser articulado um movimento de desaceleração dessa tara por conexão: hotéis europeus prometem quartos sem wi-fi como garantia de férias tranquilas, empresas americanas desenvolvem programas de softwares que restringem o acesso a web, e na Ásia crescem os centros de recuperação de viciados em internet. Tudo isso por uma simples razão: existir é uma coisa, viver é outra.

Penso, logo existo. Descartes teria que reavaliar esse seu cogito, ergo sum, pois as pessoas trocaram o verbo pensar por postar. Posto, logo existo.

Tão preocupadas em existir para os outros, as pessoas estão perdendo um tempo valioso em que poderiam estar vivendo, ou seja, namorando, indo à praia, trabalhando, viajando, lendo, estudando, cercados não por milhares de seguidores, mas por umas poucas dezenas de amigos. Isso não pode ter se tornado tão obsoleto.

Claro que muitos usam as redes sociais como uma forma de aproximação, de resgate e de compartilhamento — numa boa. Se a pessoa está no controle do seu tempo e não troca o virtual pelo real, está fazendo bom uso da ferramenta. Mas não tem sido a regra. Adolescentes deixam de ir a um parque para ficarem trancafiados em seus quartos, numa solidão disfarçada de socialização. Isso acontece dentro da minha casa também, com minhas filhas, e não adianta me descabelar, elas são frutos da sua época, os amigos se comunicam assim, e nem batendo com um gato morto na cabeça delas para fazê-las entender que a vida está lá fora. Lá fora!! Não me interessa que elas existam pra Tati, pra Rô, pro Cauê. Quero que elas vivam.

O grau de envolvimento delas com a internet ainda é mediano e controlado, mas tem sido agudo entre muitos jovens sem noção, que se deixam fotografar portando armas, fazendo sexo, mostrando o resultado de suas pichações, num exibicionismo triste, pobre, desvirtuado. São garotos e garotas que não se sentem com a existência comprovada, e para isso se valem de bizarrices na esperança de deixarem de ser “ninguém” para se tornarem “alguém”, mesmo que alguém medíocre.

Casos avulsos, extremos, mas estão aí, ao nosso redor. Gente que não percebe a diferença entre existir e viver. Não entendem que é preferível viver, mesmo que discretamente, do que existir de mentirinha para 17.870 que não estão nem aí."

 (*) Publicado em março de 2012 - Da série retrospectiva comemorativa dos cinco anos do blog.

16 de julho de 2014

A fraqueza dos adversários de Dilma cada vez mais exposta

Acho que os principais méritos de Dilma foram o de manter e avançar em diversos pontos dos programas de Lula em um cenário totalmente diferente e adverso.
Mas nem precisava de tanto para almejar a reeleição. Realmente os adversários ainda não disseram (porque não podem dizer) o que eles tem a mais para oferecer. Fraquíssimos.


As sabatinas de Aécio e Eduardo Campos
Por Paulo Nogueira
"A não ser que uma grande surpresa ocorra, Dilma se reelegerá presidente em outubro, e provavelmente no primeiro turno.

Sua maior arma não é nada ligado a ela diretamente. Nestes seus anos, a economia cresceu pouco, a inflação teve alguns espasmos e o Brasil deixou de ser o menino prodígio que foi, sob Lula, aos olhos do chamado mercado internacional. Não bastasse isso, há um desgaste na própria esquerda, por conta da repressão policial em manifestações de protesto.

O grande trunfo de Dilma está na fraqueza extraordinária de seus principais adversários, Aécio e Eduardo Campos.

Nos Estados Unidos, aconteceu uma coisa semelhante nas últimas eleições presidenciais. Obama levou menos por seus mérito e mais pela ruindade extrema de seu adversário republicano, Mitt Romney.

Em sua apoteose ao contrário, Romney disse que caso se elegesse iria esquecer quase metade dos americanos, exatamente os mais necessitados.

As duas sabatinas recém-promovidas por um grupo de marcas jornalísticas estampam o deserto de ideias que são Aécio e Campos.

Vejamos, primeiro, Aécio. O maior destaque que o UOL conseguiu dar às falas de Aécio foi o compromisso de que ele manteria o Bolsa Família e o Mais Médicos.

Será que ele e equipe não têm uma única ideia de programa social para apresentar aos eleitores?

Pelo visto, não.

E a sociedade clama por fatos novos na área social, coisas que beneficiem os mais pobres e reduzam a desigualdade brutal do país.

