12 de março de 2014

De Brasília: “Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”

O Miguel do Rosário, do blog O Cafezinho, tem feito umas análises políticas bem acertadas a respeito de fatos recentes.
É o caso deste comentário sobre a "rebelião" do PMDB (base aliada do Governo) por conta de vingança contra a tentativa de Dilma colocar ordem na casa.
Para quem conhece o PMDB não é novidade. Mas serviu para mostrar o que é verdadeiramente o partido, para os incautos.
A análise mostra que o fisiologismo e interesses individuas de momento em detrimento dos interesses do país pode ter seu preço. E o PMDB (e outros partidos do "blocão", que lembra o "centrão" do FHC) vai tendo que acabar por pagar.
Mas tem mais. O PMDB vem como um caminhão ladeira abaixo.
Vejam alguns itens que selecionei de matéria publicada no Viomundo:
"Mal encerrada a votação, o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), já anunciava que a guerra continua. Segundo ele, nesta quarta (12), o partido irá trabalhar para colocar em pauta e derrubar o marco civil da internet, matéria considerada prioritária pelo governo e que tem o apoio dos movimentos organizados pela democratização da comunicação. “Nós queremos votar amanhã [quarta] e vamos votar para derrotar”, afirmou.
Cunha, que vinha sendo isolado pelo Planalto como principal responsável pela crise entre PT e PMDB, recebeu apoio irrestrito da bancada de seu partido na terça.
"
"Cunha, que vinha sendo isolado pelo Planalto como principal responsável pela crise entre PT e PMDB, recebeu apoio irrestrito da bancada de seu partido na terça.
Dos 72 deputados, mais de 60 participaram da reunião que aprovou, por unanimidade, uma moção de apoio ao líder, desgastado após trocar farpas públicas com o presidente do PT, Rui Falcão, e se posicionar de forma irredutível contra o marco civil da internet, defendendo os interesses comerciais das empresas de telecomunicações.
"
PS do Viomundo: "Tudo começou quando Dilma tomou a direitoria internacional da Petrobrás que estava sob controle de um aliado de Eduardo Cunha, nos diz uma importante fonte do setor da energia. A ver. Se for fato, revela a que se resumiu a política no Brasil."


Qual o preço da vitória do blocão contra o governo? - See more at: http://www.ocafezinho.com/2014/03/12/qual-o-preco-da-vitoria-do-blocao-contra-o-governo/#sthash.HH2jhwo1.dpuf
Qual o preço da vitória do blocão contra o governo?
"A oposição, aí incluindo seus tentáculos na mídia, tem o direito de comemorar a derrota política imposta pelo chamado “blocão” contra o governo nesta terça-feira, ao criar uma comissão para investigar negócios da Petrobrás na Holanda.

É uma vitória que vale especialmente para a centro-direita (ou direita mesmo) que apóia o governo de má vontade, apenas por apego ao poder, como é o caso de parcela do PMDB e quase todo PSD, cujos membros saíram do DEM à procura de sombra e água fresca.

Entretanto, esse movimento tem dois lados.

De um lado, mostra a força do blocão, que agora tentará usar isso para ampliar as chantagens contra o governo.

De outro, revela, para o governo, quem são seus verdadeiros aliados, e quem está pronto para lhe passar a perna na primeira oportunidade.

Em ano de eleição, é muito bom saber, com certeza, quem está do seu lado de verdade.

O Congresso tem 513 deputados. O blocão conseguiu exatamente a metade do total: 257 deputados.

A turma de Eduardo Cunha assinou uma declaração de guerra. Uma guerra surda, porque entre aliados em tese, mas por isso mesmo ainda mais fratricida e sangrenta.

No Painel da Folha, há a informação de que Eduardo Cunha disse a Michel Temer que o PT tem um “projeto hegemônico que afasta aos poucos os partidos da coalização”.

Pode até ser. Mas Cunha tem um ponto-fraco. Ele confia demais em jogadas palacianas, e esquece que o poder político, seja do PT, seja do PMDB, seja do governo, seja da oposição, só tem uma fonte real: o voto.

O PMDB foi o único partido da base que perdeu filiados em 2013. Por quê? Porque não está mudando. Não está discutindo teses, programas, ideologias, projetos de país. O adversário do PMDB não é o PT, é seu próprio espelho. É um partido grande, capilarizado, que governa milhares de municípios, e que poderia contribuir muito mais para o debate político nacional se investisse mais em… debates, e menos em figuras questionáveis como Eduardo Cunha.

Afinal, o que quer o PMDB? Que o PT, ou qualquer partido que estiver no governo, lhe garanta algum tipo de cota fixa, imutável, em troca de seu apoio no Congresso?

Na verdade, o PMDB faz um jogo duplo. Ele apóia o governo, de um lado, mas surfa no antipetismo, de outro. Até aí tudo bem, é da política.

Mas haverá um momento em que o partido terá de se decidir. Essa postura de ameaçar o governo com um possível apoio a Aécio Neves apenas ridiculariza o PMDB, porque revela um partido sem substância, disposto a apoiar qualquer um, desde que lhe pague bem. Ao agir assim, as eleições se tornarão cada vez mais caras para o PMDB, porque ele terá cada vez menos o voto das pessoas politizadas, e precisarão cada vez mais do voto fisiológico, comprado a peso de ouro de um eleitor cada vez mais cético, num mercado eleitoral cada vez mais competitivo.

Tem uma senhora cujos serviços de faxina eu contrato de vez em quando que me contou uma coisa engraçada. È triste por um lado, até porque isso não deve ser legal, mas engraçado também. Os políticos lhe dão dinheiro para que ela distribua aos eleitores da região. Compra de voto descarada. O eleitor vai à casa dela, dá o número do título, e recebe R$ 50.

Aí entra a parte engraçada. Tem eleitor que vendeu seu voto para mais de cinco candidatos diferentes. Ou seja, o político, quando pensa que está enganando o eleitor, está é levando uma rasteira, merecida, do cidadão. O cidadão pega o dinheiro, evidentemente porque está precisando, mas não vota no candidato que lhe deu o recurso. Ou pode até votar num daqueles que lhe deu dinheiro, mas vota naquele de sua preferência. Ou seja, o recurso à compra de voto fica cada vez mais caro, pois o voto é secreto, protegendo o eleitor.

Voltando à “vitória” do blocão sobre o governo, tenho a impressão que muitos parlamentares que se recusaram a participar do jogo sujo de chantagem política liderado por Eduardo Cunha se identificarão com esta frase de Darcy Ribeiro, que o colega de Twitter, Mario Marona, lembrou nesta manhã, ao publicar a foto abaixo.

“Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”."

"Blocão" na "vitória" de ontem

Lollapalooza: Arcade Fire

Os organizadores do famoso festival internacional Lollapalooza, que acontece em São Paulo nos dias 05 e 06 de abril, anunciaram a programação.
De todos, os que realmente gostaria de assistir ao vivo são os canadenses (de Montreal) Arcade Fire.

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11 de março de 2014

Cosmos

Estava escutando agora o disco instrumental "Afterglow" com o trio Michael Hoppé (teclados), Martin Tilman (Cello) e Tim Wheater (flauta).
Relaxando depois de um dia intenso de trabalho.
Aí achei essa imagem legal no Face de outro músico, John Serrie, que tem a ver com a música que estava ouvindo.
Resolvi dividir com vocês.
Boa noite.


