9 de julho de 2013

Aconteceu em 1942

No último domingo estava dando uma olhada nos meus discos de vinil que sobraram depois daquele ataque devastador de cupins já relatado aqui mais de uma vez.
Até hoje não contei quantos sobraram (acredito que menos de 1.000) e já nem lembro de muitas das raridades que perdi.
Mas achei um dos poucos que resolvi manter, mesmo sem a capa (os demais estão novos, com as capas em perfeito estado): a trilha sonora original do filme "Summer of '42", de Michel Legrand.
Aí me lembrei que havia feito um post no blog sobre o filme e a música. Acho que foi em 2010. Encontrei e resolvi recolocá-lo aqui para os que na época não conheciam o nosso espaço. Ou para quem já leu, lembrar que vale a pena ver o filme.
 
Houve uma vez, um verão...
Na década de 1970 assisti a um filme de que nunca mais esqueci. Na verdade não me lembro com detalhes de todos os acontecimentos do drama mas, adolescente que era, ficou na memória em linhas gerais uma espécie de “sinopse” da história.

Ocorre que nunca mais vi esse filme. Acredito que ele esteja disponível em DVD (se estiver em catálogo) ou mesmo que passe eventualmente nesses canais de filmes antigos, tipo Telecine Cult.

Pode ser que eu tenha, inconscientemente, optado por assistir aquela única vez para deixar registrado o encantamento de uma mente adolescente que ainda não tinha tido uma única namorada, mas que no fundo ansiava por uma paixão.

Acho que se eu falar o nome do filme e descrevê-lo um pouco, vocês vão entender melhor, certo?

Chama-se “Summer of '42”. A direção foi de Robert Mulligan, baseado em um roteiro autobiográfico de Herman Raucher. Ou seja, trata-se de uma história real. São as recordações de Herman, já um senhor maduro, contando um episódio da adolescência que marcou sua vida.

Foi uma paixão de verão (em um balneário americano) que ele teve por uma mulher mais velha chamada Dorothy (a bela Jennifer O'Neill), recém-casada e carente devido à ausência do marido, que estava servindo na II Guerra Mundial.

É talvez um dos mais singelos e emocionantes registros sobre o tema “a primeira vez”, onde a iniciação sexual é tratada de forma emocional. Apesar do tema 'forte' é um hino à inocência, a um momento único. Uma lição de amor e de vida, contada de forma poética e sensível. O que não é fácil, pois além da questão 'iniciação' trata-se de um relacionamento passageiro entre uma mulher casada, mais velha e um adolescente. Isso em 1942, contado no início dos anos 1970!
A capa original do LP com a trilha-sonora

Tenho até medo de falar essas coisas. Alguns de vocês podem procurar o filme, assisti-lo e... achar horrível! Os tempos são outros...

É que, para muitos, poderá parecer uma história “datada”. Não deixa de ser verdade. É o relato de uma época. Os tempos mudam e, sem nostalgia, acho que muitos jovens poderiam assisti-lo para comparar com as facilidades atuais. Isso sem querer distinguir “como melhor ou pior”.

No Brasil, com tantas adaptações de títulos infelizes, neste eles acertaram e para mim ficou melhor que o original: “Houve Uma Vez Um Verão” (acho que depois relançaram com o título "No Verão de 42"). E acredito que nunca houve um verão como aquele no cinema.

Mas tem outra coisa no filme que contribuiu para que ficasse em minha memória: a maravilhosa trilha-sonora de Michel Legrand, essa sim indispensável para admiradores de boa música orquestral. Retratou de maneira impar os momentos suaves do filme.

Talvez esteja na hora de, tantos anos depois, rever essa película (antigamente chamávamos assim) e verificar se resgato as mesmas sensações, apesar dos mais de 50 anos de hoje...



Jennifer O'neill

8 de julho de 2013

Programa PoeiraCast edição nº 155: Na Holanda



O editor da revista especializada em músicas dos anos 1960 e 1970 "Poeira Zine" - Bento Araújo - esteve na Holanda recentemente para assistir a shows do Van Der Graaf Generator, Iron Maiden, Moody Blues, etc. e visitando as melhores lojas de discos de Amsterdã.
Confiram o programa.

O Cenário Atual das Eleições 2014 no Estado do Rio de Janeiro

Essa eu peguei lá no blog do Roberto Moraes que por sua vez trouxe matéria do Valor Econômico.
Vale ler a análise. Vejo também como único cenário em que a aliança PMDB/PT tem alguma saída contra os avanços do PSDB, via Gabeira, e do Garotinho. Com relação ao Marcelo Freixo, sei que é forte na capital, Zona Sul sobretudo, mas não sei no interior e Grande Rio.
Senador Lindbergh Farias (PT-RJ)
Cabral sonha com Lula candidato, aceita Lindbergh no estado e quer a prefeitura do Rio em 2016 

Veja abaixo a matéria do jornalista Caio Junqueira, no Valor, desta 2ª feira, traçando os cenários possíveis para as eleições no estado, após as manifestações:


Cabral aposta em Lula e em Paes para garantir sobrevivência política
Por Caio Junqueira | Do Rio
"Alvo principal dos protestos no Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral (PMDB) traçou na semana passada um plano de recuperação que passa pelo retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a disputa presidencial, antecipação de investimentos e inaugurações e a colocação de seu nome para suceder o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), em 2016.
Enquanto manifestantes ainda acampavam em frente ao seu apartamento no Leblon, Cabral se fechava em reuniões de avaliação política no Palácio Guanabara com seus mais próximos aliados. Concluiu que as manifestações no Estado, as maiores do país, "zeraram o jogo" no Estado e abriram espaço para candidaturas ao estilo do ex-deputado Fernando Gabeira (PV) ou do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL): distantes de grandes máquinas partidárias e com forte discurso em defesa da ética e de combate à corrupção.
Por isso, Cabral conclui, em suas análises, que a aliança PT-PMDB no Rio neste novo cenário pós-manifestações se impõe, deve acontecer ainda que à força, por inteligência e sobrevivência. Ainda mais porque percebe o crescente assédio do senador Aécio Neves (PSDB), candidato tucano a presidente, sobre Gabeira, o que garantiria um forte palanque ao tucano no Estado. Diante disso, avaliou com aliados que o retorno de Lula é fundamental e necessário para unir PT e PMDB no Estado e impedir a derrota dos dois partidos em nível estadual e nacional.
Mas há aí um cálculo político pessoal. Na ideia de Cabral, a volta de Lula o torna automaticamente o nome preferencial do partido para ser seu vice e abre espaço para o acordo no Rio. Inclusive com a possibilidade de o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) ser o cabeça de uma chapa que inclua o atual vice de Cabral e pré-candidato do PMDB ao governo, Luiz Fernando Pezão.
Até as manifestações, o PMDB do Rio ameaçava não apoiar a reeleição de Dilma Rousseff à Presidência devido à insistência do PT em querer lançar Lindbergh. Agora o cenário é outro. Cabral, segundo interlocutores, vê os projetos nacional e estadual ameaçados e considera que com Lula as chances de salvá-los é muito maior. O cenário com que o PT fluminense trabalha é semelhante. Ambos acreditam que a volta de Lula traria agenda e caras novas, o que fortaleceria o nome de Lindbergh ao governo.
Esses planos, porém, têm um problema: Lula, até agora, nega uma nova disputa presidencial. O que faz Cabral e o PMDB fluminense manterem suas apostas em Pezão em 2014 e permitirem que avancem as conversas sobre sua candidatura à sucessão de Paes em 2016.
O discurso para o ano que vem é contraditório. Ao mesmo tempo em que dizem acreditar na viabilidade de Pezão, rejeitam a todo custo uma candidatura adversária petista. Com a ameaça de que, se ela ocorrer, "pode haver uma debandada que coloque o partido no Rio no colo do Aécio", segundo um pemedebista com cargo importante no Estado.
Isso porque o PMDB do Rio sabe que, ainda que a contragosto, depende do não lançamento de candidaturas do PT para manter seus status quo sem maiores dificuldades. Além disso, o diretório regional do partido tem vida própria em relação ao PMDB nacional. Detém o governo do Estado e a prefeitura da capital, que estão entre os maiores PIBs do país. Mas considera que a cúpula do partido, com seu perfil congressual, não dá muita atenção a isso e nem tem planos de voos maiores. Por isso, seu projeto regional vale mais do que o nacional. Vem daí também a tranquilidade com que o nome de Cabral é novamente colocado para a Vice-Presidência da República, cargo hoje ocupado pelo presidente nacional da sigla, Michel Temer.
A entrada de Paes no PMDB do Estado acentuou essa condição, pois deu sobrevida ao seu projeto de poder. Ao mesmo tempo que conferiu nova dinâmica no jogo interno partidário. O estilo "workaholic", com agenda própria e independente, inicialmente incomodou Cabral, que esperava um Paes menos ambicioso e mais subordinado. Após alguns meses, houve a acomodação e não há quem no círculo de ambos aponte que não jogam juntos. Os dois falam-se todos os dias. Paes reconhece que é devedor de Cabral, pois foi o governador que patrocinou sua migração do PSDB ao PMDB, a aproximação com Lula e a eleição para prefeito.
Só que, independentemente do que ocorrer com Cabral em 2014, Paes continua sendo o prefeito da Olimpíada - mesmo com algumas sugestões aqui e ali para que saia a governador. Algo que havia previsto que ocorreria, a ponto de colocar um vice do PT em sua chapa em 2012. Já Cabral precisa disputar - e vencer - alguma eleição. O governador, aos 52 anos, sabe bem de duas regras de ouro da política: político sem mandato perde força e espaços vazios são rapidamente ocupados. Daí começa a surgir a ideia de se lançar a prefeito em 2016.
"Hoje o Sérgio [Cabral] é nosso melhor nome. É o nome natural, meu candidato é ele", disse ao Valor Eduardo Paes. Essa posição ocorre dias depois de ele manifestar preferência pelo seu secretário da Casa Civil, Pedro Paulo, o que gerou irritação do presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, que quer eleger prefeito um dos dois filhos: Leonardo, deputado federal, ou Rafael, secretário municipal de Habitação.
Picciani controla o partido e sua ligação é muito maior com Cabral do que com Paes, cuja entrada no PMDB em 2007 barrou durante oito meses. Ocorre que Picciani está sem mandato e não será candidato em 2014. E Cabral, se não for eleito, também fica sem mandato. O que deixaria Eduardo Paes como o principal expoente da legenda no Rio. Há dez dias, Picciani e Paes se encontraram para aparar as arestas. "Deixei claro a ele que ele só está onde está porque eu o ajudei", disse Picciani sobre o encontro.
Mais recentemente, Cabral passou a enfrentar problemas na sua base. A oposição formada por 12 deputados ganhou apoio de um grupo independente composto por mais 13 deputados, liderados por Domingos Brazão, do PMDB. O governo perdeu algumas votações na Assembleia Legislativa e uma Comissão Parlamentar de Inquérito está em vias de ser instaurada para apurar desvios de verbas da região serrana do Rio, devastada por enchentes em 2011.
Muito embora no PMDB haja certeza de que Cabral se elege a qualquer cargo em 2014, - a queda na sua avaliação é similar à de todos políticos - os adversários o consideram um candidato fácil de ser batido. "Ele está inviabilizado até a senador", disse o deputado Anthony Garotinho (PR), pré-candidato a governador e hoje o maior adversário, político e pessoal, de Cabral. Segundo ele, o único cenário em que a disputa seria mais difícil é o da candidatura Lindbergh com apoio de Cabral. "Aí se juntariam as três máquinas contra mim", afirma. É justamente um dos cenários avaliados hoje por Cabral. Garotinho diz acreditar que o governador fará tudo para impedir que ele vença por temer uma devassa. "Eles sabem que, no governo, vou fuzilar todos eles".
Foi Garotinho quem vazou em 2012 em seu blog as fotos de integrantes da cúpula estadual do Rio dançando com guardanapos na cabeça em Paris. Cabral e o ex-sócio-proprietário da construtora Delta, Fernando Cavendish, estavam na festa.
O episódio é considerado mais um a complementar o conturbado segundo mandato de Cabral, reeleito em 2010 no primeiro turno com 66% dos votos. Dentre outros detonadores de crise destacam-se um problema com os bombeiros que colocou a população contra ele e um acidente de helicóptero com vítimas fatais que revelou sua proximidade com Cavendish. O empresário era o dono do helicóptero, utilizado pelo governador.
O mais conhecido opositor de Cabral na Assembleia Legislativa, Marcelo Freixo (PSOL), aponta que no Rio os protestos tinham o governador como o primeiro alvo, tanto que foi o único lugar onde manifestantes acamparam em frente à sua residência. "Ele é o mais atingido pela relação próxima que tem com as empreiteiras, por sua ausência constante do Estado, pela crise dos guardanapos; o Rio quanto mais cresce mais desigual fica, a política de segurança está em xeque", disse.
Freixo, que surpreendeu na disputa contra Paes em 2012 - teve 28,15% dos votos - não confirma sua candidatura, mas deixa no ar a possibilidade de se lançar. "Meu projeto é para 2016. Mas muita coisa pode acontecer ainda." No círculo próximo a Cabral, a candidatura de Freixo é ainda uma incógnita, mas vista com grande potencial de causar-lhe estrago."

7 de julho de 2013

Anderson Silva: Ascensão e Queda (?!)