Não é apenas a falta de novas propostas que incomoda. Aborrece também a maneira com que Aécio abraça programas que ele execrou antes, e que simplesmente não existiriam se ele tivesse poder para bloqueá-los.

O Bolsa Família era o Bolsa Esmola. E o Mais Médicos era um insulto à classe médica brasileira. Não, mais que isso: a todos nós, brasileiros, vivos e mortos.

Pois de repente o Mais Médicos fica bom, e Aécio garante sua manutenção a cada entrevista mais profunda que dá.

Eu respeitaria a mudança de opinião se ela fosse precedida de um honesto pedido de desculpas. “Amigas e amigos: errei na avaliação do Bolsa Família e do Mais Médicos. Achei que eram ruins coisas que eram boas e podem ser ainda melhores. Perdão.”

Mas não. Mais um pouco e Aécio vai posar como autor das ideias.

Segundo relatos publicados no UOL, a plateia teve um papel importante na sabatina de Aécio.

Boa parte dela era composta de líderes do PSDB. Um deles era Serra, que chegou atrasado. A composição favorável da audiência levou a palmas em dose generosa. E também a comentários entre os presentes como este registrado pelo UOL: “Pena que os entrevistadores são petistas.”

Pausa para rir.

Um dia antes, o sabatinado fora Eduardo Campos. Para ser mais que um figurante de olhos azuis nas eleições, Campos tem que apresentar ideias novas.

Mas de novo: quais?

A frase considerada mais importante pelos editores da sabatina dizia mais ou menos  o seguinte: “Dilma vai ser a primeira pessoa, desde a redemocratização, a entregar o país pior do que recebeu.”

É a chamada platitude, chavão, lugar comum. Como não tem tanto tempo assim no programa eleitoral gratuito, Campos tem que se concentrar em suas ideias. Todos sabem – afinal ele é candidato de oposição – que ele tem má opinião sobre Dilma.

Pode e deve ganhar tempo, portanto, sem repetir o que já é de conhecimento universal.

O momento mais revelador da sabatina de Campos veio na forma de um número milionário. Ele disse que iria construir 4 milhões de casas.

Promessas desse gênero remetem a velhas campanhas, em que os candidatos pareciam acreditar poder vencer uma eleição usando um número maior do que o de seus adversários.

Ou não tão velhas assim.

É um clássico, nas eleições de 2010, a promessa de Serra de que não apenas iria manter como dobraria o Bolsa Família.

Já ali Dilma mostraria ter sorte no quesito adversários."

Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

14 de julho de 2014

Charlie Haden e a 'coincidência'

 
Vou lhes contar uma daquelas histórias de coincidência que parecem ser um pouco mais que isso. Entenderão nos parágrafos finais.
No sábado passado - nada animado com o jogo Brasil x Holanda que deu o que a maioria já esperava - fui mexer em alguns CDs e repentinamente me veio à mente e resolvi procurar dois que tenho do contrabaixista americano Charlie Haden.
Achei até meio estranho me lembrar dele no meio de milhares de títulos em vinil e CD que possuo.
Só o descobri recentemente, assim mesmo via CD que encomendei do violinista e guitarrista Pat Metheny, este sim conhecido de longa data e cuja música adoro. Trata-se de "Beyond The Missouri Sky", um dueto dos dois cujo sub-título é "Short Stories by Charlie Haden & Pat Metheny". É que os dois foram criados naquele estado americano e tinham retornado à terra para morar com suas famílias.
Acabaram por fixar residência em região próxima um do outro. Além de amigos de longa data tornaram-se vizinhos reforçando o fato de quase serem conterrâneos.
Daí um projeto envolvendo os dois era questão de tempo.
"Missouri Sky" é um disco muito tranquilo e delicioso de ouvir. Foi gravado em 1996 e lançado no ano seguinte. Eu comprei este ano (infelizmente importado, esse tipo de disco não sai mais por aqui).
Outro título que tenho de Charlie Haden também é bem relaxante, mas um projeto diferenciado em sua carreira. Lançado em 2010 "Sophisticated Ladies" traz o seu 'Quartet West' acompanhado de orquestra, interpretando alguns standards tendo como convidadas cantoras do calibre de Cassandra Wilson, Dianna Krall, Melody Gardot e Norah Jones, entre outras.
Haden iniciou a carreira bem jovem, nos anos 1950, sendo um dos poucos mestres do contrabaixo acústico a conseguir acompanhar aqueles geniais e polêmicos músicos que desenvolveram o Free Jazz, gente do porte de Ornette Coleman e John Coltrane.
Nestes últimos anos desenvolvia um Jazz mais cool, relaxante e ao mesmo tempo moderno, tendo lançado alguns títulos pelo maravilhoso selo alemão ECM (Editions of Contemporary Music), incluindo alguns acompanhando Keith Jarret e Jan Garbarek.
Mas e a estranha coincidência que citei no início? Vejam após os videos. Ressaltando que a minha lembrança dos discos dele aconteceu no sábado pela manhã e que só vi esta notícia no sábado à noite.
No momento que escrevo essas mal traçadas linhas, já segunda-feira, escuto "Missouri Sky" como homenagem a Charlie.