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O novo poder na Ucrania: entre EUA, UE, Russia e China - De Neonazistas de extrema-direita até a nova Guerra Fria

Não posso afirmar se o autor do texto abaixo está totalmento certo, mas a BBC é uma boa referência.
Ouvi também que jornais israelenses teriam publicado que havia a perspectiva de receber levas de ucranianos, caso se confirmasse que os que se encastelaram no poder ucraniano conseguissem "ganhar as eleições" financiadas pela UE / EUA. Não confirmei isso.
Mas no final fica-se a impressão do mesmo que ocorreu no Paraguai, um golpe disfarçado de constituição.
Pior: para muitos a impressão de uma "pseudo-revolução" feita pelo povo, para o povo. Será que o povo ucraniano não desconfia das mãos externas dirigindo o espetáculo?
E a União Européia é um bom caminho? Lembremos Grécia, Espanha, as diretrizes econômicas de Angela Merkel que manda e desmanda na Europa...
A ultra-direita diz que o Putin é um "viajante". Não é grande coisa como pessoa, mas conhece muito bem as estratégias dos interesses americanos.
E a China que está ali ao lado também.
Lembrando que boa parte dos cidadãos ucranianos, sobretudo do leste, são também cidadãos russos, com passaporte e tudo.

BBC admite: neonazistas lideraram revolta contra governo ucraniano
Por Miguel do Rosário em 07/03/2014
"Se eu tivesse recursos, produziria imediatamente legendas em português para o vídeo abaixo. Está em inglês. O que ele, diz, em resumo, é que o neo-nazismo avançou de forma assustadora durante os protestos contra o governo. O novo governo, formado após o golpe, está cheio de ministros da extrema-direita.

O documentário da BBC revela que os militantes da direita ucraniana, agora encastelados no núcleo de poder, tem ideias positivamente nazistas. Eles acham que o problema da Ucrânia é a presença de russos e judeus em determinados setores da economia.

Esse é o golpe que os coxinhas do Brasil (aí incluindo Luciana Genro, candidata a vice-presidente da República pelo PSOL) acham que é uma “linda revolução popular”.

Um golpe que destruiu a econonomia do país, provocou milhares de mortes, terminou com um monte de nazistas no poder. Linda revolução popular…"


Fonte: O Cafezinho

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"BBC Newsnight" Gabriel Gatehouse investiga as ligações entre o novo governo ucraniano e neonazistas.


Crise na Ucrânia tem China-Rússia no “melhor momento de sempre”

11/03/2014
"O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, afirmou hoje (8/3) que as relações sino-russas estão a atravessar “o melhor momento da sua História”, salientando a “profunda amizade” entre os presidentes dos dois países.

“As relações entre a China e a Rússia caracterizam-se por um alto nível de confiança mutua, firme apoio de um ao outro e intensificação da cooperação em vários domínios”, disse Wang Yi em Pequim.

“Os nossos dois presidentes estabeleceram uma amizade profunda e desempenham um importante papel na condução das relações bilaterais”, acrescentou.

Em fevereiro passado, pela primeira vez, um presidente chinês assistiu à abertura dos Jogos Olímpicos de inverno, que decorreram na cidade russa de Sochi.

Wang Yi não comentou, contudo, a posição da Rússia sobre a Ucrânia e, quando foi questionado sobre o assunto, apelou à “calma e a contenção”, distinguindo-se do alinhamento pró-russo manifestado nos últimos dias na imprensa oficial chinesa.

O Global Times, por exemplo, defendeu que a opinião pública chinesa “deve estar firmemente ao lado da Rússia e apoiar a resistência russa às pressões ocidentais”.

“A Rússia é o parceiro que a China mais pode contar”, afirmou o jornal de língua inglesa do grupo Diário do Povo, do órgão central do Partido Comunista Chinês.

China e Rússia partilham uma fronteira com cerca de 4.200 quilômetros de extensão, e no início da década de 1950, tinham um idêntico regime político.

Mas na década de 1970 tornaram-se ideologicamente rivais e depois inimigos, com violentos incidentes ao longo da fronteira.

As relações entre Pequim e Moscou só se normalizaram após o colapso da União Soviética, em 1991."

Fontes: RTP Notícias - Agência Lusa e Rodrigo Viana

Recado de Gilberto Gil e da Avaaz sobre a Internet que vai nos afetar a todos

Cara comunidade do Brasil,



Em menos de 48 horas, a Câmara dos Deputados votará uma lei que poderá acabar com a liberdade na rede e diminuir nosso poder de escolha. Os únicos beneficiários desta proposta são as gigantescas e lucrativas empresas de telecom. Nós podemos dizer aos nossos representantes para proteger nossos direitos e salvar a internet livre. Clique aqui para assinar e avise todo mundo:

assine a peticao
Há muitos anos eu me encanto com o poder da internet e a criatividade que nela circula, mas agora estou muito preocupado que isso possa acabar. Em menos de 48 horas, a Câmara dos Deputados vai votar um novo projeto de lei que poderá declarar o fim da liberdade na rede e diminuir nosso poder de escolha.

Já nos anos em que fui Ministro da Cultura discutíamos formas de garantir o caráter democrático e aberto da internet – dessa construção coletiva, nasceu o Marco Civil. Mas, agora, o poderoso lobby das empresas de telecomunicações está influenciando nossos políticos para que transformem a internet em uma espécie de TV a cabo, em que se poderia cobrar a mais para podermos assistir a vídeos, ouvir música ou acessar informações. A votação será apertada, mas uma grande mobilização pública pode convencer os deputados de que suas reeleições dependem desse voto!

As próximas horas são cruciais. Junte-se a mim nesta campanha da Avaaz para criar a maior mobilização já vista por uma internet livre no Brasil. Assine agora e conte para todos. Nós levaremos a voz de todos que assinarem a petição diretamente aos parlamentares. Vamos vencer essa batalha e salvar a internet:

http://www.avaaz.org/po/o_fim_da_internet_livre_gg/?bCulHeb&v=37048

Eu acredito que o Marco Civil seja o melhor projeto de lei que já entrou no Congresso, isso porque foi feito por todos nós, de forma colaborativa pela rede! Ele limita quais informações os provedores podem guardar e estabelece critérios rígidos para as empresas: com o Marco Civil, os provedores serão proibidos de usar os nossos dados para vender serviços sem a nossa autorização expressa. Mas alguns deputados estão cedendo ao lobby das telecoms e, se essa manobra for bem sucedida, podemos dizer adeus à internet que temos hoje.

As empresas de telefonia dizem que, ao criarem pacotes diferenciados, poderão baratear a internet. Mas se permitirmos que empresas decidam a velocidade de acesso a cada tipo de conteúdo, será o fim da criatividade e inovação que aparecem espontaneamente na rede. Não podemos permitir que a internet seja dividida em pacotes de serviços sem sentido, de má qualidade e controlados por poucas empresas.

Assine a petição agora e a Avaaz entregará nossas vozes diretamente aos deputados que apoiam essa ideia e pressionará aqueles que são contrários ao Marco Civil. Vamos tomar de volta a nossa internet antes que eles estraguem tudo:

http://www.avaaz.org/po/o_fim_da_internet_livre_gg/?bCulHeb&v=37048

A minha geração lutou pela democratização do Brasil e pela garantia da liberdade de comunicação. Não podemos deixar, agora, que conquistas importantes desapareçam diante do lobby irresponsável de um punhado de empresas e da falta de compromisso de deputados que acreditam que podem ignorar seus eleitores.

Com esperança e determinação,

Gilberto Gil e a equipe da Avaaz

Eduardo Campos muda o tom e joga pesado com Dilma

Chamado por alguns como "Dudu" o governador de Pernambuco mudou o tom com relação à Presidente Dilma Rousseff.
Jogou pesado.
O "socialista" (com aspas, por favor) estava ao lado sabem de quem? Jorge Bornhausen! Ele mesmo. Aquele da Arena e do PFL (atual DEMo).
Ao final do seu texto, o jornalista Ricardo Kotscho solta o veredito: "pelo jeito, a guerra eleitoral já começou".
Faz tempo, Kotscho.
Mas o Dudu precisa assumir a sua extrema-direita. 
Resta saber o que a Marina acha disso.

Eduardo Campos e Jorge Bornhausen

Eduardo Campos chuta o balde ao atacar Dilma

""O Brasil não quer mais Dilma".

"Dilma já está de aviso prévio".

O autor dos disparos acima é o presidenciável Eduardo Campos, do PSB, que nos últimos dias resolveu mudar de tática e resolveu chutar o balde ao atacar diretamente a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição.