Antes de mais nada... "foi bonita a festa, pá...." (Chico Buarque) lá em Londres hoje.
Parabéns ao Andy Murray grande campeão de Wimbledom 2013, depois de décadas sem que um inglês vencesse o Grand Slam em casa.
Brasil em quadra na final de duplas nesta tarde.
Sobre o Anderson, bem nem sei se cabe ficar fazendo análise de MMA com tantos acontecimentos mais importantes no Brasil e no mundo.
Mas, que se danem - pelo menos neste domingo - as crises all over the world e as politicagens. Falando em politicagem...
O fato é que o Anderson perdeu o título ontem depois de sete anos e 10 desafios tirados "de letra".
Tenho visto na imprensa e rede sociais críticas severas ao Anderson por seu "comportamento debochado e desrespeitoso" com relação ao oponente, que "foi perfeito e fez justiça".
Curioso como um herói esportivo há mais de dez anos passa a ser quase um canalha e imbecil de um minuto para o outro.
É assim que funciona o mundo hoje. Só vale o agora, que vai ser esquecido na semana que vem.
Então o que vou dizer agora é uma análise minha, não li nada a respeito em lugar nenhum.
A única coisa que ouvi foram os repórteres dizerem que o Anderson "entregou o cinturão", mas não explicaram porque ele fez isso.
Vamos lá (a minha análise):
Anderson Silva entregou mesmo o cinturão. Nem em 200 anos Chris Weidman, do jeito que estava assustado no segundo round, conseguiria vencer.
Anderson queria perder e o recado que ele dava para o oponente era algo como "vem para cima", "ganha logo", "não tenha medo".
Mas porque o (ex)campeão fez isso?
Três hipóteses (minhas, volto a dizer) baseados em alguns acontecimentos que observei nos dias que antecederam a luta (declarações de revanches imediatas, etc.).
1 - Anderson encheu o saco e queria parar, ficar com a família e não achava nenhum oponente para derrotá-lo.
2 - O UFC movimenta milhões de dólares mas precisa de fatos novos para continuar crescendo mundo afora. Um acordo (ou pressão do/com) Dana White (o dono do UFC) poderia ter provocado a ação da perda do título. Sabe como é... Weidman vai ser desafiado por outros, Anderson retoma suas lutas normais, depois Anderson reconquista o cinturão. Uma jogada dessa pode valer bilhões em Pay-Per-View. Neste caso o recado do Anderson seria não para o Weidman mas para a torcida. Por não se do feitio dele, ele estaria avisando: "pessoal, por conta de estratégias comerciais do Dana White, estou entregando meu cinturão".
3 - Havia uma pressão do Dana White para que Anderson lutasse, depois de ganhar Weidman, com lutadores de outras categorias (uma vez que não tem mais ninguém para lutar com ele). Neste caso seriam o Geoges Saint-Pierre ou Jon Jones. Anderson não gosta disso. Aos 38 anos não se sente bem mudando de categoria e não teria concordado. Daí para fugir da pressão e dar o recado que ninguém manda nele preferiu simplesmente entregar o cinturão para o Weidman e para o Dana (que estava com um sorriso amarelo depois da luta).
É isso. Vamos ver os próximos capítulos dessa história que um dia ainda poderá ser esclarecida de verdade pelo Anderson, que continua sendo o melhor de todos os tempos no MMA.

Taí um ótimo comercial que ilustra um pouco o momento (por coincidência, afinal jogadores de futebol também são endeusados ou massacrados de uma hora para outra).

Roberto Carlos sobrevoando o Rio em 1967


Este post foi feito em 2011. Já faz parte do grande acervo do blog. Achei ele acidentalmente e resolvi fazer um "repost" de parte dele neste domingo. 

Percebam nos detalhes as mudanças da cidade, passados 45 anos! Muita raridades. Até mesmo o carro que aparece no final, um Esplanada fabricado acho que pela Willis. Eu tinha oitos anos naquela época e morava lá no subúrbio, bem distante da Zona Sul e Centro mostrados nas filmagens,

Me lembro que teve uma época no antigo endereço do blog (na UOL e que foi tudo perdido) onde fiz uns posts sobre os filmes feitos pelo Roberto Carlos nos anos 60.

Naquela época era uma forma de divulgação das músicas dos discos através do cinema, uma vez que a TV ainda não era tão difundida. Era a pré-história dos videoclips que depois se tornariam populares via MTV.

Os Beatles fizeram isso com os filmes "A Hard Days Night", "Help", "Magical Mistery Tour" e "Yellow Submarine".

Pois vejam então este video no disponível no You Tube.

Um cena de um helicóptero sobrevoando o Rio (que eu não me lembrava) do filme "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura" de 1967.

Muito legal!

Reproduzo abaixo não só o trecho do filme, como também os comentários feitos por alguém que entende do Rio e de helicópteros.

As músicas são "Namoradinha de um Amigo Meu" e "Canzone Per Te" (do "Festival de San Remo" - Itália).


"O helicóptero pertencia à antiga Companhia VOTEC (Voos Técnicos e Executivos), facilmente identificada pela logo-marca. Foi a primeira empresa contratada para efetuar voos para as plataformas marítimas da Petrobras.

Trata-se de um clip gravado durante a produção do filme "Roberto Carlos em ritmo de aventura", elaborado em plena época da Jovem Guarda.

Na travessia do Túnel do Pasmado o trânsito foi interrompido e pode-se ver alguns veículos aguardando o término da ação.

Ainda não existiam a Torre do Rio Sul ou o Condomínio Morada do Sol. A Avenida Atlântica possuía apenas uma pista de rolamento.

Ao passar pela Cinelândia (Avenidas 13 de Maio e Rio Branco) pode ser visto o antigo Senado Federal (conhecido como Palácio Monroe) demolido durante as obras do Metrô Rio (não perguntem por quê).

O pouso foi feito no prédio do antigo Banco do Estado da Guanabara hoje Banco Itaú S.A., na Avenida Nilo Peçanha provavelmente o único heliporto existente, então, no centro da cidade.

Naquela época, que deixou muitas saudades, o Rio de Janeiro era chamado de Estado da Guanabara.

O piloto que realizou este voo já faleceu e pelas normas atuais de segurança seria impossível realizar um procedimento semelhante.

Até hoje se elogia a habilidade do piloto em passar pelo túnel, em uma única passagem, sem um treinamento mais específico."

Noticiário da Record sobre a Globo: Protestos, possível sonegação de impostos e pedidos de CPI e de investigação do Ministério Público

6 de julho de 2013

Da série "Lugares que você não conhece": para quem gosta de natureza e altura

Essa  é uma montanha na China com sua passarela de vidro que fica a 1.430 metros de altura.
A atração foi construída em volta da montanha Tianmen, em Zhangjiajie, com piso e guarda-corpo em vidro incolor. A ponte possui 90 centímetros de largura e sua extensão é de 61 metros.
O tipo de vidro utilizado em sua especificação foi um multilaminado com 63,5 mm de espessura total.
A montanha tem outras super-atrações: o "buraco" entre dois montes, a estrada que chega até lá, as escadarias e o teleférico de 7 km morro acima.
E aí, vai encarar?









A voz líder que emerge das ruas


Fonte: Cadu Amaral no Blog do Cadu
Os Heróis que emergem das ruas de Veja e Globo
"Que os atos que aconteceram e acontecem no país foi tomado por pautas da direita brasileira todo mundo sabe e a cada dia essa máscara cai. A coisa feita em papel couché, Veja, publicou em sua última edição, nas páginas amarelas, entrevista com “a voz que emerge das ruas”. Na tentativa tresloucada de pôr essas manifestações contra o governo federal, ela transformou um dublê da Rede Globo em nova “cara pintada”. Maycon Freitas foi alçado a liderança das manifestações no Rio de Janeiro.

Na entrevista, Maycon Freitas disse que nunca mais votará no PT novamente. Tudo parte da versão moderna do “mar de lama” que sempre se abateu na mídia quando governos de caráter trabalhistas se instauraram no Brasil. Foi assim com Getúlio, Juscelino, João Goulart, Lula e agora, Dilma.

Ninguém é louco de afirmar que corrupção não existe, mas o é – ou é conivente com a armação – de que ela surgiu ou começou a partir de 2003. Mas é evidente que o combate a ela aumentou e muito nos últimos anos. Se não fosse, jamais o banqueiro Daniel Dantas teria sentido o frio do metal das algemas da Polícia Federal.