"O contrabaixista e lenda do jazz Charlie Haden, que integrou nos anos 1950 o quarteto do saxofonista Ornette Coleman, morreu nesta sexta-feira (11), em Los Angeles, aos 76 anos, após uma longa doença, anunciou sua gravadora.
"Com grande tristeza, anunciamos a morte de Charlie Haden - nascido em 6 de agosto de 1937 em Shenandoah, Iowa (norte) - após uma longa doença", diz um comunicado enviado à AFP pela porta-voz da EMC Records, Tina Pelikan.
A mulher de Haden, cantora Ruth Cameron, e seus quatro filhos - Josh, Tanya, Rachel e Petra - acompanharam seus últimos momentos, detalha a nota.
Em meados da década de 1970, Haden uniu-se ao grupo de outra lenda, o pianista Keith Jarrett. Ambos lançaram no mês passado o álbum "Last dance". Em seguida, fundou as bandas Old and New Dreams e Quartet West.
Em 1997, ganhou um prêmio Grammy por sua colaboração com o guitarrista Pat Metheny em "Beyond the Missouri sky". Em 2001, levou um Grammy Latino por "Nocturne", álbum de duetos com o pianista cubano Gonzalo Rubalcaba. Em 2004, repetiu o prêmio com "Land of the sun"."

P.S.:
1 - Descanse em paz, caro Charlie. Continuarei ouvindo suas canções enquanto estiver por aqui.
2 - Aproveito um descanso de alguns dias no trabalho para dar uma diminuída de ritmo também aqui no blog. Mas reapareço logo, para azar dos nossos 17 leitores. 

13 de julho de 2014

Alemanha é tetra

Parabéns Alemanha!
Tetracampeã na melhor Copa de todos os tempos (ok, não para nós em termos de resultado).
Enfim, teve a Copa!
Agora, imaginem nas Olimpíadas!



Por Evandro Delgado

"A Alemanha é tetracampeã do Mundo, depois de bater a Argentina na final do Mundial 2014. Mario Goetze marcou, aos 113 minutos de jogo, o único golo do encontro disuptado no mítico Maracanã. Os alemães terminam o Mundial do Brasil com seis vitórias e um empate. Messi viu o título que lhe falta no currículo "fugir pelos dedos". Um resultado menos mal para o Brasil, que não suportaria ver a arquirrival Argentina vencer na sua casa.

No mítico Maracanã, palco da final perdida pelo Brasil em 1950 para o Uruguai, Argentina e Alemanha procuravam desempatar em finais: no México1986 Maradona fez o passe para Burruchaga fazer o 3-2 final e no Itália1990 Andreas Brehme fez, de penálti, o golo da vitória frente a seleção das Pampas na final.

As duas seleções vinham de resultados diferentes nas meias-finais: a Mannchaft jogou 24 horas antes e goleou o Brasil por 7-1, a formação de Messi e companhia precisou dos penáltis para eliminar a Holanda, depois de 120 minutos de futebol.

O jogo também colocava em confronto duas equipas distintas na sua forma de jogar: a Alemanha a atuar em campo curto, com a defesa subida, muitos jogadores na zona central, praticando um futebol de toque curto, de muitos passes, quase sempre no meio-campo adversário (influência também do tiki-taka de Guardiola já que cinco jogadores do onze eram do Bayern Munique). Já a Argentina, jogando em 4-4-2, com linhas baixas, recuava, dando iniciativa de jogo a Alemanha, apostando mais em contra-ataque, para tirar partido dos velozes Lavezzi, Higuain e Messi.