Há meses empacado nas pesquisas, o candidato da chamada "terceira via", que vinha fazendo uma dobradinha light com Aécio Neves, do PSDB, resolveu deixar de lado seu jeitão de nordestino cordato, sempre disposto a aparar arestas políticas com uma boa conversa. No último fim de semana, viajando pelo interior de Pernambuco, Eduardo mostrou a nova face da sua campanha.

Em Nazaré da Mata, o governador pernambucano foi direto ao assunto: "Não dá mais para ter quatro anos de Dilma que o Brasil não aguenta. O Brasil não aguenta e o povo brasileiro sabe disso. É no Brasil inteiro". Para ele, a adversária que lidera as pesquisas "acha que sabe de tudo, mas não sabe é de nada".

Eduardo Campos subiu ainda mais o tom ao falar  na manhã desta segunda-feira para um auditório lotado na Associação Comercial de São Paulo, tradicional reduto conservador. "O arranjo políitco de Brasília já deu o que tinha que dar (...). Eu poderia esperar até 2018, mas acho que nosso país não aguenta esperar".

Bastante aplaudido, o candidato repetiu críticas que os empresários vêm fazendo ao governo: "Para os agentes econômicos fica a impressão de que falta um olhar de longo prazo. "Para onde estamos indo, o que vamos fazer?, perguntou, sem dar nem esperar respostas.

Até aqui vendido pelos marqueteiros como candidato da "nova política", uma opção à velha disputa entre PT e PSDB, Eduardo Campos foi apresentado aos empresários paulistas por ninguém menos do que Jorge Bornhausen, o mais vistoso símbolo do que há de mais reacionário na política brasileira, ex-expoente da Arena, do PDS e do PFL, que foi ministro de Fernando Collor e tinha muita força no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Hoje sem mandato, Bornhausen é agora o mais forte aliado de Eduardo Campos, depois de Marina Silva, que deve ser a sua vice da chapa do PSB. O novo estilo belicoso do presidenciável, que rompeu recentemente com o governo do PT, certamente tem muito a ver com a forma Bornhausen de fazer política.

Pelo jeito, a guerra eleitoral já começou."

Fonte: Balaio do Kotscho

10 de março de 2014

Avarice

O título do curta-metragem de animação é "Ecirava". 
Lido ao contrário...
"Um curta-metragem de animação sobre um sem-teto avarento e um espelho misterioso."



Os Coxinhas

O título do post poderia se referir a uma provável banda de 'Rock Brasil' dos anos 1980 que não chegou a fazer sucesso.
Naquela época, influenciados pelos ingleses, os grupos brasileiros adotavam nomes sugestivos ou apenas engraçadinhos.
João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, Kid Abelha, Paralamas do Sucesso, Ultrage a Rigor, etc.
Não é o caso.
O termo ou gíria "coxinha" começou a se propagar a partir de São Paulo na época dos protestos do ano passado.
Tem e não tem a ver com o conhecido salgadinho.
Muita gente não sabe o que significa e alguns me perguntaram.
Achei um bom texto esclarecedor no site Observatório da Imprensa e reproduzo a seguir.
É mais ou menos por aí.

O surgimento dos ‘coxinhas’
Por Sergio da Motta e Albuquerque
"Os protestos iniciados em junho trouxeram com eles o emprego em massa de um vocábulo conhecido por descrever um petisco popular pouco saudável: a coxinha. Mas agora a palavra adquiriu novo sentido e eu demorei a entender com certeza seu significado preciso. A fala dos manifestantes trazia cada vez mais a meus ouvidos cariocas esta palavra que eu só conseguia entender pelo contexto: “coxinha” podia ser um adjetivo ou substantivo, a depender da situação, e referia-se a alguém meio tolo, ou conservador. Também ouvi falar do verbo “coxinhar”. Que se refere à atividade do “coxinha”, ou às ações de um. Mas isso foi pouco para mim e para muitos outros brasileiros.

O que é, afinal, um “coxinha”? O que é ser “coxinha”? O vocábulo, amplamente usado nos protestos, era um enigma para mim. Encontrei duas publicações que tentaram explicar o novo significado do velho e gorduroso petisco de botequim: em 22/04/2012 a Folha de S.Paulo, em sua revista de domingo, fez uma boa tentativa. Começou com uma explicação de sua abrangência geográfica: trata-se de gíria paulistana. Para explicar o novo significado da palavra entrevistou pessoas que já tinham ouvido falar dela. Logo surgiu um consenso sobre o seu significado: “coxinha” é gente engomada, certinha, que segue a maioria. Gente convencional e conservadora, em suma.

Mas foi o diário Correio do Brasil (23/06) que apresentou a melhor explicação para o vocábulo que tomou conta dos protestos. O periódico não buscou somente a nova acepção da palavra, mas sua relação com os protestos. Juntou o sociólogo Leonardo Rossato e o professor de português Michel Montanha, que elaboraram uma “análise sociológica” do coxinha e apresentaram uma hipótese sobre sua origem:

“Coxinha, sociologicamente falando, é um grupo social específico, que compartilha determinados valores. Dentre eles está o individualismo exacerbado e dezenas de coisas que derivam disso: a necessidade de diferenciação em relação ao restante da sociedade, a forte priorização da segurança em sua vida cotidiana, como elemento de “não-mistura” com o restante da sociedade, aliadas com uma forte necessidade de parecer engraçado ou bom moço.”

Símbolo do amadurecimento

O vocábulo parece ter sua origem nos pobres “almoços” dos policiais nos anos de 1980, que recebiam vales-refeição tão desvalorizados que acabaram apelidados de “vale-coxinha”. Com o tempo, policial e coxinha tornaram-se sinônimos. Os programas policiais no rádio e na TV acabaram por estender o novo significado da palavra a todos aqueles preocupados com a segurança acima de tudo.

Mas por que os coxinhas agora tornaram-se tão notórios? Por que acabaram mais visíveis à sociedade neste momento de protestos? O Correio do Brasil explicou:

“Até algum tempo atrás, eles não tinham essa necessidade de diferenciação. A diferenciação se dava naturalmente, com a absurda desigualdade social das metrópoles brasileiras. Hoje, com cada vez mais gente ganhando melhor e consumindo, esse grupo social busca outras formas de afirmar sua diferenciação. Para isso, muitas vezes andam engomados, se vestem de uma maneira específica, são ‘politicamente corretos’, dentro de sua noção deturpada de política, e nutrem uma arrogância quase intragável, com pouquíssima tolerância a qualquer crítica.”

Engomados, bons moços, preocupados em acentuarem suas diferenças do resto da sociedade, inimigos da crítica... Acabaram ridicularizados pelo restante da sociedade. Antes dos protestos, eles só eram visíveis em São Paulo. Coxinha era fenômeno tipicamente paulistano: “Ele não aparecia, portanto não poderia ser criticado ou ridicularizado”, explicou o periódico. O coxinha, paradoxalmente é um símbolo do amadurecimento da nossa sociedade, concluiu o jornal: a sociedade brasileira amadureceu porque a estrutura de classes sociais tornou-se mais complexa e diferenciada.

Acomodados pedantes


Os protestos de junho em diante expuseram os coxinhas à população brasileira. Narcisistas, incapazes de identificação com o próprio povo, movidos pela necessidade de diferenciação, a teoria de Thorstein Veblen, norte-americano, economista, sociólogo e mentor de Jean Baudrillard, explica em parte esses “cidadãos diferenciados”. Para Veblen, os seres humanos são guiados por necessidade de diferenciação e distinção. Vicente de Paula Faleiros, em seu livro A política social do Estado capitalista (1987, Cortez), comentou o sociólogo norte-americano:

“O homem atua por emulação e pelo desejo de se evidenciar entre os demais. Desta maneira, as classes superiores se distinguem das classes trabalhadoras pelo evidente ‘não-trabalho’. O lazer, a moda, o consumo ostensivo são todos meios para se distinguir.”