Além de funcionário da Globo, aquela que apoiou a ditadura e no impresso do  império midiático, no dia dois de abril, afirmou ressurgir a democracia com o golpe de 1964, Maycon é de extrema direita. O Com texto livre, Blog na internet, daqueles bem “sujos”, encontrou pérolas em seu perfil do Facebook como “Bandido bom é bandido morto e, Marcelo Freixo, vai dar meia hora de cu com o relógio parado e chupar um canavial de rola, seu filho da puta. Direitos humanos é o caralho, seu FROUXOOOOO!”. E adivinhem quem é o seu herói. Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

Barbosa, aliás, é o herói de boa parte dos moralistas de plantão. E como tudo que é sólido se desmancha no ar, ele tem um filho empregado na “poderosa”, no programa do Luciano Huck, o bom moço que não cumpre lei.

JB também usou avião oficial para assistir a final da Copa das Confederações no Maracanã. E ficou em qual camarote? Quem acertar ganha pirulito.

Isso mesmo, no camarote do casal Huck. Mas a indignação de quem se queixou sobre o fato de Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves usarem avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para os mesmos fins, passa ao largo sobre Barbosa. Um viva para o moralismo seletivo da coxiníssima classe média.

A mistura entre público e privado no Brasil vem desde os tempos de colônia. Até as eleições são privadas. É isso que o financiamento privado de campanha faz: privatiza a política.

Para arrematar a solidez da voz das ruas desmanchando-se no ar, o bloqueio de estradas por caminhoneiros foi articulada pelos patrões. O nome dessa prática é lockout e é ilegal no Brasil. Tudo para manter o clima de “mar de lama” para fermentar a campanha do “contra tudo que está aí”. Essencialmente é uma campanha contra a melhoria de vida de milhões de brasileiros.

As insatisfações sinceras que surgiram nessas manifestações devem ser ouvidas. Mas todas elas convergem no problema de representação política e a influência que sofre do poder econômico. Por isso, essas mesmas vozes do “mar de lama” são contra a participação popular na reforma política. Se as pessoas não estiverem nas ruas exigindo participar dela, ou não sai ou vai ser esse Congresso que aí está que vai fazer. Se constituinte exclusiva não deve acontecer, o plebiscito popular sim!

Agora pega o pirulito que você ganhou acima, chupa ele e, ou chora ou pensa em um jeito de fazer valer a vontade popular na reforma política."

5 de julho de 2013

O Brasil, o Capra e a Amana Key - as visões das ideias!





Muitas frentes para dar conta e o tempo, ahh, o velho tempo não me tem permitido delongas!


...enquanto isso vejo o meu querido Brasil meio atônito com os últimos acontecimentos sociais e tantas outras torpezas na dimensão internacional! Mas ao mesmo tempo eu vejo com bons olhos os riscos e as chances que se abrem nesta violação para uma inovação real. Espero depois tecer alguns breves comentários sobre esta nova fronteira.

Pois naquela semana fatídica de Junho/2013, já identificada por muitos como a semana da revolução à brasileira, eu estava em Sampa, num lugar de estudos e reflexões sobre as novas lideranças e os novos papéis na gestão das coisas e das gentes de nosso tempo: AMANA KEY

Eu bem sabia de boa parte da linha adotada nos estudos propostos pelo fabuloso Oscar Motomura, fundador da Amana Key, do seu envolvimento em várias edições brasileiras dos livros de Fritjof Capra, e, de sua maneira peculiar no trato com os novos tempos e novas lideranças.

Porém, o que eu não sabia é que o universo iria conspirar a meu favor naquela semana!

Enquanto passávamos o dia inteiro refletindo sobre os novos rumos das instituições e da própria humanidade frente às incertezas de um mundo mutante e velozmente mutante, as ruas das principais capitais brasileiras anunciavam um frenesi incomum para os padrões tropicais e a cada noite exigiam de nós maiores ampliações de consciência para dar conta das propostas do Oscar e sua equipe.

O mais inusitado não foi nem isso! O que mais me surpreendeu foi me deparar frente a frente com o Fritjof Capra pelos corredores da Amana Key...justo esse autor a quem me dediquei entender os seus pensamentos e as suas propostas durantes os bons anos de minhas próprias indagações sobre os desafios da humanidade, da vida na Terra, da Sustentabilidade dos Ecossistemas e do nosso analfabetismo coletivo. Como se não bastasse vê-lo por alí, ele simplesmente me entrou no auditório e nos brindou com uma magnífica aula na terça e outra na quinta daquela semana da revolução à brasileira!

É claro que não terei competência para expor parte do que lá obtivemos do velho Capra, mas posso reafirmar a minha admiração pelo seu trabalho magnífico e mais uma vez registrar o meu enorme aprendizado neste compartilhamento.

Sigamos em frente, meu amigos e amigas deste blog, e vc também, meu grande amigo Marcos Cardozo, pois continuo convencido de que todos teremos algo a realizar em sintonia com os novos e desafiantes tempos que já se operam adiante.

Abaixo algumas fotos do que foi a semana:







Musa da Semana: Rochelle Michielin

Amanhã recomeça a edição 2013 do Campeonato Brasileiro. E o blog está atento.
O maior campeonato de futebol do país e um dos maiores do mundo ganha a cada dia fama internacional, seja pela conquista brasileira na Copa das Confederações, seja pela realização da Copa do Mundo em 2014.
Aproveitando a onda, alguns concursos são realizados ao longo do ano para escolher a 'musa' ou a 'bela da torcida'.
A musa homenageada da semana do blog participa de um desses concursos, representando o Figueirense de Santa Catarina.
O nome dela é Rochelle Michielin, é modelo, dançarina, atriz, já tendo participado de diversos programas na TV.
E viva o futebol!










4 de julho de 2013

O episódio envolvendo os EUA, países europeus e o avião do presidente boliviano

E a Europa continua se borrando de medo dos EUA. 
Mesmo depois da comprovação do jovem Edward Snowden (um verdadeiro herói, como disse Assange do WiKileaks) de que os americanos espionam via Internet (literalmente) todo mundo, inclusive chefes de estado, países europeus me saem com uma ação dessa, provocando indignação até mesmo do Palácio do Planalto que, corretamente, emitiu o comentário e a nota oficial que reproduzimos a seguir. 