O corredor direito era o preferido para os rápidos ataques da seleção das Pampas, muito por culpa de Lavezzi mas também de Messi que se encostava à direita para fazer diagonais. Em duas ocasiões (9´ e 40´), deu dois "bigodes" a Hummels, entrou na área em velocidade mas não apareceu ninguém para concluir as jogadas. Um aviso de que La Pulga não poderia ser deixado num um-para-um.

Mas a melhor oportunidade da formação de Sabella esteve nos pés de Higuain, aos 20 minutos. Kroos fez um atraso despropositado para a sua zona defensiva, onde estava o avançado do Nápoles sozinho. Recebeu, partiu em velocidade mas rematou mal, para fora, quando Neuer já se agigantava à sua frente.

O processo simples da Argentina para chegar a baliza de Neuer só não deu frutos aos 30 minutos porque Higuain estava adiantado. O cruzamento de Lavezzi é bom mas o avançado adiantou-se à defesa, pelo que o golo não contou. A Mannchaft já sabia que não poderia dar tanto espaço a jogadores tão velozes.

A Alemanha, que já tinha ameaçado por Klose (duas vezes) e Schurrle, vai estar perto do golo mesmo antes do intervalo, num cabeceamento de Howedes que foi devolvido pelo poste da baliza de Romero, após canto de Kroos. Era o fim de 45 minutos de muita intensidade, oportunidades de parte a parte, jogadas bonitas e muita festa nas bancadas, onde estavam 74.738 espetadores.

Sem as facilidades concedidas pelo Brasil nas meias-finais, Joachim Loew sabia que tinha de encontrar um antídoto para furar a defensiva argentina. Depois de perder Khedira no aquecimento, o selecionador alemão viu o azar voltar a bater-lhe a porta quando teve de substituir Kramer, que jogou no lugar de Khedira. O jovem médio saiu magoado após encosto violento de Garay. Entrou Schurrle para o seu lugar.

No segundo tempo, Sabella puxou Enzo Pérez para o meio-campo, deixando apenas Aguero (entrou ao intervalo para o lugar de Lavezzi), Messi e Higuain na frente. A mexida deu resultados já que a Argentina conseguiu equilibrar o jogo na zona intermédia, criando dificuldades aos alemães. Messi teve boa oportunidade nos pés logo a abrir mas atirou ao lado. Foi a única oportunidade de golo da seleção das Pampas no segundo tempo.

A Argentina pagou o preço de ter menos um dia de descanso e de mais minutos nas pernas, já que foi perdendo frescura física, demorando mais tempo a organizar. A Alemanha continuava a ameaçar golo, embora sem criar verdadeiras oportunidades. Numa delas, Howedes ficou com pé preso num lance com Garay quando se preparava para rematar à baliza já na grande área. O árbitro Nicola Rizzoli não deu ouvidos aos protestos dos alemães que pediam penálti. Aos 82 Kroos atirou ao lado, após boa jogada de Ozil, no último suspiro antes do prolongamento. Sendo assim o Mundial2014 igualava o Itália90 como a Copa com mais jogos a irem para o tempo extra: 8.

Logo no primeiro minuto do tempo extra a Alemanha mostrou ao que vinha. Depois de uma combinação entre Mueller e Schurrle, o extremo do Chelsea atirou para boa defesa de Romero. Na recarga, Oezil rematou contra Garay. A resposta argentina chegou pelos pés de Palacios no final da 1.ª parte do prolongamento. Rojo cruzou tenso, Hummels falhou o corte mas o avançado do Inter, sozinho com Neuer, tentou o chapéu mas a bola saiu para fora.

Quando já todos esperavam pelos dramáticos penáltis, Goetze acabou com o sofrimento dos adeptos alemães, num golo que veio do banco, aos 113 minutos.

Schurrle acelerou pelo corredor esquerdo, arrastou três jogadores com ele mas ainda teve forças para cruzar para a área onde apareceu Goetze a dominar no peito e a rematar de primeira, de esquerdo, em vólei, fazendo um golaço. Demichelis não estava na sua zona, Garay demorou muito a perceber a movimentação do médio alemão. Nos sete minutos restantes a Argentina tentou chegar a igualdade mas faltou pernas e discernimento.