Distinção, moda, lazer e consumo conspícuo realmente fazem parte do universo dos coxinhas. Só encontro um problema com esta explicação: ela naturaliza uma condição humana que na realidade é produzida socialmente. Ou seja, os coxinhas são coxinhas porque adotam um determinado sistema de crenças e valores compartilhado por outros iguais. Não são coxinhas porque a natureza os fez assim. Eles escolheram ser o que são.

Distinção do resto da população é a meta e a vida dos coxinhas. Por isso, o desprezo aos protestos do povo. Eles estão bem longe do mundo de onde vem a maioria daqueles que protestam. E querem deixar isso bem claro. É apenas justo que agora eles caiam no ridículo aos olhos de muitos. Porque a gente brasileira finalmente acordou e os coxinhas lá no fundo sabem que não passam de acomodados pedantes, e não farão parte das mudanças que virão para um país que já não tolera candidamente os abusos dos poderosos."

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Sergio da Motta e Albuquerque é mestre em Planejamento urbano, consultor e tradutor.

9 de março de 2014

Lobão, CQC, Mano Brown, PT, etc.

Mais uma do roqueiro Lobão, ex-progressista, atual conservador, colunista da Veja e proclamador do ódio ao PT ("ex-rebelde, que se converteu num direitista hidrófobo e patético", segundo Altamiro Borges).
Mas a sacaneada do pessoal do CQC (programa que já foi mais interessante mas que atualmente eu não tenho mais saco de assistir) foi boa.
Para quem não conhece a história do Mano Brown, a explicação vem ao final.



Lobão se irrita com CQC, xinga repórter e ameaça processar a Band
Por Daniel Castro

"O músico Lobão não gostou nem um pouco de um novo quadro do CQC, que volta ao ar no próximo dia 17. Abordado de surpresa por Ronald Rios e um grupo de 30 "torcedores", Lobão não gostou do que ouviu da "torcida", xingou o repórter, tentou tomar-lhe o microfone e está ameaçando processar a Band caso a emissora exiba o material.

A cena aconteceu na saída da Band, em São Paulo, na semana passada, após gravação do Agora É Tarde exibido ontem à noite.

No novo quadro, chamado de Torcida VIP, um grupo de "torcedores" canta um hino de torcida de futebol adaptado para a celebridade. No caso de Lobão, os "torcedores" cantaram "Pó, pó, pó, pó, pó, pó, pó, pó / Simpatizava com Lula-la / Agora caga pra geral / Tem a língua afiadaaa/ Mas afinou pro Mano Brown".

O cantor não se incomodou com o "pó" nem com a referência implícita à guinada ideológica, mas com o "afinou pro Mano Brown". "Mano Brown é o caralho", respondeu, tentando tomar o microfone de Ronald Rios.

Em maio do ano passado, o rapper Mano Brown desafiou Lobão pelo Twitter a "um encontro" para resolver "como homem" uma polêmica. Em entrevista à Folha de S.Paulo por ocasião do lançamento do livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca, Lobão afirmou que os Racionais MC's, de Brown, "são o braço armado do governo, são os anseios dos intelectuais petistas, propaganda de um comportamento seminal do PT".

Brown, além de chamar Lobão para a briga, disse que o músico agia como "uma puta para vender livro".

A Band tende a exibir o material no retorno do CQC em 2014. Se for processada por Lobão por causa disso, será no mínimo uma contradição do músico, que vive alertando para o risco de o PT censurar a imprensa."
Fonte: Notícias da TV

Talking Heads e Ultravox

Desde o começo de nossa participação no blog a música teve um papel funcamental.
Curioso que percebi recentemente que existiram fases diferentes de abordagem de gêneros específicos.
Primeiro foram as baladas (neste caso músicas lentas românticas) dos anos 70. Depois vieram outros temas: Rock Progressivo, New Age, Minimalismo e Vanguarda, etc.
Resolvi abordar nas próximas semanas um período específico, que vai de 1979 a 1983. Cinco anos onde os músicos pareciam perdidos entre repetir as fórmulas dos grandes nomes dos anos 1960 e 1970 e ao mesmo tempo buscar algo mais Pop, sem se afastar do Rock, que tivesse um apelo popular sem ser de qualidade inferior. Difícil, né?!
Tivemos então a New Wave, a NWOBHM, o Tecnopop, o Pós-Punk, Pós-Disco, etc.
Já perceberam que dá para escrever um livro, certo?
Aqui  só mostraremos algumas poucas coisas, pois o universo é muito amplo.
Começando com os Talking Heads que tinha em David Byrne, um intelectual, a cabeça pensante que depois se bandeou pelos lados da World Music e veio parar no Brasil.
Já o Ultravox teve a sorte de ser produzido pelo genial Minimalista Brian Eno que no início colocou eles no clima do Kraftwerk, sobretudo da obra "The Man Machine" de 1978. É desta época a clássica "Vienna".

Talking Heads




Ultravox





8 de março de 2014

O estresse do prefeito

A coisa não anda boa para o Eduardo Paes.
E olha que a matéria nem fala da crise "bioterrorista" do lixo made in Rio na semana do carnaval.
Kit Lexotan / Rivotril para o rapaz.
E para os cariocas também.
Sem receita obrigatória.


'New York Times': tensão faz Paes lançar cinzeiro em assessor e xingar vereadora
"Reportagem do jornal The New York Times fala dos acessos de ira do prefeito Eduardo Paes, que estaria sob forte estresse em razão da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Suas vítimas são assessores, políticos e até o cidadão. Segundo a reportagem, Paes já teria jogado um cinzeiro em um dos seus assessores, chamado uma vereadora de vagabunda em seu gabinete, além do caso que ganhou repercussão, quando o prefeito deu um soco em um rapaz dentro de um restaurante japonês.

De acordo com a reportagem, Paes tem evitado dar declarações e não falou durante os desfiles da Série A, na Sapucaí. Nem da celebração do aniversário da cidade, sábado (1/3) no Centro, que contou com a presença do cardeal Orani João Tempesta, ele participou.

Ainda segundo o texto do NYT, o prefeito teria dito que não recomenda a ninguém fazer dois grandes eventos, como a Copa e as Olimpíadas, ao mesmo tempo, sobretudo quando a cidade ainda vive as turbulências das manifestações.

O NYT destaca os atrasos na construção dos estádios e aeroportos, os problemas no transporte, as remoções de moradores, além dos protestos que evidenciam a insatisfação da população."

Fonte: Jornal do Brasil

Na Primavera, em Nova York

Ao longo da vida não fiz muitas viagens longas, a locais distantes.
Não por falta de vontade mas devido a outras prioridades que foram surgindo, por opção própria ou não.
Espero ainda poder reverter o quadro e conhecer pelo menos mais alguns lugares que me interessam, mundo afora.
Pelo meu estilo sou mais Europa e alguns pontos da América do Sul e Central do que os campeões de preferência: EUA.
No entanto reconheço que existe ali pontos de interesse e, entre os mais famosos está - obviamente - a cidade de Nova York.
Minha filha, que já esteve por lá, concorda. Mas ela é suspeita, considerando ser adolescente em busca de ótimas compras de vestuário, cosméticos... tipo MAC, Forever 21 e outras coisas made in China (às vezes tenho a impressão que tudo no mundo é feito na China).
Por aqui estamos chegando ao fim do verão e já vem por aí o outono. O que significa que no hemisfério norte é tempo de primavera.
Sempre me pareceu ser essa estação a melhor para conhecer a 'parte de cima' do planeta e, no que tange a Nova York, o pessoal do interessante blog Viagens Para Mãos de Vaca pensa o mesmo.
Reproduzo a seguir parte de um comentário a respeito. Vejam o post todo, com diversos links, aqui.
Pode ser um bom indicador para quem está pensando em pegar a estrada. Ou melhor, o voo.