A presidenta Dilma Rousseff emitiu nota, nesta quarta-feira (3), em que expressou repúdio e indignação ao constrangimento imposto ao presidente da Bolívia, Evo Morales. Alguns países europeus impediram o sobrevoo do avião presidencial boliviano por seu espaço aéreo. Segundo a nota, o constrangimento não atinge somente a Bolívia, mas a toda América Latina, comprometendo o diálogo entre os continentes e possíveis negociações entre eles. Dilma ainda afirma que encaminhará iniciativas em todas as instâncias multilaterais para que situações como essa nunca se repitam. Confira a íntegra 

Nota oficial
O governo brasileiro expressa sua indignação e repúdio ao constrangimento imposto ao presidente Evo Morales por alguns países europeus, que impediram o sobrevoo do avião presidencial boliviano por seu espaço aéreo, depois de haver autorizado seu trânsito. O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável – a suposta presença de Edward Snowden no avião do Presidente –, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores. Causa surpresa e espanto que a postura de certos governos europeus tenha sido adotada ao mesmo momento em que alguns desses mesmos governos denunciavam a espionagem de seus funcionários por parte dos Estados Unidos, chegando a afirmar que essas ações comprometiam um futuro acordo comercial entre este país e a União Europeia. O constrangimento ao presidente Morales atinge não só à Bolívia, mas a toda América Latina. Compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles. Exige pronta explicação e correspondentes escusas por parte dos países envolvidos nesta provocação. O governo brasileiro expressa sua mais ampla solidariedade ao presidente Evo Morales e encaminhará iniciativas em todas instâncias multilaterais, especialmente em nosso continente, para que situações como essa nunca mais se repitam.
Dilma Rousseff Presidenta da República Federativa do Brasil 

Para entender melhor:

Morales chega à Bolívia após 'maratona aérea' na Europa
Morales chegou ao aeroporto da cidade de El Alto, às 23h39 local.
Quatro países negaram permissão de sobrevoo do avião do presidente.


"O presidente Evo Morales chegou na noite desta quarta-feira (3) à Bolívia, ao final de uma "maratona" na qual teve negado o acesso aos espaços aéreos de França, Itália, Portugal e Espanha, diante da suspeita de transportar em seu avião o americano - e refugiado - Edward Snowden.
Morales chegou ao aeroporto da cidade de El Alto, vizinha a La Paz, às 23h39 local (0h39 desta quinta, 4, em Brasília), quase 17 horas após partir de Viena, Áustria, onde realizou um pouso de emergência depois de partir de Moscou, Rússia.
O Falcon da Força Aérea Boliviana realizou escalas técnicas em Fortaleza e na ilha de Gran Canária, depois de receber autorização do governo espanhol na manhã de quarta-feira para sobrevoar seu espaço aéreo."
Fonte: G1

Humor de Quinta: Charges Atuais






3 de julho de 2013

Mistureba: Anderson Silva, Jornada Mundial da Juventude, Wimbledon, etc.

Depois de nossa alegre conquista da Copa das Confederações em cima da seleção mais poderosa do mundo da atualidade (o que desagradou a muitos que ansiavam por uma derrota da seleção que significaria uma derrota do Governo Federal) vale lembrar que a vida continua. Mas não me refiro à protestos e sim a outros esportes, à preparação do Brasil para a Jornada Mundial da Juventude e a 2014 (não, não são das eleições que falo mas da Copa do mundo).
Jornada Mundial da Juventude - Rio 2013

A JMJ tem tudo para ser um sucesso e aglutinar jovens do mundo todo,mostrando que o Brasil também nisso pode estar à frente de mudanças positivas no atual quadro internacional.

As obras da Copa prosseguem, agora com o aval do sucesso da organização e da vitória na Copa das Confederações.

Sobre outros esportes, o ídolo máximo do MMA mundial, o nosso Anderson Silva, vai colocar o seu cinturão dos médios em jogo pela 11ª vez! Vai ser no próximo sábado, no UFC 162, contra o perigoso Chris Weidman em Las Vegas, USA.

O todo-poderoso Dana White já disse que existem duas opções: se o número 1 do mundo perder, terá revanche imediata, a hora que quiser. Se ganhar, deverá enfrentar alguém de outra categoria:  o canadense Georges St-Pierre, campeão dos meio-médios, uma categoria abaixo à do brasileiro. Ou contra o norte-americano Jon Jones, soberano entre os meio-pesados. "Ambas as opções estão na mesa", confirmou Dana White.
Mestre e discípulo: Steven Seagal e Anderson Silva

Vamos aguardar para ver o que vai dar. O multidisciplinar Steven Seagal (ator, produtor cinematográfico, escritor, diretor, mestre de artes marciais - oito faixas-preta: aikidô, judô,  kendô, Kung-Fu, Krav-Maga, etc. - músico, filantropo, policial, ativista, etc.) continua sendo professor e amigo de Anderson.

Sobre outros esportes o destaque vai para o torneio de tênis de Wimbledon. No sábado a final feminina e no domingo a masculina. Na ala das moças a nossa musa Maria Sharapova foi eliminada. Já nos homens, dois "monstros" também já se foram: Nadal e Federer.

E, voltando ao futebol, recomeça no sábado o Campeonato Brasileiro, edição 2013.

A bonita alemã Sabine Lisicki continua no páreo em Wimbledon

Protestar contra quem é realmente reponsável pelos problemas - o resto é servir como massa de manobra

Ok, o pessoal está nas ruas protestando, mas estarão protestando contra os verdadeiros responsáveis pelos problemas? Ao contrário, esses estrategicamente se aliaram ao movimento e usam o mesmo como massa de manobra.
 
No Prédio da FIESP: Rumo à Direita? A favor do Capital? Que protesto é esse?

Por que grandes empresários se aliaram a manifestantes e imprensa cobriu protestos de forma ufanista?

"Em setembro de 2011, centenas de norte-americanos ocuparam uma praça de Wall Street, centro financeiro da maior economia mundial, para apontar para o 1% mais privilegiado da população, que eles eram os 99% que os sustentavam. E que não estavam mais dispostos a fazê-lo.

Na maior das manifestações ocorridas em São Paulo, o prédio da poderosa Federação das Indústrias na avenida Paulista foi colorido com uma estilizada bandeira brasileira e se tornou parceiro e paisagem dos protestos.

Quando os indignados saíram às ruas na Espanha, foram as redes sociais que serviram de aglutinação e ao mesmo tempo relatavam as manifestações do 15-M em busca da Democracia Real, esvaziadas e distorcidas na imprensa.

No Brasil, apesar de uma tentativa inicial de criminalização, poucos eventos acabaram por merecer uma cobertura tão extensa e em certos momentos até panfletária da grande mídia.

O que fez com que grandes empresários pudessem se aliar aos manifestantes e a imprensa cobrisse os protestos de forma assim ufanista?

Foi o mesmo que motivou a classe média mais tradicional a abandonar sua atávica repulsa a movimentos sociais e atropelar os protestos que nasceram pela revogação do aumento da tarifa.

A crítica se pulverizou toda ela no processo político –poupando agentes e estruturas econômicas responsáveis, em grande parte, pela sua deterioração.
Indignados espanhóis e ocupantes norte-americanos também fizeram mordazes críticas à falta de legitimidade da democracia representativa.

Mas o que expunham era justamente o fato de que os políticos, que deviam representar a vontade da população que os elegera, haviam capitulado frente aos grandes interesses financeiros.

Não à toa, os norte-americanos ignoraram a Casa Branca, o Capitólio ou outras sedes de governo no simbolismo de seu protesto. Foram a Wall Street, onde entendiam se resolver os verdadeiros problemas da política.

Os indignados espanhóis se sentaram nas praças para criticar o bipartidarismo e não para pedir a substituição de um partido por outro. Tinham como um de seus principais slogans: “Não somos marionetes nas mãos de políticos e banqueiros”.

Por aqui, tivemos duas marcas distintas e ao mesmo tempo reveladoras da onda de manifestações.

A primeira é que a repulsa aos partidos não se limitou à autonomia da manifestação, mas beirou o ódio em algumas delas, sugerindo-se que, numa espécie de pátria unida, a bandeira do Brasil pudesse substituir a das legendas, álibi para a agressão de vários militantes.

