24 de abril de 2013

Um Dia com Fagundes

Há exatamente um ano, em 24 de abril de 2012, publicamos o post que reproduzimos abaixo.
Obviamente que gostaria de não tê-lo feito.
Foi um dos posts que tivemos mais comentários aqui no blog.
Quem conhecia o Fagundes tornava-se amigo dele. E, se gostasse de música então, o Fagundes tornava-se ídolo. Isso sem o nosso velho amigo - que se foi tão cedo - ser um músico.
No domingo passado diversos 'fãs' promoveram um encontro que foi chamado "Um dia com Fagundes". 
Uma merecida homenagem feita com muito carinho e lembranças.
Como moro em outra cidade e estava com problemas de saúde não pude comparecer, mas espero estar presente em um provável "outro dia com Fagundes".
As fotos que aparecem neste post são do evento onde estão apenas alguns dos seus amigos de longa data.
Sei que muitos leitores do blog não fazem a mínima ideia de quem estou falando mas trata-se daquele tipo de pessoa com luz própria e que dividia sua luz com os que o rodeavam.
Falta gente assim no mundo.
Por isso recomendo a leitura da história a seguir.



"Fazer o jornal Metamúsica por cinco anos na década de 1990 me proporcionou muitas alegrias. Talvez a mais importante tenha a sido a de conhecer inúmeros "amigos musicais", de minha cidade, do país e do exterior. 
Muitos deles tornaram-se colaboradores, não apenas escrevendo, mas também prestando outros tipos de ajuda direta ou indiretamente. Dentre esses estava o Fagundes, da cidade de Macaé, RJ (nasceu em uma pequena cidade do noroeste fluminense chamada Porciúncula).
Fagundes ela aquele tipo de pessoa que você diz: "quem não gosta dele está errado". E não quer nem saber o motivo. Ele era a "figuraça" no bom sentido. 
Carisma único que unia as pessoas ao redor dele. Sempre pronto a dar atenção, sempre brincando com os "peões" (todo mundo para ele era "peão" ou "pião"), sempre ajudando alguém em alguma coisa.
Sua grande paixão - além da arquitetura - era a música. Viveu ao redor dela desde os anos 1970. Não apenas como um amante/colecionador (devia ter mais de 25.000 discos) mas também realizando coisas a favor da música.
Já por volta de 1972 fazia um programa na Radio AM "Princesinha do Atlântico" (ainda não existia FM) chamado "Musipop" que durou dois anos. Sabe o que ele e os amigos tocavam? Santana, Hendrix, Deep Purple, Yes, ELP, Pink Floyd, Mutantes...
De certa feita eles levaram uma "corrida" da polícia porque estavam gravando o show do Santana na quadra do Maracanazinho para tocar no programa!
Depois do curso de Arquitetura no Rio retornou a Macaé e voltou a fazer programas de MPB (conseguiu entrevistar todo mundo, de Gilberto Gil a 14 Bis), Jazz e Rock Progressivo.
Nos anos 90 voltou-se para a produção de shows. Não como profissional da área. Mas como um fanático por música que queria trazer para sua cidade aqueles músicos que amava tanto. Para isso muitas vezes 'inteirava' o que faltava com dinheiro de seu bolso. 
E trouxe: Hermeto Pascoal, Baden Powel, Marcus Ariel, Toninho Horta, Focus, Quaterna Requiem, Tempus Fugiti, Pendragon, Sagrado, Apocalypse, etc. etc. etc.
Em resumo, além da alma boa, tinha esse tipo de iniciativa que fazia a alegria de milhares de pessoas que gostavam de música. E era essa a sua realização: ver o teatro cheio, nem um pouco preocupado com a renda, mas sim com a satisfação do músico e com o deleite da platéia.
Tanta ligação com a música fez com que ele escolhesse um nome especial para sua filha caçula: Layla. Quem é fã de Eric Clapton sabe o que isso significa.
Layla era uma bela menina-moça, cheia de sonhos e planos. Quem sabe ainda iria conhecer pessoalmente o Clapton. Estava com 19 anos, idade do meu filho Vinícius (que é um grande guitarrista, sempre música...).
Fagundes e Layla partiram ontem desta vida. Um daqueles estúpidos acidentes. Um ônibus veio em cima deles em uma estrada que nem era muito movimentada.
Rose, a esposa dele, sobreviveu. O namorado de Layla também.
Hoje eu vi Fagundes e Layla pela última vez. E dei um forte abraço em Rose e na mãe de Fagundes, uma velhinha simpática que continua lúcida.
Que Deus os abençoe e dê forças.
Que Fagundes e Layla agora conheçam pessoalmente aqueles ídolos que já se foram também. Com certeza estão em bom lugar agora.
Se o mundo deixou que ambos partissem, pior para o mundo, pior para nós.
E, no fim, deve haver algum motivo, só não me perguntem qual.
A luz do "amigo musical" Fagundes vai continuar a acompanhá-lo, onde ele estiver."
Marcos Oliveira, 24/04/2012

 

3 comentários:

JEFFERSON disse...

GRANDE FAGUNDES!
NÃO SABIA DA HOMENAGEM.
TAMBÉM, MORO EM SÃO PAULO E CONHECI ELE EM UM SHOW NO RIO.
REALMENTE NO NOSSO MUNDO DA MÚSICA NÃO EXISTIA NINGUÉM IGUAL A ELE.
SAUDADES DO AMIGO.

Anônimo disse...

Parabéns pela iniciativa.
Espero que estejam tratando bem o incrível acervo de discos dele, um dos melhores e maiores do Brasil.

L.C.L. disse...

Olá Marcos.
Não tinha lido seu texto da época. Emocionante.
Nem acredito que já se passou 1 ano!
Legal o tributo que o pessoal prestou a ele.
Abraços.