A primavera em Nova York - a mais agradável das estações
"Se você tiver a oportunidade de passar a transição de uma estação para a outra, perceberá como o próprio humor das pessoas também muda.
O inverno vai embora, as primeiras folhinhas verdes brotam nos galhos das árvores, e os nova-iorquinos acordam da hibernação. E logo, em poucas semanas, todos os parques estão floridos, os casacos são guardados nos armários, os restaurantes voltam a pôr mesas e cadeiras nas calçadas para que os clientes desfrutem do calorzinho gostoso.
No começo da estação (em 21 março), ainda é preciso vestir roupas quentes e sempre há o risco de uma frente fria baixar a temperatura; porém, em abril, o clima já está bem agradável (numa média de 20 ou 25 graus), as flores já dominam a cidade e, para onde se olhar, há beleza. Na minha opinião, esta é a melhor época do ano.
Em maio, ouve-se os americanos murmurando, deslumbrados:
— Mayflowers, man, mayflowers! (Flores de maio, cara, flores de maio!)
As feiras nas ruas reaparecem, a ordem delas é meio aleatória, às vezes, você está andando pela Quinta Avenida, vira numa rua, e encontra uma feira imensa, tomando conta de toda uma avenida principal; nelas, vende-se de tudo, desde camisetas I Love NY até CDs especializados em dança do ventre, o cheiro dos petiscos paquistaneses empesteando o ar e o cachorro-quente rolando solto.
O calor leva os americanos às praças e parques e o legal é comprar seu almoço em algum lugar, num McDonald’s ou, sendo politicamente correto, uma saladinha, e imitá-los, sentando-se num banco de praça ou escadaria e almoçar ali mesmo, vendo o movimento, os passeadores de cachorro, o pessoal jogando capoeira (isto mesmo!). A Union Square ou a Madison Square Park são ótimos lugares para se fazer isto.
Para os passeios ao ar livre não há melhor estação, não é cansativo, o sol não é tão inclemente e sempre há uma brisa refrescante.
Ao nos aproximarmos do final da primavera, em 20 de junho, as temperaturas sobem bastante e já sentimos as primeiras consequências do escaldante verão.

Alguns lindos passeios para fazer na primavera
Central Park
O maior e mais famoso parque de Manhattan é uma atração para todas as estações do ano.
The Cloisters
Este incrível museu medieval é um contato com uma outra época, inscrutado num belo parque com vista para o Rio Hudson.
Bryant Park
Atrás da Biblioteca Pública de Nova York, o Bryant Park é um oásis para jogar-se na grama, fazer um piquenique e namorar.
Brooklyn Botanical Garden
Com uma variedade imensa de flores e plantas, este jardim botânico se destaca na primavera. O festival da sakura, em abril, é repleto de cores e alegria."

8 de Março - Dia Internacional da Mulher

Nossos parabéns a todas as mulheres lutadoras nestas sociedades que até bem pouco tempo eram exclusivamente patriarcais.
Em alguns pontos do planeta muito ainda tem de ser feito e a luta continua para vocês.
Agradecemos por existirem.
Deus acertou em cheio nessa criação.

7 de março de 2014

Um editorial importante para trabalhadores, aposentados e pensionistas

Se você faz parte de uma das categorias acima, preste bem atenção em quem vai votar nas eleições deste ano.

O Globo prega arrocho dos salários
Por Altamiro Borges

"Em pleno Carnaval, na última terça-feira (4), o jornal O Globo publicou um editorial que mereceria a dura repulsa do sindicalismo brasileiro. Sem meias palavras, o diário patronal prega abertamente a volta política de arrocho praticada durante o triste reinado de FHC. Com o título “Desindexação urgente”, ele critica o acordo firmado entre o ex-presidente Lula e as centrais sindicais de valorização do salário mínimo e afirma, na maior caradura, que esta política pode resultar na explosão da inflação no país. É o velho fantasma inflacionário usado para atacar o rendimento dos trabalhadores, garantir os lucros exorbitantes dos empresários, facilitar o rentismo dos especuladores financeiros e – de quebra – ajudar o discurso oposicionista contra o governo Dilma Rousseff.

Segundo o jornal, a atual política de valorização do salário mínimo – que garante a reposição da inflação, mais ganho real equivalente à variação do PIB de dois anos antes – foi “fixada por decreto presidencial” e “é passível de injunções políticas”. Duas mentiras descaradas. Esta política foi fruto de um acordo com as centrais sindicais, que representam muito mais a sociedade do que a bilionária famiglia Marinho, e tem regras bem definidas, sem qualquer risco de “injunções políticas”. Com base nestas mentiras, O Globo até reconhece que a atual política “assegurou ganhos expressivos tanto para trabalhadores como para a grande maioria de aposentados e pensionistas da previdência social” e “tem impacto ainda sobre os salários que estão ligeiramente acima do piso”.

Mesmo assim, o jornal afirma que ela prejudica o Brasil. “Se por um lado tal regra de fato deu previsibilidade à política de valorização do mínimo, por outro instituiu um mecanismo de indexação que ignora a conjuntura. A variação do PIB de dois anos antes pode não ser compatível com a situação da economia no momento em que o ajuste é repassado ao salário mínimo”. Para o jornalão patronal, a atual política de valorização do salário mínimo “ignora as condições da economia”, “não tem relação com a produtividade do trabalho” e “tira competitividade das cadeias produtivas (pela elevação dos custos)”. Neste sentido, blefa O Globo, “em vez de se conseguir que haja um avanço da massa salarial, asfixia-se a galinha dos ovos de ouro”. O cinismo do diário é descomunal!

Com base nele, o jornal decreta: “Tal regra tem data para terminar: 2015. A indexação automática, e inflexível, não pode se perpetuar. Pela importância do salário mínimo no conjunto da economia brasileira, essa indexação se transformou em fonte de pressão sobre a inflação”. O Globo nada diz sobre o impacto positivo da política de valorização do salário mínimo, que aqueceu o mercado interno e evitou que a crise capitalista mundial fosse ainda mais destrutiva no Brasil. Nada fala sobre os milhões de brasileiros que finalmente tiveram acesso ao consumo nem sobre os milhões de empregos criados como resultado desta política. Se dependesse da famiglia Marinho, o Brasil não teria leis trabalhistas e nem assalariados – e voltaria à época da escravidão pura e simples!"
Fonte: Blog do Miro

Musa da Semana: Emily Ratajkowski

Aviso: Post indicado apenas para maiores de 18 anos.
Passado o período carnavalesco - brasileiro por excelência - podemos retomar eventualmente nosso passeio pelo mundo, mostrando musas de outras paragens.
Sim porque as maravilhosas brasileiras de todas as cores e idades, apesar de se destacarem mundialmente, não são as únicas neste vasto mundo, façamos justiça.
Desta vez atravessamos o Atlântico e demos uma parada na histórica e atrativa Londres, do Velho Mundo, em busca de uma jovem que havia anunciado aos quatro ventos sua existência em um clipe musical de um cantor chamado Robin Thicke.
Nós reproduzimos a seguir este video. A música é bem ruizinha pelos padrões do blog. Mas as meninas salvam esta mal afamada produção.
Pois é ali que se destaca a nossa musa da semana, Emily Ratajkowski. É a morena de cabelos soltos que dança meio desengonçada. Apenas um charme a mais.
Pelo sobrenome já percebemos que tem ali mistura étnica. Bom sinal.
Vamos ao clip.



Depois desse, já foi produzido um video especialmente para mostrar sua beleza. A seguir.



Quando tinha 17 anos participou do seriado "iCarly".
Já cursou Artes e a notícia mais recente é que está filmando "Gone Girl" ao lado de Ben Affleck com direção de David Fincher.
Estamos aguardando ansiosamente.








Essa essa eu 'peguei' no tumblr. A moça tem bom humor também




6 de março de 2014

O tempo no fim de semana

Aí galera, previsão do tempo para a Região Sudeste neste fim de semana.
Quem está esperando praia pode se decepcionar (em algumas áreas).
Mas sabem como são essas previsões... De repente a frente fria se dissipa. Ou piora!
De qualquer forma não posso deixar de comentar que gostei da metereologista. : )

Ajuda na Era do Smartphone (ou 'Humor de Quinta' Volume 2)

Com a popularização do Smartphone e suas facilidades de comunicação como WhatsApp, Facebook, Torpedos, Twitter, envio de imagens e... telefone, já ia esquecendo, pedir ajuda para alguém ficou mais fácil, não acham? Bem, mais ou menos.