A Alemanha chega assim ao tetra em Mundiais de futebol, depois dos títulos em 1954, 1974 e 1990. Tal como há 24 anos, os alemães voltam a bater a seleção das Pampas na final de um Mundial pelo mesmo resultado. Joachim Loew, que tinha perdido ficado em terceiro no Mundial2010, perdido final do Euro2012 e ficado nas meias-finais do Euro2012, consegue chegar ao tão desejado título. Depois dos terceiros lugares em 2006 e 2010, a Mannchasft chega ao título, o primeiro ganho por uma seleção europeia na América do Sul."

"Meia-Noite em Paris": o visual da cidade e a música (com citação de "Casablanca")


A cidade mais citada no mundo quando se pergunta qual metrópole o entrevistado gostaria de conhecer não é Berlim nem Buenos Aires ('os finalistas').
Nova York e Londres chegam perto mas nunca ultrapassaram a poética capital da França.
"Sempre teremos Paris" é a frase final - uma resposta - do inesquecível filme "Casablanca" (que é no Marrocos), quando a protagonista Ilsa (Ingrid Bergman) pergunta para o amante Rick (Humphrey Bogart) que está indo embora: "e nós?".
E olha que Paris nem tem praias tropicais. Mas se tivesse não seria a Paris que conhecemos (quer dizer, eu ainda não conheço pessoalmente).
O genial e polêmico cineasta e ator Woody Allen soube captar a beleza da cidade, utilizando como moldura sonora jazz em estado puro.
Esta é a abertura de "Meia-Noite em Paris". Não percam. Mas não deixem de assistir também "Casablanca", caso não conheçam (que também tem a clássica frase "play it again, Sam", referente à música "As Time Goes By").
Da série, 'Um dia iremos lá". Idem no Marrocos.



"Esse vídeo é o início do filme” Meia-noite em Paris” de Woody Allen.
Um passeio pela Cidade Luz que, com ou sem chuva, é de uma beleza ímpar.
A música é de um compositor de jazz , negro, nascido em New Orleans, de nome Sidney Bechet que depois de passar por Chicago e New York se radicou em Paris.
A música de fundo : “Si tu vois ma mère” de sua autoria. Para os amantes do jazz e da cidade. Sensacional!!!"


"Casablanca é um filme norte-americano de 1942 dirigido por Michael Curtiz. O filme conta um drama romântico na cidade marroquina de Casablanca sob o controle do da França de Vichy. O filme é baseado na peça Everybody Comes To Rick's ("todo mundo vem ao café de Rick") de Murray Burnett e Joan Alison. As estrelas Humphrey Bogart no papel de Rick Blaine e Ingrid Bergman como Ilsa Lund. O desenvolvimento do filme centra-se sobre o conflito de Rick, nas palavras de um personagem, o amor e a virtude: Rick deve escolher entre sua amada Ilsa fazendo a coisa certa. Seu dilema é ajudar ou não Ilsa a escapar de Casablanca (Marrocos) com seu marido Victor Lazlo, um dos líderes da resistência Tcheca, de modo que ele possa continuar sua luta contra os nazistas .

Considerado como um dos maiores filmes da história do cinema americano, ganhou vários Oscar da Academia, incluindo o de melhor filme em 1943 . Casablanca teve uma grande estréia, mas não espetacular, entretanto, ganhou popularidade com o passar do tempo e esteve sempre nas listas dos dez melhores filmes. A crítica elogiou a performance carismática de Bogart e Bergman e a química entre eles, junto à profundidade das caracterizações , a intensidade da direção , a sagacidade do roteiro e do impacto emocional do trabalho como um todo."

Música, amor & erotismo em tempos de hiperconectividade


Estou lendo um excelente livro sobre os Beatles que estou devendo de comentar aqui. Assim que terminar dou a dica na série "The Book is on the Table".
Mas baseado no que estou lendo, resolvi procurar alguma coisa que tivesse uma conexão para colocar aqui neste domingo - dia que temos (teoricamente) um pouco mais de tempo livre - e achei esse encontro/palestra do CPFL Cultura.
Interessante para quem gosta de assuntos como música, história, sociologia e psicologia. 
E romantismo & sexo. Ou amor & erotismo. No caso uma visão via história da Música POPular Brasileira.
Se bem que hoje tem Alemanha x Argentina às 16 h. Uma final de Copa do Mundo no Maracanã sem o Brasil. 
Corta-tesão.



A história sexual da MPB. O fim do romantismo. A predominância rítmica e o desinteresse melódico e harmônico. O quarto e último programa da série trará o jornalista e crítico musical Pedro Alexandre Sanches para discutir a dissolução do mito do amor romântico e a explicitude sexual na música da juventude Web 2.0.