A outra é que depuramos completamente o substrato econômico da crítica.

Nas limitações cada vez mais explícitas da democracia no capitalismo, questionou-se apenas o processo político. Excluímos da pauta a crítica à forte concentração econômica, possivelmente um dos fatores mais importantes de seu vício.

Isso teve consequências nos primeiros resultados pragmáticos.

A tarifa baixou para os usuários, mas não a remuneração dos empresários do transporte.

"De uma manifestação que se iniciou com a libertária bandeira de uma vida sem catraca, os sinais que emergem no Congresso apontam paradoxalmente para o fortalecimento do tônus da repressão.

Afinal, a maioria dos manifestantes não estava mesmo indignada com a desigualdade social –em relação à qual, aliás, alguns fazem mais parte do problema que da solução- e sim com os absurdos do “país da impunidade”.

Não à toa, a disparidade entre as balas de borracha que feriram nas avenidas e as de chumbo que mataram na favela provocaram tão pouca indignação.

Afinal, quando se trata de repressão e impunidade, sempre há um condimento seletivo.

É sintomático que os senadores tenham decidido tornar a corrupção crime hediondo, mas não pensaram no mesmo modelo para a sonegação fiscal, que desvia ainda mais recursos da educação e saúde, trending topics dos cartazes de protesto.

Segundo a proposta aprovada no Senado, até o excesso de exação, a cobrança dolosa e excessiva de tributo, pode virar crime hediondo. Mas a supressão premeditada do imposto, a sonegação, vai continuar sendo resolvida apenas com o pagamento atrasado dos encargos.

Excluindo o capital da crítica, o movimento corre o risco se limitar a criminalizar a política e os políticos, centrando os olhos da repressão nos agentes públicos. Como, aliás, é a tônica dos movimentos anticorrupção apoiados pela mídia. Corruptores são sempre tratados como vítimas.

A insatisfação coletiva mostra que é mesmo necessário encontrar mecanismos de permeabilidade da vontade social.

Mas, sobretudo, que é preciso defender o que é público da ganância dos interesses privados, atualmente, em todo o mundo, com maior força do que o próprio poder estatal. O mercado não disputa eleições, é verdade, mas influencia a todos que se elegem.


É gratificante que as pessoas queiram tomar as rédeas do poder de seu país.


Mas devem compreender, efetivamente, quem as impede.
"

Fonte:  Sem Juízo, por Marcelo Semer

2 de julho de 2013

Direita comemora. Mas... será mesmo que tem motivos reais para isso?

Manifestações que continuam, pesquisas a toque de caixa, declarações "bombásticas" de Aécio Neves, tratamento estratégico da mídia...
A direita comemora a queda de Dilma nas pesquisas, mas será que tem mesmo o que comemorar? Já dissemos aqui que a pauta dos manifestantes - mesmo difusa - é de esquerda. Bem, isso quando não é feita por estrategista de classe média alta anti-PT com respaldo da mídia.
Ainda é cedo para tirar conclusões mas alguns fatos dá até para tratar com bom humor: quantos não estavam torcendo para que a Copa das Confederações fosse um fiasco de organização e que o Brasil fosse eliminado?
Pois foi o contrário. Para nooossa alegria!
O artigo a seguir do Flávio Guimarães elucida um pouco mais o tema.


A direita vai comemorar o quê?
"É claro que a baixa da nossa presidenta nas pesquisas – de popularidade e de intenção de voto – provocou animação nos arraiais da direita brasileira, do Oiapoque ao Chuí e da extrema à média.

Mas pensando e pesando bem, a direita (incluindo a oposição parlamentar) não tem muito que comemorar. A menos que já tenho incorporado Marina às suas hostes (e suportado a idéia).

Em primeiro lugar, os recentes acontecimentos e manifestações mostraram que a direita brasileira, parlamentar ou não, não tem luz própria. Precisa embarcar em ondas alheias. Até mesmo a velha mídia, que dispõe da luminosidade das telas de tevês, precisou engolir em seco e se conter diante da vonta de de simplesmente condenar os “baderneiros”, os “congestionadores do trânsito”. Afinal eles – que estão longe, na realidade, de serem a maioria nas manifestações – poderiam ser usados contra o PT.

Em segundo lugar, a conjuntura que a direita brasileira não tem programa disponível para a população. Ela tem um programa sim. Mas este não pode ser mostrado. Qual é o programa da direita? É a negação de tudo aquilo que melhorou no Brasil: a situação dos mais pobres, os programas sociais, a elevação do salário mínimo, a ampliação da carteira assinada, a presença do Estado para minorar os efeitos perversos da cultura dos mercados.

Para quem acha que as reivindicações dos manifestantes de hoje poderiam ser mais bem atendidas pela direita brasileira, basta lembrar a situação dos transportes públicos e a ampliação dos corredores de ônibus em S. Paulo durante a gestão da Marta Suplicy e o descaso posterior quando o PSDB-Serra/Kassab recuperou a hegemonia da situação.

O programa da direita brasileira está claro aqui na Europa: é o plano de “austerität” que devasta as economias nacionais e manieta a economia internacional. A Irlanda entrou oficialmente em recessão, como se já não estivesse. Merkel vê seu parceiro FDP agonizar nas pesquisas de opinião de voto. A Espanha – além do desastre no Maracanã – superou a Grécia no índice de greves. Como isso é medido? Confesso que não sei, se é por grevistas por metro quadrado ou pelo número de greves/dia, ou ambas as coisas. Na verdade não importa.

Manuel Castells (na ‘Isto É’ Independente desta semana) diz que Dilma é a primeira mandatária a reconhecer a voz das ruas. E é mesmo. Onde mais um presidente ou uma presidenta se assentou na mesa de negociações com representantes destes movimentos? Aqui na Europa é que não foi. Nem nos Estados Unidos. Nem na Ásia ou África.

Numa outra ponta, o programa da direita brasileira é, inconfessadamente, privatizar os bancos públicos, aprofundar a privatização da Petrobras, suspender o Bolsa Família (como ficou claro através do boato espalhado), baixar ou eliminar o salário mínimo e extirpar tudo o que a CLT tem de bom para os trabalhadores. Em resumo: inconfessável.

Para completar este quadro indigente, em terceiro lugar, a direita brasileira ainda não tem candidato. Aécio Neves ainda é candidato a candidato. Está subindo nas intenções de voto, mas devagar demais. E Aécio vai para onde o vento sopra, ao contrário de Serra, que sempre quis soprar o vento. Ele não é inteiramente confiável para a execução do verdadeiro programa da direita.

Marina é na verdade intragável para a direita. É verde demais, é povo-da-floresta demais, tudo o que a direita despreza e detesta. Pode ser usada no sentido de que para derrubar Dilma, tudo vale. Mas é só. Se, no caso de um segundo turno, ela ameaçar a presença de Aécio, vai haver gente na velha mídia querendo detoná-la.

Eduardo Campos ainda corre na mesma faixa de Dilma, embora puxe para si uma parcela da classe média norte-nordestina que busca uma alternativa ao petismo ascendente na região. Por isso não sobe nas pesquisas. Mas se ele subir e ameaçar o reinado do PSDB nesta fatia de leitores, também vai virar alvo, ao invés de possibilidade.