Enquanto isso, na Crimeia...


Parlamento da Crimeia decide por anexação à Rússia e convoca referendo

Por unanimidade, Legislativo aprovou incorporação do território a Moscou; no dia 16 de março, população da região vota para ratificar união

"O parlamento da região autônoma da Crimeia, na Ucrânia, aprovou nesta quinta-feira (06/03) por unanimidade a incorporação de seu território à Rússia. Para ratificar a decisão do Legislativo, será convocado um referendo sobre o assunto no dia 16 de março, em que a população da Crimeia decidirá se continua como uma república autônoma da Ucrânia, ou se passa a fazer parte da Rússia.

"Esta é a nossa resposta à desordem e ilegalidade de Kiev. Decidiremos nosso futuro nós mesmos", disse Sergei Shuvainikov, parlamentar da Crimeia. "A decisão de hoje foi adotada pelos deputados como uma política de responsabilidade. Nós vivemos aqui e entendemos melhor a situação", completou Vladimir Konstantinov, presidente do parlamento.

A data do referendo foi fixada duas semanas antes do previsto inicialmente. Além de indagar sobre a autonomia da Crimeia, a consulta popular também perguntará aos eleitores se a Constituição de 1992 da Crimeia deve ou não ser restabelecida. De acordo com tal Carta Magna, a república autônoma da Crimeia pertence à Ucrânia, mas tem suas relações com Kiev definidas com base em acordos mútuos.

Na semana passada, o Legislativo da Crimeia já havia, em sessão extraordinária, condenado a deposição do presidente ucraniano Viktor Yanukovich, rompido com Kiev, sinalizado por mais autonomia, dissolvido o Executivo regional e empossado o governo pró-Moscou de Sergei Axionov."
Fonte: Opera Mundi

Raridade Musical e Cinematográfica Oriental: Ike Reiko (ou 'Humor de Quinta - Volume 1')


Atenção: Post indicado apenas para maiores de 18 anos.
Gostar de música - como é o caso deste blogueiro - pode ir bem além do fato de apenas ouvi-la.
Outras nuances podem estar presentes como o estudo da época que a música foi criada, a coleção de raridades, a admiração e/ou análise de capas, etc.
Enfim, um passatempo amplo e às vezes sociológico, psicológico e antropológico.
E muitas surpresas podem estar reservadas nessas buscas.
Olhem só o que achei na Internet.
O disco foi lançado em 1971. 
Por uma japonesa chamada Ike Reiko.
O nome da obra é "Kokotsu Sekai No". 
Não sei a tradução, muito menos os caminhos tomados pela Ike.
Parece que ela era uma atriz de filmes eróticos e de ação.
Trata-se de uma das grandes raridades para colecionadores de vinis originais.
E seus filmes andam sendo procurados também.
Para nós apenas uma curiosidade vinda do Oriente.
Em tempo: talvez seja melhor não ouvir o video abaixo.
Com relação a suas atuações cinematográficas (filmes classe Z), com sorte talvez encontrem alguma coisa no You Tube. Eu achei. : )



5 de março de 2014

Saúde Física e Mental: Benefícios Gerais da Prática Meditativa - Guia e Pesquisas Científicas

Bom este video.
Simples, sem misticismo e que pode efetivamente ajudar a inúmeras pessoas que atravessam momentos difíceis ou simplesmente para aprender a vivenciar o momento.
Ansiedade, auto-cura, foco, disciplina da mente, equilíbrio das emoções, interação corpo-mente, prevenção do Mal de Alzheimer, etc.
Mas como meditar? 
Vale a pena ver e ouvir.



"Porque e para quê meditar? Preciso de alguma coisa especial? Será que consigo simplesmente não pensar em nada? Saiba o que realmente é meditação e aprenda hoje mesmo como fazer!"

Em complemento: O Poder da Medtação. 
Programa "Globo Reporter".

4 de março de 2014

O Tempo

Como anda a sua sensação de passagem do tempo?
Pode ser um tema preocupante.
Sobretudo se não somos mais tão jovens...

Fonte: Blog da Saúde

3 de março de 2014

Frase da Semana (escrita há décadas por Clarice Lispector)

"Na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular".

"Mineirinho foi um dos bandidos mais procurados pela polícia carioca na década de 1960. Ele era uma espécie de “Robin Hood” carioca.

Os moradores o ajudavam quando os policiais invadiam a favela da Mangueira, onde morava.

Sua morte, em maio de 1963, foi amplamente noticiada pelos jornais e revistas da época, dentre elas a Senhor, na qual Clarice Lispector escrevia desde 1958.

O texto Mineirinho foi encomendado pelo conselho editorial da revista e publicado no mês seguinte ao fato. Nele, Clarice descreve com agudeza sua visão sobre o justiçamento, um tema presente nos debates de hoje no Brasil." (DCM)
A grande escritora Clarice Lispector
Mineirinho
"É, suponho que é em mim, como um dos representantes do nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irre­dutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: “O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no céu”. Respondi-lhe que “mais do que muita gente que não matou”.Por que? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim.

Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.

Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais.

Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos.

Até que treze tiros nos acordam, e com horror digo tarde demais — vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu – que ao homem acuado, que a esse não nos matem. Porque sei que ele é o meu erro. E de uma vida inteira, por Deus, o que se salva às vezes é apenas o erro, e eu sei que não nos salvaremos enquanto nosso erro não nos for precioso. Meu erro é o meu espelho, onde vejo o que em silêncio eu fiz de um homem. Meu erro é o modo como vi a vida se abrir na sua carne e me espantei, e vi a matéria de vida, placenta e sangue, a lama viva.

Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. Como não amá-lo, se ele viveu até o décimo-terceiro tiro o que eu dormia? Sua assustada violência. Sua violência inocente — não nas conseqüências, mas em si inocente como a de um filho de quem o pai não tomou conta.

Tudo o que nele foi violência é em nós furtivo, e um evita o olhar do outro para não corrermos o risco de nos entendermos. Para que a casa não estre­meça.

A violência rebentada em Mineirinho que só outra mão de homem, a mão da esperança, pousando sobre sua cabeça aturdida e doente, poderia aplacar e fazer com que seus olhos surpreendidos se erguessem e enfim se enchessem de lágrimas. Só depois que um homem é encontrado inerte no chão, sem o gorro e sem os sapatos, vejo que esqueci de lhe ter dito: também eu.

Eu não quero esta casa. Quero uma justiça que tivesse dado chance a uma coisa pura e cheia de desamparo em Mineirinho — essa coisa que move montanhas e é a mesma que o fez gostar “feito doido” de uma mulher, e a mesma que o levou a passar por porta tão estreita que dilacera a nudez; é uma coisa que em nós é tão intensa e límpida como uma grama perigosa de radium, essa coisa é um grão de vida que se for pisado se transforma em algo ameaçador — em amor pisado; essa coisa, que em Mineirinho se tornou punhal, é a mesma que em mim faz com que eu dê água a outro homem, não porque eu tenha água, mas porque, também eu, sei o que é sede; e também eu, que não me perdi, experimentei a perdição.

A justiça prévia, essa não me envergonharia. Já era tempo de, com ironia ou não, sermos mais divinos; se adivinhamos o que seria a bondade de Deus é porque adivinhamos em nós a bondade, aquela que vê o homem antes de ele ser um doente do crime. Continuo, porém, espe­rando que Deus seja o pai, quando sei que um homem pode ser o pai de outro homem.

E continuo a morar na casa fraca. Essa casa, cuja porta protetora eu tranco tão bem, essa casa não resistirá à primeira ventania que fará voar pelos ares uma porta tran­cada. Mas ela está de pé, e Mineirinho viveu por mim a raiva, enquanto eu tive calma.