12 de julho de 2014

Tangerine Dream: abstracionismo e impressionismo musical em um mesmo momento


Não é culpa da Alemanha o fatídico sete a um.
E se eu já estava devendo alguns clipes musicais de fim de semana, não há motivo para eu mudar a programação que tinha feito de incluir o seminal grupo alemão Tangerine Dream hoje.
Pioneiros e influenciadores de diversos estilos - do experimentalismo eletrônico à New Age - o TD vem desde 1969 marcando presença com seu som ao mesmo tempo espacial, abstrato e impressionista.






Wikipedia:
"Tangerine Dream é uma banda alemã, formada em 1967 por Edgar Froese (tecladista, o único remanescente da formação original do grupo), considerada como um grande expoente do rock progressivo eletrônico, junto com o Kraftwerk.
A carreira da banda é dividida em várias fases. A primeira iniciada em 1969 e terminada em 1973, marca uma sonoridade inspirada no Pink Floyd (fase Syd Barrett), com várias intervenções de teclados, e efeitos sonoros, e próxima da cena progressiva alemã denominada Krautrock. Destaque para os discos Zeit (1972) duplo com uma proposta ousada de uma "sinfonia eletrônica espacial", e Atem (1973) que incluía elementos tribais em algumas faixas .
A segunda, entre 1974 a 1982,considerada por muitos a fase de ouro do grupo, marca uma guinada na sonoridade da banda, que mesmo ainda apostando em longas suítes, marca uma maior independência sonora, em que o grupo adquiria uma identidade própria, e uma maior, e melhor utilização de teclados, sintetizadores e efeitos sonoros e, em algumas faixas, uma proposta um pouco mais acessível, mesmo que ainda bastante experimental. Destaque para os discos Phaedra (considerado a obra-prima da banda, de 1974), Stratosfear (1976), Cyclone (o único com vocais, de 1978) e Force Majeure (1979) .
A partir de 1983 o grupo começa a seguir numa linha mais comercial, mesmo que em alguns trabalhos ainda aposte em suítes; o grupo adquire uma sonoridade mais direta, por vezes pop. Destaque para os discos Hyperborea (1983), Optical Race (1988) e Mars Polaris (1999) .
Uma característica do grupo, é a constante troca de formações entre os membros da banda, onde somente Froese (que também possui trabalhos a solo) se mantendo no grupo desde 1969. Outros ex-integrantes da banda, como Michael Hoening, Peter Baumman e Christopher Franke, tem carreiras solo que merecem citação."

11 de julho de 2014

Argentina x Alemanha: Para quem torcer? Ou: Uma surpresa! O que realmente pensam os argentinos de nós

Afinal, o que os argentinos pensam de nós?
POR MÁRCIA CARMO
"Aqui em Buenos Aires, antes da Copa do Mundo começar, cada vez que os argentinos percebiam que estavam conversando com uma brasileira, diziam: “Como você conseguiu deixar aquele país? Amo o Brasil”.

Para muitos deles, agora está sendo uma surpresa saber que a rivalidade dos torcedores brasileiros com os argentinos parece extrapolar os estádios.

“Acho que vocês não gostam da gente”, disse um bancário e jogador de rúgbi, de 35 anos, que trabalha no bairro de Palermo.

Uma comerciante, de 30 anos, dona de uma lan house, aqui ao lado de casa, no mesmo bairro, disse frase parecida no dia seguinte à vitória da Argentina sobre a Bélgica, no estádio Mané Garrincha, em Brasília: “Foi uma surpresa ver os brasileiros com camiseta da Suíça em São Paulo e de novo torcendo contra a gente em Brasília. Não sabia que os brasileiros não gostavam da gente”.

O sorriso que surgia só por estar diante de um brasileiro agora parece ter sido substituído por um certo incômodo, com as histórias de brasileiros torcendo contra a Argentina, ainda mais agora depois de o Brasil ter sido eliminado da Copa.

Na realidade, a rivalidade não parece ser mútua – além dos estádios. Sim, é verdade que especialmente após a vitória sobre a Holanda eles recordam o 7 a 1 sofrido pelo Brasil contra a Alemanha.

Foi assim na festa que realizaram na concentração no Obelisco, no centro da cidade, até a madrugada desta quinta-feira, depois da vitória na Arena Corinthians.