Por fim, resta Joaquim Barbosa. Mas de todos, ele ainda é o mais intragável – como candidato – para a direita. O fato de ser, digamos, numa licença poética, “apartidário” é bom enquanto ele for um anti-candidato, anti-política, anti-políticos. Mas se entrar na arena (ou no PSDB, ou DEM, ou outro partido) para valer, ou começar a seduzir seus quadros, ele vai entrar na lenha também, por ser “independente” demais. A velha mídia que hoje o incensa vai desincensá-lo também. Afinal, ele é uma espécie de Cacareco (quem lembra? – e na verdade era uma Cacareca) pós-moderno. Ou, de modo mais elegante, um rinoceronte de Ionesco. O enigma que devora quem o cultua.

Bom, a direita sempre pode contar com as atrapalhações da esquerda. Como isso de propor – logo agora – uma “faxina” no partido (por que não “expurgo”?). Não seria melhor aventar a proposta de um novo Congresso que definisse os rumos programáticos do partido depois da reeleição ou não de Dilma? Ou isso de já querer trocar de candidato agora, in media res? O préstimo divisionista da esquerda está sempre a postos, pronto para ajudar a direita.

E para completar este quadro algo desolador, o Brasil ganhou a Copa das Confederações."

Por Flávio Aguiar (correspondente em Berlim) no Carta Maior

1 de julho de 2013

David Arkenstone


Hoje é o aniversário do músico e compositor David Arkenstone (61 anos).
Já lhe dei os parabéns (o Facebook tem essa vantagem) e faço homenagem aqui no blog através do vídeo que insiro a seguir.
Não é muito conhecido no Brasil, mas posso dizer que faz uma espécie de 'New Age Sinfônica', com referência à World Music (sobretudo Música Celta) e Rock Progressivo (mais em alguns discos).
Seu estilo o aproxima do grego Yanni. 
Tem mais de 20 álbuns lançados.


A resposta de Felipão a uma pergunta política

Eu não vi a entrevista coletiva do Felipão ontem, depois da histórica conquista da Copa das Confederações.
Já esperava que lhe perguntassem sobre as manifestações - como tem sido o tempo todo - mas essa resposta ao jornalista inglês foi ótima.
O Miro explica a que ele se referiu, alertando que, se a resposta fosse outra (ao estilo do manjado "contra tudo que está aí"), a mídia daria maior repercussão.


Felipão acertou desta vez
Por Altamiro Borges

"O técnico Luiz Felipe Scolari costuma ser bastante infeliz nas suas declarações políticas. Já andou elogiando até a ditadura militar. Mas ontem, na entrevista coletiva após a conquista da Copa das Confederações, ele acertou ao responder à pergunta de um jornalista inglês sobre os protestos de rua no Brasil. "Não é a minha área, não posso falar nada", afirmou inicialmente. Depois, visivelmente irritado, Felipão não se conteve: "Aos ingleses eu gostaria de perguntar: antes das Olimpíadas, o que aconteceu lá... Se olhar um pouco para o seu país e não quiser falar errado do meu país, dê uma olhadinha no que aconteceu lá".

A resposta foi uma referência direta à onda de protestos que abalou o Reino Unido em 2011 e 2012. Num cenário bem diferente do brasileiro, o império britânico afunda há vários anos numa longa recessão, com taxas recordes de desemprego (mais de 20% entre os jovens) e o desmonte das políticas públicas. Em agosto de 2011, o jovem Mark Duggan foi assassinado pela polícia, o que desencadeou uma explosão de revolta em Londres. A repressão foi violenta, com milhares de pessoas presas e espancadas. Como reação, carros, lojas e bancos ficaram em chamas durante várias semanas. Os jogos olímpicos foram realizados neste clima carregado, com novas manifestações contra os gastos excessivos.

A lembrança de Felipão calou o repórter britânico! A mídia colonizada nativa também evitou dar maior repercussão à sua resposta. Caso ele atacasse o Brasil, a cobertura seria mais generosa!"

Manuel Castells: Dilma é a primeira líder mundial a ouvir as ruas

"Maior especialista contemporâneo em movimentos sociais nascidos na internet, o sociólogo espanhol diz que a condução da crise no Brasil mostra que há esperanças de se reconectar instituições e cidadãos."

Reproduzimos entrevista que sociólogo espanhol (epa! 3 x 0!) Manuel Castells concedeu à revista Isto É.
Algumas frases interessantes:
- "Dilma é a primeira líder mundial a ouvir as ruas."
-  "Além disso, por causa da mobilização, a presidenta Dilma Rousseff também está propondo novos investimentos em saúde e educação"
- "Ela mostrou que é uma verdadeira democrata, mas ela está sendo esfaqueada pelas costas por políticos tradicionais".
 - "Esse é o verdadeiro significado do movimento brasileiro: ele mostra que ainda há esperança de se reconectar instituições e cidadãos, se houver boa vontade de ambos os lados."

"O sociólogo espanhol Manuel Castells, 68 anos, estava no Brasil participando de uma série de conferências quando os protestos pela redução das tarifas de ônibus começaram, ainda tímidos, em São Paulo. Um dos maiores especialistas da atualidade em movimentos sociais na era da internet, nem ele podia imaginar que o País todo seria tomado por uma onda de passeatas que se transformaria na mais importante manifestação política da sociedade brasileira em 20 anos. “Se querem mudanças, não bastam somente as críticas na internet. É preciso tornar-se visível, desafiar a ordem estabelecida e forçar um diálogo”, afirma o sociólogo. Castells analisou outros movimentos semelhantes, como a Primavera Árabe, o Occupy, nos Estados Unidos, os Indignados, na Espanha, e agora também acompanha a defesa da Praça Taksim, na Turquia. Com extenso e respeitado trabalho sobre o papel das novas tecnologias de informação e comunicação, o sociólogo diz que a grande força desses movimentos é a ausência de líderes e enxerga um esgotamento do modelo atual de representatividade. Autor de 23 livros, ele lança em breve “Redes de Indignação e Esperança – Movimentos Sociais na Era da Internet” (Zahar Editora). Castells foi professor da Universiade de Berkeley, na Califórnia, por 24 anos. Atualmente, vive em Barcelona, na Espanha, de onde falou à ISTOÉ por e-mail, e é professor da Universidade Aberta da Catalunha e da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos."

Por Daniela Mendes

ISTOÉ - O sr. estava no Brasil quando ocorreram os primeiros protestos em São Paulo. Podia imaginar que eles tomariam essa proporção?

MANUEL CASTELLS - Ninguém podia. Mas o que eu imaginava, e pesquisei durante vários anos, é que a crise de legitimidade política e a capacidade de se comunicar através da internet e de dispositivos móveis levam à possibilidade de que surjam movimentos sociais espontâneos a qualquer momento e em qualquer lugar. Porque razões para indignação existem em todos os lugares.

ISTOÉ - O Brasil reduziu muito a desigualdade social nos últimos anos e tem pleno emprego. Como explicar tamanho descontentamento?

MANUEL CASTELLS - A juventude em São Paulo foi explícita: “Não é só sobre centavos, é sobre os nossos direitos.” É um grito de “basta!” contra a corrupção, arrogância, e às vezes a brutalidade dos políticos e sua polícia.