Foi fuzilado na sua força desorientada, enquanto um deus fabricado no último instante abençoa às pressas a minha maldade organizada e a minha justiça estupidificada: o que sustenta as paredes de minha casa é a certeza de que sempre me justificarei, meus amigos não me justificarão, mas meus inimigos que são os meus cúmplices, esses me cumprimentarão; o que me sustenta é saber que sempre fabricarei um deus à imagem do que eu precisar para dormir tranqüila e que outros furtivamente fingirão que estamos todos certos e que nada há a fazer.

Tudo isso, sim, pois somos os sonsos essenciais, baluartes de alguma coisa. E sobretudo procurar não entender.

Porque quem entende desorganiza. Há alguma coisa em nós que desorganizaria tudo — uma coisa que entende. Essa coisa que fica muda diante do homem sem o gorro e sem os sapatos, e para tê-los ele roubou e matou; e fica muda diante do São Jorge de ouro e diamantes. Essa alguma coisa muito séria em mim fica ainda mais séria diante do homem metralhado. Essa alguma coisa é o assassino em mim? Não, é desespero em nós. Feito doidos, nós o conhecemos, a esse homem morto onde a grama de radium se incendiara. Mas só feito doidos, e não como sonsos, o conhecemos. É como doido que entro pela vida que tantas vezes não tem porta, e como doido compreendo o que é perigoso compreender, e só como doido é que sinto o amor profundo, aquele que se confirma quando vejo que o radium se irradiará de qualquer modo, se não for pela confiança, pela esperança e pelo amor, então miseravelmente pela doente coragem de destruição. Se eu não fosse doido, eu seria oitocentos policiais com oitocentas metralhadoras, e esta seria a minha honorabilidade.

Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. Uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização.

Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento.

Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado. Na hora de matar um criminoso – nesse instante está sendo morto um inocente. Não, não é que eu queira o sublime, nem as coisas que foram se tornando as palavras que me fazem dormir tranqüila, mistura de perdão, de caridade vaga, nós que nos refugiamos no abstrato.

O que eu quero é muito mais áspero e mais difícil: quero o terreno."

2 de março de 2014

"A Segunda Guerra Fria": para começar a entender o que está acontecendo hoje (ou pode acontecer em breve) na Ucrania, Venezuela, Brasil, Países Árabes, etc.

Venezuela: a próxima vítima dos EUA

Por F.C. Leite Filho

"O politólogo Moniz Bandeira, autor do livro A Segunda Guerra Fria advertiu que o que ocorre na Venezuela é produto da mesma estratégia aplicada nos países da Eurásia, na chamada “primavera árabe” e outra vez na Ucrânia. Segundo Moniz, autor de mais de 20 livros sobre as relações dos Estados Unidos com a América Latina e agora com a Europa e a Ásia, há um esquema de Washington para subverter os regimes, que foi aperfeiçoado, desde o governo de George W. Bush, e começa com  o treinamento de agentes provocadores.

- Tais agentes infiltrados organizam manifestações pacíficas, com base nas instruções do professor Gene Sharp, no livro From Dictatorship to Democracy, traduzido para 24 idiomas e distribuído pela CIA e pelas fundações e ONGs. O objetivo é levar os governos a reagirem, violentamente, e assim poderem ser acusados de excessos na repressão das manifestações e de violar os direitos humanos etc., o que passa a justificar a rebelião armada, financiada e equipada do exterior e, eventualmente, a intervenção humanitária – explica o politólogo.

A estratégia, ainda segundo Moniz Bandeira, hoje residindo na Alemanha, consiste em fomentar o Political defiance, i.e., o desafio político, termo usado pelo coronel Robert Helvey, especialista da Joint Military Attaché School (JMAS), operada pela Defence Intelligence Agency (DIA), para descrever como derrubar um governo e conquistar o controle das instituições, mediante o planejamento das operações e a mobilização popular no ataque às fontes de poder nos países hostis aos interesses e valores do Ocidente.

- Ela visa a solapar a estabilidade e a força econômica, política e militar de um Estado sem recorrer ao uso da força por meio da insurreição, mas provocando violentas medidas, a serem denunciadas como “overreaction by the authorities and thus discrediting the government”. A propaganda é “a key element of subversion” e inclui a publicação de informações nocivas às forças de segurança, bem como a divulgação de rumores falsos ou verdadeiros destinados a solapar a credibilidade e a confiança no governo, diz o politólogo brasileiro.

Trata-se do que o coronel David Galula definiu como “cold war revolutionary”, i.e., atividades de insurgência que permanecem, na maior parte do tempo, dentro da legalidade, sem recorrer à violência.

- Assim aconteceu na Sérvia, na Ucrânia, Geórgia e em outros países, pela Freedom House e outras ONGs americanas, que instigaram e ajudaram, com o emprego de ativistas, a impulsar as demonstrações na Síria, como expus, documentadamente, em a A Segunda Guerra Fria. Agora está sendo aplicada na Venezuela e, seguramente, tentam aplicar no Brasil com os black block.

As conclusões de Moniz Bandeira estão fartamente no livro A Segunda Guerra Fria, editado recentemente pela Editora civilização Brasileira, inclusive com edição em e-book nas diversas ofertas do mercado, como a Amazon.com

Sobre o livro
Os Estados Unidos por trás das revoltas da chamada Primavera Árabe e como mentor dos atos de terrorismo de Estado no Oriente Médio, são algumas das conclusões do novo livro do cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira, há 17 anos residindo na Alemanha, e que chega ao Brasil sob o título “A Segunda Guerra Fria – Geopolítica e dimensão estratégica dos Estados Unidos – Das rebeliões na Eurásia à África do Norte e Oriente Médio”. É lançado pela Editora Civilização Brasileira, com prefácio do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Aprofundando e atualizando as questões apresentadas em “Formação do Império Americano”, seu último livro sobre a região, de 2005, traduzido até para o chinês, o autor de mais de 20 obras e considerado a maior autoridade na análise da influência da política norte-americana no Brasil e no continente, faz algumas revelações, nesta obra, que deixariam pasmado qualquer observador menos atento da cena internacional:

Luiz Alberto Moniz Bandeira
“Foram a CIA e o Inter-Services Intelligence (ISI) do Paquistão e o Ri’ãsat Al-Istikhbãrãt Al-’Ãmah, o serviço de inteligência da Arábia Saudita, que institucionalizaram o terrorismo em larga escala, com o estabelecimento de campos de treinamento no Afeganistão, a fim de combater as tropas da União Soviética (1979-1989), fornecendo aos mujahin toda sorte de recursos e sofisticados petrechos bélicos - de 300 a 500 mísseis antiaéreos Stinger, dos Estados Unidos”. Antes, ele havia assinalado logo no início, à página 37, que o terrorismo, na realidade, não era novo e nos anos 1960 e 1970, tanto a Organização para a Liberação da Palestina (OLP), quanto a Frente de Libertação Nacional (FLN), da Argélia, e a Frente de Libertação da Eritreia (FLE) recorreram a esse método de luta, sem que configurasse ameaça internacional. Tais ações seriam parte da estratégia dos Estados Unidos e da Europa para travar a influência, primeiro da União Soviética, e depois da Rússia e da China naquela parte do mundo que controla dois terços da produção mundial de petróleo.

Outros dados da operação afegã: ”A CIA forneceu em torno de 3,3 bilhões de dólares, dos quais pelo menos a metade proveio da Arábia Saudita. Mais de US$ 250 milhões fluíam mensalmente, para os mujahidin da Arábia Saudita e de outros países árabes… Entrementes, agentes do ISI e da CIA recrutavam e treinavam entre 16.000 e 18 mil mujahihin, aos quais Usamah (Osama) bin Ladin uniu um contingente de 35.000 árabes-afegãos. O MI6 (Secret Intelligenece Service), da Grã Bretanha, também colaborou na operação, apoiando, com equipamentos de rádio e instrutores, os mujahidin de Ahmad Shah Massoud (1953-2001), um sunita-afegão-tadjique que posteriormente comandaria a Aliança Norte contra os Talibãs”.