Um dos torcedores argentinos de batina, como a do Papa Francisco, escreveu nas costas da roupa bege: 7 x 1. E mostrou, rindo, sete dedos quando percebeu que falava com uma brasileira. A gozação aumentou nas últimas horas. Mas, pelo menos aqui, sempre dentro do espírito do futebol.

Há muitos mal entendidos entre um e outro, brasileiros e argentinos, decorrente, talvez, da barreira dos idiomas, que acaba passando uma impressão falsa de provocação.

Professores de português e de espanhol costumam dizer que o português tem mais fonemas que o espanhol, e que, por isso, não é fácil de ser compreendido pelos argentinos. Ou seja, é mais fácil um brasileiro entender o que eles falam do que o contrário. De certa forma, eles mal ficam a par de nossas piadas.

Ao mesmo tempo, historiadores afirmam que, para os argentinos, o rival – em qualquer âmbito – é a Inglaterra. Não o Brasil. O motivo? A guerra em 1982 pelas Ilhas Malvinas, Falklands para os ingleses.

Já sobre o nosso país, no imaginário coletivo argentino, o Brasil é sinônimo de paraíso. O lugar dominado não só pelas belezas naturais, mas por pessoas de bem com a vida. Tudo o que muitos confessam desejar na vida. E que não têm como ter aqui. Seja pelo frio, pela maior dramaticidade com que encaram o cotidiano ou pela história de sobe e desce na política e na economia da Argentina.

‘Quero nascer pernambucana’

“Na minha próxima vida quero nascer pernambucana”, disse uma médica da clínica Swiss Medical, no bairro nobre de Palermo Chico. Por quê? “Quero ser como vocês. Não ter vergonha de usar biquíni mesmo quando estiver com barriguinha. Quero que meu marido e meus filhos não se sintam mal usando sunga”.

Para eles, a sunga é sinônimo da “liberdade” do homem brasileiro. Mas por que pernambucana? “Para ter verão o ano todo e para sorrir tanto quanto os pernambucanos”.

O meu professor de ioga não viajou para a Copa. Achou muito caro para o bolso dele. Mas antes e depois de o Mundial começar, disse e continua dizendo. “Eu acho que não sou daqui de Buenos Aires. É no Rio que me sinto em casa. Sou contagiado por aquele astral”.

É fato que turistas brasileiros chegam aqui e parecem encantados. “Eles nos tratam muito bem”, costumam dizer.

Mas também já vi aqui alguns brasileiros dizendo “grosso” após serem atendidos por algum comerciante local. Para os argentinos, “groso” é, porém, sinônimo de poderoso. Por questões culturais, os argentinos – especialmente os que têm mais de 60 anos – parecem mesmo ter alma de tango. Poucos sorrisos, poucas palavras e certo tom dramático ou seco – demais, para nós brasileiros.

Tal atitude, somada de fato a um certo ar de superioridade – quando a Argentina estava entre os mais ricos do mundo – os fez atuar como se estivessem no lugar errado e não sendo parte da América Latina.

Mas esse comportamento “arrogante” mudou depois da crise de 2001. E os que têm hoje em torno dos 30 anos, como o bancário, a comerciante e o professor de ioga, não entendem por que os chamam de arrogantes. “Sério? Arrogantes? Como assim?”, perguntou a arquiteta Maria Eugenia, de 37 anos, que costuma viajar nas férias para o sul do Brasil.

‘Somos bonitos e importantes’

Com o típico humor portenho, o ator Ricardo Darín, 57 anos, astro do cinema argentino, respondeu quando lhe perguntei sobre essa arrogância: “É que somos muito importantes”. Pensei, hum, arrogante mesmo. Metido. Mas aí ele completou:

“Importantes, inteligentes e bonitos. No te parece? (Você não acha?”). E sorriu. Era uma “broma” (“brincadeira”).

Mas demorei a entender. O humor deles ─ que para nós acaba passando a falsa imagem de arrogância ─ não é como o nosso, mais explícito. É mais irônico, mais “inglês” – o que, por si só, também é um ironia, dada a real rivalidade com os ingleses.

O próprio papa Francisco é conhecido, dos tempos em que ele era cardeal, pelas frases desconcertantes, ditas sem qualquer sinal de sorriso.

Já quando o assunto é futebol, os argentinos são bem menos refinados.