ISTOÉ - Faz sentido continuar nas ruas se os problemas da saúde e da educação não podem ser resolvidos rapidamente, como o das passagens de ônibus?

MANUEL CASTELLS - Em primeiro lugar, o movimento quer transporte gratuito, pois afirma que o direito à mobilidade é um direito universal. Os problemas de transporte que tornam a vida nas cidades uma desgraça são consequência da especulação imobiliária, que constrói o município irracionalmente, e de planejamento local ruim, por causa da subserviência dos prefeitos e suas equipes aos interesses do mercado imobiliário, não dos cidadãos. Além disso, por causa da mobilização, a presidenta Dilma Rousseff também está propondo novos investimentos em saúde e educação. Como leva muito tempo para obter resultados, é hora de começar rapidamente.

ISTOÉ - A presidenta Dilma agiu corretamente ao falar na tevê à nação, convocar reuniões com governadores, prefeitos e manifestantes para propor um pacto?

MANUEL CASTELLS - Com certeza, ela é a primeira líder mundial que presta atenção, que ouve as demandas de pessoas nas ruas. Ela mostrou que é uma verdadeira democrata, mas ela está sendo esfaqueada pelas costas por políticos tradicionais. As declarações de José Serra (o ex-governador tucano criticou as iniciativas anunciadas pela presidenta) são típicas de falta de prestação de contas dos políticos e da incompreensão deles sobre o direito das pessoas de decidir. Os cargos políticos não são de propriedade de políticos. Eles são pagos pelos cidadãos que os elegem. E os cidadãos vão se lembrar de quem disse o quê nesta crise quando a eleição chegar.

ISTOÉ - Como comparar o movimento brasileiro com os que ocorreram no resto do mundo?

MANUEL CASTELLS - Houve milhões de pessoas protestando dessa forma durante semanas e meses em países de todo o mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de mil cidades foram ocupadas entre setembro de 2011 e março de 2012. A diferença no Brasil é que uma presidenta democrática como Dilma Rousseff e um punhado de políticos verdadeiramente democráticos, como Marina Silva, estão aceitando o direito dos cidadãos de se expressar fora dos canais burocráticos controlados. Esse é o verdadeiro significado do movimento brasileiro: ele mostra que ainda há esperança de se reconectar instituições e cidadãos, se houver boa vontade de ambos os lados.

ISTOÉ - O que é determinante para o sucesso desses movimentos convocados pela internet?

MANUEL CASTELLS - Que as demandas ressoem para um grande número de pessoas, que não haja políticos envolvidos e que não haja líderes manipulando. Pessoas que se sentem fortes apoiam umas às outras como redes de indivíduos, não como massas que seguem qualquer bandeira. Cada um é seu próprio movimento. A brutalidade policial também ajuda a espalhar o movimento através de imagens na internet difundidas por telefones celulares.

ISTOÉ - Por que tantos protestos acabam em saques e depredações? Como evitar que marginais se aproveitem do movimento?

MANUEL CASTELLS - Há violência e vandalismo na sociedade. É impossível preveni-los, embora os movimentos em toda parte tentem controlá-los porque eles sabem que a violência é a força mais destrutiva de um movimento social. Às vezes, em alguns países, provocadores apoiados pela polícia criam a violência para deslegitimar o movimento.

ISTOÉ - Como a polícia deve agir?

MANUEL CASTELLS - Intervir de forma seletiva, com cuidado, profissionalmente, apenas contra os provocadores e os grupos violentos. Nunca, nunca disparar armas letais, e se conter para não bater indiscriminadamente em manifestantes pacíficos. A polícia é uma das razões pelas quais as pessoas protestam.

ISTOÉ - A ausência de líderes enfraquece o movimento?

MANUEL CASTELLS - Pelo contrário, este é o vigor do movimento. Todo mundo é o seu próprio líder.

ISTOÉ - Mas isso não inviabiliza a negociação com a elite política?

MANUEL CASTELLS - Não, a prova disso é que a presidenta Dilma Rousseff se reuniu com alguns representantes do movimento.

ISTOÉ - Qual é a grande força e a grande fraqueza desses movimentos?

MANUEL CASTELLS - A grande força é que eles são espontâneos, livres, festivos, é uma celebração da liberdade. A fraqueza não é deles, a fraqueza são a estupidez e a arrogância da classe política que é insensível às demandas autônomas de cidadãos.

ISTOÉ - No Brasil, partidos políticos foram banidos das manifestações e há quem enxergue nisso o perigo de um golpe. Faz sentido essa preocupação?

MANUEL CASTELLS - Não há perigo de um golpe de Estado. Os corruptos e antidemocráticos já estão no poder: eles são a classe política.

ISTOÉ - Como resolver a crise de representatividade da classe política?

MANUEL CASTELLS - Com reforma política, com uma Assembleia Constituinte e um referendo. A presidenta Dilma Rousseff está absolutamente certa, mas, nesse sentido, ela será destruída por sua própria base.

ISTOÉ - Essas manifestações articuladas através das redes sociais demandam uma nova forma de participação dos cidadãos nos processos de decisão do Estado? Qual?

MANUEL CASTELLS - Sim, esta é a nova forma de participação política emergente em toda parte. Analisei este mundo em meu livro mais recente.

ISTOÉ - O que há em comum entre os movimentos sociais contemporâneos?

MANUEL CASTELLS - Redes na internet, presença no espaço urbano, ausência de liderança, autonomia, ausência de temor, além de abrangência de toda a sociedade e não apenas um grupo. Em grande parte os movimentos são liderados pela juventude e estão à procura de uma nova democracia.

ISTOÉ - O movimento Occupy, nos EUA, foi derrotado pela chegada do inverno. Que legado deixou?

MANUEL CASTELLS - Deixou novos valores, uma nova consciência para a maioria dos americanos.

ISTOÉ - Os Indignados espanhóis conseguiram alguma vitória?

MANUEL CASTELLS - Muitas vitórias, especialmente em matéria de direito de hipoteca e despejos de habitação e uma nova compreensão completa da democracia na maioria da população.

ISTOÉ - Que paralelos o sr. vê entre o movimento turco e o brasileiro?

MANUEL CASTELLS - São muito similares. São igualmente poderosos, mas a Turquia tem um primeiro-ministro fundamentalista islâmico semifascista e o Brasil, uma presidenta verdadeiramente democrática. Isso faz toda a diferença.

ISTOÉ - Acredita que essa onda de protestos se espalhará para outros países da América Latina?

MANUEL CASTELLS - Há um movimento estudantil forte no Chile, e embriões surgindo na Colômbia, no México e no Uruguai.

ISTOÉ - Países que controlam a internet, como a China, estão livres dessas manifestações?

MANUEL CASTELLS - Não, isso é um erro da imprensa ocidental. Há muitas manifestações na China, também organizadas na internet, como a da cidade de Guangzhou (no sul do país), em janeiro passado, pela liberdade de imprensa (o editorial de um jornal foi censurado e isso motivou as primeiras manifestações pela liberdade de expressão na China em décadas. Pelo menos 12 pessoas foram detidas, acusadas de subversão).

ISTOÉ - Como o sr. vê o futuro?

MANUEL CASTELLS - Eu não gosto de falar sobre o futuro, mas acredito que ele será mais brilhante agora porque as sociedades estão despertando através desses movimentos sociais em rede.