O livro, de 714 páginas, é muito minucioso e didático, mostrando, com abundantes mapas, gráficos e documentos confidenciais, cada uma das situações da região, abalada mais recentemente com as revoltas iniciadas na Tunísia, Líbia, Egito, Yemen e Síria. Cada episódio vem encadeado em capítulos sempre precedidos de resumo e de ementas. São exemplos as razões profundas da derrubada e do linchamento físico do ex-homem forte da Líbia, Muammar Gadaffi, , a resistência do presidente da Síria, Bashar Al-Assad, e a impopularidade dos rebeldes sírios, por devastarem as cidades e o embuste dos direitos humanos, usado pelas grandes potências para justificar sua intervenção.

Quanto à Líbia, o livro relata a política de boa vizinhança tentada por Gaddafi, que incluiu a renúncia à energia nuclear, o restabelecimento de relações com Washington, Londres e Paris. Mas o que se viu em seguida foi “a revolução fabricada pelo DSGE da França, a matança de entre 90.000 e 120.000 pessoas, Gaddafi linchado, brutalizado, abusado, assassinado”. O resultado do que ele chama de disputa pelo “sramble” petrolífero foi que a Líbia virou “um país sem governo e sem Estado, o vacuum político e as disputas tribais”."
Fonte: Revista Diálogos do Sul

P.S. do Blog de Luiz Felipe Muniz: É isso tudo que vem acontecendo cada vez mais claramente com a Ucrânia e a Venezuela. Pode-se até não gostar do Putin (e eu não gosto) ou do Maduro, mas eles tentam se livrar deste controle mundial americano, de olho em seus países (gás, petróleo e influência anti-americana regional). 
Os Ucranianos que optaram pela Europa podem vir a ser apenas mais uma o base da OTAN (leia-se base americana) ou acabar como a Grécia. A não ser que os americanos injetem recursos altíssimos naquela economia, o que acho difícil.
Já na Venezuela, há muitos anos os americanos tentam retomar o controle petrolífero que tiveram durante décadas, responsável  pela brutal desigualdade social que gerou o Hugo Chávez (é bom lembrar que ele não foi causa e sim efeito, resposta).
Quanto ao Brasil, não precisa pensar muito no que anda acontecendo por aqui. E não faltam motivos: pré-sal, potência regional não alinhada, mercado internacional disputado, grande produtor de alimentos, etc. Tudo contribuindo para os olhos grandes da águia que indiretamente está agindo. O pior é que tem muito brasileiro consciente ou inconscientemente contribuindo para um 1964 volume II (desta vez de forma diferente, é claro).
Isso nada mais é do que Geopolítica Internacional, que afeta a todos nós.
E mais não digo porque é domingo de carnaval, amanheceu nublado(!) e vou começar a separar a carne para o churrasco com a família e amigos, acompanhado de uma(s) Terezópolis bem geladas e Ices sabores Kiwi e Maracujá. Só não comprei carne Friboi. É que me lembrei do comercial alienígena do Roberto Carlos!

1 de março de 2014

Ninguém esperava que Barbosa fosse admitir a manipulação das penas

Do Diário do Centro do Mundo.

"O artigo abaixo, de Felipe Raconto, foi publicado originalmente no Estado de S. Paulo.

Em meio às falas sobrepostas na sessão de quarta do STF, o ministro Joaquim Barbosa soltou uma frase que guardava consigo há pelos menos três anos:”Foi para isso mesmo, ora!”

Barbosa acabava de admitir abertamente o que o ministro Luís Roberto Barroso dizia com certos pudores. A pena para os condenados pelo crime de formação de quadrilha no julgamento do mensalão foi calculada, por ele, Barbosa, para evitar a prescrição. Por tabela, disse Barroso, o artifício matemático fez com que réus que cumpririam pena em regime semiaberto passassem para o regime fechado.

A assertiva de Barroso não era uma abstração ou um discurso meramente político. A mesma convicção teve, para citar apenas um, o ministro Marco Aurélio Mello. Em seu voto, ele reconheceu a existência de uma quadrilha, mas considerou que as penas eram desproporcionais. E votou para reduzi-las a patamares que levariam, ao fim e ao cabo, à prescrição. Algo que Barbosa há muito temia, como se verá a seguir.

Foi essa suposição de Barroso que principiou a saraivada de acusações e insinuações do presidente do STF contra os demais ministros. Eram 17h33, quando Barroso apenas repetiu o que os advogados falavam desde 2012 e que outros ministros falavam em caráter reservado.

Joaquim Barbosa acompanhava a sessão de pé, reticente ao voto de Barroso, mas ainda calmo. Ao ouvir a ilação, sentou-se de forma apressada e puxou para si os microfones que ficam à sua frente. Parecia que dali viria um desmentido categórico, afinal a acusação que lhe era feita foi grave.

Mas Joaquim Barbosa não repeliu a acusação. Se o fizesse, de fato, estaria faltando com a sua verdade, não estaria de acordo com a sua consciência. Três anos antes, em março de 2011, Joaquim Barbosa estava de pé em seu gabinete. Não se sentava por conta do problema que ainda supunha atacar suas costas. Foi saber depois, que suas dores tinham origem no quadril.

A porta mal abrira e ele iniciava um desabafo. Dizia estar muito preocupado com o julgamento do mensalão. A instrução criminal, com depoimentos e coleta de provas e perícias, tinha acabado. E, disse o ministro, não havia provas contra o principal dos envolvidos, o ministro José Dirceu. O então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, fizera um trabalho deficiente, nas palavras do ministro.

Piorava a situação a passagem do tempo. Disse então o ministro: em setembro daquele ano, o crime de formação de quadrilha estaria prescrito. Afinal, transcorreram quatro anos desde o recebimento da denúncia contra o mensalão, em 2007. Barbosa levava em conta, ao dizer isso, que a pena de quadrilha não passaria de dois anos. Com a pena nesse patamar, a prescrição estaria dada. Traçou, naquele dia em seu gabinete, um cenário catastrófico.

O jornal O Estado de S. Paulo publicou, no dia 26 de março de 2011, uma matéria que expunha as preocupações que vinham de dentro do Supremo. O título era: “Prescrição do crime de formação de quadrilha esvazia processo do mensalão”.

Dias depois, o assunto provocava debates na televisão. Novamente, Joaquim Barbosa, de pé em seu gabinete, pergunta de onde saiu aquela informação. A pergunta era surpreendente. Afinal, a informação tinha saído de sua boca. Ele então questiona com certa ironia: “E se eu der (como pena) 2 anos e 1 semana?”.

Barroso não sabia dessa conversa ao atribuir ao tribunal uma manobra para punir José Dirceu e companhia e manter vivo um dos símbolos do escândalo: a quadrilha montada no centro do governo Lula para a compra de apoio político no Congresso Nacional. Barbosa, por sua vez, nunca admitira o que falava em reserva. Na quarta-feira, para a crítica de muitos, falou com a sinceridade que lhe é peculiar. Sim, ele calculara as penas para evitar a prescrição. “Ora!”"

Nas Asas do Vento ("The Wind Rises")

Mais um filme produzido fora do circuito EUA/Inglaterra que dificilmente veremos em cartaz nos cines-shoppings daqui.
E olha que é uma animação indicada para o Oscar!
Através da biografia de Jiro Hiroshi, um apaixonado por aviões e desenhista dos mesmos, viaja-se pela complexa história do Japão na primeira metade do século XX, que inclui a epidemia de tuberculose, a grande depressão e a entrada 2ª guerra mundial.
O filme já ganhou diversos prêmios internacionais e deve ser a última realização do ótimo diretor Hayao Myiazaki.
Talvez só consigamos ver no Brasil em festivais, DVD ou eventuais exibições na TV por assinatura. Tomara que eu esteja enganado, uma vez que tem a Touschstone como investidora.
Fora isso, só restará a Internet.
Uma boa tradução seria "Nas Asas doVento".