Eles torcem com paixão e dedicação, são organizados e “explícitos”. Para demonstrar paixão por Maradona, um grupo de torcedores criou, nos anos 1990, a Igreja Maradoniana, com altar e tudo – afinal ele fez aquele gol da “mão de Deus” contra a Inglaterra na Copa do México.

Para provocar os torcedores brasileiros, nesta Copa, um grupo de oito amigos criou o hit Brasil decime qué si siente, com o refrão: Maradona é melhor que Pelé.

Diga-se que o hit pegou muito antes de os brasileiros usarem camisetas de outras seleções que jogaram contra a Argentina na Copa.

Mas agora os criadores da canção, mesmo sem serem perguntados, explicam que foi uma “broma” típica de futebol. “Não imaginávamos que alguns brasileiros levassem a mal, que pensassem que era provocação além do estádio, além do futebol”, disse um deles.

Fora dos gramados, os argentinos continuam fazendo festa em cada partida da Argentina. Eles parecem retratar o personagem do cartunista Rep, do jornalPágina 12, que vive deprimido em Buenos Aires, mas cai na folia quando chega ao Brasil.

Seja como for, um comentarista de uma TV argentina resumiu assim a intensidade da rivalidade na reta final desta Copa:

“A coisa está ficando brava. Por via das dúvidas, é melhor reforçarem a segurança na final no Maracanã”. E uma apresentadora disse, nesta quinta: “é difícil entender como brasileiros torcerão pela Alemanha. Mas não foi da Alemanha que levaram sete gols?”."

Fonte: BBC Brasil

P.S. deste blog:
A foto abaixo não faz parte da matéria original da BBC (aliás, nem as outras) mas, procurando no google imagens algumas fotos sobre a Argentina, achei esta e não resisti em colocá-la aqui. Já que estamos falando de Los Hermanos, citemos de passagem Las Hermanas...

Um paraíso na terra (e no mar)*

É quase unanimidade que o arquipélago de Bora-Bora, pertencente à Polinésia Francesa no Taiti, é um dos pontos turísticos mais bonitos e interessantes do planeta. Sobretudo para quem gosta de mar.
Pena que os únicos hotéis que tem por lá não são nada baratos.
Mas não custa admirarmos um pouco mais a beleza deste lugar através de fantásticas fotos, além de um pouco de informação sobre local tão remoto, interessante e curioso.
Detalhe: é um dos destinos preferidos para casais em lua de mel. Desde que tenham muita grana, que fique bem claro.



"A Polinésia Francesa (em francês: Polynésie française e em taitiano Pōrīnetia Farāni) é um território da Polinésia dependente da França, com o estatuto de coletividade de ultramar. Localiza-se no oceano Pacífico sul, a aproximadamente 6000 quilómetros a leste da Austrália. É um dos mais vastos territórios do Pacífico, com 4.167 km², se considerada a área marítima ocupada, a Polinésia Francesa inclui cinco arquipélagos, o das Marquesas, o de Tuamotu, o de Gambier, o das Austrais e o da Sociedade (dividido em dois grupos, o das Ilhas de Barlavento e da Ilhas de Sotavento), além de algumas ilhotas exteriores a estes grupos."



"Bora Bora é uma ilha do grupo das Ilhas de Sotavento do arquipélago de Sociedade na Polinésia Francesa, um território ultramarino francês localizado no Oceano Pacífico.
A ilha é um atol, situado a cerca de 230 quilómetros a noroeste de Papeete (Taiti), encontra-se rodeada por uma laguna delimitada por um recife de coral de onde sobressaem algumas pequenas ilhotas, os motus. No interior deste arco erguem-se dois picos, o Monte Pahia e o Monte Otemanu, este último com 727 m de altitude (o ponto mais alto da ilha), reminiscências de um vulcão entretanto extinto. O nome original da ilha em língua taitiana, Pora Pora, pode ser traduzido como nascida primeiro.
Administrativamente a ilha faz parte da comuna (municipalidade) de Bora-Bora, pertencendo esta à divisão administrativa das Ilhas de Sotavento. Em Agosto de 2007 a sua população rondava as 8 880 pessoas. A povoação principal, Vaitapé, situa-se na parte ocidental da ilha, em oposição ao principal canal de entrada na laguna. Os produtos insulares estão limitados ao que pode ser obtido do oceano e aos coqueiros, historicamente de grande importância económica."




(*) Publicado no início de 2013 - Da série retrospectiva comemorativa dos cinco anos do blog.